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Blog do Empreendedor
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A fragmentação dos meios de produção, unicórnios e cavalos

10 de outubro de 2016


Fomos convidados a umas reuniões para avaliar propostas de investimento em nossa empresa. A tentação é grande: isso pode levar nosso projeto de negócios para o próximo nível. E está sendo, acima de tudo, uma oportunidade de olhar nossa empresa pelo lado de fora, no microscópio, de forma científica, fria, com os olhos de quem nos observa como um produto na prateleira, sem mais nem menos. Assim, estamos descobrindo um pouco deste mundo dos investidores.

Uma palavra que escutei em uma destas reuniões foi “unicórnio”. Parece que encontrar um unicórnio é o sonho de quase todos por ali. Fiz cara de entendido, mas depois vim googlear o que isso significa exatamente, nos negócios.

Em resumo, as empresas unicórnio são aquelas que rapidamente alcançam valores de mercado acima de 1 bilhão. Exemplos: AirBnB, Uber, Facebook, Dropbox e outras que surgiram repentinamente e hoje fazem parte de nosso dia a dia. Algumas características em comum: são empresas disruptivas, tem capacidade mundial de escalabilidade, crescimento exponencial, e são todas – pelo menos por enquanto – de tecnologia. Também tem as que não dão certo, e fazem pensar que unicórnios são instáveis.

Agora, voltando à nossa realidade real – nós fazemos massas e molhos para vender no bairro – sabemos que estamos mais para cavalo do que para unicórnio.

Entendemos que nosso negócio tem outras regras. Afinal, fazemos produto, e precisamos de lojas onde produzir e contatar o cliente para entregar nossos produtos. Mesmo nosso e-commerce precisa de produto. Portanto nossa escalabilidade vai ser sempre mais lenta quando comparada com modelos de negócios de tecnologia. Esta lentidão, por outro lado, nos permite um controle de risco muito maior, e o crescimento é sólido e palpável, entre outras vantagens.

Nosso cavalo fica cada vez mais interessante quando leio um artigo da Deloitte analisando uma incipiente tendência que une produto à tecnologia: a fragmentação dos meios de produção. Acredito que vale a pena ficar de olho neste assunto, pois chegou para ficar.

Lendo nas entrelinhas, percebo uma grande e silenciosa revolução acontecendo: indivíduos – ou pequenos grupos – com baixo investimento, podem ter acesso aos meios de produção e atender/criar produtos e serviços em suas comunidades, bairros, cidades, com acesso direto ao cliente/consumidor.

Eu vejo de forma apaixonada esta movimentação, pois é justamente o modelo de negócio que sonhamos desde nosso início. No começo era apenas uma ideia, mas agora vejo o conceito prosperando em toda direção.

Por exemplo, na impressão 3D. Um pequeno escritório vizinho de minha casa desenvolve um projeto customizado, envia para a Dinamarca para ser impresso e vendido localmente para um consumidor específico. Diferente da tradicional exportação, o que se movimenta de um lugar ao outro não é o produto, mas a tecnologia do produto, que é feito localmente. E isto é fantástico!

Eu vejo muitas semelhanças com nosso negócio artesanal, onde cada unidade do Pastifício Primo tem produção autônoma! Em comum com as impressoras 3D de alta tecnologia, evitamos transporte de produto finalizado, evitamos estoques, evitamos poluição. Entregamos o produto personalizado, mais rápido e perto de você. Esta é basicamente nossa filosofia de expansão. Localmente cada unidade pode atender a demanda de sua região. Apenas o conhecimento artesanal é transportado.

Todos podem ser empreendedores, donos da própria vontade, da criatividade e dos meios de produção. Será que a utopia anarquista de derrubar grandes corporações e monopólios está sendo reinventada? Com unicórnio, a cavalo ou a pé, vamos em frente.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

O que vai ser tendência na gastronomia mundial

7 de julho de 2016

Acabo de voltar da 62º Summer Fancy Food, que levou a Nova York 3670 expositores de todo o mundo, mostrando 180 mil produtos, as novidades na gastronomia, sabores, tendências, ingredientes, temperos, matéria prima e tudo o é relacionado com comida.

Neste ano, o evento teve 46 mil visitantes, de praticamente todos os países do mundo. O Brasil esteve representado por poucos expositores, e poucos participantes – bastante compreensível pelo momento atual de retração.

A sensação boa que eu tive é que a gastronomia de vanguarda no Brasil está bem sintonizada na busca de alimentos mais saudáveis, de origem não industrial, produtos feitos por pessoas com história e comprometimento, que é o que esteve mais em evidência na feira. Ou seja, acredito que não existe mais um abismo entre o Brasil e os EUA no que se refere à busca de uma melhor alimentação.

Mas percebi, sim, algumas diferenças brutais no acesso que pessoas comuns tem a todas estas novidades saudáveis. Fica evidente que o consumidor estadunidense consegue bancar uma grande quantidade e diversidade de pequenos produtores através do poder aquisitivo, do consumo, fazendo possível que tendências se consolidem e não sejam apenas modas passageiras, ou para poucos, como acontece no Brasil.

A nota curiosa e de minha total alegria é que o produto que ganhou o prêmio de inovação foi… massa!

O que mais se destacou, na minha opinião:

PLANT BASED
São os alimentos de origem vegetal (legumes, cereais, vegetais, frutas, flores e tudo o que se possa imaginar) e – muito importante – orgânicos e não modificados geneticamente. É como se os veganos estivessem com todos os desejos realizados, com lanches, sorvetes, leites, doces e uma infinidade de alimentos destacando que são 100% de origem vegetal e não-transgênicos – o grande inimigo da vez são os transgênicos. Ou seja, não adianta ser de origem vegetal, tem que ser orgânico e não-transgênico. Foto: Leite de macadâmia, da Austrália, da Nova Zelândia ou Havaí. Sabor excepcional, cremosidade, perfeitamente capaz de converter um fã de leite de vaca em vegano em instantes.

CANNABIS
Sim, a maconha na gastronomia não chega a ser novidade, mas agora está chegando com força total e numa diversidade enorme de produtos.E a cannabis está presente em tudo: leite vegetal com cannabis (orgânica e não-transgênica), nos flocos, nos iogurtes, nos biscoitos, no óleo de cozinha. Importante ressaltar que é uma variedade de Sativa sem o THC, que é o componente “chapante”. Fazer receitas com cannabis deixou de ser coisa de maluco beleza para se transformar num ingrediente com alto índice de proteínas, e além de ter o sabor e aroma valorizado.

SUPER LOCAL
Estamos falando das hortas em cima dos prédios de grandes cidades, como Nova Iorque e Chicago, e estufas de cultivo em áreas urbanas. A filosofia é usar áreas de baixo custo em grandes cidades (os telhados de edifícios ou fábricas), e assim evitar o transporte de alimentos em grandes distâncias, principalmente alimentos que contém muita agua, como a batata e o tomate, com 95% de agua. Hoje a plantação nos telhados dos prédios é um negócio não apenas rentável, como promove muitas pesquisas de cultivo sem o uso de agrotóxicos, usando insetos de controle, por exemplo. O “superlocal” é um conceito muito querido por nós, e que tem muito a ver com o trabalho que fazemos em todas as unidades do Pastifício Primo produzindo massas localmente.

O pensamento mais bacana que escutei do William Rosenzweig, da Food Business School: a produção de alimentos vai ser – se é que já não é – a mais importante ferramenta para a paz mundial. A humanidade precisa de alimento em primeiro lugar. Amém.

Ivan Primo Bornes – o fundador e masseiro do Pastifício Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor

Até James Bond pode ensinar você a empreender! Duvida?

19 de novembro de 2015

O recente lançamento do 24º filme do 007 confirmou, de novo, que o mais famoso dos agentes secretos é, mais do que um clássico da ficção, uma marca muito lucrativa. Mas além de ser um grande negócio, James Bond também tem muito a ensinar aos empreendedores, e como fã que sou, preparei minha lista:

1) Tenha um plano de ação. Mas esteja sempre preparado para improvisar – lançar-se em qualquer jornada exige planejamento. E mais ainda quando já se sabe que haverá adversidades. No entanto, como nas aventuras do agente com licença para matar, muitas vezes o plano não pode ser cumprido à risca, porque surgem contratempos ou elementos inesperados. Nessas horas é preciso ter jogo de cintura e improvisar. Com rapidez, sobretudo. Por isso, é sempre bom ter um plano B mental.

2) Não tenha medo de quebrar as regras, quando avaliar ser necessário.

3) Mesmo que tenha dúvidas ou temores, não as demonstre. Mostrar autoconfiança é essencial para ser convincente e bem-sucedido. Acreditar que vai dar certo é metade do caminho.

4) Ainda que tenha problemas, entregue o que você promete

5) Aprenda a reinventar-se constantemente

6) Estude/conheça seus inimigos. E nunca os subestime

7) Saiba criar redes de colaboração, tirando o que cada colaborador tem de melhor para seu plano estratégico

8 ) Saia propositalmente de sua zona de conforto. Versatilidade, flexibilidade e adaptatibillidade são essenciais

9) Acredite nos seus insights

10) Tome a iniciativa/frente, que os outros vão atrás de você.

11) Tenha paciência para ver os resultados

12) Saiba delegar a especialistas, quando você não tiver as habilidades necessárias

13) Foco na missão

14) Adapte-se ao ambiente

15) Não tema estar sozinho em algumas empreitadas. Muitas vezes, liderar um negócio é solitário, nem que seja pela sensação de estar fazerndo algo que ninguém mais esteja fazendo, ou de um jeito diferente da maioria.

17) Transforme a tecnologia em aliada.

18) Faça o que tem que ser feito.

19) Assuma riscos.

20) Não se deixe intimidar pelas adversidades

É isso. Num mundo complicado como o de hoje em dia, manter o foco (e a elegância) é fundamental.

Ivan Primo Bornes – sempre acreditando num mundo melhor, elegante e de paz.