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Três inspirações para inovar (direto de Milão)

15 de fevereiro de 2016

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Escreve às segundas no Blog do Empreendedor. Para acessar outros conteúdos, curta aqui.

Depois de participar do NetExplo, em Paris, tirei uns dias de férias e meu primeiro destino foi Milão. De lá trago três ideias que podem lhe inspirar para inovar.

1. Techno Souq

Como criar um novo espaço de interação usando criatividade, arte e um apelo ecológico? Foi isso que o escritório de design Cibicworkshop fez por ocasião da EXPO 2015 no centro de Milão. A obra, criada por encomenda da loja “Il Renascente”, buscava melhor ocupar a via Santa Radegonda, no centro de Milão. A proposta foi criar um grande lounge a partir de uma instalação artística gigante.  Além de embelezar a cidade, a intervenção urbana criou um novo espaço público que abriga eventos, manifestações culturais, bate papos educativos e o que mais a imaginação permitir. E o mais bacana: as tendas foram construídas em formato de funil, fazendo com que a água da chuva seja captada para irrigar as plantas do local. E você, que espaços desocupados poderia ocupar para incrementar seu negócio e deixar a cidade mais humana e bonita?

2. PolentOne

Em tempos de food-truck e de gourmetização de tudo, descobri a PolentOne, primeira loja especializada em polenta do mundo. Uma franquia que nasceu a partir de um antigo negócio familiar, em Bergamo, e que hoje cresce não só na Itália, mas também em outros países (já tem loja até na Rússia).

Provei e aprovei! E fiquei pensando: com tanta diversidade de ingredientes e receitas que essa miscigenação brasileira nos proporciona, quantos produtos além das já manjadas lojas de brigadeiros e paletas poderemos criar?

3. Fillico La Bella Vita Pegaso

Como é possível agregar valor a um produto tão comum como, por exemplo, água? A resposta que a “Aqcua di Lusso” encontrou foi incrementar o design das embalagens. Mas, não apenas “dar uma melhoradinha” e sim criar objetos que são verdadeiras obras de arte (e de desejo dos consumidores), como esta que você vê na foto abaixo.

Sabe quanto custa? 280,00 Euros! Isso mesmo, em câmbio de hoje, cerca de R$ 1.260,00 por menos de um litro (são exatamente 720 mililitros) não de uísque, perfume ou qualquer líquido “nobre”, mas sim de água (no caso, a água que corre no sopé do Monte Rokko, na província de Kobe, no Japão – muito famosa porque é utilizada para a produção da melhor Saquê Japonês). Caso você esteja interessado em comprar essa “obra de arte” está disponível online aqui.  Como essa ideia pode lhe inspirar a criar embalagens que pudessem ser colecionáveis ou que se tornassem objeto de desejo dos clientes?

Bio-makers, emancipação de robôs e aumento da confiança digital são destaques do NetExplo 2016

11 de fevereiro de 2016

Marcelo Pimenta (menta90) é professor de inovação da ESPM e representa o Brasil no Conselho Acadêmico da NetExplo. Para saber mais curta http://facebook.com/menta90


Quais as novidades tecnológicas de maior impacto em todo o mundo no último ano? Responder essa questão é o desafio que o NetExplo (organismo independente, com suporte da Unesco) busca fazer, anualmente, com o apoio de professores e estudantes de 17 países (dentre eles China, Israel, África do Sul, Inglaterra, Chile, Bélgica…).  Desde 2014 tenho a honra de representar o Brasil nesse seleto grupo. Meus alunos da pós-graduação em marketing digital da ESPM são estimulados, junto com alunos desses países, a identificar as tecnologias digitais que tem o maior potencial de mudar o mundo – e afetar a sociedade. No ano passado foram mapeadas 2.175 tecnologias, analisadas por especialistas com diferentes competências. O resultado foi apresentado no Fórum NetExplo, que  aconteceu nessa quarta-feira, 10 de fevereiro, em Paris.

As principais inovações de 2015 foram organizadas em três grupos:

- Iniciativas bio-maker (incluindo todas aquelas que surgem da intersecção da internet das coisas com a biotecnologia);

- Tecnologias que visam o aumento da segurança e confiança digital;

- Projetos que trabalham pela emancipação dos robôs.

Designer colombiano Carlos Torres discursa como vencedor do NetExplo 2016

O grande vencedor do NetExplo 2016 vem do grupo das inovações do movimento bio-maker:  IKO, um sistema protético criado pelo designer colombiano Carlos Torres, que ajuda crianças com os braços malformados ou feridos a recuperarem a autoestima e os movimentos usando uma prótese modular com a qual podem brincar. O projeto usa braços e mãos compatíveis com peças de Lego. As crianças podem personalizá-los escolhendo diferentes formas, cores e acessórios (e fugindo daquele estereótipo de próteses feias, grandes). Um exemplo de como a tecnologia, aliada a criatividade e a imaginação, podem ajudar crianças a superar uma desvantagem. O vídeo (em inglês) está aqui.

Crianças recuperam movimentos e vencem o preconceito brincando

Uma nação, uma conversa  - projeto liderado pela startup Aweza e apoiado por várias instituições sul-africanas – faz parte do grupo de inovações que buscam aumentar a utilidade e a confiabilidade das tecnologias digitais. Como nem sempre é fácil o entendimento entre a população que vive em um pais com 11 línguas oficiais, Aweza é um aplicativo de tradução móvel que torna o diálogo muito mais acessível. Usando crowdsourcing e técnicas de gamificação, o projeto incentiva voluntários a gravar a sua própria pronúncia de palavras e frases. O resultado não é apenas uma ferramenta útil, mas um banco de dados criado por uma multidão de voluntários. E vem mudando a vida de milhões de pessoas, principalmente na saúde e na educação. Veja o vídeo (em inglês)

Aplicativo elimina barreiras entre dialetos na África do Sul

Vem da Noruega o destaque do grupo dos robôs inteligentes. Pesquisadores da Universidade de Oslo desenvolveram um robô que é capaz de aprender com os erros, adaptar-se ao ambiente em que está inserido, assim como reparar ou criar novas peças para ter uma performance melhor. Ele usa uma impressora 3D integrada para produzir seus próprios componentes, de forma autônoma. A ideia é que o robô possa ser útil tanto para ajudar em resgates de humanos em desastres assim como para explorar lugares inacessíveis (no fundo do mar, cavernas profundas ou ainda outros planetas). Veja o vídeo para entender como ele funciona (em inglês)

Robô imprime partes que necessita para melhor performar

Para conhecer as 10 inovações vencedoras do NetExplo 2016 acesse

Passarinho que acorda cedo bebe água limpa

1 de fevereiro de 2016

Quiosque da Amazon na Avenida Paulista propicia a experiência do usuário com e-readers. Ação está alinhada com as principais tendências para o varejo apresentadas pela Cisco na NRF

Marcelo Pimenta (menta90) é professor da ESPM, criador do Laboratorium e escreve às segundas no Blog do Empreendedor do Estadão PME. Para acessar outros conteúdos, curta www.facebook.com/menta90

Semana passada saí de uma reunião na Aceleratech e caminhando em direção a minha casa tive uma surpresa! Um quiosque da Amazon? Ou seria da Kindle?

A foto abaixo mostra o espaço, com destaque para o logotipo de ambas as marcas. Logo pensei: preciso saber mais sobre isso, pois já tínhamos registrado o surgimento da primeira loja física da Amazon no mundo e precisava saber mais sobre o que exatamente estava acontecendo.

Por meio de um cartão que consegui no stand, acessei a assessoria de imprensa e enviei algumas perguntas. Recebi as respostas às minhas dúvidas do gerente-geral para Kindle da Amazon.com.br, Alexandre Munhoz. Ele explicou que o quiosque pretende proporcionar  “a experiência para leitura oferecida pela Amazon.com.br para os clientes brasileiros”, permitindo o manuseio e uso dos diversos modelos de e-readers, além de esclarecer dúvidas e apresentar  serviços como o Kindle Unlimited.

Perguntei sobre o feedback dos usuários e a informação é que “os melhores resultados são os muitos clientes felizes, que tem visitado o quiosque, conhecendo nossos produtos e serviços voltados para leitura”. Logo me veio à cabeça o ditado título desse post:– Passarinho que acorda cedo bebe água limpa.

Esses caras mais uma vez saem na frente, buscando ‘evangelizar’ o consumidor a experimentar as novas tecnologias. Isso tem tudo a ver com o que vi e ouvi sobre as tendências de varejo apresentadas na National Retail Federation – NRF – uma das principais feiras do comércio no mundo, em Nova York: o varejo não é mais comércio, é cada dia mais serviço e entretenimento.

E é isso que a Amazon busca com esse quiosque, oferecer a oportunidade de experimentar uma tecnologia ainda nova para a maioria das pessoas. É ao mesmo tempo serviço e lazer para cativar novos adeptos para os livros eletrônicos.

A NRF se tornou um evento global, uma espécie de “abertura da temporada 2016 para o varejo”, é bom ficar atento para saber do que vem por aí. Muitos brasileiros estiveram por lá (enfrentando o frio) e tiveram a oportunidade de se atualizar sobre as principais previsões para o varejo (como essas, que constam no relatório da Cisco sobre o futuro do comércio):

-> O segmento tem potencial de gerar 506 bilhões de dólares em negócios até 2018. Mas atualmente realiza apenas 15% desse montante;

-> Ao mesmo tempo em que é uma grande oportunidade, a disrupção do setor é também a maior ameaça de quem está hoje no mercado;

-> Os ganhos poderão vir da combinação de iniciativas em diferentes direcionadores do negócio: produtividade dos empregados, inovação, melhoria da experiência do usuário, utilização dos ativos existentes, logística e gestão de estoques e sustentabilidade.

Para quem quiser saber mais para criar estratégias para competir nesse mercado, o  relatório da Cisco está disponível na íntegra (em inglês). Sobre a NRF, quem quiser conhecer a visão de um brasileiro que acompanhou a trilha de engajamento do consumidor, o professor Edson Talarico (de quem sou fã desde 1992, quando ele foi meu professor na ESPM em Porto Alegre) estava por lá e gravou uns vídeos, que disponibilizou no seu Facebook. O primeiro está aqui e a partir dele você encontra os outros. Você vai notar, novamente, que o desafio não é pequeno: além de investimento em tecnologia, o varejo precisa rever seus processos e requalificar sua força de trabalho. Se a carga vai ser pesada, melhor começar logo! Mãos à obra!

Realize! A vida é muito curta para “apenas sonhar”

18 de janeiro de 2016

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Escreve às segundas no Blog do Empreendedor. Para acessar outros conteúdos, curta aqui.

Ano novo, promessas feitas, votos definidos. Desejos para o período que se inicia. As listas de resoluções de novo ano sempre são recheadas de vontades: emagrecer, viajar, trabalhar menos, fazer exercícios, renovar ou encontrar uma grande paixão…  Nos negócios, os planos, na maioria das vezes, buscam crescimento, lucratividade, inovação, melhoria na qualidade, expansão… Sonhar, ter ambição, desejar aquilo que parece impossível ou difícil de ser realizado é ingrediente fundamental de uma empresa de sucesso.

Tenho na memória uma história que ilustra bem a importância de fomentar o desejo por conquistas (já pesquisei na Internet a referência e não encontrei, se alguém souber e puder enviar agradeço). Li num artigo, já faz mais de 20 anos, sobre uma pesquisa feita com crianças americanas que, periodicamente, respondiam a famosa pergunta: o que você vai querer ser quando crescer? Ao longo do tempo, as crianças iam mudando seus desejos: atleta, músico, artista, astronauta, professor, médico, motorista … E a pesquisa acompanhou as crianças durante a adolescência até a idade adulta. O resultado mostrou que, dentro do grupo estudado, daqueles que desejaram ser astronautas, nenhum de fato conseguiu alcançar essa posição – mas dois conseguiram ser pilotos de avião comercial. Já das crianças que diziam querer ser motoristas de caminhão ou de táxi, nenhum virou astronauta nem mesmo piloto de avião. Ou seja: quem almeja algo mais desafiador, pode até não atingir seus objetivos, mas se aproxima dele.  E não estou valorizando ou desmerecendo nenhuma profissão. A questão aqui é lembrar que quem determina nossos limites somos nós mesmo, pois tudo acontece primeiro na mente antes de virar realidade. Se você imagina sua empresa sempre pequena, vendendo para vizinhos e conhecidos e faturando “para pagar as contas”, ela nunca será um grande negócio.  Ou, como diria o poeta e músico André Abujamra, “o mundo dentro da gente é maior do que o mundo fora da gente”.

Vencida a importante etapa de definir objetivos (“sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho” ensina Jorge Paulo Lemman) vem a parte mais difícil: executar, realizar. Pois quando as ideias se tornam realidade, existe uma série de dificuldades aparecem e elas precisam ser superadas. Tudo pode ser desculpa para que seu sonho não aconteça. Ainda porque as variáveis são inúmeras -  e a grande maioria delas incontroláveis pois dependem de fatores externos (outras pessoas, clima, aspectos sociais, econômicos, …) que independem de sua vontade. Por isso deixo aqui algumas dicas para que você tenha coragem e determinação para realizar em 2016 (lembre-se jacaré parado vira bolsa):

- Não tenha medo de errar – Lembre-se Thomas Edison antes de “inventar” a lâmpada experimentou centenas de materiais em mais de um ano de testes diários com centenas de diferentes materiais (fios metálicos, tecidos, carvão, líquidos combustíveis, …) até encontrar o filamento que deu origem a lâmpada incandescente.  Portanto, não tenha medo se seus primeiros testes não sejam de pleno sucesso: errar faz parte do processo.

- Tenha objetivos estimulantes – É preciso que você tenha motivação suficiente para que você tenha energia e garra para fazer acontecer. Se sua vontade for trocar seis por meia dúzia, do tipo “tanto faz” ou “nice to have”, você facilmente encontrará justificativas para desistir.

A ilustração de @fakegrimlock para “The Lean Entrepreneur” mostra que correr em busca de uma boa recompensa pode ser mais eficiente do que dispersar esforços.

- Defina metas alcançáveis – Se seu objetivo for “fazer um MBA na Espanha” talvez uma meta interessante seja “concluir nível X do curso de espanhol”.  Meta é algo mensurável, deve ser quantificada e ter prazo para acontecer.

- Prototipe – Construir a primeira versão de um produto ou serviço ajuda mais que ficar apenas planejando. Portanto, defina um primeiro escopo e dedique-se a finalizar. Rode o PDCA.

- Persevere – Perseverar não é sinônimo de insistir. Nos negócios, quando se diz “seja perseverante”, o que se quer é que o empreendedor não desista de seus objetivos, mesmo que tenha que mudar sua estratégia para alcançar o que quer. Perseverar não é ser teimoso, mas sim ser flexível e usar da criatividade com determinação e sem desanimar –  para encontrar maneiras de obter os resultados que deseja.

Finalizo com um provérbio árabe para sua reflexão e estímulo para um 2016 de muitas realizações:

Pensar bem é ser sábio.

Planejar bem é ser mais sábio.

Executar bem é ser o mais sábio.

Abraços e um ótimo ano para nós!

A difícil arte de sobreviver dos quadrinhos

14 de dezembro de 2015

Murilo Martins se desdobra entre a direção de arte e o trabalho autoral para equilibrar suas contas – e fazer cada vez mais o que gosta

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Escreve às segundas no Blog do Empreendedor. Para saber mais, curta aqui.

Na faculdade de publicidade, ele fazia histórias em quadrinhos e zines (fanzines) como diversão. Mas, com o início da vida profissional, o hobbie foi perdendo espaço – até que um dia, decidiu se dedicar mais à atividade autoral: “foi no final de  2011 que eu consegui (virando muitas madrugadas) lançar a LoveHurts. A recepção foi bacana, fiquei empolgado e decidi pegar mais pesado nos quadrinhos e nas minhas publicações” conta Murilo Martins (@mu_tron).

Pegar pesado, nesse caso, significa ocupar 70% do tempo para os quadrinhos e deixar 30% dedicado para os freelas de direção de arte e design, mesmo que o retorno financeiro seja inversamente proporcional: “eu diria que a grana para me manter vem 70% de trabalhos de direção de arte e design, e 30% de quadrinhos e outras publicações” diz o quadrinista de 42 anos e nascido em Presidente Prudente, abrindo o jogo. E complementa: “No final de novembro fiz um post sobre essa coisa de “viver de quadrinhos” e rolou uma mini-repercussão. Foi um post meio piada, porque essa pergunta ´dá para viver de quadrinhos no Brasil?´ sempre rola nos debates dos festivais. É uma pergunta bem genérica, mas de maneira geral a resposta é NÃO – muito pouca gente vive de quadrinhos. Eu estava fazendo umas contas no fim de novembro e vi que naquele mês, pela primeira vez em anos, eu tinha pago todas as contas exclusivamente com o que eu ganhei com quadrinhos. Achei divertido pontuar esse momento”.

Murilo comemorou no Facebook o primeiro mês em que conseguiu pagar as contas com a receita que obteve através dos quadrinhos, depois de três anos buscando viver como artista independente.

O modelo de receita de Murilo para os quadrinhos é a venda para lojas ou direto para os leitores, principalmente nas feiras que começou a marcar presença tanto no Brasil quanto nos EUA, Canadá e Reino Unido (onde também vende zines e pôsteres).

Dois livros (Eu Sou um Pastor Alemão e Eu Era um Pastor Alemão) estão em livrarias (físicas e virtuais) através de uma parceria feita com uma editora para que as publicações tivessem mais alcance. “As feiras são canais muito importante para os artistas. Eu tenho sorte, minhas publicações se encaixam tanto em feiras de quadrinhos (como o FIQ, o FestComix e a CCXP) quanto de publicações independentes (Feira Plana, UgraZineFest e Miolos, por exemplo). Um dos grandes problemas para os quadrinhos, principalmente os independentes ou de micro e pequenas editoras, é a distribuição”.

Para 2016, Murilo pretende “sobreviver e produzir mais”. Rodar muito para divulgar o novo livro. “Já tenho duas feiras fechadas, devo ter pelo menos mais duas até maio. Estou desenvolvendo também uma oficina de publicação independente, que deve rolar até o meio do ano”.

Participação em feiras internacionais torna-se fundamental: se o mercado local não tem tamanho suficiente, é preciso atravessar as fronteiras.

Sintetizo alguns trechos de nossa conversa que podem servir de dicas para empreendedores que atuam ou querem ingressar nesse nicho:

- “É muito improvável que você vá conseguir retorno financeiro suficiente para se manter nos primeiros anos. E talvez nunca consiga. Isso não é nenhum demérito: a maioria dos autores, mesmo os estabelecidos, dependem de alguma outra fonte de renda. Por outro lado, não depender tanto do retorno comercial dá uma certa liberdade criativa, dá para ousar um pouco mais”.

- “Para mim, as feiras são essenciais. Elas são onde encontramos o público, outros artistas, onde apresentamos e vendemos os livros e, em muitas delas, onde debatemos sobre o nosso pequeno mercado”.

- “Eu tive que deixar uma certa timidez e lado e começar a conversar com as pessoas nas feiras, vender livros, contar sobre o que é cada livro de um jeito rápido e que desperte o interesse ao mesmo tempo. Fora a parte bem de feirante mesmo: montar a banca, decidir o que vai levar, aprender a fazer contagem do estoque, fazer troco, fazer o balanço do dia… e até não esquecer de comer – porque no começo eu esquecia”.

- “Ainda estou aprendendo. O timing das coisas é outro, a dedicação é outra, a cobrança é outra. É preciso paciência, porque conquistar público é um trabalho que demanda tempo e esforço constante. Tudo demanda um mínimo de planejamento para que as coisas rolem – estou aprendendo a planejar meu ano cada vez com mais antecedência”.

- “Hoje você não precisa de muita coisa para começar, se não quiser fazer o impresso, tem toda a internet para você lançar sua webcomic, por exemplo. Mas continuar é o mais difícil, porque o retorno financeiro é muito baixo. Quadrinhos são uma forma de arte muito ingrata: demoram muito para se produzir, e são consumidos muito rapidamente. Um livro que você demora um ano para fazer, pode ser consumido em 15 minutos”.

- “Às vezes me vejo como ´um empresário de mim mesmo´… mas também tenho muito cuidado com certos pensamentos ´comerciais´, que conflitam com o pensamento artístico-autoral. Esse balanço é importante. Como eu gosto de estudar e a rede está toda aí dando sopa, busco informações o tempo todo. É fácil encontrar informações valiosas sobre empreendedorismo, mas para certas peculiaridades de se ´empreender´ como autor, como artista, é mais difícil. Gosto bastante do 99u e do CreativeCapital. O OpenCulture tem sempre entrevistas e documentos interessantes”.

- “Saber dimensionar a tiragem é sempre um desafio. Quando lancei a LoveHurts, fui super conservador: imprimi 800 exemplares. Eles esgotaram em alguns meses, e então na segunda impressão decidi fazer o dobro de exemplares, que também esgotaram em um ano. Teria tido muito mais lucro se tivesse impresso, por exemplo, 3000 exemplares direto. Mas é muito difícil tomar essa decisão, até hoje quando eu vejo as caixas de livros empilhadas em casa me dá uma certa aflição: “meu deus, quando eu vou conseguir vender tudo isso?”

Murilo ralando nas Feiras:  com a barraca montada, o artista indo ao encontro de seu público

Qual Brasil pode dar certo?

7 de dezembro de 2015

Enquanto em São Paulo a polícia bate nos estudantes, no Acre Desafio de Ideias revela o potencial da pesquisa aplicada dos Institutos Federais na criação de negócios inovadores

Durante toda a semana passada estive no Acre. Acompanhei à distância, pela imprensa e pelas redes, a violência, a truculência e o despreparo do governo do Estado de São Paulo para tentar impor seu plano de fechar escolas. Na era da informação e do conhecimento, a educação é o maior ativo de qualquer governante que quer vencer na economia criativa. Se não bastasse a decisão da redução de vagas, pior foi o comportamento ao “dialogar” com jovens na base do cassetete, do gás lacrimogêneo e da polícia de choque.

Enquanto isso, em Rio Branco, a situação era outra, completamente diferente. Cerca de dois mil congressistas, a maioria deles estudantes e professores de cursos técnicos e superiores da rede de institutos federais, cruzaram o País para comprovar que o Acre realmente existe e que acreditam num Brasil que pode dar certo. A rede de Institutos Federais é composta por 562 em  todo o Brasil e atende cerca de  743 mil alunos.

A maioria das unidades fica no interior, pois os IFs têm a vocação de incentivar o desenvolvimento local através da capacitação e da pesquisa aplicada.  De 30/11 a 03/12 aconteceu a décima edição do Connepi – Congresso Norte e Nordeste de Pesquisa e Inovação – com atividades simultâneas: Palestras (nomes como Lula, Marina Silva, Boris Petrovic e Carlos Seabra estiveram no palco), Mini-Cursos, Mostra Tecnológica, Desafio de Ideias, Apresentações Científicas (Pôster e Oral) e Seminários de Iniciação Científica e Pós-graduação movimentaram o cenário da pesquisa e inovação. Minha participação principal foi no Desafio de Ideias, concurso anual para identificar, capacitar e reconhecer as equipes com projetos de pesquisa aplicada que buscam transformar em negócios.

O primeiro lugar do Desafio de Ideias 2015 ficou com a equipe do campus de Cáceres, Mato Grosso, liderada pelo professor Alexandre dos Santos. Com o projeto Synbaits, eles desenvolveram uma isca alternativa para controle de cupins em áreas florestais do cultivo do eucalipto (seja para produção de carvão vegetal ou para celulose). Em ambos os casos, o uso da tecnologia limpa reduz em até cem vezes o uso do pesticida pelos produtores – além de permitir que as empresas produtoras possam buscar certificações ambientais como o FSC e a ISO 14001.  A solução é o primeiro depósito de patente do Instituto Federal do Mato Grosso.  ”O que existe hoje no mercado para detecção da atividade de cupins são dispositivos eletrônicos com custo mínimo de 5 mil dólares, enquanto nosso invento, baseado em uma reação química colorimétrica com a mesma finalidade, tem custo de produção de R$ 4,50 a unidade”, explica o professor Alexandre. Para a equipe, foi uma experiência inesquecível. Estudante de Engenharia Florestal e integrante da equipe de Santos, Sarah Cavalari, diz que participar do projeto ajuda no crescimento profissional, ampliando o leque de conhecimentos, aumentando as oportunidades no futuro. “Nos vemos não só como estudantes, mas como empreendedores. Nada melhor que pegar sua ideia e desenvolver como empresa”, contou.

Alunos de Cáceres (Mato Grosso), liderados pelo professor Alexandre (à direita, de verde), foram os vencedores do 2º Desafio de Ideias da Rede de Institutos Federais

O Instituto Federal de Rondônia (IFRO) ficou em segundo lugar com o projeto Gerenciador e Identificador de Pragas (Gips), e em terceira posição a equipe do Instituto da Paraíba (IFPB), com o IntelliCar – Sistema Distribuído de Diagnóstico Automatizado de Veículos em Tempo real. O Desafio de Ideias, em sua primeira fase, teve 99 propostas inscritas. Dessas, 22 estiveram no Acre para um intensivo de prática de empreendedorismo com aplicação de conceitos da cultura startup no ambiente acadêmico. Onze equipes tiveram a oportunidade de apresentar seu pitch para uma banca de investidores, convidados e representantes do Sebrae, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e Universidade Federal do Acre. No Instagram publiquei duas foto-montagens, que sintetizam muito do contraste daquilo que vi e acompanhei pela Internet – e do que vivi no Acre, concomitantemente.

Esses registros são da quarta-feira, dia 2. Do lado esquerdo, o que acontecida no Acre, onde as equipes recebiam mentorias e ouviam de especialistas de todo o Brasil. Do lado direito, imagens que encontrei na rede social onde, em São Paulo, os policiais prenderam os estudantes que se manifestavam na Nove de Julho.Abaixo, os registros da quinta. Primeiro, em São Paulo, mais violência, enfrentamento e violência contra os estudantes (e coragem da menina). No Acre, após os pitches e anúncio dos vencedores, toda a comunidade acadêmica da rede de Institutos Federais, liderados pelo anfitrião IFAC – Instituto Federal do Acre, comemorava a conquista de levar para o Acre o que tem de mais modernos em ciência, tecnologia e empreendedorismo.

Os contrastes entre as duas visões desse mesmo Brasil é evidente. E antagônico. De um lado, um o Brasil que fecha escolas, não dialoga, não incentiva a educação básica, muito menos o empreendedorismo. A Anistia Internacional lançou nota condenando a violência, a falta de diálogo, o uso de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, como relatou o Estadão na sexta-feira.

De outro, o Brasil que oferece aos jovens, além de educação, a prática de empreendedorismo. Dar condições para que essa juventude seja protagonista da própria vida, sabendo que tem conhecimento e condições para escrever a própria história seja desenvolvendo uma nova tecnologia, um produto inovador, seja transformando pesquisas em oportunidades de negócio. Conversei com três dos mentores, que vivem diferentes realidades em seus estados para saber se a opinião deles sobre a experiência.

“Ver a expressão de felicidade dos selecionados e o carinho de alguns com os mentores foi uma experiência incrível” disse Armindo Ferreira, referência no Vale do Paraíba (SP), diretor da Cruz e Ferreira e responsável pelo Blog do Armindo – que atuou como mentor de marketing e comunicação atendendo as equipes que participaram do Desafio. “Pude ver jovens focados em inovação tecnológica num evento que cria uma sinergia incrível com o futuro das regiões norte e nordeste. O estado de SP deveria seguir o exemplo e colocar toda força criativa dos jovens para trabalhar para resolver problemas de um futuro que nem conhecemos ainda”.

“Enquanto muito se fala em ’revolução‘ política para gerar uma ´salvação econômica´, encontramos a verdadeira mudança acontecendo de maneira quase que silenciosa para o grande público. O Desafio de Ideias do X Connepi levou estudantes de todo o Brasil para Rio Branco, no Acre, que foi testemunha da qualidade da produção científica que acontece nos Institutos Federais” avalia João Silva, mentor do desafio de ideias e consultor credenciado ao Sebrae Maranhão, líder de inovação do Creative Pack e presidente  do Startups Maranhão: “Confirmando que empreendedorismo vai muito além de abrir um negócio, pude acompanhar a vontade e gana de equipes que estavam pouco familiarizados com o mundo empresarial em transformar seus projetos científicos em soluções benéficas para a população. Muito mais importante que os troféus recebidos, embora tenham sido importantes, acredito que o aprendizado e esperança que cada pessoa levou dessa atividade foram os maiores ganhos, pois tanto alunos quanto professores entenderam que empreender é a melhor forma de se aprimorar continuamente, criar soluções que realmente melhorem as vidas das pessoas e ainda muito mais um país”.

“Investir nos jovens é a chave para que eles desenvolvam todo o seu potencial criativo e empreendedor tornando-se assim grandes profissionais que possam construir e contribuir para o desenvolvimento do país” é a opinião de Anderson Pontes, consultor credenciado ao Sebrae Acre e Master do Acre na Rede Consultólogo. “Durante o desafio de ideias, realizado no X CONNEPI em Rio Branco – AC, pude observar o potencial empreendedor dos jovens envolvidos no evento, e os considero Agentes Multiplicadores de Pesquisa e Inovação do Brasil”. E você, de qual Brasil quer fazer parte?

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Para saber mais,
curta aqui.

 

Artesã acha que poderia ter sido mais profissional e planeja lançar peças baseadas no caso

23 de novembro de 2015

Diálogo sobre encomenda das lembrancinhas alcançou grande repercussão na semana passada a partir de post publicado no Estadão PME

A mensagem chegou para mim na quinta-feira, dia 19 de novembro. ‘Marcelo, meu nome é Erica Brito, uma pessoa me falou da matéria no Blog do Empreendedor (caso você não tenha lido, entenda o caso aqui). O fato aconteceu comigo não com a moça chamada Tatiana. Creio que ela apenas compartilhou ou repostou, pois a minha postagem original foi em um grupo de feltro que participo e foi excluída pois alguém denunciou. Mas várias pessoas salvaram as imagens e repostaram. Qualquer dúvida estou à disposição’.

Meu primeiro pensamento foi: ‘Graças a Deus, e a meu professor Euclides Torres, eu iniciei o texto deixando claro que não tinha evidências que o fato tinha acontecido com a Tatiana’. Euclides foi meu professor de reportagem na UFSM e me ensinou que sempre que você não tiver a certeza sobre a autoria de algo, deixe isso claro (conselho que continuo seguindo, principalmente nesse espaço).

Eu estava ainda digerindo a repercussão da história, com meu recorde de audiência com mais de 100 mil curtidas. O texto foi publicado no Facebook do Estadão e foi o tema mais comentado do dia. Durante a semana, várias pessoas me procuraram para falar do caso. Uma empresa me convidou para conversar com a equipe deles sobre inteligência emocional no atendimento ao cliente.  E agora a Tatiana era na verdade Erica. Precisava saber mais sobre isso. Liguei para ela e ela aceitou conversar.

Erica Sobreira Brito tem 23 anos. Nasceu em Canto do Buruti, Piauí, mas vive em Teresina. Chegou a iniciar o curso de Ciências da Natureza na UFPI, mas não se identificou com o curso. O artesanato sempre fez parte da vida, desde a infância até se tornar um hobby sério. Mas foi em 2013 que virou a atividade principal.  A jovem empreendedora piauiense já tinha vivido situações inusitadas no relacionamento com o cliente, mas nenhuma como essa.

“Não imaginei que teria essa repercussão toda, só fiz a postagem em um único grupo e ela foi excluída cerca de uma hora depois, mas muitas pessoas salvaram as fotos, postaram e muita gente compartilhou. Muitas artesãs se identificaram com a situação. Na área do artesanato, é comum a desvalorização, infelizmente. Muita gente discordou também da minha postura, creio que eu realmente poderia ter sido mais profissional e apenas recusado, mas erros acontecem, eu não estava num bom dia, não que isso justifique, mas eu acredito que nem sempre o cliente tem razão. Às vezes, perdemos a paciência diante de situações como essa, somos humanos, portanto, passíveis de erros. Gostei bastante do conteúdo do post e das dicas também, que serão muito úteis no futuro, quando me encontrar nessas situações” contou Erica.

Perguntei sobre os comentários (foram milhares), ela disse que leu alguns no blog e que achou interessante que “cada um vê o fato de um ângulo diferente, é sempre bom ver diferentes opiniões sobre um assunto. Aprendi que temos que manter o controle em situações assim, não é no grito que vou conseguir que meu trabalho seja valorizado”.

Na semana que passou, a artesã aproveitou a visibilidade e repercussão para dar mais alguns passos na qualificação do seu negócio. Se formalizou, agora é Empreendedora Individual, com CNPJ e todos os benefícios dessa situação. O Atelier ganhou um novo nome e página no Faceboook. “Talvez isso tenha um retorno positivo para mim, mais pessoas ficaram curiosas para conhecer meu trabalho. Estou criando três peças baseadas nessa situação” conta ela, que mandou uma foto já com uma boneca que pensa em criar inspirada no caso.

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Para saber mais, curta aqui.

Inteligência emocional para lidar com o cliente sem noção

16 de novembro de 2015

Desde que meus bigodes ficaram brancos, não acredito mais em tudo que vejo (principalmente nas mídias sociais, na imprensa, na internet…). Por isso tentei contato – e não consegui – com Tatiana Rocha, usuária do Facebook que publicou prints de tela de uma conversa com uma possível cliente pelo WhatsApp. Mesmo assim vale a história para buscarmos aprender com ela.

Leia também: Saiba o que uma padaria pediu aos clientes

Para resumir o que vi: no dia 10 de novembro, uma possível cliente, que tinha orçado com Tatiana lembrancinhas com o tema do Pequeno Príncipe, acabou contratando o serviço de outra profissional pois encontrou “mais barato”. Insatisfeita com o que recebeu, procura a empresária pedindo que ela REFAÇA as lembrancinhas para o aniversário que aconteceria quatro dias depois. A prepotência e o desrespeito da cliente são evidentes. Acompanhe abaixo:

 

 


A PROPOSTA INDECOROSA

…O TOM ESQUENTA…


E TERMINA COM O DESABAFO DA ARTESÃ

A história soa hilária, mas na verdade é mais um flagrante de desrespeito e a falta de educação da cliente. Muito se fala da grosseria do empresário, do garçom, do taxista. Mas pouco se fala sobre a falta de civilidade do cliente. No Facebook, o post recebeu centenas de comentários – quase todos apoiando a empresária ou relatando situações semelhantes com outras profissões:

- Na marcenaria acontece o mesmo;

- Meu cliente acha caro pagar R$ 100 para formatar o PC e paga R$ 40 para outro; semanas depois começam as ligações;

- Já passei por isso na minha profissão de serralheiro, vc vai lá, perde seu tempo, passa o orçamento o cara não com faz com vc e depois quer que vc conserte a M que os outros fizeram;

- Estou acostumada a receber clientes que aparecem para “corrigir” a maquilagem definitiva.

É mais uma vez a sabedoria popular mostrando que “o barato que sai caro” continua em vigor. Veja que no início na conversa a artesã manteve seu controle frente a uma situação de estresse. Mas do meio para o fim da conversa, ela também deixa a emoção aflorar e coloca “lenha na fogueira” da discussão.

Como educação vem de casa e não podemos “educar” o cliente em boas maneiras, o tema recupera uma característica fundamental para o empreendedor de sucesso: inteligência emocional. A capacidade de controlar as emoções em situações desconfortáveis, de tensão e desrespeito. Como as demais características do comportamento empreendedor, a inteligência emocional pode (e deve) ser treinada e aperfeiçoada corretamente. Como esta história mostra, o auto-controle vem sendo cada vez mais necessário.

Listo algumas dicas para exercitar e aprimorar a inteligência emocional.

- Controle os impulsos, conte até 10 antes de explodir.

- Entenda a diferença entre sentimentos e ações.

- Aprenda a reconhecer as emoções: ira, tristeza, fúria, medo, prazer, amor, surpresa, nojo, vergonha… E a identificar quais são seus gatilhos para cada uma, de que forma você responde a elas.

- Compreenda a perspectiva dos outros. Lembre que muitas vezes a pessoa do outro lado pode estar numa situação de estresse maior que o seu e por isso nem percebe o absurdo que está falando/fazendo.

- Use etapas para tomar decisões: analisar, estabelecer metas, identificar alternativas, prever consequências.

E, antes tarde que nunca, lembre-se: valor não é preço (leia post sobre isso aqui). Não deixe que o cliente determine quanto vale seu serviço. Calcule seus custos, preserve sua margem. Busque forças para que nada, nem ninguém, prejudique seu equilíbrio emocional.

Para saber mais sobre reconhecer emoções e como ligar com elas na vida e nos negócios, sugiro o livro “Inteligência Emocional”, best-seller do psicólogo Daniel Goleman. Há também um vídeo curto, com legendas em português, em que o autor dá dicas sobre como manter o foco frente a situações de estresse, tensão e ansiedade. Está no canal da Harvard Business Review no youtube e pode ser acessado aqui.

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Para saber mais, curta aqui.

 

 

Bem-vindo à era dos momentos

26 de outubro de 2015

Pequenas empresas têm agilidade e conhecimento dos micro-contextos dos clientes. Essas competências podem ser a grande diferença dos negócios no futuro

O futuro ainda não existe. Só se sabe que ele será diferente do presente. Mas como ele será, de fato, é algo ainda indefinido – pois será construído a partir das ações que tomamos todos os dias.  Essa é uma das reflexões que Daniel Egger vai apresentar na conferência RethinkBusiness, que acontece nos dias 5 e 6 de novembro no auditório da Fecomércio, em São Paulo. 38 anos, fundador da Foltigo, diretor da Crowd Envisioning, Egger é austríaco e está no Brasil desde 2003. “Vi muito potencial no país e gostei de aprender uma nova língua”.  Atua como professor na ESPM, Mauá e Insper e é designer de estratégias inovadoras para o futuro de negócios. Autor do livro “Geração de Valor Futuro – conectando a estratégia, inovação e o futuro” (Elsevier, 2015) atualmente prepara o segundo livro “#humanizing – um design, um design humano”. Nessa entrevista ele adianta algum dos temas que vai tratar neste evento, que reúne expoentes do ecossistema de inovação para repensar o futuro dos negócios.

Máquina de construir – o ano 2000 imaginado pelo francês Villemard em 1900

Menta – O que podemos esperar do futuro?

Daniel – O futuro depende de nós, da postura que assumimos. Essa pode ser ativa ou passiva. Ativa significa que buscamos entender as mudanças, como elas são interligadas e como nós, como individuo ou empresa, podemos ativamente participar ou até influenciá-la. Passivo, é quando sonhamos com o futuro, mas esperamos que outros o criem para nós. Explorar o futuro não é sobre prever, mas sim entender melhor as mudanças e preparar-se para as novas realidades.

Menta – Em tempos de tanta intolerância religiosa, política e até étnica, é possível ter uma visão positiva do futuro?

Daniel - Tem dois aspectos muito importantes sobre o futuro. O primeiro é que qualquer mudança representa sempre uma oportunidade. O segundo é que o futuro é neutro. Ou seja, não podemos julgá-lo com nossos vícios, mas precisamos entender as lógicas que surgem e como podemos fazer parte dessas novas realidades. Após identificados, podemos concordar ou não – e assumir influenciar da forma como entendemos como positivo ou negativo. Mas precisamos lembrar que o que nós podemos imaginar como positivo, outras pessoas não compartilham da mesma visão.

Menta – O que é a nova economia dos momentos?

Daniel - Creio fortemente num futuro centrado no humano – mas também com um desenvolvimento progressivo da tecnologia. Precisamos olhar quais são os hábitos, valores e crenças das pessoas – e o que gera valor para elas. A economia dos momentos representa essa importância. Com a mobilidade e a conectividade nós estamos utilizando produtos, serviços ou interagimos com as marcas em qualquer lugar. O Google, focando na interação com o celular, chama isso de “micro-momentos”.  Cento e cinquenta vezes, em média, interagimos com o celular por dia. Podemos acessá-lo do nosso dormitório, carro, escritório ou no banheiro. Cada acesso representa um momento, uma necessidade especifica. A economia do momento representa essa importância de conhecer não somente o cliente, mas o contexto e por que ele acessa os produtos e serviços. Sabendo disso podemos gerar novas soluções e experiências para nossos clientes.

Menta – Como as inovações tecnológicas vão impactar o futuro dos negócios?

Daniel - Vivemos cada vez mais numa sociedade tecnológica. Tecnologias como impressores de 3D, a internet das coisas ou os mundos virtuais vão transformar dramaticamente a nossa realidade. Mais especificamente, essas mudanças vão dar um novo poder aos indivíduos, ao momento. Quando a minha filha expressa sua criatividade desenhando uma borboleta, eu posso tirar uma foto e imprimir o objeto. Isso reforça o momento, cria uma felicidade e uma nova experiência criativa. Não precisamos mais ir para uma loja e procurar uma borboleta pré-criada, ela pode criar a dela. As impressoras 3D não somente vão mudar nosso hábito de consumo, mas também competências estratégicas das empresas. Com o progresso tecnológico, impressoras vão ganhar mais velocidade (hoje ainda são muito lentas) e trabalhar com mais complexidade. Isso vai impactar dramaticamente as competências de produção das empresas. Se hoje elas focam na eficiência em busca do menor estoque possível, utilizando impressoras 3D o princípio just-in-time ganha uma nova perspectiva. Caso as empresas precisem um insumo, elas podem comprar online, e imprimir. Com isso as empresas produtoras ganham uma nova agilidade e liberdade. Tem menos dependência do transporte dos bens, menos risco de perda, necessitam menos espaço de produção e menos custo do estoque. Teremos uma nova realidade mais eficiente e ao mesmo tempo uma customização maior para os clientes.

”Patins elétricos” faz parte da série Utopia, em que Villemard imaginou como seria o futuro

Menta – Qual o futuro você vê para as pequenas e médias empresas? Como elas poderão sobreviver, se destacar, em um cenário de competição crescente?

Daniel – As pequenas e médias empresas têm uma competência que as grandes muitas vezes não têm. Agilidade e conhecimento do micro-contexto dos clientes. Isso significa que teremos novas redes competitivas. As grandes empresas vão se aproveitar das pequenas e médias que vão customizar os produtos para os seus clientes. Mas também vamos ver pequenas e médias empresas se juntando em “redes competitivas” que tem uma estrutura flexível para criar uma nova concorrência. Vem daí os “funcionários de aluguel”, quando as empresas mantêm um núcleo reduzido de pessoas e passam a trabalhar cada vez mais com microempresas, startups ou autônomos para gerar valor para projetos específicos. Isso pode parecer arriscado, mas não é. Essa nova realidade dá maior acesso aos talentos, agilidade e também reduz o custo fixo das organizações nas situações de incerteza.

Menta90 é o codinome na Internet de Marcelo Pimenta, jornalista e professor da pós-graduação da ESPM. Escreve sobre inovação e cultura startup toda segunda-feira no Blog do Empreendedor. Saiba mais curtindo www.facebook.com/menta90

Inovar para vencer a crise

19 de outubro de 2015

A crise é constante desde o início do universo. É a mola propulsora do desenvolvimento e do empreendedorismo

Marcelo Pimenta é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium

Nossa história começa com uma crise, uma grande crise. Uma super explosão. Há cerca de 13,8 bilhões de anos o Big Bang espalhou partículas por todo o universo. E desde lá as transformações são sucessivas. Períodos gigantes de escuridão, expansão, detonações vieram a dar origem aos elementos químicos, que se combinaram lentamente para formar a matéria, que hoje dá origem a tudo que conhecemos, desde nosso corpo até cadeiras, árvores, pedras e tablets (“we are made starts” cantaria Mobi). Depois da criação da Terra, terremotos, inundações, congelamentos e aquecimentos foram moldando o nosso relevo e clima criando as condições para a criação da vida.

E bem mais recentemente, há 65,5 milhões de anos, um meteoro atingiu a terra e extinguiu os dinossauros. Essa crise permitiu que os pequenos mamíferos, alimentos permanentes dos dinossauros, saíssem do subsolo e das cavernas e se desenvolvessem para dar origem aos primatas.

E a crise do frio que gerou a descoberta do fogo.

A crise das distâncias promoveu a construção do barco.

E a crise da pressa exigiu que se inventasse o avião e os jatos.

E a crise da necessidade de um padrão único de comércio fez com que se criasse a moeda e os bancos.

E a crise dos serviços gerou hotéis, lavanderias, assistências técnicas.

A crise de encontrar as informações propiciou o Google, a saudade e a vaidade fizeram surgir o Facebook,  a necessidade de backup de arquivos fez surgir o Dropbox e assim vamos vivendo,  empreendendo e inovando sem parar. Como Charles Darwin ensinou, nossa evolução é protagonizada por aqueles que mais têm capacidade de se adaptar.  Inovar é o que nos faz sobreviver e é a resposta para todas as crises.

A crise é o momento em que se buscam novas opções. Se a empresa não conseguir se renovar para oferecer novidades, vantagens e benefícios, estará dando a chance para que um concorrente ofereça sua oferta. A crise é a oportunidade para que fornecedor/cliente repensem sua relação.

A crise está fazendo com que os consumidores repensem os custos da televisão paga tradicional (cabo e satélite) e optem cada dia mais pelo Netflix.

A crise está fazendo com que os gourmets comecem a abrir suas casas para jantares compartilhados.

A crise vem fazendo com que os cidadãos compartilhem seus carros oferecendo caronas.

A crise vem permitindo que os consumidores voltem a consumir produtos da indústria nacional, que não depende do dólar (aliás, quem acha que o dólar a quatro reais é o fim do mundo, pode aproveitar o momento para refletir sobre essa cotação no contexto histórico da humanidade).

A crise vem permitindo que startups tenham a chance de oferecer produtos e serviços inovadores como substitutos ao jeito tradicional de resolver problemas. As cooperativas de táxi ficaram na zona de conforto por quarenta anos, para que em cinco anos os aplicativos reorganizassem o mercado, dando a chance para o surgimento de modelos disruptivos (como o Uber). Sim, as cooperativas de táxi estão em crise pois seu modelo de negócio foi colocado em cheque.

Uptade or die.

Nada é permanente, exceto a mudança (Heráclito).

Aproveite a crise para renovar seu produto, rever seu preço, pensar em novos canais de distribuição, buscar novos parceiros, analisar e atender novos segmentos de mercado, repensar sua forma de relacionamento, voltar a ligar para os que foram seus clientes anos atrás … São muitas as ações possíveis. Use a crise como combustível para chegar onde você quer estar.

“Como inovar para vencer a crise” é o tema da palestra que realizo esta semana na programação da Semana de Ciência e Tecnologia. Até a redação desse post, o site do evento, que acontece simultaneamente em todo o país, já reunia 26.238 atividades programadas em 634 cidades brasileiras.  A programação completa você pode ver aqui http://semanact.mcti.gov.br/. Minha participação será no Mato Grosso. Dia 21/10/2015, quarta-feira, em Nova Mutum  - na ACENM/CDL (Av. das Araras, 99W) e no dia 22 em Lucas do Rio Verde – no  Hotel Odara (Av. Universitária, 408 W). As palestras são gratuitas numa promoção do Sebrae-MT.

Caso você não possa participar e queira saber mais sobre esse tema e como essa palestra pode te ajudar a ver a crise com outros olhos, entre em contato pelo e-mail menta@laboratorium.com.br ou acompanhe a programação em http://www.facebook.com/menta90.

PS – As fontes sobre a formação do universo são da refilmagem do documentário Cosmos, disponível no Netflix, onde o astrofísico Neil deGrasse Tyson revisa as principais pesquisas sobre o assunto a partir do original produzido por Carl Seagan em 1980.