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Um case de sucesso no Terceiro Setor

12 de novembro de 2018


Esta é a história de Marcelo Nonohay, fundador e diretor executivo da MGN, empresa especializada na gestão de projetos para transformação social. Gaúcho, bom contador de histórias e que nas horas vagas faz aula de guitarra, Marcelo é mestre em administração pela conceituada Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e membro Titular do Conselho Nacional do Voluntariado 2018/2019. Ele conta que a jornada empreendedora começou em 2006, apenas formado em Porto Alegre, e em 2010 desembarcou em São Paulo para colocar a MGN em abrangência nacional. Já deu palestras para mais de 15 mil executivos de empresas nacionais e internacionais, tornando-se uma referência nas áreas de voluntariado empresarial e educação.

Quando teve vontade de empreender?

Sempre tive um exemplo empreendedor dentro de casa. Antes mesmo de eu entender o que significa ser empreendedor eu via várias facetas do empreendedorismo. Tanto as coisas boas quanto as não tão boas em ser dono de um negócio próprio: paixão pelo que se faz e o orgulho pelas realizações; longas horas de trabalho e uma preocupação constante com o bem-estar dos funcionários; satisfação de clientes e a perenidade do negócio. Ser empreendedor sempre foi uma opção aberta, mas só virou uma realidade bem mais tarde. Nesta época eu já estava formado em administração e decidi fazer um mestrado. Neste período, além de um grande aprendizado acadêmico, pela primeira vez entendi que conseguiria viver sem ter um emprego formal e que eu poderia fazer um caminho diferente, pagar os custos e colher os frutos de uma vida mais independente. Foi nesse período que nasceu a MGN.

Olhando para atrás, houve uma inspiração especial?

Sim, na escola fiz parte de um programa que desenvolve empreendedorismo entre jovens com o trabalho de voluntários do mercado – a Miniempresa da Junior Achievement. Essa experiência foi transformadora, pois moldou em grande parte o meu negócio atual.

Primeiro apareceu o empreendedor ou a ideia?

No início eu achava que para ser um empreendedor de sucesso eu teria que ter uma ideia genial. É obvio que se você tem uma ideia genial e o mercado aprova, você está muito bem encaminhado. Mas entendo que nem todos os empreendedores terão uma ideia genial para começar. Olhando em retrospectiva, eu comecei fazendo o que sabia, explorando o que gostava e sempre muito aberto a aprender. Não criei a MGN a partir de uma ideia genial, mas hoje tenho certeza que o que ela faz é genial. Se me perguntassem há uns 15 anos se eu achava que uma empresa como a MGN poderia existir, eu diria que não.

Qual o foco de trabalho da MGN?

Nós trabalhamos com a gestão de projetos para a transformação social. Criamos esse guarda-chuva amplo, pois estamos envolvidos em projetos de voluntariado, educação e diversidade. Por isso, entendemos que nosso negócio sempre tem relação com algum tipo de transformação social que queremos ver na sociedade. Nem sempre tivemos esse foco exclusivo, no entanto. O começo de um negócio é sempre muito difícil. Por se tratar de um negócio de consultoria, também fizemos muitos trabalhos de planejamento: planos de negócios, planejamento estratégico e planos de marketing. Aproveitamos até hoje a experiência que adquirimos com esse tipo de trabalho. Muitos temas que desenvolvemos nessa época ainda aplicamos nos nossos projetos, como por exemplo empreendedorismo, sustentabilidade, inovação, gestão estratégica e pesquisa de mercado.

Como é que a família participa (ou não) no empreendimento?

A família do empreendedor sempre participa do seu negócio. No caso da MGN tenho membros da família que se envolvem de forma pontual em alguns trabalhos, de acordo com suas competências. Além disso, todos sofrem um pouco com as noites mal dormidas, assim como vibram com cada conquista.

E como é a rotina diária de uma empresa do Terceiro Setor?

Nosso cotidiano é bastante intenso. Por sermos uma empresa que presta serviço, é esperado que estejamos funcionando no horário comercial, mas como trabalhamos com muitos eventos, em especial de atividades de voluntariado empresarial, trabalhamos muitas noites e fins de semana, horários em que muitos programas de voluntariado corporativo realizam suas atividades. Para dar conta dessa demanda, zelamos por manter um ótimo clima organizacional, valorizamos a diversidade para que todos se sintam acolhidos e temos sistemas de bonificação para as lideranças e para quem trabalha em eventos. Além disso, o resultado do nosso trabalho sempre é carregado de muita satisfação pessoal, pois atuamos no que eu chamo de Economia do Bem. Para mim, esse conceito vai muito além das definições de Terceiro Setor ou Negócios Sociais. Aqui entram todas as formas de produção, trocas, consumo e descarte que propõem uma revisão das maneiras tradicionais.

Quais são os planos de futuro do negócio?

Nossos planos de futuro incluem a expansão concêntrica de negócios. Estamos explorando novos mercados onde podemos aplicar nossa expertise no Brasil e fora.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora no teu setor, qual seria?

Vejo que atuar no setor, seja por meio de uma Organização ou Negócio Social, ou até mesmo com uma consultoria é muito tentador para os jovens. Essa nova geração já chega ao mercado pensando em empreender com propósito. Todos querem fazer o que gostam. Não há mais espaço para ser infeliz no trabalho e fazer o bem nas horas vagas. O ponto é que empreender em qualquer setor, mesmo que seja para fazer o bem, não é fácil e não é para qualquer um. Às vezes me preocupa ver tantas pessoas se jogando no mercado sem nenhuma noção ou preparo. Mesmo em um negócio que é 100% ligado à realização pessoal do empreendedor, as dificuldades e a vontade de desistir baterão à porta. Tudo começa por autoconhecimento: a pessoa tem que estar disposta a viver a vida de empreendedor.

Qual o futuro do Brasil?

Embora seja um clichê, eu acredito que o Brasil tem um enorme potencial, um grande mercado consumidor, uma cultura rica, grande diversidade ambiental e social, algumas ilhas de excelência e um povo criativo. O problema é que para que esse potencial seja realizado, precisamos investir em educação com um pensamento de longo prazo. Vejo que a MGN dá uma contribuição, pois quando desenvolvemos know-how para dar mais efetividade e maior impacto ao investimento social privado, estamos trabalhando para construir um futuro melhor.

Saiba mais:

http://mgnconsultoria.com.br/

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).