Blog


Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
Twitter Facebook Orkut
Aumentar texto Diminuir texto

Nem sempre a solução é o Franchising

8 de agosto de 2018

Eu diria que, 80% das consultas que recebo têm por objetivo comprar uma franquia ou montar uma franqueadora, como opção de investimento ou expansão de negócios. A atração pela ideia de Franchising está vinculada à ideia de que franquia soluciona problemas, quase como garantia de sucesso e, na dúvida sobre o que e como fazer, vamos de Franchising.

Coincidência, ou não, no último mês tratei do assunto com sete profissionais, executivos recém desligados das empresas e empresários que, depois de muito pensar, optaram pelo sistema que traz, de forma geral, números mais positivos que o PIB e outras métricas da economia.

Na insegurança da não recolocação, os executivos pensam em empreender, muitas vezes sem nunca ter pensado nisso antes e a compra de uma franquia surge como uma boia salva vidas. E a angústia vem com a quantidade de opções de negócios, com investimentos que vão de R$ 5.000 a milhões de reais, tipos e portes de empresas nos quais eles não se enxergam e não fazem ideia de por onde começar. É quando nos conhecemos.

O processo de análise desses executivos, pessoas com larga experiência profissional, tem que ser profundo, abrangente e, acima de tudo, muito responsável, porque, neste momento, o mais fácil é indicar uma franquia no setor que eles têm maior conhecimento e dentro do valor que têm para investir. #sqn! São estes os futuros franqueados que não dão certo, que se frustram, enlouquecem seus franqueadores e, no mais das vezes, fecham as portas de suas franquias.

A minha forma de ver e conduzir este processo, traz várias técnicas e práticas de mercado mas, conhecer todos os aspectos que envolvem o Sistema de Franchising, os envolvidos, o que pode significar para aquela pessoa à minha frente que está acostumada a ter uma estrutura empresarial, um crachá, o sobrenome corporativo, o ônus e o bônus de estar empregado, ter metas e contas a prestar a um superior, a mudança de ir para um PDV sozinho, abrir a porta e esperar poucos funcionários e alguns clientes chegar, sentindo-se uma ilha no meio de um corredor de shopping center e, mais isolado ainda, em uma rua comercial onde ninguém é de ninguém, não sabem que ele existe, como se chama e ele nem tem mais um crachá com seu nome e foto para fácil identificação.

Seu maior patrimônio é seu network e eles não lembram disso nem como usá-lo profissionalmente. Nestas horas serve só para marcar com os mais próximos, para desabafar.

No nosso trabalho, dos últimos 30 dias, três deles já se resolveram com o conhecimento que têm de mercado e que vai agregar demais em empresas que precisam de profissionais como eles. Um deles entrou empreendendo, outro se recolocou e o terceiro se tornou um credenciado. Nenhum deles precisou usar o capital reservado para investir. O quarto executivo está com duas opções de empresas para trabalhar e a forma de contratá-lo está sendo estudada por todos. Em breve ele vai escolher o que mais lhe agrada e atende suas expectativas e necessidade para viver, confortavelmente.

O que valeu nestes processos foi o olho no olho em nossas conversas, a fragilidade demonstrada e minha “gana” em acertar a melhor proposta, feita sob medida a cada um deles. Somado ao meu network, entender que cada um é único e há oportunidades para todos, que podemos ser o elo de uma corrente, que se abriu e precisa de uma ferramenta para unir novos elos que vão escolher fazer uma nova corrente.

No caso das empresas, os Planejamentos Estratégicos que desenvolvi, mostraram que a estrutura de duas delas, poderia escalar tendo as Franqueadoras como clientes delas e não definindo franquias como canal de vendas ou abertura de negócios. E, ontem, quando fiz a entrega de um dos projetos, o olhar de surpresa e os comentários de alívio, de “como não pensei nisso antes”, me fazem ter, cada vez mais, a certeza da responsabilidade que, nós, consultores de empresas, temos com as pessoas, com suas vidas e isto é muito mais que planilhas, CTR C / CTR V que tanto vejo, promessas mirabolantes, que o amor que tenho pelo que faço, me estimula a elaboração de projetos autorais únicos, de sucesso e clientes se tornam amigos, pra vida inteira. A cada mudança, estamos juntos novamente.

Ah! Não falei do 7º case, ainda não terminei, é uma startup que, do jeito que vinha estava mais para uma ONG, pois há uma preocupação social muito grande, mas precisamos fazer a engrenagem funcionar e faturamento conta nestas horas.

O idealismo não pode abafar a máquina e o capitalismo não pode destruir o ideal daqueles jovens. E, de novo, vamos criar uma franquia…Nada disso, vamos criar uma empresa sustentável e depois, daqui uns dois anos, decidiremos. Se é que eles vão aguentar esperar até lá, se um fundo de investimentos já não tiver comprado a startup. Falar em dois anos hoje, parece que estamos falando em dois séculos.

Vale, então, a reflexão: por melhor estratégia que seja para muitos e eu seja especialista no sistema, nem tudo é Franchising, sempre.

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

Como promover a mudança do mindset?

22 de maio de 2018

Até pouco tempo atrás a resposta que valia um milhão, de alguma moeda, era: como encontrar o franqueado com perfil ideal, com capital suficiente disponível para investir na “minha” franquia?

Agora estamos sendo provocados a mudar o mindset para podermos acompanhar todas as mudanças que estão ocorrendo em função da tecnologia, do comportamento e da percepção de valor dos jovens que são consumidores de muitos de nossos negócios e serviços. Teoricamente, parece que boa parte dos empresários do franchising perceberam que precisam mudar sua forma de gestão ou até mesmo reformular seus modelos de negócios.

:: Marcas que abriram para franquias no último ano ::

Mas, na prática, é curioso observar como as referências, para muitos deles, ainda sejam os autores do passado recente, que são fantásticos, mas hoje precisam pensar que um algoritmo pode se tornar o maior concorrente de uma vaga de emprego, que quem melhor nos atende é um robô, que o delivery não requer mais equipe própria de motoboys e os apps de entrega fazem este papel tão bem.

Que seus filhos ou netos mudaram demais o comportamento e desejos – ser é melhor que ter, o Airbnb tem maior valor para eles que os imóveis que poderão ou poderiam herdar. Enquanto isso, muitos empresários, no sistema de franchising, estão assistindo tais mudanças, sem a clara percepção do que está para acontecer com suas empresas, cedo ou tarde, dependendo de quanto tempo demorarem para encarar estas transformações de mercado e mudarem seus mindsets.

Como fazer, se é difícil entender tais processos a ponto de saber o que e como atuar, implantar, modernizar e, quem sabe, inovar?

:: O Franchising como alternativa para jovens empreenderem ::

Startups podem ser parceiras ou fornecedoras, franqueados podem trazer ótimos insights, novos fornecedores devem oferecer soluções inusitadas, players do mercado com cases de sucesso de boas práticas devem ser observados.

Nosso maior patrimônio passou a ser nosso network, pensamento em rede e, no caso de franqueadores, para a rede também. Importante se imbuir de aprendizado, assumindo que não se pode ser bom em tudo e que com toda esta demanda de transformação, os franqueadores podem assumir que querem e precisam aprender novos caminhos com os mais novos, com o que há de novo, trilhando novas rotas que conduzirão a novos modelos de gestão e melhores posicionamento e resultados.

A velha escola não faz mais sentido, serve só de registro histórico que não levará ao futuro. Vamos nos livrar das pendências para focar nas tendências. Ter bons produtos e serviços em ambientes que promovam excelente experiência. E, fundamentalmente, saber o que gera valor na percepção de todos os envolvidos com suas marcas.

Foi dada a largada! E já faz algum tempo… Go!

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

O Franchising como alternativa para jovens empreenderem

9 de maio de 2018

O franchising é uma boa alternativa para jovens que acabaram de se formar ou estão pensando em empreender. Na década de 1990 dizíamos que não, pois não eram maduros para assumir a gestão de um negócio, que seus pais não deveriam comprar uma franquia como se estivessem comprando um emprego para eles. Assim como não se deve comprar franquia para o cônjuge, sem que ele ou ela participe da decisão, da escolha e do processo de seleção. Porém, atualmente, os jovens são mais investigativos, curiosos, estão gostando muito da ideia de empreender, de criar, gerenciar, aprender sobre negócios e seus diferenciais, métricas, resultados e impacto na vida dos clientes e consumidores.

:: Marcas que abriram para franquias no último ano ::

Um problema é que estão achando que é muito legal errar também. A onda das startups, com a licença poética de tanto poder acertar quanto errar, custa muito, mas muito caro no varejo! A franquia entra com a rota de diminuição de erros ou riscos, orientação e suporte de franqueadores e suas equipes, correção e todos focando nos acertos, ajustes, melhorias.

Se alguém já formado, experiente e calejado encontra na franquia um viés de aprendizagem, de recomeço de vida profissional e do início empresarial, por que o jovem idealizador – “a folha em branco” cheia de sonhos, teorias, sites, vídeos e fotos de blogueiros inspiradores, além das páginas de livros resumidos com os melhores insights na web – deveria ser tolhido dessa experiência? Ainda, o que mentores práticos como um franqueador, um consultor de campo, um gerente de RH ou diretor de marketing – que, juntos, podem inclusive aprender o que os clientes da marca que este empreendedor millennium está adquirindo – podem trazer de sugestão? Para muitas empresas, o futuro franqueado pode falar a língua dos seus clientes, ter na boca o sabor que os clientes querem experimentar, ter customizada a camiseta que eles querem vestir, ter propósitos e estilo de vida comuns aos do público alvo.

É interessante demais observar a mudança de tudo que estamos falando, escrevendo, discutindo, vivendo! Como consultora, aos 30 anos, eu precisava parecer mais velha, mais madura e mais experiente. Advogados e médicos também tinham o desafio de transmitir segurança a seus clientes e pacientes. Hoje, ao entrar em uma reunião com empresários em busca de inovação e melhor posicionamento de suas empresas, assim como ao discutir mercado e share, investimentos e resultados com fundos de investimento, levo comigo um (ex) CFO ou um CMO de alguma startup reconhecida, com um CV maluco e idade para ser meu filho, que se comporta, de igual para igual, com quem tem a experiência de seu avô. A mesma segurança, dados e cases na ponta da língua, provocando reflexões e mudanças de paradigmas com muita facilidade.

A economia compartilhada está no propósito de vida deles. Portanto, pertencer a uma rede de franqueados possibilita a troca de experiência e conhecimento, o network em busca de novas ideias e soluções, a mente inovadora. E as respostas que os mais velhos buscam, neste mundo que muda a cada minuto, pode estar entre os franqueados.

Trata-se de uma (grande) oportunidade aos jovens empreendedores e aos franqueadores que estão lutando pela sobrevivência ou melhores resultados. E, como sempre foi, é preciso se encontrarem, terem perfis que “match” em negócios que “fit” aos propósitos e estilos de vida desses jovens. E isso é muito mais que ROI para eles, se é que me entendem.

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

Franquia é padrão, mas não é prisão

9 de janeiro de 2018

Volta e meia os benefícios de uma gestão padronizada, mix de produtos/serviços e área de atuação pré-definidos, fornecedores homologados, sistema informatizado integrado e uma possível intranet que disponibiliza templates para criar conteúdo para as redes sociais, manuais, treinamentos entre outras ferramentas, incluindo a cobrança de um DRE mensal pela equipe da franqueadora para analisar o movimento e rentabilidade da franquia entra em questionamento.

As regras do franchising existem para criar uma percepção de unicidade de uma marca na avaliação do consumidor e não para um empresário, dono de um sistema de gestão de um conceito de negócio sob uma determinada marca, banque o autoritário.

Um franqueador não nasceu para mandar, mas para criar um negócio que tem valor agregado na percepção de seu público-alvo e desenvolver mix, fornecedores, matéria-prima, sistemas, marketing e replicar seu modelo de negócio, através de franquias. Já, os franqueados não nasceram para serem empreendedores submissos! Mas empresários que precisam do padrão definido em todas as esferas do negócio para aprender a gerenciar algo que nunca fizeram ou estudaram antes, para tal.

Se for para cada um fazer o que bem entende, experimentar e assumir todos os riscos da inexperiência e pagar o preço dos erros e acertos até que o negócio dê certo, ou errado e fechar, não precisa ser franquia e pode ser que este empreendedor inovador ou dentro de uma parcela de conhecimento e sorte, venha a se tornar mais um empresário de sucesso e quem sabe, um franqueador no futuro.

Para a contribuição dos franqueados, nos processos decisórios, no que tange flexibilidade de mudança de produtos e/ou serviços, adequação de processos e procedimentos conforme regiões do País há de existir, também, uma maneira de organizar as demandas e aprová-las, pelo bem da própria rede franqueada. Uma delas é o Conselho de Franqueados, outra é a intranet com fóruns de discussões e para que ambas deem certo é fundamental a real participação dos franqueados.

Portanto, há maneiras de flexibilizar, conforme necessidades locais e regionais, o modelo de gestão das redes franqueadas com total participação dos franqueados, redefinindo estratégias de forma inteligente, aumentando competitividade e quem sabe até a rentabilidade. Mas há de ter, ainda assim, regras para esta participação, pois sem padrão não é franquia e sem organização, vira bagunça. Estes são os valores e benefícios do sistema de franchising.

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.