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Temer e os empregos

15 de maio de 2017

Um ano atrás, em maio de 2016, o então vice-presidente Michel Temer – já se preparando para assumir a chefia do executivo – manifestava o objetivo de criar empregos como parte fundamental de sua política econômica para retomar o crescimento e combater a crise. A chamativa manchete do Estadão foi “Temer quer fechar 2016 criando empregos”.Como nada de bom aconteceu de fato em 2016, fiquei preocupado quando li, na semana passada, nova matéria do Estadão em que o presidente Temer afirma que o seu principal objetivo de governo é “combater o desemprego” em 2017, e ainda complementa: “o sucesso do governo dependerá da criação de vagas”. Se a promessa for cumprida como em 2016, estamos realmente lascados.

Não sei o que está sendo feito pelo governo, mas é óbvio que não está funcionando. Lamentavelmente, o que vimos até agora foi uma tragédia. Os números do desemprego estão aí para provar que nada deu certo nesse sentido. Tomara que a equipe econômica esteja matutando um plano maravilhoso para nos salvar – e tomara que seja rápido!

Eu, que não sou economista, quero indicar um caminho que é comprovadamente eficaz, rápido e relativamente simples: apoiar a pequena empresa.

Em dados de outubro de 2016, a pequena empresa bancava mais de 50% dos empregos formais e 27% do PIB brasileiro. Me parece óbvio que dar suporte a esse segmento importante da economia é uma excelente estratégia para começar a combater qualquer crise e desemprego.

Porém, em vez de apoiar os pequenos, o que vimos foram cortes e congelamentos no crédito de baixo custo, aumentos generalizados de custos de matérias-primas, energia elétrica, água, combustíveis, índices de reajustes de aluguéis, e tudo o que compõe a base de custos de qualquer pequena empresa.

E, ao mesmo tempo, no último ano – e com grande desgosto de todos os que pagamos duramente os impostos – acompanhamos pelos jornais que as grandes empresas tiveram, nos últimos 15 anos, luxos e benefícios, isenções e carências, renúncias fiscais e mil mordomias que nenhuma pequena empresa jamais sonhou nem chegou perto. Valores que foram pelo ralo com corrupção, concorrência desleal e outras questões dúbias que ainda não sabemos, mas desconfiamos que existam. De novo, insisto: em vez de ajudar duas ou três empresas grandes, que quando quebram levam para o buraco a economia de um país inteiro, a aposta deveria ser fortalecer a rede pulverizada de pequenos empreendedores.

Estas preocupações que tenho em defesa do pequeno empreendedor e da pequena empresa, não são coisa nova, e já foram abordadas em postagens anteriores: regime tributáriolei trabalhista, fuga de empreendedores, combate a corrupção. Mesmo porque o empreendedorismo não é só, comprovadamente, um dos principais caminhos para criar vagas de emprego. Ele também pode ser um auto emprego – pra esse exército de desempregados que as políticas econômicas dos últimos anos colocaram nas ruas.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo escreve no Blog do Empreendedor. ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

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