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Estamos formando profissionais paras as empresas do passado ou do futuro?

13 de outubro de 2017

Quase todos concordam que há muitas novas profissões surgindo e que as atuais sofrerão grande impacto nos próximos anos. A discordância está na projeção. A Manpower, uma das maiores empresas de gestão de pessoas do mundo, diz que 65% das funções que serão executadas por aqueles que são adolescentes agora ainda não foram criadas. O Institute for the Future (IFTF), instituição que pesquisa o futuro há décadas, é ainda mais agressivo. Aponta que 85% das atividades profissionais que estarão sendo executadas em 2030 ainda não existem atualmente. A McKinsey, uma das principais consultorias de gestão do mundo, afirma que, pelo menos 60% de todas as ocupações atuais sofrerão impactos com o uso de diversas tecnologias exponenciais combinadas. Disso tudo, uma necessidade: você precisará ser empreendedor de si mesmo para encarar as mudanças como oportunidades e não ameaças.

Entretanto, estas pessoas irão trabalhar em que tipo de empresa? Uma parte desta resposta já existe agora. Não só no Brasil, mas em boa parte dos outros países, os jovens querem trabalhar na sua empresa. Daí criar startups inovadoras é o novo sonho desta geração. Empreender seu negócio próprio é o desejo de dois a cada três jovens brasileiros aponta uma pesquisa recente da Firjan. Isto já vinha sendo apontado por várias outras pesquisas anteriores. Pode ser romantismo, ingenuidade ou desconhecimento do que é criar um negócio próprio, mas os jovens e adolescentes querem empreender. Mais do que criar um negócio, empreender para estes jovens, mesmo que sejam como intraempreendedores (empreendedores dentro de uma organização), é a oportunidade para serem protagonistas dos seus futuros.

Mas mesmo que as pesquisas do interesse dos jovens e adolescentes em empreender estejam (muito) erradas e não se confirmem, a parcela excludente irá trabalhar em empresas já constituídas. As organizações atuais serão as mesmas do futuro? Como imagina uma instituição financeira, uma empresa de bens de consumo, uma varejista ou um escritório de arquitetura nos próximos anos?

Uma pesquisa apresentada por Pierre Nanterme, principal executivo da Accenture, outra empresa entre as mais respeitadas consultorias do mundo, aponta que a questão digital é a principal razão de quase metade das maiores empresas que estavam na Fortune 500 sumirem do ranking desde o ano 2000. Por isso, a “dica” de Luca Cavalcanti, diretor executivo do Bradesco, é bastante efetiva: “Quando seu chefe está falando sobre um tópico digital, e você não está, você está atrasado no jogo”.

A questão digital não impacta apenas profissionais especializados e grandes empresas intensivas no uso de tecnologia. Ela está criando grandes disrupções em todas as atividades profissionais e mercados. Muitos não percebem, mas milhares de atendentes de call centers estão sendo substituídos por soluções de inteligência artificial, big data e machine learning. Mas contadores, administradores, médicos, advogados, engenheiros, professores ou qualquer outra profissão tradicional também.

No mesmo evento (World Economic Forum) em que Nanterme da Accenture explicou o impacto da questão digital, outro líder empresarial, Marc Benioff, CEO e fundador da Salesforce, defendeu que, diante destas drásticas mudanças, a necessidade urgente de países e empresas terem uma espécie de ministro ou diretor do futuro. Alguém que olhe exclusivamente para as mudanças e disrupções que estão por vir nos próximos anos ou décadas e prepare as bases da sua organização para chegar lá. Não é possível dirigir algo em direção ao futuro olhando o retrovisor!

Por isso, neste momento em que empresas, universidades, faculdades e escolas estão planejando o próximo ano, uma pergunta poderia fazer parte deste processo: estamos formando profissionais paras as empresas do passado ou do futuro?

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação e consultor dos programas InovaBra do Bradesco e Inova+Startups da Cyrela Commercial Properties (CCP).