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Blog do Empreendedor
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Uma ação sempre vale mais que mil palavras

23 de janeiro de 2017

Cal Newport é um jovem professor de ciência da computação da universidade de Georgetown, nos EUA, que escreve livros sobre alta performance nos estudos e na vida profissional, e que funcionam como manuais práticos de “como fazer”. E antes que perguntem: não, não é autoajuda. Seus livros ainda não estão editados no Brasil, mas recomendo todos a leitura, e podem ser comprados e baixados em inglês na Amazon.

O professor Newport choca a muitos com uma visão totalmente antirromântica da vida pessoal e profissional para atingir objetivos.

Ele afirma, por exemplo, que devemos evitar seguir nossas paixões profissionais – pois as paixões, conforme o professor, passam e nem sempre são boas conselheiras. Devemos, isso sim, procurar descobrir e nos agarrar às nossas habilidades naturais, aquilo no qual somos bons de verdade: ser bom – em alguma coisa – nos faz felizes.

E como descobrimos como somos bons? Tentativa e erro. Fazendo muitas coisas diferentes, testando, trabalhando, percebendo o impacto de nossas ações no entorno, e assim focando naquelas que nos saímos melhor. Não importa o trabalho que se faz – humilde, mal remunerado, voluntário, ou bem remunerado –  isso é secundário, sempre que você sente que há um aprendizado

Ou seja, não é sobre fazer o que se gosta, e sim fazer do jeito que se gosta.

Mesmo antes de conhecer os ensinamentos de Newport, aposto que muitos que estão lendo já praticam de forma natural alguns dos seus principiais ensinamentos:

1. Descubra quais habilidades você pode se diferenciar acima da média, e entenda o porquê
2. Melhore e seja muito bom naquilo que escolheu fazer (estude, treine, etc.)
3. Não espere prêmios dos outros, pois é uma jornada longa e individual
4. Dê passos pequenos, e construa coisas grandes, deixe o talento guiar e o resultado aparecer

Para mim sempre fez todo o sentido do mundo, já que eu demorei bastante tempo para me descobrir e amadurecer como empreendedor. E na longa jornada tive muitos trabalhos e aprendizados, muitos fracassos que me possibilitaram, em determinado momento, juntar os pontos para fazer acontecer o Pastifício Primo.

A todas as pessoas que trabalham comigo, sempre procuro orientar na mesma direção de auto-descoberta: se sentem que estão aprendendo, se estão se sentido desafiadas, se gostam dos resultados que percebem do seu trabalho. Estar satisfeito consigo mesmo é muito importante como parte do caminho.

Uma das lições mais fortes – e óbvias – de Newport, em seu último livro Deep Work: as diferenças entre trabalho intenso e trabalho superficial.O trabalho intenso é muito raro, de alto valor e muito difícil de replicar, de copiar. É um valor que a pessoa cultivou ao longo de sua jornada, nos ensinamentos acima. É um valor que não pertence à empresa, pertence à pessoa, e traz ótimas remunerações e coloca a pessoa de frente as melhores oportunidades. Já o trabalho superficial é comum, de baixo valor, e altamente replicável, pode ser copiado por qualquer um, e geralmente é qualquer um que faz mesmo (se o chapéu serviu, cuidado!). É a antítese do trabalho intenso. Se falar é superficial, qualquer um pode falar e falar e não fazer nada. Por outro lado, trabalho intenso é escasso, é feito por pessoas que estão focadas e trabalhando enquanto todos os demais estão falando.

Se você quer se separar da média, pratique o trabalho intenso, sendo tão bom que seja impossível de ser ignorado. O valor é todo seu. O momento é agora, o Brasil precisa.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo escreve toda semana. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br