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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Quem reclama, sabe fazer melhor

7 de outubro de 2016

O que Ghandi, a dentista brasileira que criou o escorredor de arroz e o fundador da ONG Médicos Sem Fronteiras têm em comum? Ele pararam de reclamar e foram fazer melhor

Eu reclamo. Tu reclamas. Ele reclama. Nós reclamamos. Vós reclamais. Eles reclamam. Até que eu reclamo porque eles reclamam. E de repente, todos estão reclamando. É o trânsito. São os políticos. É o atendimento ruim que recebeu. O seu chefe. Seus funcionários. O governo. É a violência. Quantas vezes já reclamou hoje, mesmo que mentalmente?

Ainda me lembro de uma mensagem colada na porta da sala de um professor da faculdade em que estudei: Quem reclama, sabe fazer melhor! Depois que li isto, desisti de falar com ele. Nem ia reclamar, mas achei melhor voltar depois com uma melhor solução.

Vários anônimos ou nem tanto, se depararam com mensagem semelhante em portas da vida. Enquanto a maioria reclama da provocação, outros são provocados a fazer melhor.  Alguns reclamam do mundo de todos. Cansado de reclamar da falta de engajamento da Cruz Vermelha em suas ações, o médico francês Bernard Kouchner co-fundou a Médicos Sem Fronteiras em 1971, organização não governamental que buscava alinhar ajuda humanitária, sensibilização mundial e discussão política sobre graves problemas localizados de saúde.

Outros reclamam do nosso mundo. Quantas vezes já reclamou da corrupção no país? O alemão Peter Eigen também. Mas ele parou de reclamar disso a partir de 1993 quando co-fundou a ONG Transparência Internacional que monitora e divulga o nível de corrupção nos países. Graças ao ranking da corrupção mundial da Transparência em 2015, a população da Dinamarca, país menos corrupto do mundo, pode reclamar das razões do país ter tirado nota 91 e não 100. Da mesma forma, por que Finlândia e Suécia tiraram 91 e 89, respectivamente e não 100. E enquanto isso no Brasil… a população começa a não aceitar a nota 38…

Você pode também reclamar dos seus problemas mais mundanos do seu mundo. Que tal reclamar do aspirador de pó? No final da década de 1970, esse era o hobby do inglês James Dyson. Era o barulho ensurdecedor, a oscilação da potência e quem já tirou o saco do aspirador sabe que saco representa bem a situação.

Como quem reclama, sabe fazer melhor, o sujeito pediu demissão e se trancou em uma oficina improvisada em sua casa por cinco anos. Entre 1979 e 1984, criou 5.127 protótipos de um aspirador que não tinha saquinho e era mais silencioso. Até que chegou a um resultado que julgou perfeito. Tentou vender sua criação para os fabricantes de aspiradores de pó, mas descobriu que eles não estavam neste negócio e sim no de sacos. Até quem em 1992 decidiu criar a sua própria empresa. A Dyson Ltd se tornou muito bem sucedida e seu bilionário fundador passou a ser oficialmente reconhecido como Sir James Dyson. Até suas reclamações mais simples são provocações para você fazer melhor.

A dentista brasileira Beatriz Zorowich já estava cansada de encontrar a pia da cozinha entupida com arroz preparado pela sua empregada quando teve a ideia de criar o escorredor de arroz em 1959. Era uma bacia conectada a uma peneira que facilitava a lavagem do arroz. Patenteou o produto e encontrou empresas interessadas em comercializá-lo. Hoje a inovação brasileira é encontrada em diversos países.

Quase 20 anos depois da citação da porta do professor, encontrei mensagem semelhante no trabalho de uma aluna que citava Ghandi: Seja a mudança que quer ver no mundo!

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

 

Quer ser lembrado? Então, roda, roda, roda baleiro, atenção!

29 de janeiro de 2016

Quando o baleiro parar, põe a mão. Pegue a bala mais gostosa do planeta, não deixe que a sorte se intrometa. Bala de Leite Kids. A melhor bala que há. Bala de Leite Kids. Quando o baleiro parar.

Se tem mais de 40 anos, já entregou sua idade pelo sorriso que deu agora.

Empresas e empreendedores estão investindo fábulas em Google Adwords e Facebook Ads para que suas marcas sejam lembradas e relembradas e se esquecem de que várias fórmulas antigas ainda funcionam, mesmo nesta era ultraconectada, individualizada e mensurada.

Desta forma, o tempo passa, o tempo voa, mas o jingle continua numa boa. E quando acaba? Quando acaba a gente quer de novo. Gostoso. Cremoso. Quando acaba a gente quer de novo. Todo mundo gosta a qualquer hora em todo lugar. Vigor Grego, a gente quer de novo. Talvez não reconheça a música, mas se tiver filhos pequenos, como eu, é bem provável que saiba o impacto desta musiquinha. Pois vende como pipoca…

E quem tem mais de 35 anos sabe que pipoca na panela, começa a arrebentar. Pipoca com sal, que sede que dá. Só eu e você, que sede no ar. Quero ver pipoca pular (pipoca com Guaraná). Quero ver pipoca pular (pipoca com Guaraná). Quero ver pipoca pular, pular. Soy louco por pipoca e Guaraná! Isto foi em 1991, e muitos (ou quase todos) cantam como se fosse hoje.

Por isso, muitos estudos já demonstraram o poder da música na criação e, principalmente, lembrança de uma marca. E Juliano Prado e Marcos Luporini provaram isto na prática, repetidas e repetidas vezes, pois são os empreendedores da Galinha Pintadinha (E do Galo Carijó. A galinha usa saia e o galo, paletó). Se ainda não tiver filhos, mas pretende tê-los, acredite: saberá quem ficou doente e quem nem ligou. Mas os mais “experientes” sabem que de leste a oeste, de norte a sul, a onda é a dança da galinha azul. Bata as asas, dê uma ciscadinha. Bata as asas, dê uma bicadinha. Afinal, este era o caldo nobre da Galinha Azul no final da década de 1980.

E agora, mesmo que muitos hábitos tenham mudado e as pessoas já não apanhem o sabonete, peguem uma canção e cantem sorridente pois o banho de alegria (precisa ser rápido) em um mundo de água quente, outros costumes continuam.

Por exemplo, depois de um sono bom, a gente levanta, toma aquele banho e escova o dentinho. Na hora de tomar café, é o Café Seleto, que a mamãe prepara, com todo carinho. Café Seleto tem sabor delicioso. Cafezinho gostoso, é Café Seleto.

Ou, já que hoje é sexta feira, chega de canseira. Nada de tristeza…

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo e inovação do Insper e diretor de Empreendedorismo da FIAP

Para sonhar grande, é preciso parar de agir pequeno

22 de janeiro de 2016

Jim Collins, o maior pensador de negócios atualmente é fã deles. Warren Buffett, o investidor mais idolatrado do mundo é mais que fã, é sócio deles. É fato que o legado de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira sobre como construir grandes empresas será muito maior do que os seus negócios.

O sucesso deste legado é refletido nas vendas do livro best-seller Sonho Grande (Editora Sextante, 2013), que vendeu mais de 300 mil unidades apenas da sua versão em português.

Os ensinamentos do trio agora viraram lugares comuns em artigos, treinamentos de autoajuda corporativa e mantras para executivos e empreendedores.

Por terem sido tão vitoriosos, suas mensagens fazem muito sentido… para eles. Para os demais, que ficam inspirados pela beleza da sabedoria implícita, pode ser apenas sonho grande ou apenas uma realidade pequena.

Diz Jorge Paulo: “Comecei a usar a regra de tentar reduzir todas as disciplinas a cinco pontos essenciais. Eram as coisas básicas que eu tinha de saber bem. Hoje em dia é algo que usamos em nossas empresas”. Pensa o que sonha grande: “Uau! É isso!” Passado um tempo, pergunte quais são seus cinco pontos essenciais e obterá um “hum?” como resposta.

E continua a refletir as sábias palavras: “…descobrimos cedo que, numa sociedade, é bom ter pessoas diferentes. Não pode ser todo mundo igual. Pessoas diferentes têm habilidades diferentes.” Balançando a cabeça, mesmo que mentalmente, o que sonha grande concorda: “Isso, isso, isso!”. Mas depois, só contrata pessoas que pensam como ele(a) já que como são inteligentes as pessoas que pensam como nós. Mais um tempo, a empresa só tem clones do chefe.

Os mais entendidos sabem que Lemann sempre foi um tenista muito competitivo, mas poucos sabem que, além disso, o tênis o ensinou outras lições marcantes. Uma foi o jeito simples, direto e espartano, marcas do seu tipo de gestão. “Sempre tentamos administrar tudo com simplicidade, objetividade. Nada é muito enrolado nas nossas coisas.” – diz. “Tive um professor chileno que me influenciou muito na maneira com que eu vejo as coisas. Ele tinha dois ditados. O primeiro era ‘mucha ropa, poco juego’. Quer dizer, o cara que aparecia todo bem-vestido e com muitas raquetes, em geral, não jogava nada. O segundo: não jogue para a plateia, mas para ganhar o jogo. Até hoje, muito elogio me deixa preocupado.” Mas muitos dos que sonham grande ainda continuam sendo complexos, indiretos e, principalmente, caros para suas organizações. Para estes, a aparência ainda é mais importante do que a essência. E elogios são sempre bem aceitos, claro.

A base da receita do sucesso de Jorge Paulo, Beto e Marcel é sintetizada por algo que se tornou o principal referencial para todos que querem construir grandes negócios: “Estamos sempre tentando escolher gente melhor do que nós” ou “Basicamente queremos encontrar sempre pessoas melhores do que nós” – explicou Lemann em diversas ocasiões. Mas muitos dos que sonham grande, curiosamente, sempre têm as melhores ideias da equipe…

E não há algo mais verdadeiro para os que sonham grande do que a principal atitude de Lemann: “Delego muito: nunca fiz questão de ser o cara que fazia tudo. Gastei mais tempo escolhendo e formando gente muito boa, para eventualmente dar oportunidades a eles e ter mais tempo para mim”. Muitos sonhadores concordam com este ensinamento… desde que tenham a palavra final.

Daí, mais do que por essas razões, mas por essas ações, é preciso refletir se o que é grande mesmo é o sonho ou é o ego.

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo e inovação do Insper e diretor de Empreendedorismo da FIAP

Cinco minutos de gestão: OKR para aumentar o desempenho e comprometimento da sua equipe

15 de janeiro de 2016

A regra é a seguinte: você para cinco minutos para ler algo novo ou relembrar uma técnica de gestão que pode ser útil na sua carreira como empreendedor ou executivo de uma empresa. Ao término, você decide se quer se aprofundar no assunto ou se quer acrescentar a sua contribuição para que todos aprendam mais sobre o desafio de gestão. Ou ambos!

Hoje o desafio é como aumentar o desempenho e o comprometimento dos seus colaboradores ou mesmo o seu, se fizer parte de um time. Com tantas distrações (WhatsApp, Facebook, Instagram & Cia.) e demandas pessoais, está cada vez mais difícil manter um ótimo desempenho profissional, não é? Mesmo que não perceba, isto e outras inquietudes afetam o nosso comprometimento com a empresa, até mesmo se for o dono dela. Quem já não viu um empresário que perdeu o t…, digo brilho dos olhos, e deixou a empresa meio (ou totalmente) largada?

Tem alguma mágica que incentive os colaboradores a estarem mais comprometidos e tragam mais resultados para o negócio? Sim, e talvez você até conheça algumas.

Uma é bem antiga, da década de 1960, mas que ganhou um banho de loja ao se tornar um dos pilares de gestão de pessoas do Google e se tornou top entre as startups do Vale do Silício: OKR. De Objectives and Key Results ou Objetivos e Resultados-Chave. Mas como ORC é um bicho muito feio, o termo que vem sendo utilizado no Brasil é OKR mesmo.

Na real, OKR não é magia. Mas, como em qualquer mágica, é uma técnica, que quando bem praticada parece como tal. Por ter uma lógica tão simples, empresas de todos os portes podem adotar ou pelo menos testar o OKR. Gigantes como Oracle e Sears usam. Empresas de rápido crescimento como Linkedin e Zynga também. Mas empresas menores e mais simples também podem se beneficiar.

A melhor forma de entender o que é o OKR e como testá-la é analisar o caso do Google. A empresa estava em seu primeiro ano de vida, tinha poucos funcionários, quando John Doerr, um dos investidores sugeriu que a lógica do ORK fosse implementada. Ele virou fã da técnica quanto trabalhou na Intel e isto era chamado de Administração por Objetivos.

No OKR a empresa precisa definir seus objetivos para o ano. E para atingir estes objetivos é preciso determinar resultados-chave mensuráveis. Muitas vezes não dá para chutar objetivos para três ou cinco anos, mas o resultado esperado após 12 meses é bem razoável. Após isso, o presidente e diretores também definem os seus objetivos e resultados-chave, para, em seguida, seus subordinados fazerem o mesmo, até que todos na empresa tenham os seus OKRs. Até aqui, talvez não haja nenhuma novidade. Outras técnicas de desdobramento de diretrizes também adotam esta lógica.

Mas agora aparecem os truques do OKR.

Primeiro: todos na empresa devem saber os OKRs de todos. Assim, uma simples e única planilha compartilhada já resolve o problema.

Segundo, os objetivos e resultados devem ser realizados nos próximos três meses. Isto evita que o sujeito deixe para pensar nas suas metas apenas “no segundo semestre”. Piscou… três meses já se passaram.

Terceiro: O padrão é que cada colaborador tenha cinco objetivos para o trimestre. Dois deles são definidos pelo seu chefe, mas três, ou seja, a maioria dos objetivos deve ser definidos pelo próprio funcionário. Ele(a) precisa entender para onde a empresa quer ir e daí pensar em como pode contribuir, definindo seus próprios objetivos.

Quarto: O objetivo precisa ter um resultado número que possa ser medido e esta meta precisa ser audaciosa, já que se considera que o objetivo foi atingido se o colaborador atingir 60 ou 70% da meta. E se atingir 100% ou mais… No OKR isto não é tão bem visto. Significa que você se impôs uma meta fácil demais. Não foi algo que o(a) desafiou a inovar.

Quinto: E se o resultado for abaixo dos 60%? Tudo bem. O próximo trimestre esta logo aí para você reajustar seus desafios ou inovar na obtenção dos resultados.

E por fim, no OKR todos sabem o que precisa ser feito e os resultados que devem entregar, daí não é necessário ficar controlando ou vigiando cada colaborador (pode liberar o Whatsapp..). Como determinam a maioria dos seus objetivos, naturalmente há um maior engajamento. E como os resultados devem ser audaciosos, melhores desempenhos passam a acontecer de forma espontânea.

Parece mágica e para muitos é mesmo. Da mesma forma, parece mágica que alguém consiga correr 10, 21, 42 quilômetros ou até mais. Só não é para os que treinam e se dedicam para bater suas próprias metas pessoais.

Quer aprender mais sobre OKR? Então assista a palestra do Rick Klau sobre como o Google utiliza o OKR para manter uma cultura organizacional de alto desempenho e comprometimento.

Marcelo Nakagawa é Professor de empreendedorismo e inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

Vale a pena empreender em 2016?

12 de janeiro de 2016

Empreender sempre vale a pena desde que assimile o verdadeiro significado do que é empreender. Peter Drucker, talvez o mais respeitado analista do mundo dos negócios de todos os tempos foi enfático em seu livro Empreendedorismo e Inovação: Um casal que abre um restaurante não está empreendendo. O que eles estão fazendo já é feito há muitos anos. McDonald’s, por outro lado (goste ou não da empresa), é um exemplo de empreendedorismo. Ao aplicar técnicas de padronização, inovou em processos e qualidade, criando um novo mercado. Empreender, portanto, não é apenas abrir um novo negócio. Nunca foi. Empreendedor é um visionário que tem iniciativa, que sabe identificar oportunidades e estabelecer soluções inovadoras. Ser um empreendedor não se limita às pessoas que começam os seus próprios negócios. O comportamento empreendedor existe em todos os setores, em todos os níveis de carreira, em todos os momentos da vida.

Dado que você tenha iniciativa neste ano, o próximo passo é aprender a identificar oportunidades e estabelecer soluções inovadoras. Neste momento, sempre aparece um guru de rede social que lembra que crise e oportunidade, em chinês, é escrito da mesma forma. Mas se não for chinês, isto não tem tanto significado  assim. Mas lembre-se de que todas, absolutamente todas, as crises (sejam grandes ou pequenas) trazem dores para as pessoas. Quando você encontra uma melhor solução (por isso mais inovadora), muito provavelmente está diante de uma oportunidade. Vale para agora e para qualquer outro momento. Assim, se for empreender em 2016, identifique uma dor que seja real, emergencial e não (bem) resolvida e vislumbre uma solução (muito) melhor, inovadora e vantajosa.

Mas empreender um negócio próprio nunca foi fácil. Estatisticamente, mais de um terço das empresas morre em menos de dois anos e mais da metade, em cinco anos. Na crise econômica aguda em que vivemos agora, a taxa de mortalidade de novos negócios (e negócios existentes) deve aumentar. Considerando apenas as condições (horríveis) de mercado, tem sucesso as mais inovadoras.

Como são a minoria, são as exceções. Por isso, são sempre as exceções que inspiram. Daí, enquanto o mercado automobilístico desaba, a solução é buscar inspiração nas poucas que tiveram sucesso em 2015: Honda, Toyota e Hyundai.

Mas a receita delas é a mesma: inovação, qualidade e produção enxuta. Vale para grandes empresas e para todas as novas que surgirão neste ano em qualquer segmento.

Salim Mattar Foto: Washington Alves/Estadão

E foi a mesma receita usada por outras empresas que surgiram no meio de grandes crises. Em 1973, a Crise do Petróleo estava no seu auge. Até quem tinha muito dinheiro, ficava preocupado em encher o tanque. Eis que aparece o jovem empreendedor Salim Mattar com a ideia de criar uma locadora de automóveis chamada Localiza. Enquanto que os concorrentes viam mais uma locadora, Mattar via um negócio financeiro que permitia que as empresas e pessoas reduzissem seus custos. Para oferecer um serviço de qualidade, Mattar dormia na empresa, oferecendo um serviço 24 horas, 7 dias por semana.

Alexandre Tadeu da Costa Foto: Marcio Fernandes/Estadão

No final da década de 1980, o Brasil estava destruído pela inflação e mesmo assim, em 1988, um jovem criou um negócio chamado CacauShow. Enquanto todos viam mais alguém fazendo um “bico” fabricando chocolates, Alexandre Tadeu da Costa descobriu que se inovasse, seu produto poderia ser oferecido como presente. E, apesar da crise, as pessoas continuavam dando presente, mesmo que fosse uma “lembrancinha”. Depois do sucesso da CacauShow, muitos tentaram “empreender” copiando o negócio, mas quase ninguém notou que a empresa não estava no negócio de “cacau”, mas no de “show” (de presentes inovadores e com bom benefício/custo).

No geral, será muito mais difícil criar e estabelecer um novo negócio em 2016.  Pessoas e empresas devem reduzir (ainda mais) suas despesas, cortar supérfluos (e até não supérfluos), mas continuarão tendo “dores” que precisarão de novas soluções.  Da mesma forma que poucos notaram que a Localiza “localizava” oportunidades de economia para as empresas e que o negócio da CacauShow era o show e não o cacau, serão poucos os empreendedores que realmente saberão que estão no negócio de resolver as reais dores de clientes e não simplesmente vender produtos e serviços.

Para estes poucos, empreender sempre vale a pena quando a capacidade visionária não é pequena.

Marcelo Nakagawa é Professor de empreendedorismo e inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

Carreira profissional: Você tem um segundo paraquedas?

18 de dezembro de 2015

Olhe a primeira figura abaixo. Representa a distribuição esperada da população brasileira em 2030. Você estará em qual faixa?

Agora, analise a figura acima à direita. Ilustra o processo de “juniorização” das empresas. E novamente, a pergunta: Você estará em qual faixa?

Para muitos que querem continuar trabalhando como empregados, infelizmente, não estarão em nenhuma das faixas nas empresas. Empresas, não só as brasileiras, estão em um contínuo processo de redução de custos e o maior deles, em geral, é o de mão-de-obra. Por isso, preferem contratar profissionais mais jovens, mais baratos, mais flexíveis e, em geral, mais dispostos a trabalhar mais horas.

As empresas também investem em tecnologias que automatizam processos e estão sempre dispostas em analisar oportunidades de terceirização. Processos de fusões com concorrentes ou parceiros também são boas saídas para reduzir custos de empregados com funções duplicadas. E ainda têm as novas tecnologias que criam novas formas do trabalho ser executado. Por estas e outras razões, envelhecer e continuar empregado não se resume simplesmente a continuar batendo metas (cada vez mais altas), mas ser percebido como investimento e não como recurso e muito menos como custo. E mesmo estes profissionais, precisam ter um segundo paraquedas na carreira.

E este segundo paraquedas tem um nome: Empreendedorismo.

Se você se viu na primeira figura, mas não consegue se enxergar na segunda, aproveite esta virada de ano para preparar seu segundo paraquedas da sua carreira profissional.

Não há uma única receita para empreender. Portanto, crie a sua. Faça uma lista de empreendedores que admira. Em seguida, pesquise como começaram. Entenda como identificaram a oportunidade de negócio e como a colocaram em prática. Howard Schultz, empreendedor da Starbucks fez exatamente isto.

Empreenda de forma profissional, estudando os métodos de planejamento e execução de novos negócios. Se pensar em um negócio mais tradicional, estude conceitos como Effectuation e plano de negócio. Se decidir por algo muito inovador, aprenda a utilizar abordagens como Lean Startup, Customer Development e Lean Analytics. Em todos os casos, domine ferramentas como Canvas da Proposta de Valor, Canvas do Modelo de Negócio e Job to be Done.

Se tiver um tempo, faça a sua pesquisa de campo, visitando futuros concorrentes e conversando como potenciais clientes.

Por fim, faça a sua própria rede de apoio se juntando a outros empreendedores, especialistas, consultores e mentores.

E não encare isto como recursos ou custos, mas como investimentos! Pensando agindo assim, você volta a aparecer na segunda figura, mas agora como empreendedor da sua própria vida!

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper

Período sabático: pense em incluir na sua lista de desejos para 2016

11 de dezembro de 2015

No ranking das melhores empresas para se trabalhar nos Estados Unidos da revista Fortune, um critério chama a atenção por ser bom demais para ser verdade: A empresa permite que seu colaborador tire um período sabático e ainda o remunera por isso.  Como assim? Pois é… Empresas como Adobe, Autodesk, Boston Consulting Group, Genetech ou General Mills têm políticas que permitem que o funcionário se ausente por dias ou meses para se desenvolverem pessoalmente, seja estudando, viajando, atuando em outra área ou fazendo trabalho voluntário. Por que as empresas fazem isso? Pelas razões mais óbvias: Querem colaboradores de corpo e alma (e não apenas empregados de corpos presentes), mais comprometidos, menos estressados e mais produtivos. E algumas pesquisas têm validado estas hipóteses.

Cena do filme Comer, Rezar, Amar. Foto: Divulgação

Agora vamos voltar à realidade: Este benefício existe apenas para os colaboradores que a empresa entende que são talentos imprescindíveis. E mesmo que você seja um, isto ocorre em empresas nos Estados Unidos, Inglaterra e Canadá.

Mas como o Brasil está indo da recessão para a depressão econômica e ainda assim, muitos acreditam que o país tem potencial (em algum momento do futuro), planejar um período sabático, mesmo que, provavelmente, não remunerado, para 2016 pode ser uma solução inspiradora para quem está perdendo as esperanças.

Se ainda estiver empregado, primeiro pesquise se a empresa já ofereceu esta alternativa no passado. Em seguida, converse com seu chefe se faria algum sentido um período sabático que possa reduzir, temporariamente, os custos da empresa por um lado e promover o crescimento pessoal do colaborador do outro. Por fim, entenda se o seu contrato de trabalho pode ser suspenso e, em alguns casos, se está previsto na convenção coletiva da sua categoria. Também analise se haveria a possibilidade de licença não remunerada. Dado a necessidade de algumas empresas de forte redução de custos neste momento, analisar pedidos de períodos sabáticos pode fazer algum sentido para os melhores talentos que a empresa tem, mas que por alguma razão, precisaria se desfazer agora.

Se já estiver desempregado e com baixas perspectivas de recontratação nos próximos meses, um período sabático bem planejado e, principalmente, bem vivido pode ter um impacto muito positivo na sua carreira. Primeiro, já teria uma razão (e não uma desculpa) para ter ficado “tanto” tempo fora do mercado. Também evitaria os aborrecimentos do mercado em que atua que ainda estão por vir em 2016. E o mais importante: Você terá a chance de se reinventar como pessoa e profissional, viverá novas experiências e terá novas perspectivas.

Assim, considere fazer aquele curso de duração mais longa que sempre sonhou, viajar à base de mochila e albergues como se tivesse 18 anos, passar um período sem pressa em uma cidade para fazer novos amigos, atuar como voluntário em alguma causa que mereça a sua luta ou para colocar aquele seu projeto pessoal que sempre quis fazer mas a sua rotina sempre servia como desculpa.

Se não puder fazer isto por você, (é óbvio, mas) quem mais poderia fazê-lo? No sabático, você se torna empreendedor e investidor de si mesmo!

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo e inovação do Insper

Você evolui mudando algo em você e não comprando algo para si

27 de novembro de 2015

Black Friday chegou!!! Era 25 de novembro de 2011 e os americanos acordavam cedo para aproveitar os descontos da última grande liquidação antes do Natal. Enquanto tomavam o café da manhã, se deparavam com este anúncio gigante, de página dupla, do The New York Times, que pedia, em letras enormes, para não comprar a jaqueta mostrada.

REDUZA! Pedia o anúncio. “Nós fazemos itens que duram muito tempo. Você não precisa comprar o que não precisa”. REPARE! Continuava sugerindo. “Nós ajudamos você a reparar seu produto Patagonia se você se comprometer a consertar o que está danificado.” REUSE! “Nós ajudamos a encontrar um lar para o produto Patagonia que não precisa mais. Você vende ou faz uma doação.” RECICLE! “Nós recolhemos seu produto da Patagonia que está inutilizável se você se compremeter a manter suas coisas longe do aterro ou incinerador.” E o anúncio é finalizado com um último pedido: REIMAGINE! “Juntos nos reimaginamos um mundo em que tomamos apenas aquilo que a natureza pode repor”.

Mas a maioria dos norte-americanos se perguntava o que era aquela tal de ONG ambiental chamada Patagonia? Mas a Patagonia é uma empresa que produz roupas e equipamentos esportivos que fatura mais de US$ 600 milhões e considerada uma das mais sustentáveis e mais admiradas dos Estados Unidos. Também há anos é eleita uma das melhores empresas para se trabalhar e uma das melhores empresas para mães. Fanático por alpinismo (e depois surfe), Yvon Chouinard começou a fabricar seus próprios produtos e depois passou a vendê-los para os amigos, fundando a Patagônia em 1965. Apaixonado pela vida ao ar livre, quase quebrou sua empresa em 1972 e 1980, pois eliminou produtos que estavam entre os mais vendidos da empresa porque chegou à conclusão de que prejudicavam a natureza.

A partir de 2002 passou a doar 1% das vendas brutas da Patagonia para a fundação One Percent for the Planet e posteriormente, conseguiu convencer mais de 1.400 empresas ao redor do mundo a fazer o mesmo.

Na Black Friday de 2013, a Patagonia que é avessa às propagandas, retornou com um novo anúncio, agora convidando seus clientes para uma festa para celebrar o que já conquistaram e usando produtos bem antigos, desgastados e recuperados. Cada peça não era para ser vista como velha, mas como algo que tinha participado da história de cada pessoa.


Mas se perguntar à Chouinard se a empresa dele faz tudo isso para ser sustentável, ele responde que “se você esperar que o cliente vá pedir para sua empresa ser mais sustentável, espere sentado… Só 10% das pessoas compram pelas nossas atitudes. Os outros 90% compram porque gostam da cor, do estilo.”

Assim como um número crescente de pessoas se tornam cada vez mais responsáveis,  as empresas deveriam agir da mesma forma: “Todas as empresas devem ser responsáveis não apenas por aquilo que vai no produto, mas deveriam agir quando descobrem que fazem algo errado”. – diz.

“Você evolui mudando algo em você e não comprando algo para si”. – resume a atuação da sua empresa nas Black Fridays.

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

Entendendo o ecossistema de empreendedorismo brasileiro: onde buscar apoio no início

6 de novembro de 2015

Continuando a série “Entendendo o ecossistema de empreendedorismo brasileiro”, agora apresento algumas instituições em que o empreendedor pode buscar apoio.

Para os que pensam em empreender (mesmo com esta crise), o primeiro local que você pode buscar apoio é o SEBRAE. Mas recomendo que comece por um curso específico: O Empretec. Desenvolvido pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Empretec é um treinamento bastante consolidado e aprovado por milhares de empreendedores no Brasil e no mundo. Neste programa você desenvolve seu comportamento empreendedor de forma planejada e consciente. Sempre digo que se você tiver saúde, fazendo o Empretec, nunca mais passará “fome na vida”. Aproveite sua visita a um dos escritórios do SEBRAE para descobrir como a instituição pode ajuda-lo(a) no tipo de negócio que pretende criar e nas competências de gestão que precisa desenvolver.

Se o seu negócio precisar de um laboratório, desses mesmos para fazer experiências científicas e tecnológicas, teste, simulações e validações em várias áreas das ciências exatas e biológicas (mesmo que não seja um cientista, engenheiro ou biólogo) e acesso à máquinas e equipamentos específicos, conheça mais sobre o SENAI, principalmente seus Institutos de Inovação espalhados pelo país. Ainda terá a chance de conversar com pessoas que dominam conhecimentos técnicos que serão imprescindíveis para o alto padrão de qualidade que pretende oferecer nos seus produtos e serviços. E, quem sabe, já não encontra algum futuro colaborador para o seu negócio?

Muitos empreendedores precisam de consultoria em alguma demanda específica. Pode ser o desenvolvimento de uma nova embalagem, um processo produtivo, um plano de negócio ou até um documento jurídico. Mas não conhecem um bom prestador de serviços que “caiba” no seu bolso. Neste caso, pense em procurar uma empresa júnior de alguma faculdade que seja referência na área. A Brasil Junior é a entidade que reúne as empresas juniores, mas é só fazer a busca pelo nome da faculdade e o termo “junior” que conseguirá encontrar a entidade que busca. Se ficar em dúvida sobre a qualidade do trabalho, peça para conversar com outros clientes antes.

Mas há categoria de novos negócios, as “startups”, que também pode se beneficiar de outros apoios. Pela definição do Professor Steve Blank, talvez o principal professor de empreendedorismo no mundo atualmente, uma startup é uma iniciativa em busca de um modelo de negócio rentável, escalável e repetitível. Em outras palavras, é uma ideia de negócio tão inovadora que ainda precisa ser demonstrada, provada e que encontre uma lógica de crescimento sustentável. Por isso, startups são negócios inovadores mais concentrados em setores digitais como soluções de internet, aplicativos e outros serviços web. Se estiver criando uma startup participe de eventos como hackathons, Startup Weekends e eventos de pré-aceleração. São ótimas oportunidades para entender “como se cria uma startup”.  Estes eventos também são boas oportunidades para conhecer pessoas e quem sabe, futuros sócios, parceiros e clientes. Se a sua startup já tiver desenvolvido um protótipo, talvez seja o momento de buscar o apoio de uma aceleradora. A ABRAII reúne as principais aceleradoras do país.

Se estiver buscando um sócio, além de consultar amigos e conhecidos, participar dos eventos de empreendedorismo, pode recorrer ao Cofounders Lab, um site especializado neste tipo de demanda, ou ainda entrar em contato com os núcleos ou centros de carreiras das principais instituições acadêmica, colocando um anúncio para a vaga de “sócio”.  Sim, muitas delas já aceitam esta tipo de “vaga”.

Mas em todas as situações, o primeiro apoio que você deveria buscar não deveria ser de uma instituição, mas de um mentor. O mentor é uma pessoa que é especialista no tipo de desafio que você tem e se dispõe a orientá-lo(a) neste assunto em encontros rápidos. Não é portanto um consultor que desenvolverá um projeto. O mentor dá o “caminho das pedras” naquele assunto e cabe ao empreendedor analisar se o caminho é válido e, em caso afirmativo, trilhá-lo. Por incrível que pareça, os melhores mentores costumam não cobrar por isso. Mas como encontra-los? Defina seus próximos dois ou três grandes desafios e analise quem da sua rede de amigos, conhecidos e conhecidos de conhecidos poderiam ter este conhecimento. O Linkedin ajuda muito neste momento. Entre em contato e convide para tomar um café e uma sessão de mentoria. Boa parte das pessoas se sente lisonjeada em usar seu conhecimento para ajudar outras pessoas.

Mas a lista de entidades que apoiam novos empreendedores no Brasil é imensa. Conhece algum que queira indicar? É só incluir nos comentários!

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

Encontre sua beleza natural antes de sonhar grande

30 de outubro de 2015

Consegue imaginar como vai ser aquele documentário que passa no réveillon com a retrospectiva do ano de 2015? Vamos ver, estarrecidos, sobre como dobrar uma meta sem defini-la antes, como estocar vento, sobre a saudação à mandioca, sobre a criação da mulher sapiens e da ciência desde a Arca de Noé. E se isto é motivo para algumas risadas sobre este ano, o mesmo não poderá ser observado sobre o nível de corrupção, a inflação de dois dígitos, a perda do grau de investimento, o nível de desemprego, o rombo bilionário das contas públicas, a redução das políticas sociais, o fechamento de empresas, o aumento do custo de vida, e o mais triste, a falta de perspectiva da população por dias melhores.

Diferente de outras crises, agora o epicentro do terremoto está nas profundezas do solo político, social e econômico brasileiro.

Sai a tradicional música de final de ano… “hoje é um novo dia… de um novo tempo que começou… Nesses novos dias, as alegrias serão de todos, é só querer…” e entra “não me convidaram… pra essa festa pobre… que os homens armaram pra me convencer… a pagar sem ver… toda essa droga… que já vem malhada antes de eu nascer…”.

Mas em meio a este tsunami de lama de 2015, uma flor de rara beleza natural nos lembrará de que é possível ter esperança, mas que só isto não basta: “Quem sabe, faz a hora. Não espera acontecer…

Uma boa nova deste ano é o novo livro da jornalista Liana Melo fala de alguém cujo apelido definiria o nosso momento atual: Zica.

Zica é o sinônimo de um acontecimento muito ruim. Mas a realidade da Zica, a personagem principal do livro, seria ainda muito pior na visão de muitos movimentos ditos sociais. Zica nasceu pobre, muito pobre, filha de mãe lavadeira de roupas e pai sem profissão definida em um Brasil que não tinha Bolsa-Família. Ela era a filha do meio. Tinha seis irmãos mais velhos e outros seis mais novos e, desde os nove anos, era ela que cuidava da sua casa e da sua vida em um bairro carente da cidade do Rio de Janeiro. E ainda enfrentava o preconceito de ser negra em um momento que não se falava de cotas. E o que pode fazer alguém negro, pobre e com pouco estudo no Brasil? Pode fazer o mesmo que qualquer outra pessoa que, apesar de todas as zicas de sua vida, acredita em um novo dia de um novo tempo que começou. Nesses novos dias, é possível ser alegre. É só querer… Mas só querer não basta! É preciso botar pra fazer!

E é justamente sobre o querer e o fazer que trata o livro “Beleza Natural: A história da rede de cabelereiros que levantou a autoestima dos brasileiros” (Editora Sextante, 2015). Mesmo já bastante divulgada, a trajetória de Heloísa Helena de Assis, a Zica, agora é narrada de forma detalhada e inspiradora. Liana Melo entrevistou dezenas de pessoas, entre parentes, amigos, empreendedores, executivos, consultores, professores, advogados e até alguns dos maiores investidores do Brasil, que presenciaram a saga da uma jovem babá e empregada doméstica que se indignou com sua condição e não descansou enquanto não achou uma solução pessoal. E quando descobriu uma fórmula de encontrar sua beleza natural, não sossegou enquanto não definiu um jeito de também ajudar outras milhares (e depois milhões) de pessoas que estavam em sua mesma situação inicial. Ela e seus sócios Leila Velez, Jair Conde e Rogério Assis, criaram o Beleza Natural, uma rede de salões de beleza com mais de 40 unidades Brasil e que faturou R$ 250 milhões em 2014.

E aquela menina que brincava e falou que ontem era semente de hoje, é a mesma mulher que agora tem o mesmo porte dos empreendedores do “Sonho Grande”. Zica se tornou umas das maiores e mais relevantes empreendedoras do mundo pelo seu exemplo e pelo negócio que criou.

Em momentos de crise, não queira fazer parte de qualquer festa pobre. O caminho escolhido pela Zica, apesar de todas as suas dificuldades e limitações, mostra que quando descobrimos nossa beleza natural, “nós podemos tudo… nós podemos mais… vamos lá fazer o que será…

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP