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Por mais empreendedores assim

4 de junho de 2018

Uma fórmula para manter um pequeno negócio, motivado pela necessidade, em comunidades de baixa renda e em cenários marcados pelo desemprego e pela violência. Essa é a proposta da Besouro Agência de Fomento Social, de Porto Alegre, que desenvolveu uma metodologia própria e promove cursos de capacitação gratuitos em favelas, vilas e periferias do Brasil.

Vinicius Mendes Lima é o tipo de empreendedor cada vez mais necessário neste mundo: engajado e capaz de transformar projetos sociais em empresas que aliem lucratividade e impacto social. Ele mesmo originário da periferia da capital gaúcha, foi com muita dificuldade que conseguiu completar seus estudos de Administração e Marketing e investiu num mestrado na Universidade de Ciências Empresariais e Sociais na Argentina.

Desta experiência de vida e estudos surgiu a Besouro e um método diferente e diversas outras propostas sociais nas comunidades carentes: Vinicius apostou em ensinar e promover o empreendedorismo com foco em resultados e com um acompanhamento diferenciado.

“Entre morros e vielas, em um ambiente hostil, onde não há sequer saneamento básico, existem pessoas que conseguem se reinventar, empreender e sustentar sua família. Quando comecei a estudar o poder econômico e de desenvolvimento que existe dentro das comunidades, conheci muitos empreendedores que deram certo, que ganham dinheiro – mais do que muita empresa do chamado ‘asfalto’. E essas pessoas entendem muito de gestão, marketing, pessoas e finanças. Só que de forma empírica, e não teórica.”

No vácuo entre as ações e investimentos sociais promovidos pelas empresas do terceiro setor e projetos de responsabilidade social desenvolvidos pelas do segundo, Vinicius buscou parcerias com empresas que querem ampliar ações de responsabilidade social. O sucesso e a eficiência de sua metodologia de ensino chamaram atenção de fundações e até do poder público: já está sendo aplicado hoje em 80 cidades brasileiras com maior Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ), incluindo Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Seguro e Florianópolis, em parceria com o Governo Federal.

Os cursos são intensos: 30 horas de aulas presenciais, divididas em 10 módulos temáticos e cinco encontros e, ao final, o aluno sai com um plano de negócios e estruturação que lhe permitem iniciar o empreendimento no dia seguinte.  Depois, ocorrem o acompanhamento presencial e a orientação técnica de  uma equipe por 90 dias, que entra em contato com os novos empreendedores e tiram dúvidas, acompanham o andamento do pequeno negócio, a comunicação, as finanças, vendas e fluxo de caixa.

“O método de ensino é acessível e leva em conta as limitações que frequentemente são impostas àqueles que empreendem por necessidade, como a falta de tempo, ausência de investimento inicial e de conhecimentos teóricos sobre marketing e administração, assim como a necessidade de retorno financeiro imediato”

A Besouro em números de abril 2018
40  cidades atendidas
12  Estados
mais de 600 alunos matriculados
1.560  horas de aulas práticas
mais de 400 marcas criadas
mais de 400 alunos incubados
5.000  ligações de acompanhamento
4.865 minutos de consultoria online
100% dos negócios incubados na metodologia By Necessity, exclusiva da Besouro, estão gerando renda
70% é o aumento de renda média
7  dias é o prazo para que o aluno projete o negócio com geração de renda
100%  de aumento de renda após 30 dias

Por mais empreendedores assim! Além de tocar a Besouro, Vinicius é autor dos livros ‘A riqueza das favelas: o empreendedorismo entre morros e vielas’, e ‘By Necessity’, literatura didática sobre sua metodologia. É também docente na Faculdade de Administração Mario Quintana (Famaqui) e na Universidade do Rio dos Sinos (Unisinos), ambas em Porto Alegre/RS.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

O efeito manada nos negócios

28 de maio de 2018

Não canso de me espantar com um erro que muitos empreendedores praticam: entrar na “modinha” dos outros.

Ao longo dos anos já vimos vários ciclos de modismo: videolocadoras, lan-houses, boi gordo, brigaderias, hamburguerias, paleterias, casas de bolos, food trucks, e a lista vai e vai. Eu tento imaginar por que isso acontece. Será o efeito manada, deveras difícil de escapar? O sedutor canto da sereia, de ganhar dinheiro fácil?

Sempre tive ojeriza a ser mais um no bando. Talvez esse mecanismo de autodefesa tenha me mantido longe das modinhas. É bem verdade que isso não me livrou de quebrar a cara algumas vezes. Mas quebrei com ideias próprias e isso é muito importante no aprendizado de empreendedorismo.

Minha dica de negócios é sempre a mesma: fazer algo que tenha valor pessoal, além do negócio em si. O caminho criativo, a vanguarda, a ideia original, tudo isso é valor em estado puro! Pode até dar errado, mas se der certo, as oportunidades são muito maiores: um mercado inicial livre de concorrência, sempre um ou dois anos à frente dos demais.

Nem tudo são flores, porém. Se você é dos que criam, saiba desde já que você será copiado, adulterado e, eventualmente, até melhorado. Tem que aprender a viver com isso, ou vai sofrer muito. O seu negócio deu certo? Se prepare para o aparecimento dos copiadores, as “manadas” que acabam com o pasto verde e secam a água. Às vezes, eles instalam a nova empresa a poucos metros uma da outra, sem se preocupar em fazer uma pesquisa para saber se o mercado e o bairro comportam mais um negócio igual.

Outras vezes ainda, copiam todos os detalhes do empreendimento – sequer se dão ao trabalho de tentar buscar uma solução diferente, uma identidade própria, um estilo, um diferencial. Resultado: o negócio copiado não prospera tanto quanto os que o inspiraram. Pior: cria concorrência predatória com os inspiradores. Está cheio de casos em que afundam todos, inspiradores e copiadores.

Por isso, fica o alerta: imitar os outros pode até ser mais cômodo a princípio, mas é um mau negócio a longo prazo, porque satura o mercado. E em mercado saturado, ninguém se dá bem.

Se é para fazer um novo negócio, tente que ele seja isso: novo. Não necessariamente uma invenção do zero, porque isso talvez não exista, mas no sentido de ser diferente, especial, original, único de certa forma, que represente sua identidade. Porque de empresas parecidas, o cemitério do mundo dos negócios está cheio.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (pastificioprimo.com.br)

O jeito Netflix de empreender

21 de maio de 2018

Dos tantos palestrantes bacanas que estiveram reunidos na semana passada no VTEX DAY de 2018, o que mais me empolgou – e eu admito que não esperava – foi o ex-CEO e cofundador da Netflix, Marc Randolph. Eu achei que assistiria a uma palestra burocrática e cheia de clichês de Silicon Valley, mas fui surpreendido por um cara muito bem-humorado, que descreveu a sua jornada cheia de imperfeições e reviravoltas, com verdadeiros conselhos práticos para qualquer empreendedor.

Desde 2004, Marc já não faz mais parte do dia a dia da Netflix e se dedica à sua paixão: iniciar empresas de tecnologia. Às vezes acerta, às vezes erra, mas adora mesmo assim, como ele mesmo diz, com muito carisma. Se acaso alguém ainda tiver alguma dúvida do currículo dele, aqui algumas empresas de sucesso que ele participou e investiu, em ordem cronológica:

1983: Mailbox Music
1984: Guitar FPTM Magazine
1986: MacUser Magazine
1987: MacWarehouse
1988: MicroWarehouse
1995: IntegrityQA
2012: Looker Data Science

Mas, sem dúvidas, todos estávamos lá para ouvir sobre a Netflix, e Marc não decepcionou. Contou do inicio da ideia, quando ele pegava carona na Kombi de seu amigo e futuro sócio Reed Hastings e falavam sobre empreender, encontrar uma ideia que valesse a pena apostar.

Os ensinamentos:

- Netflix era uma ideia ruim e não tínhamos dinheiro. Mas no final deu certo. O importante é testar a ideia e adaptar constantemente
- O empreendedor precisa de três coisas: alta tolerância a riscos, uma ideia e confiança
- Não precisa ser uma grande ideia, não precisa ser original, não precisa ser complicada, não precisa nem ser uma boa ideia
- Minha mulher achou a Netflix a ideia mais estúpida que eu já tive
- Assuma os riscos e faça alguma coisa com a sua ideia. Posso garantir a vocês: ninguém tem certeza de nada. Ninguém pode prever o que vai dar certo ou errado
- Ficar muito tempo avaliando se a ideia é boa ou não é pura perda de tempo. Tem que testar
- Onde encontrar uma bia ideia? Procure pela dor, pela dificuldade, onde as pessoas passam dificuldades. É na solução de problemas onde estão as melhores ideias
- A vida média de uma ideia é 24 horas. Começamos a semana com 60 ideias e no final da semana, com sorte, temos uma ideia viável
- Eu nunca sonhei que a Netflix se tornaria o que é hoje
- Sou um péssimo investidor anjo, pois me apaixono por todos os projetos

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (pastificioprimo.com.br)