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Um banco diferente

11 de julho de 2018

O que é o crime de assaltar um banco comparado ao crime de fundar um?” O autor dessa frase, Bertold Brecht – dramaturgo, poeta e romancista alemão; considerado um dos grandes pensadores do nosso tempo – não viveu para conhecer um novo modelo de banco: uma organização creditícia, que pensa primeiro nas pessoas, antes de aferir o resultado financeiro. Ao ser entrevistada por Antônio Abujamra, em 2011, Alessandra França, diretora-presidente do Banco Pérola, sorriu ao ouvir a frase. A banqueira às avessas classificou a elaboração como parte de um capitalismo selvagem, muito distante do empreendedorismo de impacto social que defende. Participante de um processo de aceleração da Artemisia, em 2009, a empreendedora tem acumulado grandes conquistas; recentemente, ela ganhou o Prêmio Profissional do Ano da ANEFAC, na categoria Jovem Talento.

Alessandra nasceu em Guaraniaçu, uma pequena cidade do Estado do Paraná. É filha de agricultores que lutavam muito contra a seca. Após um período de estiagem, a família perdeu a lavoura e decidiu partir para a cidade grande em busca de melhores condições de vida. Os pais escolheram o município de Sorocaba, em São Paulo, onde passaram a residir em um bairro periférico, próximo às indústrias. A experiência familiar, uma bolsa de estudos e um projeto social foram os ingredientes para transformar Alessandra França – formada em Marketing e com MBA em gestão de pessoas e finanças com ênfase em bancos – em uma das empreendedoras sociais mais inspiradoras do Brasil.

Alessandra comanda o Banco Pérola, organização voltada à concessão de crédito para nanoempreendedores, microempreendedores e empresas de pequeno porte. Com um Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios – um dos diferenciais do negócio – criou um canal direto com o investidor para garantir taxas mais competitivas, serviço ágil e adequado ao tamanho das empresas atendidas. Alessandra trabalha com o chamado microcrédito produtivo orientado, que auxilia o empreendedor a fazer o melhor uso do dinheiro recebido. De 2010 a 2016, o Pérola apoiou 1.143 pessoas diretamente e 4.572 indiretamente; números que têm crescido ano a ano. Em 2017, o valor concedido foi de R$ 1.049.125,26; no acumulado dos últimos oito anos, o montante de R$ 8.768.686,32. Grande parte desse valor foi emprestado a mulheres empreendedoras da base da pirâmide. Há quatro anos, o Pérola conseguiu aprovar o fundo de investimento na Comissão de Valores Imobiliários (CVM) e hoje atua com uma plataforma de microfinanças.

Alessandra gosta de citar que a etimologia da palavra “crédito” tem origem no latim creditum, particípio passado de credere: acreditar, confiar. No dicionário da Língua Portuguesa, crédito é um substantivo que significa confiança que inspira as boas qualidades de uma pessoa; confiabilidade, credibilidade. Com o Banco Pérola, Alessandra França resgatou o sentido bonito e nobre da palavra.

* Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.