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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Burger com sotaque italiano

20 de agosto de 2018

Esta é a história de Massimiliano Galise, o Max, italiano aventureiro que chegou ao Brasil em 2006, atrás do amor da vida, Luciana. Quando apareceu a oportunidade de empreender, decidiu realizar um antigo sonho familiar e, no começo do ano, abriu as portas do Galise Burger, no bairro Paraíso. Com estilo slow food, ele mesmo comanda a cozinha todos os dias, cuidando de cada detalhe, do compromisso “ultrafresh” e, claro, influência de sua família italiana nas receitas.

Aqui ele nos conta a sua jornada de vida e de empreendedor. “Os italianos são românticos e dramáticos ao mesmo tempo. Quero me despedir deste mundo cozinhando, como dizia aquela minha tia-avó napolitana que cozinhava tão bem e que tinha passado fome durante as duas grandes guerras. Se eu morrer, vou morrer cozinhando. Mas, antes disso, tenho caminho pela frente.”

Qual é sua história?
Sou nascido, criado e crescido na Itália até a tenra idade de 32 anos. Venho de um povoado de 17 mil pessoas, Saluzzo, no noroeste da Itália, no meio dos Alpes, bem na divisa com a França. Praticava muito alpinismo nos arredores do meu povoadinho. Montanhas, natureza… Em 2005 fui à Bolívia escalar um vulcão de 6 mil metros e lá conheci minha mulher, Luciana, que é brasileira.

Foi amor à primeira vista?
Bom…posso dizer que rapidamente voltei para a Itália para arrumar as malas e vender tudo porque depois daquele encontro tinha que seguir a Luciana! Hoje nossas filhas Teodora e Carmela tem 9 e 7 anos. Estou muito feliz…só me faltam os Alpes.

E a chegada ao Brasil?
Fiz de tudo nestes 12 anos de Brasil. Por exemplo, fui taxista por três anos, nesta cidade um milhão de vezes maior que a minha. Experiência boa e inesquecível. Um dia vou escrever um livro destas aventuras.

Desde quando você tem interesse pela gastronomia?
A minha família italiana (no caso eu, Mamma e Papá) não tinha incríveis condições econômicas. Não chorávamos, mas nunca fomos ricos. E sempre fizemos o que tinha que se fazer para “tirare avanti”, para irmos em frente de forma mais que digna. O sonho dos meus pais era, um dia, antes de morrer, abrir um pequeno restaurante. Os italianos são românticos e dramáticos ao mesmo tempo: antes de morrer… eu queria ter um restaurante e realizar este sonho da família. O restaurante tinha que ter 11 mesas, um número recorrente na cabalística de casa. E em casa cozinhávamos sempre. Sempre. Meu pai, minha mãe, eu. Viajávamos para o sul (o meu pai era de Pompei) e lá também todos cozinhavam e comiam. Existe um percurso culinário para ser desvendado na Itália, do norte ao sul. Sabores, temperos, mesclas, jeitos diferentes de preparar o mesmo prato que mudam em poucos quilômetros. E eu, desde criança, sempre em uma cozinha, entre norte e sul, querendo ajudar, querendo fazer…ou simplesmente roubando um gnocchi que tinha acabado de ser feito ou dando uma escapada na horta do tio para roubar um tomate direto do pé…E com aquela mordida,  descobrindo sabores maravilhosos. Não existia “não gosto disso ou daquilo”. Comia de tudo.

Quando apareceu o momento de empreender?
Bom, infelizmente em 11 de abril de 2011 minha mãe faleceu. Poucos anos depois o meu pai se juntou a ela. Era um dia 11 também. Como único filho herdei uma casa na Itália. Vendi a casa e decidi realizar o sonho dos meus pais: abrir o tal do restaurante de 11 mesas. Galise Burger é, portanto, o resultado do dinheiro que herdei, junto a vontade de investir o mesmo em algo que tivesse o sobrenome da família e que vingasse aquele sonho que meus pais não realizaram. O slogan da casa é “cucinando tutta la vita”, cozinhando a vida inteira.

Por que uma hamburgueria e não um restaurante mais italiano?
Apesar de uma vida de intensa prática em cozinhas caseiras, achei que não tinha suficiente experiência para abrir um restaurante, sabe…tipo de culinária italiana. E não tinha muuuito dinheiro para investir. Muitos pensam em burger como algo simples e básico. Talvez por alguns momentos também pensei isso, pelo menos antes de abrir. Creio sim que acreditei um pouco nisso. Hoje julgo o meu burger como algo que não faz parte da mesmice de muitos, e que porta a marca dos tempos e dos conhecimentos de vida e de viagens que fiz pela Itália e pelo mundo. O fato de procurar produtos orgânicos, de nunca congelar a carne que uso e de trabalhar exclusivamente com produtos de primeira, complica as coisas, ainda mais para quem abre pela primeira vez ao público e faz questão de estar na cozinha, na sala e no escritório da contadora. Tudo ao mesmo tempo, claro. Uma logística que poucos conseguem entrelaçar. Estou no começo: sete meses de porta aberta.

Como é a vida de um empreendedor?
O lado primata do empreendedor está no coração, claro, mas creio que esteja evoluindo conforme vejo crescer o meu espaço. Digamos que estamos caminhando de mãos dadas. Claro que não inventei o Galise sem pensar e sem ter convicção do produto que queria criar. Foi como um coquetel de ideias, sonhos, oportunidade e um pouco de loucura. Não escondo que o momento do Brasil, a casa muito nova e a primeira viagem no setor deixa tudo um pouco mais complicado: falo da minha vida  que mudou e também  do perfil econômico do negócio. Mas de verdade, penso que é isso que quero fazer até talvez um dia me aposentar..ou até morrer (rsrs).
Nestes dias, com a casa muito cheia e os pedidos que não paravam de chegar na minha cozinha, vivi um sentimento que talvez não saiba explicar: queria uma trégua, só um instante! Para tudo que estou me perdendo aqui! Mas ao mesmo tempo uma voz falasse assim “está tudo sob controle, você manda bem pra caramba, olha que linda a apresentação deste burger, já já acabam estes pedidos e você vai dar uma volta no salão, perguntando para os clientes se estão satisfeitos.” E eu adoro esta voltinha no salão, vendo as cabeças se mexendo em sinal de aprovação antes de eu perguntar qualquer coisa. Acho que é indispensável um pouco de loucura ou insensatez lógica e controlada para trabalhar na cozinha de um restaurante. Pelo menos é necessário ter a vozinha que fala com você mesmo. Como disse, os horários mudaram, e quando não estou cozinhando, penso. Penso nas novas receitas e (trabalho com um cardápio enxuto e que muda a cada 15 dias) nas possibilidades de modificar o espaço atendendo novas exigências que surgiram depois do primeiro semestre, e claro, nas finanças do empreendimento. A parte que gosto menos. Se você anda comigo na rua, eu estou sempre com pressa, vejo produtos novos, imagino, crio, não te escuto enquanto você fala de futebol e agora que percebo, estou a 10 metros pra frente de você. Os amigos se acostumaram. Acho. E gostam de como descrevo um prato que poderia ser feito por exemplo com aquela abóbora. Aliás, deixe eu anotar “abóbora” como um ingrediente de um futuro burger.

Como é a relação da família no empreendimento?
Inevitavelmente a família está envolvida: os meus horários malucos são o primeiro aspecto que mais revolucionaram a nossa rotina. As minhas filhas enlouquecem me vendo numa cozinha como profissional, e claro, queriam ajudar todas as vezes que jantam no Galise. Talvez sintam falta de cozinhar comigo, em casa, de domingo, assim como acontecia antes de abrir, quando juntos preparávamos gnocchi. Eu e minha mulher nos complementamos. Eu sou o sonhador, o impulsivo, aquele que não para. A Luciana é a parte lógica, o lado responsável do negócio. Eu me vejo hoje em uma deliciosa posição no ranking do Trip Advisor (8° lugar entre todos os restaurantes com 5* de SP) e quero subir mais e mais e mais… Ela fica mais de olho nas contas, ainda bem! De alguma forma, agradeço as minhas três mulheres pela paciência comigo!

Quais são os planos de futuro do negócio?
Para ser honesto, depois de sete meses de abertura, preciso recuperar o meu capital investido. Depois disso vou focar em um futuro mais longe. Não quero mais Galises. Talvez pense sim em um Galise com um espaço maior do que o atual, mas não estou pensando em franquias. Este negócio pertence a um sonho. E quero que permaneça, de alguma forma, ligado àquele sonho primordial. Mas poderia pensar em outra linha de produto. Um outro restaurante. Sei que tenho muitas coisas pra dizer e fazer para que as pessoas provem uma verdadeira cozinha italiana. Eu não frequento restaurantes italianos de São Paulo. Me perdoem, mas para um italiano o melhor restaurante é a casa da mamãe.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão iniciando, qual seria?
Siga os sonhos, seja ousado, saia da mesmice, não crie um produto que já existe, seja único, e tenha ao seu lado alguém que te ama….e que de vez em quando te traz a realidade daquele boleto que está quase para vencer rsrsrs. Precisamos dos dois lados (o prático e o genial) para ter sucesso. Tenho certeza disso, e tenho certeza que preciso daquela minha Luciana pra me trazer, muitas vezes, de volta pro chão. E tenham respeito e paciência com a equipe: somos nós os malucos. Eles ajudam a realizar o que temos na cabeça e no coração. Se alguém um dia tem a receita para criar o dia de 28 horas eu topo uma sociedade para fazermos juntos. A todo sabor.

Qual o futuro do Brasil?
Venho de um país que viveu duas guerras mundiais (e não se saiu bem em nenhuma das duas) e que sempre acreditou na política do “ir pra frente”. “Avanti c’é posto” dizia meu pai: lá na frente sempre tem lugar. Mesmo que a situação econômica atual não seja a mesma da época de quando cheguei aqui, estou confiante no futuro do Brasil. Há muita coisa para ser criada e com certeza os jovens empreendedores podem ter muitas coisas para falar, demonstrando a criatividade, a força de vontade e muita atitude naquilo que criam. Os políticos deveriam ser cozinheiros, criando sempre algo de gostoso e que todos possam saborear, não? Se cada um se colocar como exemplo de renovação e criação de coisas boas e novas, o futuro estará se abrindo como uma flor de abobrinha. Aliás, boa ideia esta flor, para o meu burger vegetariano.

Serviço
Galise Burger
Fone: (11) 2372-0735
Rua Carlos Steinen 270, Paraíso, SP
Instagram: galise.galise
Facebook: Galiseburger

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

Alta gastronomia com tradição familiar

7 de agosto de 2018

Esta é a história de Silvana e de seu filho Cristiano, duas gerações de empreendedores da alta gastronomia. Eles vêm mostrando a força e a capacidade de manter o empreendimento atualizado num setor extremamente competitivo e difícil.

Há 20 anos, Silvana Borella atendia A&B (alimentos e bebidas) de grandes eventos em São Paulo (F1, Salão do Automóvel), até que um dia encontrou uma antiga fábrica de pães abandonada, no bairro do Brooklin, e teve uma visão muito clara do que queria fazer: um restaurante italiano de alta gastronomia, porém sem as afetações esnobes tão comuns em restaurantes deste nível. Assim nasceu o Vicolo Nostro, que desde o surgimento frequenta todas as listas dos melhores restaurantes de São Paulo, sendo precursor do que agora se chama de “comfort food”, ou seja, ambiente e comida que remetem aos sabores caseiros, das afetividades familiares, do bem-estar.

Cristiano Panizza, de 35 anos, foi criado nesse ambiente e decidiu seguir os passos da matriarca, cursando gastronomia na Anhembi Morumbi. Faz 10 anos que assumiu o comando da cozinha do Vicolo. É ele quem nos conta a história e a trajetória familiar: “trabalhar com a mãe é diferente do que trabalhar com um tio ou com um irmão. Até que acabamos discutindo um pouco, mas sendo mãe, eu respeito, pois é preciso escutar a voz da experiência.”

Como foi crescer no meio da cozinha?
A família já trabalhava com restaurantes há tempos. Eu comecei ainda criança a ajudar uma tia que tinha lanchonetes em colégios. Eu estudava pela manhã e trabalhava no período da tarde desde uns 12 anos de idade. Também acompanhava minha mãe nos eventos. Até hoje eu não curto muito Formula 1, por conta das incontáveis vezes em que tive de acompanhá-la. Ela chegou a tocar 16 eventos ao mesmo tempo. Sempre deu certo, mas a operação deixava qualquer um maluco.

Para o empreendedor da gastronomia, chef de cozinha, os dias e noites são bem diferentes do “normal” das pessoas. Como é isso?
Realmente é muito diferente. Enquanto os outros estão se divertindo, você está trabalhando. Está trabalhando para que os outros se divirtam. É complicado ter vida social. Você acaba recebendo seus amigos no restaurante que acaba meio que virando a sala da sua casa. Recebo todos como se fosse na minha casa mesmo e o pessoal já está acostumado com isso. Os amigos é que vem até nós, não costumamos nos encontrar com eles em outros lugares.

Percebo no Vicolo uma extrema qualidade e atenção aos detalhes, várias camadas de história pessoal, tudo muito verdadeiro…
A decoração é feita com itens de família. De viagens. De amigos que sabem do que gostamos e acabam trazendo algo de mercados de pulgas na Itália ou em outros países da Europa. É construída assim, com pequenos detalhes e cada um tem uma história diferente. A decoração do novo salão é um pouco diferente, com uma pegada meio que rococó, rustica, mineira. Minha mãe é apaixonada por artistas mineiros, principalmente de Bichinho (Tiradentes), onde garimpa diretamente com os artesãos boa parte das obras que enfeitam o restaurante. Uma vez minha mãe voltou da Itália com uma caixa enorme com um casal de marionetes antigos (Othelo e Desdêmona) que percorreu a Europa durante cerca de três décadas com uma companhia teatral. Ela se hospedou em frente a um antiquário, e da janela do quarto se encantou pelas marionetes que estavam na vitrine. Todos os dias tentava negociar, mas o proprietário não queria vender. Até que no dia anterior à sua partida deu um ultimato no dono da loja que acabou vendendo. Assim é nossa decoração.

O novo salão que você mencionou é uma ampliação?
A gente chamou de Sala dos Espelhos, é um espaço para eventos. Duas pessoas não atrapalham 100 pessoas, mas 100 pessoas atrapalham duas. Justamente para poder separar os grupos mais festivos dos casais que querem mais intimidade e silêncio investimos neste salão, que comporta até 150 pessoas, focando principalmente em eventos sociais, tais como mini wedding e batizados, além dos já tradicionais eventos corporativos.

Quais são os planos de futuro do Vicolo? Expansão, filiais?
Por conta da decoração garimpada e histórica, nosso restaurante não é facilmente replicável. Na verdade, ele também não foi criado com esta intenção. Ficaria algo meio que artificial se o fosse. Preferimos algo realmente autêntico, uma casa com este carinho familiar. Temos planos de expansão sim, mas em negócios mais simples e enxutos. Acredito que até o próximo ano montaremos uma panineria-, um lugar mais descontraído para tomar uma taça de vinho, comer uma tábua de frios. Será um espaço anexo ao Vicolo, até mesmo para utilizar a mesma cozinha e estrutura, e claro, tornando-o muito mais fácil para administrar. Também apostamos bastante nos eventos

Se pudesse dar uma dica aos jovens empreendedores que estão chegando na gastronomia, qual seria?
Se optarem pelo curso de gastronomia, recomendo que estagiem desde o primeiro semestre para que vejam se além de gostar da área, se realmente estão dispostos a trabalhar muito. Perder finais de semana e férias. Além, é claro, de estudar bastante. Muita gente acha que é glamoroso, que vai aparecer em revista. Essa imagem é superficial. Em geral esquecem que vai queimar a mão, que vai cozinhar por horas na frente do fogão. A vida é de batalha. Estude bastante, pois você nunca vai saber tudo. Sempre você vai aprender algo novo.

Qual o futuro do Brasil?
A perspectiva talvez não seja boa, mas espero que melhore. Como empreendedor estamos fazendo a nossa parte. Gerando empregos e ajudando a girar a economia. Acredito sim que melhorará. Acho o pessoal da gastronomia ainda muito desunido. Deveríamos nos unir mais para brigar por benefícios para o setor.

Serviço:
Vicolo Nostro
Rua Jataituba, 29 – Brooklin, SP
Contato: (11) 5561-5287
Instagram: @vicolonostro
Facebook: facebook.com/vicolonostroSite
www.vicolonostro.com.br

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

A nova mulher empreendedora

16 de julho de 2018

No mundo todo, são 274 milhões de mulheres empreendedoras em 74 países, conforme o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2016/2017.

É uma grande conquista da globalização e das novas tecnologias a derrubada das barreiras que limitam o comércio entre países. Acima de tudo, a globalização está derrubando as diferenças que limitavam o comércio entre países por cultura, raça ou, como é o caso desta pesquisa, de gênero. Em vista destas informações, muitos governos estão estimulando o empreendedorismo feminino, pois é notório que as mulheres investem – em sua grande maioria – até 90% mais na saúde e educação de seus empregados e de suas comunidades.

Aqui estão alguns dados interessantes do GEM Report:

1. Mais de 20% de mulheres do que homens citam a “oportunidade” como a motivação para iniciar o próprio negócio nas economias emergentes ou pobres. Já em economias mais inovadoras e tecnológicas, as mulheres têm até três vezes mais motivação com foco em oportunidades.

Detalhe: a visão de oportunidade em negócios - Total Entrepreneurial Activity (TEA) - é uma medida considerada muito importante para calcular a capacidade de empreendedorismo de uma comunidade.

2. O relatório indica que as mulheres têm 5% maior capacidade de inovação nos negócios do que os homens, em todos os 74 países.

3. Surpreendente é a notícia de que a atividade empreendedora das mulheres cai consideravelmente com a prosperidade econômica. América Latina e Ásia, com economias emergentes, mostraram a maior igualdade empreendedora entre homens e mulheres. Já nas economias mais tradicionais, como na Europa e nos Estados Unidos, a estabilidade faz que a mulheres tenham até 40% menos presença em novos empreendimentos.

4. Nas economias mais desenvolvidas, mais da metade das mulheres empreendedoras se dedicam a negócios nos setores públicos, de saúde, serviço social e de educação. São setores de grande fator humano e de relacionamento, considerado um dos pontos fortes do modo de empreender feminino.

5. A atividade empreendedora entre as mulheres também cai na medida do aumento do nível de escolaridade. Isso faz pensar que o estudo não seja tão preponderante para empreender. Ou pode estar relacionado com o item anterior. O relatório cita um caso específico no Sudão, onde um campo de refugiados houve o surgimento de novos mini-empreendimentos, majoritariamente de mulheres.

Aqui no Brasil, ao mesmo tempo que estamos congelados pela crise, é justamente neste cenário onde as mulheres se destacam na busca de oportunidades de empreendimento, inovam e prosperam.

É importante citar o trabalho que duas brasileiras vem fazendo, percorrendo o mundo coletando e documentando as diversas formas de empreendimento feminino, com o projeto The Girls on the Road. O projeto de Taciana Mello e Fernanda Moura começou em 2016, e já tive oportunidade de escrever um pouco naquela ocasião. Continua sendo muito válido e importante.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

Bolovo?

2 de julho de 2018

Você conhece a Bolovo? Não? Tudo bem, não fique preocupado, isso é normal se você tem mais de 30 anos. A Bolovo já é um fenômeno, não apenas pelo sucesso do que eles fazem, mas também como fonte de inspiração para novos empreendedores. Vale a pena saber mais da empresa (e do modelo de negócios) que Deco Neves e Lucas Stegmann criaram e na qual ganham a vida – literalmente – se divertindo. A Bolovo é uma produtora de vídeos, que tem também uma marca de roupa, e que também faz festas.

Tudo começa lá por 2006, quando Deco e Lucas começaram a andar juntos aos 15 anos e foram fazendo viagens, vídeos, andando de skate, umas e outras loucuras, e começaram a tentar ganhar algum dinheiro com tudo isso para manter a festa sempre rolando. A resultado é difícil de definir, fácil de admirar. Em resumo, eles fazem o que dá na telha. Eu diria que é a volta – renovada – do velho lema punk: faça você mesmo. E eles fazem bem feito.

O Deco Neves me deu uma entrevista onde conta mais da Bolovo.

Como você e o Lucas se conheceram e se tornaram sócios?

Nós somos amigos desde os tempos da escola, e nossa sociedade foi se formando de forma natural quando começamos a gravar e fotografar algumas coisas juntos. E por interesse fomos estudando mais e apreendendo mais, e temos tentado manter essa mentalidade até hoje.

Me fala um pouco do que vocês fazem – e porque dá tão certo.

Assim, ‘certooo certoooo’ nem sempre dá. Acho que um ponto fundamental de tudo e que tentamos se manter muito firmes aos nossos ideais, e vamos nos moldando a cada fase que vivemos. Começamos fazendo vídeos e tirando fotos de viagens e roles com os amigos quando tínhamos uns 15 anos. Depois começamos a fazer algumas coberturas de eventos para ganhar nossos primeiros trocados. Inventamos uns vídeos com roteiro e sempre trabalhando muito fomos evoluindo. Por volta de 2009, assinamos com a MTV para criar/dirigir e apresentar 30 programas de 15 minutos, sem nunca antes ter trabalhado na TV. Foi um desafio enorme e depois vieram outros maiores ainda nos outros cinco anos que passamos lá. Durante esse período, fazíamos roupas, mas nunca de forma continua, o foco era mesmo o trabalho de produção de vídeo e conteúdo.  E isso gerou trabalho com diversas outras marcas. Mas chegou uma hora que nossos caminhos se separam com a MTV e começamos a focar na roupa e em contar nossas próprias histórias.
A partir de 2016 o foco maior da Bolovo mudou para a marca e abrimos nossa primeira loja em Pinheiros, São Paulo. Desde então tem sido muito interessante ver o crescimento da marca e também da empresa como um todo.

Como você e o Lucas dividem as atividades na gestão da empresa? O que cada um faz?

Nós fazemos muitas coisas e todo mundo participa um pouco de tudo. Mas tem algumas áreas de expertise que se dividem um pouco mais, o Lucas é responsável pela parte de vídeos, eu fico mais responsável pela confecção e administrativo e a Luiza que é nosso braço direito em tudo é nossa responsável pelo RH e produção de tudo.

Qual foi o maior perrengue que passaram?

Já perdemos três dias de imagens gravadas, nosso ônibus já quebrou indo caminho da casa do Ronaldinho Gaúcho e quase perdemos uma exclusiva com ele, tivemos que pedir carona pra atravessar a Rússia. Ficamos sem dinheiro na conta diversas vezes. A gente sempre passa por muito perrengue, empresa pequena é sempre assim. Já tivemos que ficar muitas noites em claro ou finais de semana pra resolver pepinos. Acho que não existe outro jeito de superar qualquer coisa do que com esforço. Nós temos entendido cada vez mais como o planejamento é importante também para ajudar a superar e evitar problemas. Mas além disso que é o básico de qualquer empresa temos o lema de sempre tratar bem as pessoas e tentar ter uma atitude positiva em relação aos problemas. Tratar bem as pessoas é muito importante.

Qual o maior acerto?

A maior vitória acho que é continuar junto depois de tanto tempo, a Bolovo como empresa já tem mais de 10 anos, e ainda termos muita motivação pra fazer as coisas. As histórias que temos pra contar graças a Bolovo fazem tudo valer a pena. É isso que motiva a gente.

O que querem no futuro da empresa?

Queremos ser cada vez mais independentes financeiramente para produzir nossas ideias, queremos cada vez fazer produtos melhores e continuar tendo momentos de diversão enquanto trabalhamos.

Como você se vê daqui a 30 anos?

Eu espero poder estar ajudando mais na formação da molecada. Tenho muita vontade de ajudar o pessoal mais jovem a por a mão na massa mesmo. Não estar acima do peso, continuar fazendo coisas por ai pra ter novas histórias e estar com meus amigos por perto.

Últimas:
A Bolovo fez parceria com a Rider, aqui o resultado: https://vimeo.com/274030124
Site: www.bolovo.com.br
Bolovo Ministore: R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 47

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

O que Anthony Bourdain me ensinou

11 de junho de 2018

Foi um baque, o coração ficou pesado e, por alguns momentos, o pensamento demora a acreditar, a aceitar: Tony B morreu. Ele, que inspirou muitos de nós a comer melhor, a viajar pelos caminhos secundários e, acima de tudo, a procurar viver a vida de uma forma única, fazendo as próprias regras, tirou a vida no auge da trajetória.

Faz um par de anos escrevi sobre um empreendimento que ele estava fazendo em Nova York no famoso Pier 57. E apenas um mês atrás ele esteve no Uruguai gravando um capitulo do programa Parts Unknown – cheio de significados para mim – mostrando o pais onde eu nasci e sempre retorno a visitar minha família. O programa foi tão lindo, melancólico, num ritmo intimista – como bem cabe ao uruguaio – mostrando as pessoas de verdade em seu meio natural. Imperdível aqui.

Eu acho que ele diria: f*****. Independente da morte trágica, ele deixa um legado positivo que impactou milhares de pessoas, inclusive os empreendedores. Aqui vai um resumo do que ele me ensinou:

1. Não tenha medo de mudar

Se Tony houvesse continuado sendo um chef de relativo sucesso em Nova York, provavelmente nunca teríamos ouvido falar dele. Mas, em algum momento, ele decidiu que queria escrever – ele não se deixou rotular como apenas um cozinheiro. E conseguiu transformar todo o conhecimento de cozinha em outra coisa totalmente nova e disruptiva, iniciando uma nova jornada através dos programas de TV que influenciaram milhares de pessoas. Ou seja, qualquer um de nós pode ter chegado a ser dono do próprio negócio de sucesso – com muito esforço, sem dúvida. Mas se lembre: não somos limitados apenas a isso. Podemos fazer nosso próprio destino, nunca deixe de sonhar, arrisque mudar!

2. Esteja sempre em movimento

Os fãs de Bourdain estão homenageando a lembrança dele citando muitas frases dele, e por um bom motivo: ele era um cara sábio (e desbocado) e tinha ótima frases. Uma que eu adoro:

“Se eu fosse dar um conselho, seria o de estar em movimento, sempre. O mais longe que puder, tantas vezes quanto possível. Seja do outro lado do oceano, ou do outro lado do rio. Se coloque no lugar de outra pessoa e coma sua comida. É um acréscimo na vida de qualquer um.”

O ensinamento para empreendedores é claro: é preciso estar sempre inquieto, em crescimento, em aprendizado. Se você acha que já faz tudo certinho, e que o mundo não tem nada de novo a ensinar, você está decididamente equivocado. O aprendizado constante mantém você afiado e competitivo.

3. Seja curioso

Anthony sempre estava muito à vontade sentado na sala de algum estranho, num país estrangeiro. Nunca julgava, e tinha essa incrível habilidade de ser gentil ao mesmo tempo que fazia perguntas difíceis ou indiscretas. Comia a comida local, a comida simples, de rua, muitas vezes feita com ingredientes pouco comuns (para não dizer bizarros) e de origem duvidosa. Bebia e fumava o mesmo que as pessoas locais, sempre tentando entender o contexto. Ser curioso deixa você aberto a novas experiências. É impossível ser um empreendedor sem tentar coisas novas.

4. Mostre respeito

Uma coisa que sempre ficava clara nos programas de Bourdain é o respeito que tratava as pessoas e as culturas. Aprendia algumas palavras e costumes locais para demonstrar este respeito. E sempre experimentava toda comida oferecida a ele, sabendo que muitas vezes as pessoas ofereciam o pouco e o que tinham de melhor em suas casas.

Todos estamos sempre tentando fazer o melhor possível. Lembre-se disso quando um funcionário fizer um erro, ou as coisas não acontecerem do jeito que você queria. Seja zen, e pratique o respeito pelas pessoas que estão ao seu redor.

5. Aproveite a viagem!

Sem dúvida que Anthony curtia a vida, aproveitava cada momento. Ele fez o próprio caminho, e isso fez dele uma pessoa admirável, inspiradora. Ele era autêntico, desbocado, teatral, um personagem. E agora que ele se foi, ninguém pode dizer que ele não viveu praticamente de tudo o imaginável.

“O seu corpo não é um templo. É um parque de diversões. Aproveite a viagem.”

Obrigado por tudo Tony, você vai fazer falta. A gastronomia ficou mais careta sem você.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

Atletas Empreendedores

16 de abril de 2018

Segundo dados da PEGN, o Brasil é o 5º maior mercado mundial do setor de alimentos e bebidas saudáveis. Mesmo assim, ainda é um mercado carente de opções, em especial para as pessoas com foco em treinamento físico – e não apenas atletas profissionais, mas também uma enormidade de atletas amadores – que ao longo da semana gostam de comer alimentos que tenham propriedades funcionais que ajudem a alcançar uma melhor performance.

Neste contexto, os amigos de corrida Rogério Silva Pereira e Pedro Catalani enxergaram uma oportunidade de empreender vinda da própria necessidade de cuidar da própria alimentação, e em 2016 surge a Cozinha de Atleta, com 8 receitas de pratos prontos congelados, sem conservantes e low carb.

Como todo empreendedorismo “mãos na massa”, esta história é cheia de lições inspiradoras e práticas que o sócio Rogério me contou nesta entrevista:

Conte um pouco da história profissional de vocês.

Nasci em São Paulo e levo no sangue a herança empreendedora da mãe. Aos 18 anos ingressei na faculdade de Administração de Empresas e logo iniciei a carreira em uma multinacional de Telecomunicações, onde atuei até março de 2017. Em 2014, paralelamente ao emprego na multinacional e ao MBA em Gestão Estratégica de Negócios, conciliei tempo e investimento financeiro numa tentativa de atuar com a revenda de roupas jovens num bairro nobre de São Paulo. Era o ápice da crise econômica e os resultados iniciais foram minguantes, o que levou a optar pelo encerramento da atividade e evitar maiores prejuízos. O sangue empreendedor continuava a correr, no final de 2016, resolvi entrar de cabeça na Cozinha de Atleta. Após o desligamento da multinacional, passei a me dedicar 100% do tempo ao projeto de alimentação saudável. Tenho certeza de que este trabalho será um divisor de águas na minha vida profissional, afinal hoje consigo gerar emprego e levar saúde a qualquer pessoal que quer se alimentar bem. O Pedro também nasceu em São Paulo e acompanhou desde criança as aventuras empreendedoras de seu pai. Com formação de técnico em eletrônica e engenharia elétrica, o Pedro possui muito conhecimento técnico na área de tecnologia. Em 2010 aceitou um desafio para iniciar o departamento de projetos de uma empresa americana de ramo de merchandising que estava se estabelecendo no Brasil. Em 2012 uma nova proposta lhe fez assumir atividades realmente executivas quando foi convidado a abrir e erguer a filial brasileira de uma outra agência americana de merchandising. O Pedro sempre comentou que havia oportunidade a todo momento passando em nossa frente e que só assim iriamos conseguir chegar a um determinado êxito profissional.

Como é iniciar um negócio com um amigo?

Não temos uma amizade de longa data, porém unidos pelo esporte (corrida de rua), sempre estamos juntos, conversando sobre diversos assuntos. Um dos assuntos recorrentes, são as oportunidades e tudo o que ocorre ao nosso redor. Posso dizer que o esporte foi o embrião, onde aprendemos juntos a superar desafios que, quando parecia difícil, o outro surgia para apoiar e mostrar uma forma diferente. De certa forma somos muitos parecidos, afinidades são mil, mas acredito que merecem destaque ter uma comunicação direta, tratar tudo com objetividade e ser honesto. Acreditamos que levando a honestidade como principal valor, vamos conseguir ter uma empresa e um país melhor.

Amizade atrapalha o negócio?

Acho que ainda não tivemos problema com isso, mesmo que, vira e mexe, consigamos fazer nossas coisas como amigos. Conseguimos separar a hora de trabalho e amizade, talvez o equilíbrio de saber separar as coisas seja fundamental para este tipo de situação.

Primeiro veio a ideia ou a vontade de empreender?

A vontade de empreender já existia no sangue dos dois, só faltava uma ideia inovadora. O estalo aconteceu com um questionamento que fiz durante uma de nossas corridas: por que essa academia bem aqui na nossa frente não oferece alimentos dos quais os alunos realmente precisam, a exemplo de batata doce e frango? Poderiam usar máquinas automáticas refrigeradas pra isso. Parece tão simples de resolver! Começamos a fazer pesquisas de mercado a respeito disso e na medida em que as pesquisas foram evoluindo, criávamos confiança e iniciamos naturalmente a construção de uma linha própria para atender ao que ansiávamos.

A vida mudou depois de começar a empreender?

Pelo lado da família e amigos continua muito igual, eles sempre nos apoiaram e chegaram a participar de muita coisa dentro da empresa. Neste sentindo posso dizer que melhorou, descobrimos e damos mais valor a cada opinião, cada detalhe, cada ajuste que, mesmo simples, estão ligados a levar a uma empresa mais organizada. Sobre a rotina, hoje posso dizer que o dito popular é verdade. “Quando você trabalha para você, trabalha muito mais”. Ainda não conseguimos adequar as rotinas que tínhamos antes. Lembro que saíamos para correr quase todos os dias, até com a opção de correr em lugares diferentes espalhados pela cidade, coisa que hoje acontece com certa dificuldade.

Como é o dia a dia?

Não temos medo de trabalho duro, não pensamos duas vezes se é preciso varrer o chão ou fechar um contrato. Somos treinados (pela vida e por livros) na boa comunicação, sabemos conversar e respeitar desde o morador de rua até o presidente de uma grande corporação. Ambos tem boa educação familiar que faz certos sentimentos como ética e transparência se tornarem naturais e até facilitam em tomada de decisões. Boa instrução acadêmica: eu sou administrador com MBA e o Pedro é engenheiro elétrico com MBA, ambos com profundo conhecimento em gerenciamento de projetos, portanto a forma de pensar dos dois é parecida e isso facilita demais.

Qual é o destaque da Cozinha de Atleta?

Acreditamos que a empresa tem como ponto forte a ideia inovadora: praticidade na utilização de ingredientes funcionais. Cada produto foi pensado para ter a opção de ser consumido frio, onde o cliente pode abrir e consumir o produto em qualquer lugar, sem a necessidade de talher ou aquecimento. A marca cresce a cada dia! Conseguimos fazer boas parcerias, inclusive levar o produto a outras regiões e Estados. A distribuição é algo que ainda precisamos evoluir, precisamos desenvolver novos negócios para ter uma malha mais eficaz com um custo menor ao cliente.

Qual foi o maior desafio até agora?

Acredito que foi ajustar os 8 produtos para uma embalagem única, com uma formatação que atenda o mercado de forma prática. Tivemos que dar alguns passos para trás e desenvolver com um fornecedor especializado em embalagens para superar o desafio de ter uma caixa de forma única para atender todos os produtos. Recordo que, no dia em que pegamos alguns produtos na mão, já na reta final de desenvolvimento, colocamos na embalagem que achávamos que era ideal e descobrimos que estávamos longe de um produto ideal para o mercado. Voltamos a diversos supermercados e fomos olhar embalagem por embalagem pra consolidar pontos positivos e negativos até chegar num consenso de formato que temos hoje.

Teriam feito alguma coisa diferente?

Tudo tem dado muito certo e creditamos isso à nossa confiança em Deus. Não acreditamos em coincidências e até os maiores problemas que enfrentamos pensamos que, de alguma forma, vêm para o nosso bem. Posso citar um exemplo: no início, pensávamos que nossa maior dificuldade seria conseguir convencer varejistas a comprarem nossos produtos, sendo assim usamos de todas as nossas técnicas para que nossos primeiros revendedores comprassem as maiores quantidades possíveis. Resultado: um desses clientes não soube trabalhar com os produtos, deixou tudo em geladeira. Decidimos fazer a troca de 48 caixinhas que estavam estragando na gôndola da loja. Depois disso criamos estratégias para trabalhar o sell-out, ajudar nossos clientes a fazer o produto sair da gôndola deles. Hoje quando (raramente) nos perguntam se trabalhamos com permuta ou troca não hesitamos em responder: pra que se nós vamos te ajudar a vender tudo que comprar?

Para saber mais:
Site http://cozinhadeatleta.com.br
E-mail: faleconosco@cozinhadeatleta.com.br
Facebook: CozinhadeAtleta
Instagram: @CozinhadeAtleta
Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

Alta taxa de mortalidade de restaurantes

9 de abril de 2018

Aproximadamente 50% dos empreendimentos em gastronomia fecham em 2 anos.  Ao contrário do que muita gente pensa, trabalhar com comida definitivamente não é um negócio para amadores. Ao mesmo tempo, parece ser um dos que mais atraem marinheiros de primeira viagem – com resultados previstos.

A gastronomia está ligada ao lúdico, ao criativo, ao charme, ao artista dentro de cada um de nós. Elementos românticos, familiares e culturais são influência importante para investir em cozinha. Está conectado ao epicurismo, ao prazer da vida, à saúde, ao lazer, às viagens. E o maior de todos os perigos, o canto da sereia: parece fácil.

Tampouco podemos esquecer muitas das complexidades extras do setor, quando comparado com outros negócios:

- Alta perecibilidade da matéria prima e impacto na gestão de taxas de desperdício

- Questões de saúde pública, higiene, manipulação de alimentos

- Necessidade intensa de mão de obra

- Falta de mão de obra profissional na base de auxiliares

- Custo de aluguel elevado em pontos de alta visibilidade

- Margens apertadas e variáveis por sazonalidade

- Licenças, permissões e alvarás específicos

- Necessidade de alto comprometimento do dono (horas de trabalho)

Ao olhar ao meu redor, vendo tantos lugares que tinham excelente potencial, agora fechados, me fez listar alguns casos comuns de fracasso.

1) O restaurante tem gastronomia ótima, o dono/cozinheiro é genial… mas um péssimo administrador. Não sabe calcular o preço do prato: ou cobra caro demais ou barato demais. Fluxo de caixa é algo de outro mundo, assim como questões trabalhistas podem ficar esquecidas. O resultado é previsível.

2) O dono é um excelente administrador, leva a conta de cada centavo. Mas não sabe a diferença entre uma carne de qualidade e uma de segunda linha, troca um queijo caro por outro mais barato sem saber – ou entender – o impacto que isso traz na qualidade do prato e na percepção do cliente. Assim, os clientes começam a fugir e, provavelmente, o restaurante entra a fazer cada vez mais promoções, investe no Grupon e similares. Já imaginamos onde isso vai parar.

3) Dois donos, sendo um ótimo administrador e outro um cozinheiro genial. Combinação perfeita, só que… desentendimentos de sócios são muito comuns, e cachorro com dois donos, morre de fome.

4) Outro caso comum: o chef de cozinha é genial, prepara pratos maravilhosos, mas é um cretino no relacionamento com sua equipe, com fornecedores ou até mesmo com clientes. Rapidamente tudo vira um inferno.

5) E ainda tem o fator sorte. Imagina que vc fez o dever de casa, se preparou bem, estudou fluxo de caixa, gastronomia, mercado, cardápio, margens, equipe nota dez… e errou o ponto. Ferrou. Já aconteceu comigo. O imponderável também faz parte da equação.

Ou seja, não basta com ser um ótimo gestor, é necessário também conhecer de produto e gostar de serviço. Um bom plano de negócios, com a devida expectativa de capital de giro, é fundamental. Uma pitada de sorte não vai fazer mal.

A maioria das pessoas ilusiona que trabalhar na gastronomia é ficar o dia todo cozinhando para os amigos e tomando vinho. A realidade é bem outra, e valendo os 99% transpiração e 1% de diversão.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

Gentileza Gera Gentileza

3 de abril de 2018

Tenho abordado o assunto da Inteligência Emocional diversas vezes e com vários enfoques – na aventura, no Jedi, na montanha e no fracasso, por exemplo.

Hoje quero compartilhar com você o meu entusiasmo por esta habilidade social – que sim, a literatura especializada garante que pode ser desenvolvida e melhorada e que muitas vezes é deixada em segundo plano – já que ser empreendedor é lidar com pessoas o tempo todo.

Também chamado de QE (quociente emocional), para mim é certamente um dos elementos mais importantes para obter sucesso em qualquer empreitada e, sabendo disso, dedico bastante tempo ao aprendizado humilde e demorado destas capacidades – e acredite, não é nada fácil.

Na antiga Grécia, em 400 a.c. Platão diz que todo aprendizado tem uma base emocional. Hoje parece uma ideia óbvia, mas na época isso foi muito revolucionário e influenciou tudo e todos a partir desse ponto.

Nos anos 1930, o psicometrista Edward Lee Thorndike começa a definir o conceito de “inteligência social” como a capacidade de se dar bem com as outras pessoas, com uma função utilitarista.

Se passam 50 anos e, em 1983, um psicólogo chamado Howard Gardner escreve um livro chamado Estruturas da Mente, onde elabora uma teoria que afirma que as pessoas tem 7 tipos de inteligência (inteligência visual/espacial, inteligência musical, inteligência verbal, inteligência lógica/matemática, inteligência interpessoal, inteligência intrapessoal e inteligência corporal/cinestética).

Em 1990 os psicólogos Peter Salovey e John Mayer divulgam uma teoria e usam pela primeira vez a expressão Inteligência Emocional, que definem como “…a capacidade de perceber e exprimir a emoção, assimilá-la ao pensamento, compreender e raciocinar com ela, e saber regulá-la em si próprio e nos outros.”

Mas foi o californiano Daniel Goleman que “lacrou” o assunto e ganhou notoriedade com o livro best-seller Inteligência Emocional em 1995, colocando um holofote definitivo sobre a importância da “…capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos.”

Para Goleman, a inteligência emocional é a maior responsável pelo sucesso ou insucesso dos indivíduos, inclusive indicando que a maioria das situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as pessoas. E, desse modo, pessoas com qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão e gentileza, têm mais chances de obter o sucesso.

Parece fácil, não? Mil livros, muitos cientistas pesquisando o assunto, e mesmo assim nenhum resultado é garantido!

Pois é, o QE é muito, mas muito difícil de adquirir – provavelmente a jornada de uma vida inteira. Um bom começo me parece ser praticar todos os dias com as pessoas que estão ao nosso redor – quem sabe um básico bom dia ao vizinho de casa? No supermercado? À pessoa ao seu lado no metrô? Como dizia o Profeta: Gentileza Gera Gentileza. E eu complemento: Gentileza Gera Inteligência Emocional.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

Empreendedorismo ao redor do mundo

26 de março de 2018

É provável que os Estados Unidos sejam o país empreendedor por excelência, e que todos os demais países olham sempre para lá em busca de exemplos e inspiração. Empreender está na base da cultura americana. Na Declaração de Independência 1787, Thomas Jefferson escreveu uma das frases mais bonitas do direito e da política universal: “todo homem é criado igual, que todo homem é dotado pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes direitos se encontra o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade.”  A busca do “Sonho Americano”, que é prosperar através de trabalho e boas ideias, é considerado um princípio básico ensinado desde muito cedo a todos os americanos de todas as classes sociais. Esse foi o sonho que impulsionou os pioneiros que desbravaram o oeste, e essa foi a atração que os Estados Unidos tiveram a tantos imigrantes que foram “fazer a América”.

Em artigo publicado na semana passada nos Estados Unidos, o americano especialista em marketing digital Jayson DeMers destacou qualidades e dificuldades em alguns países do mundo que também tem forte cultura empreendedora, entre eles o Brasil.

Alemanha
Os alemães têm uma forte cultura de trabalho ético, e são extremamente focados. “No entanto, iniciar um negócio na Alemanha é mais complicado do que em muitos países. O Banco Mundial coloca a Alemanha na 113 posição em termos de facilidade para iniciar um novo empreendimento. A principal razão, citada no artigo, é que os alemães priorizam o trabalho no governo e em grandes empresas. Os melhores e mais talentosos profissionais são absorvidos por empregos mais estabelecidos, que são mais prestigiosos. Assim ficam muitas oportunidades empreendedoras sem demanda. A parte boa são os imigrantes, que constituem grande parte dos pequenos negócios e com enorme vontade de prosperar.”

Nova Zelândia
Ser empreendedor neste país não é fácil do ponto de vista social. “O Banco Mundial coloca a Nova Zelândia no topo da categoria de “facilidade de iniciar um novo negócio”, mas o país enfrenta outro tipo de problema, muito local, chamado de Tall Poppy Syndrome (TPS) que pode ser traduzido livremente como um tipo de rejeição a pessoas ricas e bem sucedidas e contra o individualismo. De acordo com uma pesquisa de um site neozelandês de empreendedorismo, cerca de 75% dos empreendedores locais consideram o TPS um fenômeno real, e 42% afirmam ter vivenciado pessoalmente a rejeição. Tentando mudar este cenário, a Nova Zelândia está com facilidades de imigração e visa para empreendedores que queiram iniciar novos negócios

China
Até há poucos anos, a China era a grande fábrica do mundo, onde tudo é feito. “Mas agora a China está colocando foco em estimular empreendedores, principalmente na área de tecnologia, com investimentos estimados em 338 bilhões de dólares. Os empreendedores chineses estão em busca do sucesso e dispostos a fazer grandes sacrifícios. Assim, as startups chinesas são as que crescem mais rápido no mundo.”

Brasil
Nosso pais é considerado, no artigo, um exemplo “interessante”. Conforme de Jayson DeMers, as taxas de empreendedorismo tem crescido nos últimos anos, graças a estímulos governamentais e de investidores internacionais. “A sociedade brasileira enxerga o empreendedorismo como uma oportunidade de subir na escala social. Os cidadãos brasileiros priorizam trabalhar em pequenas e médias empresas.”

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)

 

Empreendedora une o social e a gastronomia

12 de março de 2018

Beatriz Mansberger é o tipo de empreendedora que o Brasil precisa mais e mais.

Fez a educação básica na conceituada escola Waldorf onde, conforme ela diz em tom de brincadeira “a gente abraçava árvore e aprendia a fazer granola e pão.” Bia, como é chamada por todos, aos 7 anos se engajou no movimento escoteiro onde começou a praticar trabalho voluntário.

“Desde muito cedo percebi que minha realidade era muito diferente da maioria das pessoas do Brasil, e isso me machucava muito, mas também me motivava e me fez escolher o que queria fazer da vida.”

Foi assim que escolheu a formação em Gestão de Políticas Públicas pela USP e em 2015, aos 22 anos, iniciou um dos projetos sociais mais interessantes dos últimos tempos, chamado Chef Aprendiz.

“O Chef Aprendiz é um projeto de desenvolvimento humano e usa como principal ferramenta a gastronomia.”

A ideia inicial veio dos próprios jovens da comunidade de Paraisópolis, onde Beatriz já fazia trabalho voluntário com crianças.  Trabalhar com jovens era um novo tipo de desafio: “há muitos projetos para a infância, mas poucos projetos para jovens entre 16 e 18 anos, então muitas vezes o jovem fica num limbo.”

“Me disseram que queriam fazer um “Masterchef” e eu entendi naquele momento que eles queriam algo relacionado à gastronomia, e então comecei a desenhar um projeto que tivesse uma competição entre os participantes, com um processo de aprendizagem significativa e, ao mesmo tempo, relacionar um pouco dos conteúdos do ensino médio, como química, física, e tudo o que está relacionado com a cozinha. Ao final, os jurados oferecem vagas de primeiro emprego aos finalistas como premiação.”

Logo que o projeto ficou pronto, veio o desafio de conseguir dinheiro. “Uma amiga minha me falou de um tal de financiamento coletivo, e foi muito bacana, arrecadamos R$ 37 mil, que foi usado para pagar todo o material e os professores.”

A primeira edição do Chef Aprendiz foi realizada na comunidade de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista. Em 2016 foi a vez de Campo Limpo e, em 2017, a competição foi realizada no bairro do Glicério, no centro de São Paulo.

Tenho a enorme satisfação do Pastifício Primo ser um dos apoiadores do Chef Aprendiz, contratando jovens com excelente formação. Convido outros empresários da gastronomia a fazer contato com o projeto e abrir as portas (e as vagas) a estes jovens que chegam com muita vontade de trabalhar.

Contato Chef Aprendiz contato@chefaprendiz.com.br.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)