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Por que é importante visitar a Summer Fancy Food (se você é da gastronomia)

11 de fevereiro de 2019

 

Por Ivan Bornes *

Vai acontecer de 21 a 28 de junho a 65ª edição desta que é a maior feira de alimentos e bebidas do mundo, a Summer Fancy Food, realizada sempre no meio do ano em Nova York (EUA). Com mais de 2.600 expositores de mais de 54 países, é um lugar ideal para conhecer e degustar (sim, a gente come demais!) todo tipo de alimento e matéria-prima que está sendo lançado no mundo.

Eu já fui duas vezes nos últimos quatro anos e posso afirmar que é de brilhar os olhos. Tudo o que vai acontecer no Brasil daqui a dois anos você vai ver primeiro em Nova York. Não é um investimento barato, mas vale cada centavo para aqueles que estão procurando se manter relevantes na gastronomia. Portanto, se você é empresário e empreendedor de restaurantes, bares, padarias, cafés, empórios, varejo alimentício e food service em geral, recomendo começar a juntar as moedinhas.

Estandes da Summer Fancy Food, nos Estados Unidos. FOTO: Gustavo Carrer

O participante, além da possibilidade de ver, cheirar, tocar e comer (sim!) uma enormidade de alimentos, vai poder também se aproximar das últimas tendências, de matérias-primas diferentes e de produtos de todas as regiões do mundo. Não menos importante, vai poder interagir e conversar com pessoas do mundo todo, assim como assistir a palestras que abordam questões de mercado, ética animal, biodiversidade, produtos fresh to table, embalagens e muitas previsões de como será a alimentação das pessoas nos próximos anos.

Neste ano fui convidado por Gustavo Carrer – que está organizando uma missão de empresários para visitar a feira – a colaborar na curadoria de atividades e visitas técnicas em Nova York, que acontece em paralelo às atividades da exposição. Gustavo atuou muitos anos no Sebrae, onde eu o conheci, e agora lidera a própria empreitada, que contempla visitas técnicas exclusivas, selecionadas e acompanhadas por profissionais conceituados (nomes como o Rogério Shimura), seminários no Brasil e Nova York, jantares e visitas específicas para o foco de trabalho de cada participante.

“Além da possibilidade de ver, cheirar, tocar e comer (sim!) uma enormidade de alimentos, o participante vai poder também se aproximar das últimas tendências de todo o mundo”

“O grande diferencial da nossa missão está na consultoria individualizada que oferecemos para o participante, em que preparamos um roteiro de visitas adicionais, levando em conta o porte, o segmento, o estágio de desenvolvimento e as necessidades de aprendizado”, reforça Carrer, consultor que já coordenou 11 missões internacionais para Nova York.

A primeira atividade do grupo de viagem é um seminário preparatório com os especialistas que ocorre ainda no Brasil, semanas antes do embarque. No dia 22 de junho, já em Nova York, ocorre o jantar de abertura e, nos dias seguintes, as participações na feira e visitas técnicas. No site oficial da missão já estão disponíveis detalhes sobre a agenda e o valor do pacote, que inclui hotel, ingressos, visitas, entre outros serviços.

Quando: 21 a 28 de junho
Contato: Gustavo Carrer, tel. (16) 99962-8155, contato@gustavocarrer.com

* Ivan Primo Bornes é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo

Depois de quebrar e se reerguer, boliviano se firma com a Comedoria Gonzales

5 de novembro de 2018

Checho Gonzales dá uma dica para quem quer empreender: 'Tente ser original'. Foto de Lucas Terribili

Esta é a história de Checho Gonzales, boliviano chegado ao Brasil aos 7 anos, cidadão do mundo, chef revelação em 2001 e 2002 pela Revista Gula, e que quebrou, e se levantou, algumas vezes, e sempre melhor que antes. Em 2012, Checho foi uma das pessoas que revolucionaram a gastronomia de São Paulo, juntamente com Henrique Fogaça e Lira Yuri, realizando um evento mensal chamado O Mercado, que trazia para um formato de feira de rua comidas de qualidade e de chefs renomados a preços razoáveis. O impacto foi tão importante, que mudou para sempre a forma como o paulistano se relaciona com o alimento no dia a dia da cidade, fazendo com que as pessoas perdessem o medo de comer na rua, de pé, e sem frescura. Isso abriu caminho para a vinda dos food trucks e dos restaurantes com serviço mais informal. Depois de alguns anos, Checho decidiu sair das ruas e ancorar num lugar fixo. Escolheu o Mercado Municipal de Pinheiros para abrir a Comedoria Gonzales, em 2014, servindo comidas latino-americanas – em especial os ceviches – e foi, mais uma vez, pioneiro da transformação desse antigo mercadão num ponto de encontro da gastronomia da cidade. Sempre com seu humor peculiar, conversamos sobre a jornada do empreendedor.

Primeiro apareceu uma ideia que forçou você a virar empreendedor? Ou primeiro apareceu o empreendedor que saiu procurando uma ideia?
Bom, eu sempre fui muito roleiro, até hoje consigo vender ou trocar todo tipo de coisa. Interessa um skate híbrido? Também estou com uma barra fixa. Vendo ou troco por instrumentos ou equipamento… Meu primeiro negócio apareceu quando voltei de Barcelona, vivi lá por 2 anos. Era 1993 e não sabia o que queria da vida e fui fazer umas comidinhas no bar de uns amigos. Foi a primeira vez que cozinhei pra ganhar um dinheirinho. Um dos sócios estava insatisfeito e achei uma boa oportunidade, acabei comprando a parte dele. Não foi uma ideia sensacional, mas me deu uma super referência. Era um bar de rock & roll, sexo e muitas drogas. Depois de passar um par de anos nesse clima cheguei à conclusão de que tinha que dar uma direção na minha vida. Podemos, então, dizer que foi o que alavancou tudo.

A sua família trabalha com você na Comedoria?
Agora meu pai cuida do meu financeiro e minha companheira vai responder às redes sociais. Tentei escravizar a minha filha também, mas ela fugiu…

Como é o dia a dia de um empreendedor da gastronomia?
Passei anos sem vida social regular, saía muito de madrugada, vida bem boemia. Depois que mudei de modelo de negócio e fiquei mais velho, tudo se normalizou: trabalho durante o dia e à noite faço coisas normais. Não sei até quando dura, pois isso acompanha o tipo de negócio.

Quais são os seus planos de futuro?
Creio que a Comedoria tem ainda muito tempo de vida, não bombando como foram os últimos anos, algo mais sóbrio, mas é o apoio que necessito para montar um outro restaurante. Ainda não encontrei a ideia correta, o espaço adequado, o formato que me agrada… Continuo na procura, sei que vai aparecer.

Se pudesse dar uma dica a quem está chegando agora na sua área, qual seria?
Pare de fazer cópias de tudo, tente ser original

Qual o futuro do Brasil?
Ave, neste momento não tenho a mínima ideia. A minha contribuição está no meu dia a dia, sei que agrego, que construo. Tento ser correto em tudo, acho que isso já soma

Saiba mais:
Comedoria Gonzales
Mercado Municipal de Pinheiros – boxe 85
Horário de funcionamento: segunda a sábado, 11h às 20h
@comedoriagonzales

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br)

Sobre férias e o que queremos ensinar aos nossos filhos

16 de outubro de 2017

Escrevo de Ragusa, cidade mais do que adorável da Sicília, onde estou em férias com a família. Por que escolhi a Sicília para férias? Confesso para vocês: foi o trabalho.

Como empreendedor, não consigo separar a vida familiar da vida empresarial. Faço questão de que os dois aspectos andem colados: minha vida familiar, meus valores, minhas vivencias e necessidades pautam muito do que faço nos negócios. E vice-versa.

E assim é com minhas férias.

O ponto de partida de minha viagem familiar foi um convite de Salvatore Lialli e seu filho, Angelo, donos do Molino di Ragusa, ancestral, que produz sêmolas e farinhas de alta qualidade. Conheci-os numa feira já faz uns bons 12 anos, quando o Plastifico Primo era apenas um sonho ainda a ser realizado. O Angelo, que quando o conheci devia ter uns 15 ou 16 anos e já acompanhava o pai nas exposições de trabalho, hoje é um jovem empreendedor agrícola procurando seu próprio caminho, e cultiva o valioso açafrão (o verdadeiro) e outras frutas e legumes orgânicos.

Quando decidi aceitar o convite deles para conhecer o moinho e o trabalho que fazem, vi aparecer a oportunidade para, mais uma vez, aliar a busca do aprimoramento empresarial e vivencia pessoal. A combinação perfeita de trabalho e diversão, nosso lema de vida. Assim, decidimos alugar um motor home e dar a volta na ilha, visitando produtores, pesquisando – e comendo! – a gastronomia local, que é uma das mais inspiradoras do mundo. E jogando conversa fora com os sicilianos, que são maravilhosos.

É nossa primeira vez nesta que é uma ilha carregada da história do mediterrâneo, palco de muitas disputas que moldaram sua paisagem e sua cultura. E estamos encantados. A ideia do motor home surgiu de uma brincadeira de que a gente queria conhecer pelo menos dez cidades, e lógico que isso significava ficar abrindo e fechando malas pelo menos dez vezes – e trabalho dobrado com crianças. Assim, apenas desembarcamos nos instalamos na nossa casinha rodante e “andiamo via” no hotel sobre rodas.

Entre paisagens de perder o fôlego e ruínas milenares, temos aproveitado para ensinar aos nossos filhos sobre a origem de coisas que lhes são familiares como o azeite de oliva (foto acima), a farinha, o queijo, o presunto. Temos visitado produtores locais, conhecido sua rotina, acompanhado seu trabalho – e suas dificuldades, e o sorriso de felicidade, o orgulho quando falam de seus produtos. E tento, com isso, mostrar aos meus filhos que tudo de bom que se come tem, por trás, pessoas, trabalho duro, suor e dedicação.

Se, ao crescer, eles não quiserem seguir o caminho da gastronomia, que ao menos saibam reconhecer o valor do trabalho alheio. Como fazem nossos clientes.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br