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Yellow: a startup que aposta que os brasileiros agem corretamente

3 de agosto de 2018

Tiago Queiroz/Estadão

Bicicletas compartilhadas não são novidade nas principais cidades brasileiras. Elas são coloridas, alegres e presas a fortes barras metálicas quando não estão em uso. Mas, o que vem intrigando muitas pessoas, em especial, empreendedores e investidores ao redor do mundo são as bicicletas compartilhas que ficam disponíveis e soltas em qualquer lugar. O usuário destrava a bicicleta, sai pedalando e depois a deixa em qualquer local público. Se isto por si só já traria uma série de questões sobre furtos, vandalismos e segurança, os números que estas startups têm alcançado surpreendem.

A chinesa Ofo, a maior delas, tem valor estimado de US$ 3 bilhões. Ela tem mais de (inacreditáveis) 15 milhões de bicicletas espalhadas ao redor do mundo e já captou US$ 2,2 bilhões de investidores. Sua maior concorrente, a Mobike, acabou de ser adquirida por US$ 3,4 bilhões.  Estes números têm incentivado centenas de empreendedores a fundar negócios similares ao redor do mundo. A Lime, uma startup norte-americana, que aluga bicicletas e também scooters elétricos, já captou quase US$ 467 milhões e se tornou uma startup unicórnio (com valor acima de US$ 1 bilhão) em menos de um ano de vida.

Agora este tipo de startup também estreia no Brasil por meio da Yellow, a nova startup criada por Ariel Lambrecht e Renato Freitas, co-fundadores da 99, e Eduardo Musa. A Yellow também já captou US$ 9 milhões, um valor muito alto para os padrões brasileiros para esta fase do negócio, e aposta no mesmo modelo de aluguel de bicicletas sem as travas fixas em locais pré-determinados.

O usuário baixa o aplicativo, faz o cadastro indicando o meio de pagamento e já consegue destravar uma das 500 bicicletas amarelas (é claro) deixadas na região da Av. Faria Lima e Vila Olímpia na cidade de São Paulo. O custo é de R$ 1 a cada 15 minutos. A fase é ainda de testes e ajustes, mas a Yellow já planejou disponibilizar 100 mil bicicletas em todas as regiões de São Paulo e em outras cidades em 2019.

Mais do que uma boa oportunidade de negócio, a proposta da Yellow é redefinir como as pessoas interagem com a sua cidade, não só por meio do deslocamento em si, mas principalmente em acreditar que as pessoas fazem o que é correto, não para si, mas para os outros. No caso da Yellow, o correto é utilizar a bicicleta com cuidado e deixá-la em locais públicos. Isto pressupõe não furtá-la, não retirar suas peças, não desmontá-la, não revender suas peças, não mantê-la em locais fechados.

Por isso, a torcida pelo sucesso da Yellow não é pela empresa em si, mas por um comportamento que o País precisa para, de fato, se tornar não um País de futuro mas uma nação do presente.

Mas esta torcida não é apenas pelo Brasil. Em todos os países que este modelo de negócio estreou, as preocupações foram as mesmas. No Chile, as bicicletas da Mobike começaram a ser furtadas, aparecer nas sacadas de apartamento, dentro de carros, ou ainda jogadas em topos de árvores. O símbolo deste incômodo foi um vídeo em que um grupo de jovens arremessa a bicicleta no rio Mapocho, que cruza Santiago. Muitos se incomodaram com aquela atitude e os veículos de mídia criticaram severamente o grupo afirmando que estas atitudes não representavam os chilenos.

O sucesso da Yellow no Brasil será um símbolo de que o País tem futuro… agora!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.