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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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O pequeno e o grande empreendedor podem compartilhar a mesma cultura

25 de fevereiro de 2016

 

Diariamente nos deparamos com toneladas (literalmente) de desafios na vida empreendedora. Os imprevistos e contratempos são uma constante tão intensa que, se não tivermos um objetivo bem definido (pessoal e empresarial), corremos o risco de nos afogar numa poça de água antes de conseguir avistar a saída.

O que quero dizer é que uma visão bem clara e simples de futuro – ou “sonho grande” – é fundamental para ir além do próprio nariz e nos ajuda a colocar os problemas diários na devida perspectiva e significância. E assim resolver o que quer que seja, com a menor perda de tempo e energia possível.

Acredito que a qualidade da equipe, das pessoas e, em definitivo, da empresa, é nada mais do que a média de quem faz parte. Sócios, funcionários, fornecedores, vizinhos e clientes. Todos contribuímos para que a média de vida da empresa suba ou desça. Por isso a necessidade de sempre melhorar, aprender e rapidamente se adaptar. Queremos ser os melhores sócios, os melhores lideres, os melhores funcionários, os melhores clientes. Procuramos sempre a melhor matéria prima, a melhor máquina, a melhor solução, o melhor produto. E o resultado visível, depois de tantos pequenos esforços de tantas pessoas, é o que nós chamamos finalmente de “nossa empresa”.

Assisti há alguns anos a uma palestra do Carlos Brito, CEO da ABInBev que me marcou muito na época. Foi importante para fortalecer e unificar minhas crenças de gestão e me ajudou a organizar melhor o sistema de trabalho que hoje praticamos. Revisando minhas anotações feitas na ocasião, percebo que passaram os anos e esses conceitos não apenas tiveram uma influência profunda, como a cada dia fazem mais sentido para todos nós no Pastificio PRIMO, e assim construímos uma cultura de trabalho que busca “o sonho”.

Não leia se você não gosta de trabalho duro.

Foco. Foco! Manter poucos objetivos, mas com grande intensidade. Estar focado é realmente importante para não se perder no caminho, das tantas tentações e pressões. Escolher poucos objetivos, não dá para tomar conta de muitos. O foco dá uma clareza na empresa toda, todos se alinham e a sinergia acontece. Foco no resultado, caso contrário a empresa morre.

Senso de urgência. É agora, é hoje, já. A cada segundo tem consumidores tomando decisões de compra, escolhendo este ou aquele produto. Seja nossa empresa ou a concorrência, melhor que seja nossa empresa! Não deixa para amanhã o que pode ser feito hoje! Como disse Mestre Yoda: Faça, ou não. Tentativa não há.

Capacidade de se indignar. Nunca ficar conformado com o resultado ruim. Isso não é normal. Precisamos sentir que o resultado ruim incomoda, que ninguém seja indiferente ao que está errado, que ações sejam geradas para contra-atacar os resultados ruins e gerar resultados melhores.

Gostar do trabalho. Procurar fazer aquilo que se gosta, pois a vida profissional e pessoal estão cada vez mais ligadas, e são necessárias muitas horas de dedicação ao trabalho para realmente fazer algo de destaque, algo que seja relevante na vida, no mercado e no futuro. De novo, precisa haver um sonho para “chegar lá”. Cada um tem suas metas e objetivos pessoais a alcançar. Quanto mais claro estiver o sonho da pessoa, mais rápido ela compreende o que é necessário para alcança-lo e mais fácil trabalhar com satisfação.

Ser o dono da empresa. Cada pessoa que trabalha na empresa é, ao final das contas, um dono. Em especial os líderes, que são fonte de inspiração propagando nas equopes o senso de cuidado e propriedade, de responsabilidades. Não são todos que entendem a sutileza, mas queremos justamente esses poucos trabalhando conosco. É um estilo de vida de maior comprometimento para aqueles que percebem que a empresa é um forte canal para realizar sonhos, sejam pessoais ou profissionais. A empresa não é o destino, e sim o trem que nos leva mais perto de nosso sonho.

A execução é fundamental. Às vezes temos uma ideia brilhante e uma execução pobre. É terrível. Muito melhor o contrário: uma ideia não tão boa, mas uma execução brilhante. Pronto. A execução muitas vezes é relegada a segundo plano, o que é um grande erro, e geralmente um grande desperdício de dinheiro. Quem fez o plano tem que estar na linha de frente defendendo a execução, nunca de uma sala fechada através de relatórios de terceiros. Simples assim.

Justiça. Tratar todos da mesma forma é injusto. É importante tratar diferente às pessoas que são diferentes. Isso inclui premiação e novas oportunidades. As pessoas são remuneradas de acordo com a sua contribuição. Todos têm a mesma oportunidade, mas alguns que se dedicaram e entregaram mais, logicamente merecem ser melhor remunerados.

Gastar a sola do sapato. Vale a pena estar em campo, estar na fábrica, estar na rua, junto com a equipe. Em vez de ficar lendo relatório de uma pessoa que gastou tempo enorme para ver e relatar, melhor é você ir direto na fonte e economiza um intermediário. O olho do dono interpreta coisas de forma diferente, com foco no grande plano. O empreendedor precisa evitar os filtros de outras pessoas falando, tem que ver e ouvir por pessoalmente.

Ter as melhores pessoas. Tudo no mercado é facilmente copiável. Um produto novo em 2 meses o concorrente pode estar fazendo igual. Uma embalagem diferente em pouco tempo todos fazem igual. Quase tudo é altamente temporário. A única coisa que é realmente um valor de longo prazo é ter pessoas talentosas dentro da empresa. E pessoas talentosas somente ficam na empresa se encontrarem um ambiente específico:

1 – Meritocracia: uma cultura que valorize e remunere o resultado, a contribuição. Está muito ligado a ser justo com as pessoas. Aqueles que trazem resultados maiores para a empresa, tenham melhor premiação.

2 – Informalidade: poder dizer o que pensa, ter acesso fácil a todos os que estão acima ou abaixo na hierarquia, poder dar opiniões num ambiente de confiança e respeito, Sentir-se seguro para desenvolver o trabalho e arriscar, ser relevante.

3 – Simplicidade: pessoas inteligentes e talentosas gostam da simplicidade, porque sabem onde querem chegar, com objetividade, sem muita firula, sem desperdício de energia. E, por outro lado, fica o alerta: pessoas que fazem as coisas de um jeito que só elas entendem, complicado, terminam por esconder uma ineficiência e uma falta de talento para o jogo. Um verdadeiro talento numa organização, numa empreitada ou numa empresa é transformar uma coisa muito complicada em algo simples a que todos tenham acesso.

Sonhar grande, como sempre diz Jorge Paulo Lemann. Dá o mesmo trabalho sonhar grande do que pequeno. Claro que o sonho precisa ser baseado em algum planejamento, em conhecimento, em talento. Dá pra imaginar uns 60% de como chegar lá e os demais 40% vai ser descoberto na medida que vai andando e ajustado com os diversos tropeços e aprendizados. Mãos na massa!

Afinal, poucas pessoas gostam de trabalhar assim, mas os que gostam, são dos nossos. E são essas pessoas que nos interessam como colegas de trabalho. E é por elas que dedicamos nosso esforço de criar u ambiente de crescimento e desafios, de remuneração crescente, que é o que atrai e mantém os talentos na casa. É um sistema que não é bom nem ruim, apenas funciona para esse grupo de pessoas que tem sonhos a realizar.

Ivan Primo Bornes – fundador do Pastificio Primo
“Faço questão de homenagear a equipe que iniciou comigo o Pastificio Primo em 2010.Época de tantas incertezas e dificuldades. O que esta escrito aqui é tudo o que aprendemos juntos. Trabalho firme, foco, objetividade, qualidade.Joy, Kelly, Naldo, Michelle, Iracy, Claudete, Lurdete e eu começamos nosso “sonho grande” em janeiro de 2010. Desta equipe inicial, 6 seguem firmes junto comigo na construção do sonho de cada um.A empresa é o trem que nos leva em direção as nossas realizações pessoais e profissionais.

 

A emoção inteligente

28 de janeiro de 2016

Tenho abordado o assunto da Inteligência Emocional diversas vezes e com vários enfoques – na aventura, no Jedi, na montanha e no fracasso, por exemplo.

Hoje quero compartilhar com você o meu entusiasmo por esta habilidade social fundamental, e que sim, a literatura garante que pode ser desenvolvida e melhorada e que muitas vezes é deixada em segundo plano – já que ser empreendedor é lidar com pessoas o tempo todo, não é?

Também chamado de QE (quociente emocional), para mim é obviamente um dos elementos mais importantes para obter sucesso em qualquer empreitada e, sabendo disso, dedico bastante tempo ao aprendizado humilde e demorado destas capacidades – e acredite, não é nada fácil.

Na antiga Grécia, em 400 a.c. Platão diz que todo aprendizado tem uma base emocional. Hoje parece uma ideia óbvia, mas na época isso foi muito revolucionário e influenciou tudo e todos a partir desse ponto.

Nos anos 1930, o psicometrista Edward Lee Thorndike começa a definir o conceito de “inteligência social” como a capacidade de se dar bem com as outras pessoas, com uma função utilitarista.

Se passam 50 anos e, em 1983, um psicólogo chamado Howard Gardner escreve um livro chamado Estruturas da Mente, onde elabora uma teoria que afirma que as pessoas tem 7 tipos de inteligência (inteligência visual/espacial, inteligência musical, inteligência verbal, inteligência lógica/matemática, inteligência interpessoal, inteligência intrapessoal e inteligência corporal/cinestética).

Em 1990 os psicólogos Peter Salovey e John Mayer divulgam uma teoria e usam pela primeira vez a expressão Inteligência Emocional, que definem como “…a capacidade de perceber e exprimir a emoção, assimilá-la ao pensamento, compreender e raciocinar com ela, e saber regulá-la em si próprio e nos outros.

Mas foi o californiano Daniel Goleman que “lacrou” o assunto e ganhou notoriedade com o livro best-seller Inteligência Emocional em 1995, colocando um holofote definitivo sobre a importância da “…capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos.

Para Goleman, a inteligência emocional é a maior responsável pelo sucesso ou insucesso dos indivíduos, inclusive indicando que a maioria das situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as pessoas. E, desse modo, pessoas com qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão e gentileza, têm mais chances de obter o sucesso.

Parece fácil, não? Mil livros, muitos cientistas pesquisando o assunto, e mesmo assim nenhum resultado é garantido!

Pois é, o QE é muito, mas muito difícil de adquirir, provavelmente a jornada de uma vida. Um bom começo me parece ser praticar todos os dias com as pessoas que estão ao nosso redor – quem sabe um básico bom dia ao vizinho no metrô? Para mim, tudo é válido, e eu não dispenso yoga, aventuras radicais, incenso, viagens, leituras, filmes, novela de TV, gibi, horóscopo, reza e tudo o que me provoque uma transformação emocional positiva – mas isso já é outro assunto.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo tenta, diariamente, ser uma pessoa mais inteligente, mas pensa que, ás vezes, os resultados podiam ser melhores!

Sobre o “Camaleão” e os Negócios

14 de janeiro de 2016

Nestes dias, só se falou de David Bowie, e com toda razão: perdemos um dos artistas mais geniais e provocadores de todos os tempos. O mundo ficou bem mais careta e muito menos divertido.

Os motivos pelos quais Bowie era (e ainda será por muito tempo) tão importante já foram exaustivamente – e com toda razão – desfilados, e não é sobre isso que eu quero escrever.

Também não faltou quem lembrasse da faceta empreendedora do ‘camaleão do rock’, como pioneiro da internet (BowieNet em 1998) e criador de negócios como os Bowie bonds e o BowieBank.com, mas tampouco é sobre isto o meu texto de hoje.

Eu quero é prestar minha reverência a David Bowie como fã, e lembrar um pouco do que ele, como ícone da cultura pop, tem a ensinar a nós, empreendedores, com sua carreira longeva e bem-sucedida.

REINVENTAR-SE

Uma das características marcantes de Bowie que mais me inspira como empresário é a capacidade de se reinventar constantemente. Mesmo sendo um sucesso, mesmo sendo cultuado pelo trabalho que já tinha feito, o camaleão surpreendia a cada temporada com uma nova guinada, ou pelo visual, ou pelo estilo musical, ou pela atitude. Lição genial para marcas e empresas que querem ter uma carreira relevante como a dele: saiba derreter-se e se recriar constantemente, mesmo no auge do sucesso. É a melhor forma de envelhecer e fazer história (e não ficar tocando ‘satisfaction’ por 40 anos).

ABSORVER INFLUÊNCIAS

Bowie era brilhante, mas não auto-suficiente: ele sabia garimpar o que havia de bom ao redor e incorporar à sua música. E se aliava a outros grandes músicos com humildade, sabendo que somar talentos é, na verdade, multiplicá-los. Nas empresas, óbvio, vale a mesma máxima.

EXPERIMENTAR, OUSAR

O ‘homem do espaço’ investiu, como poucos, em caminhos alternativos e exóticos. Seja nos palcos como na vida pessoal, foi sempre transgressivo e provocador, quebrando diversos tabus. Incorporou nos shows androginia, teatro, moda e ópera. Com isso, Bowie ditava tendência e abria o caminho para os outros. É o que fazem as marcas inovadoras, mesmo correndo o risco de que, em algum momento do começo, sejam incompreendidas e depois sejam supercopiadas.

FUGIR DE RÓTULOS

Bowie foi roqueiro, é verdade, mas também transitou pela soul music e até pelo funk, com passagem pelo R&B e pela música eletrônica. E também foi ator, roteirista, ícone da moda, empreendedor, visionário da internet e do mercado financeiro, escritor e até pintor (muito bom, por sinal). O ecletismo foi uma de suas marcas registradas.

ATITUDE É O MELHOR MARKETING

Dono de uma grife musical milionária, Bowie ficou famoso na indústria fonográfica por não gastar fortunas com a divulgação de seu trabalho: sua atitude e seu estilo atraiam a atenção da mídia e do público quase ao natural. Ele também sabia aproveitar-se de pequenas grandes sacadas, como lançar músicas no dia do seu aniversário. E isso voltou a fazer em seu grand finale, ao lançar um álbum inesperado no seu leito de morte, dias antes de morrer. Impacto total, definitivo, de uma obra.

PERSEVERANÇA

Mesmo que a imagem que todos temos de Bowie seja de sucesso, nem tudo o que ele fez foi genial ou deu certo. Muitos dos negócios que ele iniciou quebraram, como o Bowie Bank já citado acima. Alguns discos tiveram vendas insignificantes e foram super criticados, na época do lançamento. Através de sua biografia, sei que passou por momentos de muitas dúvidas artísticas, mas mesmo assim perseverou. E o conjunto da obra afinal se mostra na sua importância e influência. Podemos esperar inspiração maior?

Ivan Primo Bornes – o masseiro fundador do Pastifício Primo tenta ser um pouquinho herói todos os dias

Ao novo, vida nova

7 de janeiro de 2016

Muito bacana o último texto da Bel Pesce neste blog, que levantou um ponto muito importante para qualquer empresa: o risco de ligar o piloto automático e acomodar-se. Ainda mais no começo de ano.

Fiquei refletindo sobre o assunto no contexto em que eu vivo o dia a dia, que é numa empresa de pequeno porte. Minha primeira conclusão é que o risco também existe, tal qual descrito pela Bel.

E a questão toda, afinal, é o que fazemos (ou o que deveríamos fazer) para combater esta situação – que é quase um estado emocional. Abaixo algumas das reflexões, do ponto de vista de uma pequena empresa:

SONHO GRANDE

A primeira regra, acho eu – e que aplicamos diariamente em cada pequena decisão tomada no Pastifício PRIMO – é avaliar se estamos no caminho de nossos grandes objetivos. O método consiste em estar constantemente comparando nosso “hoje” com onde queremos chegar, o “amanhã”. Isso nos ajuda pra caramba a nos manter focados e tomar melhores decisões. E por isso é tão importante um planejamento de longo prazo – também chamado de SONHO GRANDE pelo Lemann.

SEMPRE ALERTA

Sempre do ponto de vista de como evitar cair no marasmo quando tudo vai indo bem, eu considero fundamental um estado “sempre alerta”, como os escoteiros. Explico: é normal que tenhamos momentos de muita luta e picos de adrenalina. Na implementação de um novo software, por exemplo. Ou ao ganhar um grande cliente novo que traz novas necessidades e adaptação. Ou na chegada de uma máquina que precisa de ajuste e treinamento. Também é normal que depois de superada a dificuldade inicial, tudo se encaixa e começa uma calmaria. É aqui onde justamente mora o perigo: achar que está tudo dominado. Para combater essa sensação de falsa segurança, sempre brincamos entre nós, dizendo que algum bicho papão está nos esperando pra nos pegar de surpresa!

ESTABILIZAR NO MAIS OU MENOS

Outra arapuca de deixar a coisa toda rolar solta é a tentação de se conformar no meio do caminho, desistir de alcançar o sonho grande e estabilizar no ‘mais ou menos’. Pode acontecer por motivos vários: conjuntura econômica, sócios que não se entendem, perda do “tesão” e tantos outros. Este me parece o maior risco das pequenas empresas, onde a energia do dono, do empreendedor, é o principal motor de vitalidade. Sem essa motivação, até mesmo o negócio mais original e inovador vai estagnar.

ACREDITAR DEMAIS NOS ELOGIOS

Sempre é bom receber elogios e manifestações de satisfação de clientes, da mídia, dos amigos. Mas sempre com muita cautela. Conheço empresas que ignoram as críticas e se focam apenas nos feed-backs positivos, e aí está o primeiro passo para cair na arrogância. Na minha empresa, levo as críticas (internas e externas) muito a sério – mesmo quando parecem exageradas (uso a expressão “onde tem fumaça, tem fogo”). Os elogios nos estimulam, mas também podem nos acomodar. As críticas nos incomodam, mas nos fazem tomar providências. Isso, claro, quando são ouvidos com humildade.

Tem um ditado latino que diz que dormir nos louros faz com que eles murchem.

Em resumo, acredito que toda empresa tem (ou deveria ter) um Sonho Grande. Encontre o seu e grave em fogo na alma de cada colaborador. Nunca devemos acreditar demais na sorte ou no azar, ambos são enganosos. Devemos procurar estar sempre alertas para reagir de forma eficiente aos dois lados. Problemas sempre irão existir, não é azar. Trabalhar duro e estar aberto para as boas oportunidades é chamado de sorte.

A todos, compartilho meu mantra diário de Força, Foco e Fé em 2016

Ivan Primo Bornes -  fundador do Pastificio Primo e um eterno aprendiz

A tempestade perfeita

31 de dezembro de 2015

Dos termos usados pelos economistas nos últimos meses, tenho que admitir que a ‘tempestade perfeita’ foi o que mais me impressionou, tanto pela força descritiva da expressão, quanto por se encaixar de forma impecável para definir o drama que está acontecendo com o Brasil.

Misturando lama política nacional com um furacão de indicadores financeiros negativos – de dentro e fora do país – o resultado não é segredo para ninguém: estamos no coração da tempestade.

Economistas, que sempre adoraram utilizar expressões meteorológicas para designar situações financeiras, não demoraram a adotar o jargão para definir um conjunto de fatores negativos que se somam para construir o pior dos cenários.

Consta que o termo foi institucionalizado por um best-seller lançado em 1997 pelo jornalista e escritor Sebastian Junger, relatando a história real de um pequeno pesqueiro em meio à colossal tempestade que atingiu estados da costa leste dos Estados Unidos no Haloween de 1991. O livro The Perfect Storm fez tanto sucesso que, em 2000, virou filme com ninguém menos do que George Clooney. Depois disso, a expressão virou bordão popular, para designar uma convergência de circunstâncias que levam a uma catástrofe.

Os estragos da ‘tempestade perfeita’ que bateu na economia brasileira estão por todos os lados, falar deles é chover no molhado.

O que me interessa mesmo, como empreendedor, como fã do Brasil e como pai de dois brasileirinhos, é o que vem depois. Porque se ‘tempestade perfeita’ é o que os economistas consideram a melhor definição para o que ocorreu com a economia brasileira nos últimos meses, então também vale a máxima de que depois da tempestade sempre vem a bonança – e é nisso que eu prefiro focar.

Não sei se em 2016, em 2017 ou até depois, como dizem alguns pessimistas, mas tenho certeza de que em algum momento a tempestade vai passar.

E como empresário procuro trabalhar pensando nisso – buscar abrigo, racionar recursos e tentar manter a empresa flutuando até o sol voltar a brilhar. Muitas crises já se passaram e possivelmente muitas outras ainda virão, a história mostra que isso faz parte da dinâmica da economia – aqui e em qualquer lugar do mundo.

E diante de tantas dificuldades, se eu não acreditar que os dias de céu azul virão em algum momento, eu perderia a capacidade da esperança. E isso eu me recuso a fazer. Porque empreender é justamente isso, vencer adversidades. E tempestades.

Que 2016 nos traga céu azul e mar cheio de peixes.

Ivan Primo Bornes – fundador do Pastificio Primo, mesmo sendo um otimista, anda sempre com a capa de chuva guardada na mochila.

O fim da gourmetização – e já vai tarde

17 de dezembro de 2015

A crise de 2015 vai ganhar um capítulo especial na história da gastronomia brasileira como o empurrãozinho que encerrou definitivamente a gourmetização.

Estou torcendo para que o consumidor, frente à nova necessidade orçamentária, considere melhor suas escolhas e desmascare o que não vale o preço cobrado. Isso vai permitir o retorno à essência de uma boa alimentação, com preço justo.

Na última década o Brasil viveu uma intensa e exagerada busca por sabores e experiências gastronômicas. E na esteira desta demanda surgiram oportunistas oferecendo produtos com uma roupagem sofisticada, mas que, quando analisados friamente, não correspondiam ao valor cobrado.

Temperando esta situação toda também tivemos a invasão no mercado de uma grande quantidade de autoproclamados “chefs de cozinha” – muitos deles decididos a reinventar a roda e fazer fama e fortuna no fogão, mas com resultados pra lá de estranhos.

Este fenômeno, sem dúvida, foi também potencializado pela crescente quantidade de pessoas interagindo via mídias sociais, onde a descrição detalhada de cada ingrediente virou assunto de muitas conversas, ainda mais quando acompanhados fotos com muito “appetite appeal”.

Chegava a ser divertido, e eu mesmo entrei na brincadeira por um tempo, não fosse realmente preocupante ver a facilidade com que os consumidores desatentos faziam filas para pagar caro por produtos corriqueiros.

Aqui uma lista (real) de produtos que ostentaram o título de gourmet: pipoca, coxinha, pastel, cachorro quente, bolovo, brigadeiros, hambúrgueres, bolos, sorvetes, churros, café, e por aí vai… Nem se fala de acessórios gourmet: aventais, facas, temperos, azeites, livros, etc.

E até a marmita gourmet tivemos. Quando até a ração de pets domésticos passou a ostentar a palavra gourmet, virou chacota. Que atire a primeira pedra quem nunca gourmetizou! Sem dúvida, você, assim como eu, também caiu em algum dos contos acima.

Quando as coisas pareciam que iam se acalmar, chegou o momento dos food trucks e food parks “gourmetizarem” a trivial e simples comida de rua. Não sem antes aparecerem os programas de TV com crianças gourmet. Para tudo!

O fenômeno escancarou a eficiência de uma das grandes ferramentas de marketing, que é a diferenciação forçada, ou seja, a procura do diferente apenas para ser diferente. Nem sempre com uma necessidade real de consumo ou de capacidade qualitativa do produto.

Também apareceu rapidamente a maior fragilidade da ferramenta: a banalização. E, então, por sorte, começou a cair a ficha dos exageros – e de muitos engodos – que essa ‘tendência’ escondia.

Como sempre tento ver o lado bom de tudo, eu realmente espero que esta crise determine o encerramento definitivo da, assim chamada, gourmetização.

Porque acredito simplesmente que a maioria das pessoas quer uma comida boa, por um preço justo. Saudável, fresca, sem conservantes, feita por pessoas dedicadas no propósito.

Isso me motiva e considero uma missão. O resto, é pura frescura.

Ivan Primo Bornes – em busca da simplicidade como método!

A palavra que “bombou” em 2015 foi ‘disruptivo’

10 de dezembro de 2015

O termo não é novo (foi cunhado em 1995 pelo Prof. Clayton Christensen, mas poucas vezes foi tão repetido e fez tanto sentido como neste ano que está terminando.

Embora tenha gente que o utiliza de um jeito pedante, o adjetivo realmente serve bem para apontar uma necessidade elementar no mundo dos negócios dos dias de hoje, e ainda mais na crise que estamos passando: romper, revolucionar, subverter, reinventar.

E, o mais importante para todo empreendedor, fazê-lo a partir de recursos modestos.

Ou seja, uma grande empresa, bem estabelecida e com muitos recursos, dificilmente será disruptiva. São as pequenas empresas que tem o poder de fazer a mágica acontecer. Geralmente começa sem grandes pretensões, simplificando um processo já existente, ou atendendo um público mal atendido pelas corporações líderes, ou descobrindo uma nova forma de atender uma demanda de consumo.

Disruptivo é um adjetivo que deriva do substantivo ‘disrupção’, o que o dicionário traduz como ‘quebra, interrupção do curso normal de um processo”.

Inicialmente atrelada à tecnologia, a palavra se espraiou e hoje está combinada às expressões ‘estratégia’ e ‘inovação’, aplicável a qualquer segmento. Muitas vezes, aliás, é usada de forma equivocada, citada como sinônimo de algo que revoluciona o consumo – sem ligação com a forma como essa revolução foi gerada.

Toda inovação disruptiva é revolucionária, mas nem todo produto, tecnologia ou inovação que revoluciona o mercado é disruptivo, como se vê e ouve por aí.

Entre as características mais bacanas dos produtos/serviços ‘disruptivos’ estão a simplificação e a acessibilidade: eles são mais baratos e acessíveis do que os seus concorrentes. Isso graças, principalmente, a margens de lucro menores e taxa de retorno de médio a longo prazo (se fala em 5 a 10 anos).

‘Comendo pelas beiradas’, a inovação disruptiva tem o potencial de promover uma revolução de consumo e alterar definitivamente as regras do jogo, deixando para trás quem antes dominava o mercado. Começa atendendo um público modesto até dominar o segmento. Isso pode levar tempo, mas é irreversível.  É o anão derrubando o gigante.

Acho que é aí que o conceito me pega tanto: ela reconhece o poder que têm as pequenas empresas “armadas” de uma boa ideia. Em outras palavras, que tamanho não é documento. Ou até pelo contrário: o grande fator de revolução da atualidade está nos pequenos.

Se sentiu inspirado? Ótimo!

Small não é só beautiful, mas powerful.

Ivan Primo Bornes – sempre com as mãos na massa, para fazer o básico, mas de forma diferente.

A busca da vida longa e próspera de uma empresa

5 de novembro de 2015

Um grande amigo me deu de presente, uns bons anos atrás, o livro Os Ciclos de Vida das Organizações, de Ichak Adizes. Este livro foi transformador na minha jornada de empreendedor e quero compartilhar com você um pouco deste que foi, e continua sendo, meu manual de escoteiro-empresário-mirim.

Eu já trabalhava de forma incipiente na fabricação de massas artesanais em Porto Alegre em 2005, onde morava na época, quando recebi a visita deste amigo de São Paulo, que gostou do que eu estava fazendo com meu negócio e me entregou o livro, dizendo que ele poderia aprimorar e apoiar o crescimento de minha empresa.

O Dr. Ichak Adizes é um sobrevivente dos campos de concentração nazistas que migrou aos Estados Unidos onde desenvolveu, ao longo dos últimos 45 anos, um método bastante original de diagnosticar e ajudar empresas, governos e organizações no crescimento e solução de problemas.

O trabalho realizado por Adizes é tão importante que se espalhou ao redor do mundo, e ele foi considerado um dos 30 maiores pensadores dos Estados Unidos, apesar de ainda ser um quase desconhecido no Brasil. Espero ajudar a que mais pessoas tenham acesso a este conhecimento.

Acompanhe um vídeo gravado no TEC em 2014 aqui e também convido a todos a visitar a página do Instituto Adizes no Brasil.

O bacana do método Adizes, e o que torna ele muito próximo de qualquer um de nós, é que ele compara a vida de uma organização, de uma empresa ou de qualquer empreendimento, com a vida uma pessoa: temos ciclos que são previsíveis ao longo do caminho, e assim podemos nos preparar adequadamente para cada momento.

Namoro, nascimento, infância, adolescência, plenitude e velhice são alguns dos sugestivos nomes destes momentos. Identificar em qual fase a empresa está ajuda a aceitar os problemas de cada etapa e prepara o fundador e sua equipe a se comportar adequadamente para o conflito que decorre da necessidade de mudanças constantes e adaptações.

Uma ideia libertadora é justamente aceitar que o gerenciamento de uma empresa, assim como na vida de uma pessoa, será sempre resolver problemas, lidar com as mudanças, com a instabilidade e a fragilidade da vida. Uma empresa sem problemas, sem desafios, é certamente uma empresa morta.

Serve para empresas grandes e também para um pequeno empreendedor como eu, e certamente é muito instrutivo para quem está pensando em iniciar um negócio.

Um dos pontos constantemente abordados por Adizes é a forma como as pessoas se relacionam entre si em cada etapa, como trabalham em equipe e como tomam decisões.

De fato, fica evidente que é preciso mais do que apenas a vontade e o capital para uma empresa dar certo. Ter sucesso numa etapa não garante o sucesso na outra e pode provocar a morte prematura. É necessário ter uma equipe formada por talentos complementares e lideres com visão holística e periférica.

Aqui aparece outra capítulo muito interessante da metodologia Adizes, que é a forma como as pessoas podem ser classificadas em 4 estilos de gerenciamento:

P – produtor – estão sempre ocupados, e entregam resultados, tem foco, fazem a empresa funcionar. Preferem trabalhar a participar de reuniões. Não tem tempo para planejamento, e preferem trabalhar sozinhos para não perder tempo. Quer algo feito? Entregue a um Produtor!

A – administrador – sentem enorme alegria em organizar, criar sistemas e procedimentos. Seguem padrões e gostam que os demais também sigam. Se não temos regras, eles irão fazer as regras. Precisa de algo organizado? Entregue a um Administrador!

E – empreendedor – são os pensadores, os tomadores de risco. Criam e desenvolvem ideias em cima de uma visão de futuro. São entusiasmados e estão sempre em movimento. Precisa começar algo novo? Entregue a um Empreendedor!

I – integrador -  aproximam as pessoas e ajudam que se sintam envolvidas com o projeto. O foco está em manter a cultura da empresa em movimento e ajudar que todas as partes trabalhem juntas em busca do objetivo. Necessita resolver uma situação de conflito? Entregue a um Integrador.

Reconheceu alguém perto de você? Eu sim! São as pessoas de minha equipe!

Adizes afirma, e eu concordo plenamente, que cada um de nós é uma combinação das 4 características, porém onde se destacam apenas um ou dois dos perfis descritos acima, e que são determinantes. Raramente alguém tem os 3 talentos preponderantes e provavelmente ninguém tem os 4 estilos igualmente desenvolvidos.

Ou seja, eu posso ter um estilo forte e marcante em E (empreendedor) e I (integrador), pequeno em A (administrador) e médio em P (produtor). E isso é totalmente normal. Conhecer qual o próprio estilo é fundamental para ter confiança nos pontos fortes e procurar ajuda nos pontos fracos.

Fica então minha dica: o método Adizes é uma ferramenta que pode aumentar as chances de vida longa à empresa, o que no Brasil, cá pra nós, é uma missão nível Jedi.

Pensando bem, hoje em dia o Dr. Ichak Adizes faz muita falta no Brasil em todas as áreas.

Ivan Primo Bornes, fundador do Pastifício Primo, também é dedicado aluno da escola da vida.

Essa tal de crise que nos tira o sono

29 de outubro de 2015

Crise é a palavra do momento. Só dá ela.

Eu confesso que também estou bem preocupado. Olho ao meu redor e vejo amigos com carreira corporativa perdendo empregos, amigos empresários fechando empresas ou passando muitas dificuldades, tenho amigos emigrando em busca de trabalho fora do Brasil.

E na nossa pequena empresa a situação é de alerta geral. Todos nos postos de combate. Apertar os cintos.

Sempre se fala o clichê de que nas crises existem grandes oportunidades. Pode até ser. Mas, de fato, o grande desafio é ficar vivo até a crise passar. E se aparecer uma oportunidade, bom, esse já é outro assunto, um bônus.

Para um empreendedor, crises são angustiantes, e podem também ser paralisantes se a gente começar a pensar muito nos pontos negativos: perda do poder de consumo dos clientes, quedas de vendas, inadimplência de clientes, mortandade de empresas, endividamento e todo rosário de dificuldades, e sim, a crise faz congelar os movimentos.

Provavelmente o que de pior pode acontecer a quem lidera um negócio: ficar parado. Como nas situações de frio ou calor extremo, mexer-se é básico para ter chance de salvação. O movimento pode ser a diferença entre sobreviver e fechar as portas.

Não acredito em fórmulas mágicas para se defender de uma crise. E, se elas existem, não as conheço.

Sei apenas que agora, mais do que nunca, vale o que Thomas Edison dizia sobre a genialidade: 1% de inspiração e 99% de transpiração. Não existe caminho fácil: trabalho, muito trabalho, é a chance mais provável de sobreviver.

Isso vale principalmente para os pequenos empresários como a gente. Sei de muitas pessoas que, quando decidem entrar no mundo dos negócios, acham que vão trabalhar menos. E é exatamente o contrário. E mais ainda nos tempos como os de hoje em dia, quado precisamos apoiar todos os setores da empresa, jogar em todas as posições.

Então, quando me perguntam o que estamos fazendo para enfrentar a crise, só tenho uma resposta: estamos trabalhando, muito, ainda mais. Mesmo porque o trabalho é a forma mais eficiente de não se deixar contaminar pelo negativismo geral que toma conta nestas épocas.

E pra não deixar a peteca do ânimo cair, vale também tirar a poeira de uma memorável reflexão sobre a crise, atribuída a Albert Einstein, o mais lúcido dos cientistas:

“Não pretendamos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência.

O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um.

Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro.

Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.”

Achei a mensagem inspiradora e compartilho com você. Vale pra nossa vida, vale pra nossa empresa, vale para o nosso país, vale pro mundo. Vale pra atual crise e pra todas as que ainda virão.

E mãos na massa!

Ivan Primo Bornes, todos os dias literalmente com as mãos na massa.

Do empreender e da arte dentro de cada um de nós

22 de outubro de 2015

Ontem encontrei um amigo na rua, na frente de uma nova loja que estamos preparando na região efervescente da Augusta, em São Paulo. Como ele trabalha com cenografia, a conversa logo vai para o trabalho e o que cada um está fazendo no momento, no qual encontramos vários pontos em comum. Principalmente a paixão pelo que fazemos.

Essa conversa e essa rua inspiram meu texto de hoje. Das conexões da arte e do empreender.

É totalmente livre de deslumbramento que vejo o empreendedor um obcecado pelo seu negócio, assim como um artista o é pela sua obra. Pensamos nisso 24 horas por dia, 7 dias por semana. A obra, no meu caso, é a empresa que estou construindo. Talvez com uma diferença: a obra não fica pronta nunca.

Criar um negócio do nada é como começar uma tela em branco, partindo apenas de uma ideia a ser transformada em realidade. E os instrumentos, ou tintas, são toda a bagagem acumulada de conhecimento, técnica e sentimento. Falando com gente que faz arte, percebo a semelhança: a busca de realizar uma visão.

Algum talento (1%), muito trabalho (99%), e bastante sangue frio também, que só descobrimos se temos ou não ao longo da jornada.

A empresa é uma obra aberta também na forma como os outros veem nosso negócio: cada um enxerga de acordo com sua própria percepção. Estamos em constante interação com nosso público.

Ainda mais trabalhando com gastronomia, que é nosso caso. A gastronomia é arte de consumo imediato. Sem falsa pretensão, entregamos todos os dias pequenas obras de arte.

Porque precisamos impactar de alguma forma a vida de nossos clientes para fazer a diferença, para sermos lembrados, para agradar, para gerar um sentimento memorável.

Muitas vezes, o cliente pode nem saber exatamente de que forma produzimos um efeito na sua vida, em suas relações de consumo, na afeição (predileção) que ele cria por nossos produtos e marca.

Uma empresa que consegue produzir tal efeito pode ser considerada uma obra-prima.

Mas uma obra-prima que precisa ser constantemente reavivada, reencenada, recontada.

Acho que por isso talvez a melhor comparação de uma empresa não seja com uma pintura ou um livro, mas com uma peça de teatro, ou um show de circo, ou um concerto, que a cada apresentação precisa ser completamente refeito.

E, a cada apresentação, gera uma expectativa renovada que precisa ser atendida.

Ao final do dia, é como sair do palco ou baixar a cortina depois de um espetáculo. E no dia seguinte, é começar tudo de novo. Por melhor que tenha sido a apresentação do dia anterior, é preciso refazer o encanto e, de novo, reconquistar o cliente.

Porque o show precisa continuar.

Ivan Primo Bornes, procura fazer arte todos os dias no Pastificio Primo, literalmente com as mãos na massa.