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Blog do Empreendedor
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Sorte ou azar? O imponderável nos negócios

24 de outubro de 2016

Uma estrada interditada fez com que um crítico renomado conhecesse o restaurante de Massimo Bottura, eleito neste ano o melhor chef do mundo

Eu me considero um cara bastante prático e objetivo, principalmente no que diz respeito ao mundo dos negócios. Por isso, demorei a admitir que existe um fator que pode ser decisivo no sucesso (ou insucesso) de um empreendimento: o que chamo de componente imponderável.

Ao longo dos últimos anos, várias situações me levaram a reconhecer que esta variável deve sempre ser levada em conta na hora de empreender, e com um certo “fair play”. Afinal, ganhar e perder fazem parte do jogo.  Sorte ou azar, diriam alguns.Já vi empresas que tinham tudo pra dar certo: uma ótima ideia, capital à vontade, plano de negócios impecável com missão e visão, e lideres talentosos em suas áreas de expertise… Mas, mesmo assim, não deram certo.

Na contramão, me deparei com negócios em que tudo apontaria para o fracasso e, no entanto, acabaram bombando – contrariando, às vezes, regras básicas dos negócios.É um fator angustiante, admito. Porque o imponderável pode se manifestar de várias formas: pode ser uma ideia genial que chega cedo demais – e encontra um mercado imaturo para entende-la – se chegasse um pouco depois, talvez fosse outra história. Ou pode ser a escolha do ponto equivocado, ou ainda, a cidade equivocada, para implementar o negócio. Ou uma campanha publicitária que é mal interpretada. Ou uma mega crise econômica, como a que estamos passando agora no Brasil. Pequenos detalhes.

Do lado oposto, pode-se dar a sorte de acidentalmente cair no gosto de uma celebridade, e isso fazer toda a diferença no marketing. Ou estar em um endereço que cai nas graças de uma tribo de clientes que passam a ser seus embaixadores espontâneos.

O mundo empresarial – e gastronômico – está cheio de histórias deste tipo, em que o acaso foi fator decisivo. Como a Osteria Francescana, do chef Massimo Bottura, eleito o melhor do mundo neste ano. O próprio Bottura costuma contar essa história: depois de anos de dificuldades e críticas negativas no início do seu negócio, o chef estava prestes a fechar o restaurante na cidadezinha de Modena, quando uma avaria na estrada fez com que um renomado crítico de gastronomia parasse para jantar em seu endereço, totalmente por acaso. E o resto é história.

As vezes a boa sorte brilha. É estar no lugar certo, na hora certa. Como diz aquela célebre frase: quando a sorte aparecer, quero que ela me encontre trabalhando.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo – escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

A fragmentação dos meios de produção, unicórnios e cavalos

10 de outubro de 2016


Fomos convidados a umas reuniões para avaliar propostas de investimento em nossa empresa. A tentação é grande: isso pode levar nosso projeto de negócios para o próximo nível. E está sendo, acima de tudo, uma oportunidade de olhar nossa empresa pelo lado de fora, no microscópio, de forma científica, fria, com os olhos de quem nos observa como um produto na prateleira, sem mais nem menos. Assim, estamos descobrindo um pouco deste mundo dos investidores.

Uma palavra que escutei em uma destas reuniões foi “unicórnio”. Parece que encontrar um unicórnio é o sonho de quase todos por ali. Fiz cara de entendido, mas depois vim googlear o que isso significa exatamente, nos negócios.

Em resumo, as empresas unicórnio são aquelas que rapidamente alcançam valores de mercado acima de 1 bilhão. Exemplos: AirBnB, Uber, Facebook, Dropbox e outras que surgiram repentinamente e hoje fazem parte de nosso dia a dia. Algumas características em comum: são empresas disruptivas, tem capacidade mundial de escalabilidade, crescimento exponencial, e são todas – pelo menos por enquanto – de tecnologia. Também tem as que não dão certo, e fazem pensar que unicórnios são instáveis.

Agora, voltando à nossa realidade real – nós fazemos massas e molhos para vender no bairro – sabemos que estamos mais para cavalo do que para unicórnio.

Entendemos que nosso negócio tem outras regras. Afinal, fazemos produto, e precisamos de lojas onde produzir e contatar o cliente para entregar nossos produtos. Mesmo nosso e-commerce precisa de produto. Portanto nossa escalabilidade vai ser sempre mais lenta quando comparada com modelos de negócios de tecnologia. Esta lentidão, por outro lado, nos permite um controle de risco muito maior, e o crescimento é sólido e palpável, entre outras vantagens.

Nosso cavalo fica cada vez mais interessante quando leio um artigo da Deloitte analisando uma incipiente tendência que une produto à tecnologia: a fragmentação dos meios de produção. Acredito que vale a pena ficar de olho neste assunto, pois chegou para ficar.

Lendo nas entrelinhas, percebo uma grande e silenciosa revolução acontecendo: indivíduos – ou pequenos grupos – com baixo investimento, podem ter acesso aos meios de produção e atender/criar produtos e serviços em suas comunidades, bairros, cidades, com acesso direto ao cliente/consumidor.

Eu vejo de forma apaixonada esta movimentação, pois é justamente o modelo de negócio que sonhamos desde nosso início. No começo era apenas uma ideia, mas agora vejo o conceito prosperando em toda direção.

Por exemplo, na impressão 3D. Um pequeno escritório vizinho de minha casa desenvolve um projeto customizado, envia para a Dinamarca para ser impresso e vendido localmente para um consumidor específico. Diferente da tradicional exportação, o que se movimenta de um lugar ao outro não é o produto, mas a tecnologia do produto, que é feito localmente. E isto é fantástico!

Eu vejo muitas semelhanças com nosso negócio artesanal, onde cada unidade do Pastifício Primo tem produção autônoma! Em comum com as impressoras 3D de alta tecnologia, evitamos transporte de produto finalizado, evitamos estoques, evitamos poluição. Entregamos o produto personalizado, mais rápido e perto de você. Esta é basicamente nossa filosofia de expansão. Localmente cada unidade pode atender a demanda de sua região. Apenas o conhecimento artesanal é transportado.

Todos podem ser empreendedores, donos da própria vontade, da criatividade e dos meios de produção. Será que a utopia anarquista de derrubar grandes corporações e monopólios está sendo reinventada? Com unicórnio, a cavalo ou a pé, vamos em frente.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

O pequeno e o grande empreendedor podem compartilhar a mesma cultura

25 de fevereiro de 2016

 

Diariamente nos deparamos com toneladas (literalmente) de desafios na vida empreendedora. Os imprevistos e contratempos são uma constante tão intensa que, se não tivermos um objetivo bem definido (pessoal e empresarial), corremos o risco de nos afogar numa poça de água antes de conseguir avistar a saída.

O que quero dizer é que uma visão bem clara e simples de futuro – ou “sonho grande” – é fundamental para ir além do próprio nariz e nos ajuda a colocar os problemas diários na devida perspectiva e significância. E assim resolver o que quer que seja, com a menor perda de tempo e energia possível.

Acredito que a qualidade da equipe, das pessoas e, em definitivo, da empresa, é nada mais do que a média de quem faz parte. Sócios, funcionários, fornecedores, vizinhos e clientes. Todos contribuímos para que a média de vida da empresa suba ou desça. Por isso a necessidade de sempre melhorar, aprender e rapidamente se adaptar. Queremos ser os melhores sócios, os melhores lideres, os melhores funcionários, os melhores clientes. Procuramos sempre a melhor matéria prima, a melhor máquina, a melhor solução, o melhor produto. E o resultado visível, depois de tantos pequenos esforços de tantas pessoas, é o que nós chamamos finalmente de “nossa empresa”.

Assisti há alguns anos a uma palestra do Carlos Brito, CEO da ABInBev que me marcou muito na época. Foi importante para fortalecer e unificar minhas crenças de gestão e me ajudou a organizar melhor o sistema de trabalho que hoje praticamos. Revisando minhas anotações feitas na ocasião, percebo que passaram os anos e esses conceitos não apenas tiveram uma influência profunda, como a cada dia fazem mais sentido para todos nós no Pastificio PRIMO, e assim construímos uma cultura de trabalho que busca “o sonho”.

Não leia se você não gosta de trabalho duro.

Foco. Foco! Manter poucos objetivos, mas com grande intensidade. Estar focado é realmente importante para não se perder no caminho, das tantas tentações e pressões. Escolher poucos objetivos, não dá para tomar conta de muitos. O foco dá uma clareza na empresa toda, todos se alinham e a sinergia acontece. Foco no resultado, caso contrário a empresa morre.

Senso de urgência. É agora, é hoje, já. A cada segundo tem consumidores tomando decisões de compra, escolhendo este ou aquele produto. Seja nossa empresa ou a concorrência, melhor que seja nossa empresa! Não deixa para amanhã o que pode ser feito hoje! Como disse Mestre Yoda: Faça, ou não. Tentativa não há.

Capacidade de se indignar. Nunca ficar conformado com o resultado ruim. Isso não é normal. Precisamos sentir que o resultado ruim incomoda, que ninguém seja indiferente ao que está errado, que ações sejam geradas para contra-atacar os resultados ruins e gerar resultados melhores.

Gostar do trabalho. Procurar fazer aquilo que se gosta, pois a vida profissional e pessoal estão cada vez mais ligadas, e são necessárias muitas horas de dedicação ao trabalho para realmente fazer algo de destaque, algo que seja relevante na vida, no mercado e no futuro. De novo, precisa haver um sonho para “chegar lá”. Cada um tem suas metas e objetivos pessoais a alcançar. Quanto mais claro estiver o sonho da pessoa, mais rápido ela compreende o que é necessário para alcança-lo e mais fácil trabalhar com satisfação.

Ser o dono da empresa. Cada pessoa que trabalha na empresa é, ao final das contas, um dono. Em especial os líderes, que são fonte de inspiração propagando nas equopes o senso de cuidado e propriedade, de responsabilidades. Não são todos que entendem a sutileza, mas queremos justamente esses poucos trabalhando conosco. É um estilo de vida de maior comprometimento para aqueles que percebem que a empresa é um forte canal para realizar sonhos, sejam pessoais ou profissionais. A empresa não é o destino, e sim o trem que nos leva mais perto de nosso sonho.

A execução é fundamental. Às vezes temos uma ideia brilhante e uma execução pobre. É terrível. Muito melhor o contrário: uma ideia não tão boa, mas uma execução brilhante. Pronto. A execução muitas vezes é relegada a segundo plano, o que é um grande erro, e geralmente um grande desperdício de dinheiro. Quem fez o plano tem que estar na linha de frente defendendo a execução, nunca de uma sala fechada através de relatórios de terceiros. Simples assim.

Justiça. Tratar todos da mesma forma é injusto. É importante tratar diferente às pessoas que são diferentes. Isso inclui premiação e novas oportunidades. As pessoas são remuneradas de acordo com a sua contribuição. Todos têm a mesma oportunidade, mas alguns que se dedicaram e entregaram mais, logicamente merecem ser melhor remunerados.

Gastar a sola do sapato. Vale a pena estar em campo, estar na fábrica, estar na rua, junto com a equipe. Em vez de ficar lendo relatório de uma pessoa que gastou tempo enorme para ver e relatar, melhor é você ir direto na fonte e economiza um intermediário. O olho do dono interpreta coisas de forma diferente, com foco no grande plano. O empreendedor precisa evitar os filtros de outras pessoas falando, tem que ver e ouvir por pessoalmente.

Ter as melhores pessoas. Tudo no mercado é facilmente copiável. Um produto novo em 2 meses o concorrente pode estar fazendo igual. Uma embalagem diferente em pouco tempo todos fazem igual. Quase tudo é altamente temporário. A única coisa que é realmente um valor de longo prazo é ter pessoas talentosas dentro da empresa. E pessoas talentosas somente ficam na empresa se encontrarem um ambiente específico:

1 – Meritocracia: uma cultura que valorize e remunere o resultado, a contribuição. Está muito ligado a ser justo com as pessoas. Aqueles que trazem resultados maiores para a empresa, tenham melhor premiação.

2 – Informalidade: poder dizer o que pensa, ter acesso fácil a todos os que estão acima ou abaixo na hierarquia, poder dar opiniões num ambiente de confiança e respeito, Sentir-se seguro para desenvolver o trabalho e arriscar, ser relevante.

3 – Simplicidade: pessoas inteligentes e talentosas gostam da simplicidade, porque sabem onde querem chegar, com objetividade, sem muita firula, sem desperdício de energia. E, por outro lado, fica o alerta: pessoas que fazem as coisas de um jeito que só elas entendem, complicado, terminam por esconder uma ineficiência e uma falta de talento para o jogo. Um verdadeiro talento numa organização, numa empreitada ou numa empresa é transformar uma coisa muito complicada em algo simples a que todos tenham acesso.

Sonhar grande, como sempre diz Jorge Paulo Lemann. Dá o mesmo trabalho sonhar grande do que pequeno. Claro que o sonho precisa ser baseado em algum planejamento, em conhecimento, em talento. Dá pra imaginar uns 60% de como chegar lá e os demais 40% vai ser descoberto na medida que vai andando e ajustado com os diversos tropeços e aprendizados. Mãos na massa!

Afinal, poucas pessoas gostam de trabalhar assim, mas os que gostam, são dos nossos. E são essas pessoas que nos interessam como colegas de trabalho. E é por elas que dedicamos nosso esforço de criar u ambiente de crescimento e desafios, de remuneração crescente, que é o que atrai e mantém os talentos na casa. É um sistema que não é bom nem ruim, apenas funciona para esse grupo de pessoas que tem sonhos a realizar.

Ivan Primo Bornes – fundador do Pastificio Primo
“Faço questão de homenagear a equipe que iniciou comigo o Pastificio Primo em 2010.Época de tantas incertezas e dificuldades. O que esta escrito aqui é tudo o que aprendemos juntos. Trabalho firme, foco, objetividade, qualidade.Joy, Kelly, Naldo, Michelle, Iracy, Claudete, Lurdete e eu começamos nosso “sonho grande” em janeiro de 2010. Desta equipe inicial, 6 seguem firmes junto comigo na construção do sonho de cada um.A empresa é o trem que nos leva em direção as nossas realizações pessoais e profissionais.

 

A emoção inteligente

28 de janeiro de 2016

Tenho abordado o assunto da Inteligência Emocional diversas vezes e com vários enfoques – na aventura, no Jedi, na montanha e no fracasso, por exemplo.

Hoje quero compartilhar com você o meu entusiasmo por esta habilidade social fundamental, e que sim, a literatura garante que pode ser desenvolvida e melhorada e que muitas vezes é deixada em segundo plano – já que ser empreendedor é lidar com pessoas o tempo todo, não é?

Também chamado de QE (quociente emocional), para mim é obviamente um dos elementos mais importantes para obter sucesso em qualquer empreitada e, sabendo disso, dedico bastante tempo ao aprendizado humilde e demorado destas capacidades – e acredite, não é nada fácil.

Na antiga Grécia, em 400 a.c. Platão diz que todo aprendizado tem uma base emocional. Hoje parece uma ideia óbvia, mas na época isso foi muito revolucionário e influenciou tudo e todos a partir desse ponto.

Nos anos 1930, o psicometrista Edward Lee Thorndike começa a definir o conceito de “inteligência social” como a capacidade de se dar bem com as outras pessoas, com uma função utilitarista.

Se passam 50 anos e, em 1983, um psicólogo chamado Howard Gardner escreve um livro chamado Estruturas da Mente, onde elabora uma teoria que afirma que as pessoas tem 7 tipos de inteligência (inteligência visual/espacial, inteligência musical, inteligência verbal, inteligência lógica/matemática, inteligência interpessoal, inteligência intrapessoal e inteligência corporal/cinestética).

Em 1990 os psicólogos Peter Salovey e John Mayer divulgam uma teoria e usam pela primeira vez a expressão Inteligência Emocional, que definem como “…a capacidade de perceber e exprimir a emoção, assimilá-la ao pensamento, compreender e raciocinar com ela, e saber regulá-la em si próprio e nos outros.

Mas foi o californiano Daniel Goleman que “lacrou” o assunto e ganhou notoriedade com o livro best-seller Inteligência Emocional em 1995, colocando um holofote definitivo sobre a importância da “…capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos.

Para Goleman, a inteligência emocional é a maior responsável pelo sucesso ou insucesso dos indivíduos, inclusive indicando que a maioria das situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as pessoas. E, desse modo, pessoas com qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão e gentileza, têm mais chances de obter o sucesso.

Parece fácil, não? Mil livros, muitos cientistas pesquisando o assunto, e mesmo assim nenhum resultado é garantido!

Pois é, o QE é muito, mas muito difícil de adquirir, provavelmente a jornada de uma vida. Um bom começo me parece ser praticar todos os dias com as pessoas que estão ao nosso redor – quem sabe um básico bom dia ao vizinho no metrô? Para mim, tudo é válido, e eu não dispenso yoga, aventuras radicais, incenso, viagens, leituras, filmes, novela de TV, gibi, horóscopo, reza e tudo o que me provoque uma transformação emocional positiva – mas isso já é outro assunto.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo tenta, diariamente, ser uma pessoa mais inteligente, mas pensa que, ás vezes, os resultados podiam ser melhores!

Do que aprendemos nos livros de ontem

21 de janeiro de 2016

Como estão os custos de sua empresa? Bem cuidados? Certeza?

Uma vez li a frase que diz ‘os custos não são feitos para ser calculados, eles existem para ser reduzidos’… e sempre levamos este assunto bem a sério na gestão do Pastifício PRIMO.

Acredito que não importa se o seu negócio é serviço ou produto. Em épocas de crise – como a atual – toda ideia que ajude na redução de custos merece uma atenção redobrada, e este tem sido meu principal foco de trabalho e estudo nestes últimos meses.

Como acontece algumas vezes, as respostas que procuramos chegam de forma inusitada. E desta vez foi revirando a minha biblioteca, separando alguns livros “para doar”. O acaso me fez olhar melhor o Just-in-Time – um livro chato sobre processos industriais dos anos 90 – e algumas frases soltas ali me provocaram um estalo! Para resumir: uma coisa leva a outra, e um momento depois estava pesquisando na internet o Sistema Toyota de Produção, encantado.

Mesmo não sendo nenhuma novidade, quero compartilhar com você um pouco do que tenho lido sobre o assunto e, principalmente, como adaptar este conhecimento para nossos pequenos negócios.

O começo

Todos conhecemos a inovação de Henry Ford e a linha de montagem do modelo T, criada em 1908. Mas nos anos 1950 aconteceu algo muito interessante no mundo automotivo. Um grupo de engenheiros da Toyota, depois de estudar o sistema Ford, o aprimoraram, definindo novos patamares, organizando a extrema complexidade das novas demandas de mercado e o avanço tecnológico.

Assim surgiu o Sistema Toyota de Produção, cheio de sabedoria oriental, zen, quase poética, e que já foi modinha no século passado, mas ainda tem muito a nos ensinar. Acho que eu nunca tinha observado com tanta paixão como agora os conceitos – que estão inseridos em três termos japoneses que são o alicerce de todo o sistema – do modelo 3M: Muri, Mura e Muda.

Muri (sobrecarga)

Se refere à sobrecarga de pessoas ou equipes que, apesar de parecer mais econômico trabalhar com menos pessoas, termina por ser ineficiente. Isso significa que as pessoas estão trabalhando extenuadas, o que pode resultar em produtos defeituosos, falta de produtividade, esgotamento físico e mental, lesões por esforços repetitivo, ou até mesmo acidentes.

Mura (desequilíbrio)

Quer dizer uma força de trabalho desbalanceada no fluxo do produto ou serviço, provocando gargalos. No nosso dia-a-dia já passamos por isso várias vezes: trabalhamos feito doidos num dia, pagando hora extra, para entregar um pedido, e no outro dia havia nada para fazer.

Muda (desperdício)

Esta é a parte que achei mais bacana, e de amplo entendimento. A definição de desperdício é simples: tudo o que soma ao custo da empresa e que não é valorizado pelo cliente!

Os japoneses definiram 7 Mudas:

- superprodução – fabricar mais do que necessário gasta energia, consome o caixa e causa superestoque

- estoque – manter estoque parado é um custo, seja de espaço como de capital, e precisa ser cuidado, precisa de pessoas para que não estrague ou se desvalorize

- movimento – estações de trabalho mal distribuídas diminuem a produtividade, o funcionário tem que parar a todo momento para buscar matéria prima, ou pegar uma ferramenta

- espera – uma máquina parada por falta de matéria prima resulta em um gargalo, atrasando um cronograma e prejudicando toda a cadeia produtiva

- transporte – tempo e dinheiro movendo produtos de um lugar a outro, quando na verdade o produto precisa chegar no ponto de venda!

- superprocessamento – fazer produtos complexos sem receita extra, que o cliente não percebe valor, é um total desperdício

- defeitos – produtos abaixo do padrão provoca devoluções, perda de clientes e desprestigio, portanto devemos focar em fazer o melhor produto

Aposto que você, lendo os 7 Mudas, já está tendo ideias para hoje mesmo começar a trabalhar melhor.

E mudar! Nas crises é onde costumam aparecer novas formas de ser mais eficiente, mais produtivo, mais enxuto.

E se você, por acaso, ainda não começou a cortar custos, eu recomendo urgente pegar a tesoura!

Sem mimimi, sem enrolação, sem ficar esperando um milagre acontecer (que esses estão muito escassos).

Bora arregaçar as mangas e colocar as mãos na massa.

Ivan Primo Bornes – fundador e mestre masseiro do Pastificio Primo, passa os dias com a mão na massa e os olhos nos custos

Sobre o “Camaleão” e os Negócios

14 de janeiro de 2016

Nestes dias, só se falou de David Bowie, e com toda razão: perdemos um dos artistas mais geniais e provocadores de todos os tempos. O mundo ficou bem mais careta e muito menos divertido.

Os motivos pelos quais Bowie era (e ainda será por muito tempo) tão importante já foram exaustivamente – e com toda razão – desfilados, e não é sobre isso que eu quero escrever.

Também não faltou quem lembrasse da faceta empreendedora do ‘camaleão do rock’, como pioneiro da internet (BowieNet em 1998) e criador de negócios como os Bowie bonds e o BowieBank.com, mas tampouco é sobre isto o meu texto de hoje.

Eu quero é prestar minha reverência a David Bowie como fã, e lembrar um pouco do que ele, como ícone da cultura pop, tem a ensinar a nós, empreendedores, com sua carreira longeva e bem-sucedida.

REINVENTAR-SE

Uma das características marcantes de Bowie que mais me inspira como empresário é a capacidade de se reinventar constantemente. Mesmo sendo um sucesso, mesmo sendo cultuado pelo trabalho que já tinha feito, o camaleão surpreendia a cada temporada com uma nova guinada, ou pelo visual, ou pelo estilo musical, ou pela atitude. Lição genial para marcas e empresas que querem ter uma carreira relevante como a dele: saiba derreter-se e se recriar constantemente, mesmo no auge do sucesso. É a melhor forma de envelhecer e fazer história (e não ficar tocando ‘satisfaction’ por 40 anos).

ABSORVER INFLUÊNCIAS

Bowie era brilhante, mas não auto-suficiente: ele sabia garimpar o que havia de bom ao redor e incorporar à sua música. E se aliava a outros grandes músicos com humildade, sabendo que somar talentos é, na verdade, multiplicá-los. Nas empresas, óbvio, vale a mesma máxima.

EXPERIMENTAR, OUSAR

O ‘homem do espaço’ investiu, como poucos, em caminhos alternativos e exóticos. Seja nos palcos como na vida pessoal, foi sempre transgressivo e provocador, quebrando diversos tabus. Incorporou nos shows androginia, teatro, moda e ópera. Com isso, Bowie ditava tendência e abria o caminho para os outros. É o que fazem as marcas inovadoras, mesmo correndo o risco de que, em algum momento do começo, sejam incompreendidas e depois sejam supercopiadas.

FUGIR DE RÓTULOS

Bowie foi roqueiro, é verdade, mas também transitou pela soul music e até pelo funk, com passagem pelo R&B e pela música eletrônica. E também foi ator, roteirista, ícone da moda, empreendedor, visionário da internet e do mercado financeiro, escritor e até pintor (muito bom, por sinal). O ecletismo foi uma de suas marcas registradas.

ATITUDE É O MELHOR MARKETING

Dono de uma grife musical milionária, Bowie ficou famoso na indústria fonográfica por não gastar fortunas com a divulgação de seu trabalho: sua atitude e seu estilo atraiam a atenção da mídia e do público quase ao natural. Ele também sabia aproveitar-se de pequenas grandes sacadas, como lançar músicas no dia do seu aniversário. E isso voltou a fazer em seu grand finale, ao lançar um álbum inesperado no seu leito de morte, dias antes de morrer. Impacto total, definitivo, de uma obra.

PERSEVERANÇA

Mesmo que a imagem que todos temos de Bowie seja de sucesso, nem tudo o que ele fez foi genial ou deu certo. Muitos dos negócios que ele iniciou quebraram, como o Bowie Bank já citado acima. Alguns discos tiveram vendas insignificantes e foram super criticados, na época do lançamento. Através de sua biografia, sei que passou por momentos de muitas dúvidas artísticas, mas mesmo assim perseverou. E o conjunto da obra afinal se mostra na sua importância e influência. Podemos esperar inspiração maior?

Ivan Primo Bornes – o masseiro fundador do Pastifício Primo tenta ser um pouquinho herói todos os dias

Ao novo, vida nova

7 de janeiro de 2016

Muito bacana o último texto da Bel Pesce neste blog, que levantou um ponto muito importante para qualquer empresa: o risco de ligar o piloto automático e acomodar-se. Ainda mais no começo de ano.

Fiquei refletindo sobre o assunto no contexto em que eu vivo o dia a dia, que é numa empresa de pequeno porte. Minha primeira conclusão é que o risco também existe, tal qual descrito pela Bel.

E a questão toda, afinal, é o que fazemos (ou o que deveríamos fazer) para combater esta situação – que é quase um estado emocional. Abaixo algumas das reflexões, do ponto de vista de uma pequena empresa:

SONHO GRANDE

A primeira regra, acho eu – e que aplicamos diariamente em cada pequena decisão tomada no Pastifício PRIMO – é avaliar se estamos no caminho de nossos grandes objetivos. O método consiste em estar constantemente comparando nosso “hoje” com onde queremos chegar, o “amanhã”. Isso nos ajuda pra caramba a nos manter focados e tomar melhores decisões. E por isso é tão importante um planejamento de longo prazo – também chamado de SONHO GRANDE pelo Lemann.

SEMPRE ALERTA

Sempre do ponto de vista de como evitar cair no marasmo quando tudo vai indo bem, eu considero fundamental um estado “sempre alerta”, como os escoteiros. Explico: é normal que tenhamos momentos de muita luta e picos de adrenalina. Na implementação de um novo software, por exemplo. Ou ao ganhar um grande cliente novo que traz novas necessidades e adaptação. Ou na chegada de uma máquina que precisa de ajuste e treinamento. Também é normal que depois de superada a dificuldade inicial, tudo se encaixa e começa uma calmaria. É aqui onde justamente mora o perigo: achar que está tudo dominado. Para combater essa sensação de falsa segurança, sempre brincamos entre nós, dizendo que algum bicho papão está nos esperando pra nos pegar de surpresa!

ESTABILIZAR NO MAIS OU MENOS

Outra arapuca de deixar a coisa toda rolar solta é a tentação de se conformar no meio do caminho, desistir de alcançar o sonho grande e estabilizar no ‘mais ou menos’. Pode acontecer por motivos vários: conjuntura econômica, sócios que não se entendem, perda do “tesão” e tantos outros. Este me parece o maior risco das pequenas empresas, onde a energia do dono, do empreendedor, é o principal motor de vitalidade. Sem essa motivação, até mesmo o negócio mais original e inovador vai estagnar.

ACREDITAR DEMAIS NOS ELOGIOS

Sempre é bom receber elogios e manifestações de satisfação de clientes, da mídia, dos amigos. Mas sempre com muita cautela. Conheço empresas que ignoram as críticas e se focam apenas nos feed-backs positivos, e aí está o primeiro passo para cair na arrogância. Na minha empresa, levo as críticas (internas e externas) muito a sério – mesmo quando parecem exageradas (uso a expressão “onde tem fumaça, tem fogo”). Os elogios nos estimulam, mas também podem nos acomodar. As críticas nos incomodam, mas nos fazem tomar providências. Isso, claro, quando são ouvidos com humildade.

Tem um ditado latino que diz que dormir nos louros faz com que eles murchem.

Em resumo, acredito que toda empresa tem (ou deveria ter) um Sonho Grande. Encontre o seu e grave em fogo na alma de cada colaborador. Nunca devemos acreditar demais na sorte ou no azar, ambos são enganosos. Devemos procurar estar sempre alertas para reagir de forma eficiente aos dois lados. Problemas sempre irão existir, não é azar. Trabalhar duro e estar aberto para as boas oportunidades é chamado de sorte.

A todos, compartilho meu mantra diário de Força, Foco e Fé em 2016

Ivan Primo Bornes -  fundador do Pastificio Primo e um eterno aprendiz

A tempestade perfeita

31 de dezembro de 2015

Dos termos usados pelos economistas nos últimos meses, tenho que admitir que a ‘tempestade perfeita’ foi o que mais me impressionou, tanto pela força descritiva da expressão, quanto por se encaixar de forma impecável para definir o drama que está acontecendo com o Brasil.

Misturando lama política nacional com um furacão de indicadores financeiros negativos – de dentro e fora do país – o resultado não é segredo para ninguém: estamos no coração da tempestade.

Economistas, que sempre adoraram utilizar expressões meteorológicas para designar situações financeiras, não demoraram a adotar o jargão para definir um conjunto de fatores negativos que se somam para construir o pior dos cenários.

Consta que o termo foi institucionalizado por um best-seller lançado em 1997 pelo jornalista e escritor Sebastian Junger, relatando a história real de um pequeno pesqueiro em meio à colossal tempestade que atingiu estados da costa leste dos Estados Unidos no Haloween de 1991. O livro The Perfect Storm fez tanto sucesso que, em 2000, virou filme com ninguém menos do que George Clooney. Depois disso, a expressão virou bordão popular, para designar uma convergência de circunstâncias que levam a uma catástrofe.

Os estragos da ‘tempestade perfeita’ que bateu na economia brasileira estão por todos os lados, falar deles é chover no molhado.

O que me interessa mesmo, como empreendedor, como fã do Brasil e como pai de dois brasileirinhos, é o que vem depois. Porque se ‘tempestade perfeita’ é o que os economistas consideram a melhor definição para o que ocorreu com a economia brasileira nos últimos meses, então também vale a máxima de que depois da tempestade sempre vem a bonança – e é nisso que eu prefiro focar.

Não sei se em 2016, em 2017 ou até depois, como dizem alguns pessimistas, mas tenho certeza de que em algum momento a tempestade vai passar.

E como empresário procuro trabalhar pensando nisso – buscar abrigo, racionar recursos e tentar manter a empresa flutuando até o sol voltar a brilhar. Muitas crises já se passaram e possivelmente muitas outras ainda virão, a história mostra que isso faz parte da dinâmica da economia – aqui e em qualquer lugar do mundo.

E diante de tantas dificuldades, se eu não acreditar que os dias de céu azul virão em algum momento, eu perderia a capacidade da esperança. E isso eu me recuso a fazer. Porque empreender é justamente isso, vencer adversidades. E tempestades.

Que 2016 nos traga céu azul e mar cheio de peixes.

Ivan Primo Bornes – fundador do Pastificio Primo, mesmo sendo um otimista, anda sempre com a capa de chuva guardada na mochila.

O fim da gourmetização – e já vai tarde

17 de dezembro de 2015

A crise de 2015 vai ganhar um capítulo especial na história da gastronomia brasileira como o empurrãozinho que encerrou definitivamente a gourmetização.

Estou torcendo para que o consumidor, frente à nova necessidade orçamentária, considere melhor suas escolhas e desmascare o que não vale o preço cobrado. Isso vai permitir o retorno à essência de uma boa alimentação, com preço justo.

Na última década o Brasil viveu uma intensa e exagerada busca por sabores e experiências gastronômicas. E na esteira desta demanda surgiram oportunistas oferecendo produtos com uma roupagem sofisticada, mas que, quando analisados friamente, não correspondiam ao valor cobrado.

Temperando esta situação toda também tivemos a invasão no mercado de uma grande quantidade de autoproclamados “chefs de cozinha” – muitos deles decididos a reinventar a roda e fazer fama e fortuna no fogão, mas com resultados pra lá de estranhos.

Este fenômeno, sem dúvida, foi também potencializado pela crescente quantidade de pessoas interagindo via mídias sociais, onde a descrição detalhada de cada ingrediente virou assunto de muitas conversas, ainda mais quando acompanhados fotos com muito “appetite appeal”.

Chegava a ser divertido, e eu mesmo entrei na brincadeira por um tempo, não fosse realmente preocupante ver a facilidade com que os consumidores desatentos faziam filas para pagar caro por produtos corriqueiros.

Aqui uma lista (real) de produtos que ostentaram o título de gourmet: pipoca, coxinha, pastel, cachorro quente, bolovo, brigadeiros, hambúrgueres, bolos, sorvetes, churros, café, e por aí vai… Nem se fala de acessórios gourmet: aventais, facas, temperos, azeites, livros, etc.

E até a marmita gourmet tivemos. Quando até a ração de pets domésticos passou a ostentar a palavra gourmet, virou chacota. Que atire a primeira pedra quem nunca gourmetizou! Sem dúvida, você, assim como eu, também caiu em algum dos contos acima.

Quando as coisas pareciam que iam se acalmar, chegou o momento dos food trucks e food parks “gourmetizarem” a trivial e simples comida de rua. Não sem antes aparecerem os programas de TV com crianças gourmet. Para tudo!

O fenômeno escancarou a eficiência de uma das grandes ferramentas de marketing, que é a diferenciação forçada, ou seja, a procura do diferente apenas para ser diferente. Nem sempre com uma necessidade real de consumo ou de capacidade qualitativa do produto.

Também apareceu rapidamente a maior fragilidade da ferramenta: a banalização. E, então, por sorte, começou a cair a ficha dos exageros – e de muitos engodos – que essa ‘tendência’ escondia.

Como sempre tento ver o lado bom de tudo, eu realmente espero que esta crise determine o encerramento definitivo da, assim chamada, gourmetização.

Porque acredito simplesmente que a maioria das pessoas quer uma comida boa, por um preço justo. Saudável, fresca, sem conservantes, feita por pessoas dedicadas no propósito.

Isso me motiva e considero uma missão. O resto, é pura frescura.

Ivan Primo Bornes – em busca da simplicidade como método!

A palavra que “bombou” em 2015 foi ‘disruptivo’

10 de dezembro de 2015

O termo não é novo (foi cunhado em 1995 pelo Prof. Clayton Christensen, mas poucas vezes foi tão repetido e fez tanto sentido como neste ano que está terminando.

Embora tenha gente que o utiliza de um jeito pedante, o adjetivo realmente serve bem para apontar uma necessidade elementar no mundo dos negócios dos dias de hoje, e ainda mais na crise que estamos passando: romper, revolucionar, subverter, reinventar.

E, o mais importante para todo empreendedor, fazê-lo a partir de recursos modestos.

Ou seja, uma grande empresa, bem estabelecida e com muitos recursos, dificilmente será disruptiva. São as pequenas empresas que tem o poder de fazer a mágica acontecer. Geralmente começa sem grandes pretensões, simplificando um processo já existente, ou atendendo um público mal atendido pelas corporações líderes, ou descobrindo uma nova forma de atender uma demanda de consumo.

Disruptivo é um adjetivo que deriva do substantivo ‘disrupção’, o que o dicionário traduz como ‘quebra, interrupção do curso normal de um processo”.

Inicialmente atrelada à tecnologia, a palavra se espraiou e hoje está combinada às expressões ‘estratégia’ e ‘inovação’, aplicável a qualquer segmento. Muitas vezes, aliás, é usada de forma equivocada, citada como sinônimo de algo que revoluciona o consumo – sem ligação com a forma como essa revolução foi gerada.

Toda inovação disruptiva é revolucionária, mas nem todo produto, tecnologia ou inovação que revoluciona o mercado é disruptivo, como se vê e ouve por aí.

Entre as características mais bacanas dos produtos/serviços ‘disruptivos’ estão a simplificação e a acessibilidade: eles são mais baratos e acessíveis do que os seus concorrentes. Isso graças, principalmente, a margens de lucro menores e taxa de retorno de médio a longo prazo (se fala em 5 a 10 anos).

‘Comendo pelas beiradas’, a inovação disruptiva tem o potencial de promover uma revolução de consumo e alterar definitivamente as regras do jogo, deixando para trás quem antes dominava o mercado. Começa atendendo um público modesto até dominar o segmento. Isso pode levar tempo, mas é irreversível.  É o anão derrubando o gigante.

Acho que é aí que o conceito me pega tanto: ela reconhece o poder que têm as pequenas empresas “armadas” de uma boa ideia. Em outras palavras, que tamanho não é documento. Ou até pelo contrário: o grande fator de revolução da atualidade está nos pequenos.

Se sentiu inspirado? Ótimo!

Small não é só beautiful, mas powerful.

Ivan Primo Bornes – sempre com as mãos na massa, para fazer o básico, mas de forma diferente.