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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Para o seu próprio bem, as empresas deveriam valorizar os mais velhos

16 de dezembro de 2016

“Eu não tenho medo de morrer…” – diz minha mais que colega, minha amiga de trabalho. “Tenho medo sobre como vou morrer…”. Dona Áurea, como a chamamos, é vitalidade, bom humor e resiliência em todos os sentidos. Ela não gosta de falar da idade, mas acho que viu o Brasil ser campeão em todas as Copas. Já não precisa da remuneração do trabalho há muito tempo, mas cumpre sua jornada diária porque gosta muito do que faz. Mas isto não a impede de apreciar um bom restaurante, jogar cartas com os amigos, postar novidades no seu Facebook, ir para a praia de tempos em tempos e ser viciada em tênis. Não conheço alguém que goste mais de tênis do que a Dona Áurea. Até hoje não sei se é por causa do esporte ou dos tenistas. Mas seja o que for, ela está certíssima. Dona Áurea sempre está certa. Errados estão os outros que se acham inválidos por causa da idade.

Mas a Dona Áurea é uma exceção no Brasil. Enquanto em outros países como no Japão, Coréia do Sul ou mesmo nos Estados Unidos é absolutamente normal idosos trabalharem, no Brasil a pirâmide etária organizacional está se achatando cada vez mais. Se não trabalhar em um órgão público, notará o predomínio da faixa de 20 a 30 anos e depois uma drástica redução nas faixas posteriores até ter dificuldade em citar pessoas com 50 a 60 anos. Mas isto ocorre menos pela vontade dos profissionais mais experientes e mais pela métrica financeira da margem crescente de lucros. Daí a intensa juniorização no quadro de colaboradores das empresas. Isto é ótimo para a juventude “que tem resposta para tudo” que entra no mercado de trabalho, mas algo cada vez mais preocupante para os “entas” (40, 50, 60) que lutam para manter seus crachás e sobrenomes corporativos.

Além disso, muitos idosos, talvez até já aposentados, precisam complementar sua renda. Neste ano, uma empresa de Curitiba anunciou a vaga de secretária com remuneração de R$ 1.200,00, mas dizia que tinha interesse em candidatos com idade mínima de 60 anos. A empresa entendia que candidatos com este perfil tinham mais paciência, eram mais comprometidos, além de ter experiência. Recebeu 1.700 currículos de cinco estados brasileiros. O IBGE estima que cerca de, pelo menos, 220 mil idosos estejam nesta situação. E o que mais assusta é que esta demanda vem crescendo 60% nos últimos quatro anos.

Este cenário assustador para todos nós que, invariavelmente, envelhecemos, tem mostrado alguns alentos (que estão longe se ser comemoráveis), mas que servem de exemplos para a importância dos profissionais mais experientes em trazer mais do que conhecimento, rede de relacionamento ou vontade real de trabalhar. Estes profissionais trazem mais serenidade, sabedoria e tem mais compromisso com a empresa, com as pessoas, principalmente clientes. E o principal, estes idosos tornam a empresa mais humana.

Muitas empresas já criaram programas de contração de profissionais mais experientes. Agora, inspirados no filme “Um Senhor Estagiário”, em que Robert De Niro representa um senhor de 70 anos que arranja uma vaga em uma startup e a revoluciona a partir da (re)descoberta de aspectos verdadeiramente humanos como a compaixão, a ética, o compromisso, a organização, o senso de equipe, a curiosidade em aprender e principalmente o amor fraternal pelas pessoas, várias novas empresas também estão interessadas em trazer um estagiário sênior para suas equipes.

Um dos grandes responsáveis pela valorização dos profissionais mais experientes é o empreendedor Mórris Litvak Jr. Ele fundou a startup MaturiJobs, a primeira plataforma brasileira que só conecta pessoas com mais de 50 anos com empresas que buscam este perfil, mas que também incentiva um número maior de organizações e em mais setores a também valorizarem não só a experiência, mas a sabedoria que só vem com a idade.

Para o nosso próprio bem, incentive e divulgue a valorização daquilo que é o futuro de todos nós. E viva como não ficasse velho nunca, pelo menos esse é o conselho da Dona Áurea. Já que você não pode escolher como vai morrer, pelo menos escolha como vai viver.

E viva a vida, Dona Áurea!

Marcelo Nakagawa é Head de Empreendedorismo da FIAP

Sorte ou azar? O imponderável nos negócios

24 de outubro de 2016

Uma estrada interditada fez com que um crítico renomado conhecesse o restaurante de Massimo Bottura, eleito neste ano o melhor chef do mundo

Eu me considero um cara bastante prático e objetivo, principalmente no que diz respeito ao mundo dos negócios. Por isso, demorei a admitir que existe um fator que pode ser decisivo no sucesso (ou insucesso) de um empreendimento: o que chamo de componente imponderável.

Ao longo dos últimos anos, várias situações me levaram a reconhecer que esta variável deve sempre ser levada em conta na hora de empreender, e com um certo “fair play”. Afinal, ganhar e perder fazem parte do jogo.  Sorte ou azar, diriam alguns.Já vi empresas que tinham tudo pra dar certo: uma ótima ideia, capital à vontade, plano de negócios impecável com missão e visão, e lideres talentosos em suas áreas de expertise… Mas, mesmo assim, não deram certo.

Na contramão, me deparei com negócios em que tudo apontaria para o fracasso e, no entanto, acabaram bombando – contrariando, às vezes, regras básicas dos negócios.É um fator angustiante, admito. Porque o imponderável pode se manifestar de várias formas: pode ser uma ideia genial que chega cedo demais – e encontra um mercado imaturo para entende-la – se chegasse um pouco depois, talvez fosse outra história. Ou pode ser a escolha do ponto equivocado, ou ainda, a cidade equivocada, para implementar o negócio. Ou uma campanha publicitária que é mal interpretada. Ou uma mega crise econômica, como a que estamos passando agora no Brasil. Pequenos detalhes.

Do lado oposto, pode-se dar a sorte de acidentalmente cair no gosto de uma celebridade, e isso fazer toda a diferença no marketing. Ou estar em um endereço que cai nas graças de uma tribo de clientes que passam a ser seus embaixadores espontâneos.

O mundo empresarial – e gastronômico – está cheio de histórias deste tipo, em que o acaso foi fator decisivo. Como a Osteria Francescana, do chef Massimo Bottura, eleito o melhor do mundo neste ano. O próprio Bottura costuma contar essa história: depois de anos de dificuldades e críticas negativas no início do seu negócio, o chef estava prestes a fechar o restaurante na cidadezinha de Modena, quando uma avaria na estrada fez com que um renomado crítico de gastronomia parasse para jantar em seu endereço, totalmente por acaso. E o resto é história.

As vezes a boa sorte brilha. É estar no lugar certo, na hora certa. Como diz aquela célebre frase: quando a sorte aparecer, quero que ela me encontre trabalhando.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo – escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

É preciso que as faculdades parem de formar desempregados

14 de outubro de 2016

“Professor, estou buscando empreendedores. Conhece algum aluno ou ex-aluno que está empreendendo?” Ele desviou sua atenção do computador, encarou-me como se fosse um ET e com um olhar oblíquo e desinteressado perguntou quem eu era e se poderia ser mais claro. Disse que trabalhava com venture capital e que estava em busca de startups para investir. Ele voltou-se para o monitor e balbuciou algo que entendi que ele não poderia ajudar. Agradeci a atenção e saí da sua sala com a dúvida se ele tinha entendido alguma coisa do que tinha falado ou se tinha ficado bravo por tê-lo abordado sem um agendamento prévio. Mas a cena se repetiu inúmeras vezes naquele ano de 1999 em outras faculdades e universidades e a quase totalidade dos professores não tinha nenhuma compreensão ou referência de empreendedorismo.

Dezessete anos depois e esta universidade que tinha visitado inicialmente, a UNICAMP, é a principal referência acadêmica nacional de empreendedorismo. É a que mais gera patentes no país, tem uma das principais incubadoras e parques tecnológicos do Brasil, a mais atuante agência de inovação e seus dirigentes não se cansam de falar das “filhas da UNICAMP”, um conjunto monitorado de 286 empresas que foram criadas por egressos da instituição e que juntas faturaram algo próximo a R$ 3 bilhões e geraram 20 mil empregos altamente qualificados em 2015.

Mas enquanto a UNICAMP não só incluiu o tema empreendedorismo, principalmente a partir de 2002, quando o Professor Carlos Henrique Brito Cruz assumiu a reitoria, mas também criou as bases de um ecossistema condizente com a sua estrutura e papel social, muitas faculdades e universidades do país ainda não perceberam o papel cada vez mais relevante em formar alunos empreendedores e inovadores.

Se os temas empreendedorismo e inovação já se tornaram rotina nas faculdades de negócios, engenharias e computação, em outras são solenemente ignoradas e, em certos casos são até execradas como símbolo maldito do capitalismo.
Em cursos como Medicina, Odontologia, Fisioterapia, Educação Física, Pedagogia, Direito, Contabilidade, Psicologia, Nutrição, Design, Arquitetura, Moda ou Gastronomia, entre tantos, a opção de atuar por conta própria será considerada pelo(a) aluno(a) em algum momento da sua carreira profissional e este momento tem sido cada vez mais cedo. Desta forma, conhecimentos, habilidades e atitudes empreendedoras só o(a) tornará um(a) melhor profissional, trabalhando para si ou para os outros.

Mas há outros cursos que muitos não enxergam uma relação direta com o empreendedorismo e inovação. Filosofia e Biblioteconomia são dois exemplos emblemáticos. Estes não entendem o real motivo de Mario Sergio Cortella, Luiz Felipe Pondé ou Clovis de Barros Filho fazerem tanto sucesso empreendendo algo que tende a ser cada vez mais, o maior problema do ser humano: a sua própria existência. Também desconhecem como o Google surgiu justamente a partir de um problema de pesquisa bibliográfica e a relevância de uma determinada referência em um mundo inundado de informações inúteis ou desconexas.

Mas o principal motivo de incluirmos empreendedorismo e inovação na grade curricular de todos os cursos superiores não está no fato de darmos mais alternativas de carreiras para os nossos alunos, mas porque ensinamos olhando para o passado, com exemplos, técnicas e abordagens de anos ou décadas atrás, que, em várias situações já não são mais utilizados pelo mercado.

Isto tem criado um desemprego sistêmico e funcional em que uma massa crescente de jovens não consegue encontrar uma vaga para aplicar o que aprendeu. Por outro lado, o aluno empreendedor é um visionário que tem iniciativa, sabe identificar oportunidades e estabelecer soluções inovadoras. Ser um empreendedor não se limita às pessoas que criam iniciativas muito rentáveis, negócios sociais ou mesmo empresas sem fins lucrativos. O comportamento empreendedor existe em todos os setores, em todos os níveis de carreira, em todos os momentos da vida. E, curiosamente, é o perfil mais demandado pelas principais empresas que precisam contratar talentos que querem empreender e inovar dentro das organizações. O empreendedor pode querer ou não ser empregado, mas nunca ficará desempregado.

Mas voltando ao professor… Ele tinha vários alunos e ex-alunos empreendendo. Anos depois, acabamos investindo na startup criada pelo Fabricio Bloisi e outros colegas da faculdade. Fabrício co-fundou a Compera, atual Movile, a maior empresa de aplicativos móveis da América Latina, com soluções como a PlayKids, iFood e TruckPad, tornando-se um dos principais empreendedores brasileiros da atualidade.  Um golaço da UNICAMP…

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP.

 

A fragmentação dos meios de produção, unicórnios e cavalos

10 de outubro de 2016


Fomos convidados a umas reuniões para avaliar propostas de investimento em nossa empresa. A tentação é grande: isso pode levar nosso projeto de negócios para o próximo nível. E está sendo, acima de tudo, uma oportunidade de olhar nossa empresa pelo lado de fora, no microscópio, de forma científica, fria, com os olhos de quem nos observa como um produto na prateleira, sem mais nem menos. Assim, estamos descobrindo um pouco deste mundo dos investidores.

Uma palavra que escutei em uma destas reuniões foi “unicórnio”. Parece que encontrar um unicórnio é o sonho de quase todos por ali. Fiz cara de entendido, mas depois vim googlear o que isso significa exatamente, nos negócios.

Em resumo, as empresas unicórnio são aquelas que rapidamente alcançam valores de mercado acima de 1 bilhão. Exemplos: AirBnB, Uber, Facebook, Dropbox e outras que surgiram repentinamente e hoje fazem parte de nosso dia a dia. Algumas características em comum: são empresas disruptivas, tem capacidade mundial de escalabilidade, crescimento exponencial, e são todas – pelo menos por enquanto – de tecnologia. Também tem as que não dão certo, e fazem pensar que unicórnios são instáveis.

Agora, voltando à nossa realidade real – nós fazemos massas e molhos para vender no bairro – sabemos que estamos mais para cavalo do que para unicórnio.

Entendemos que nosso negócio tem outras regras. Afinal, fazemos produto, e precisamos de lojas onde produzir e contatar o cliente para entregar nossos produtos. Mesmo nosso e-commerce precisa de produto. Portanto nossa escalabilidade vai ser sempre mais lenta quando comparada com modelos de negócios de tecnologia. Esta lentidão, por outro lado, nos permite um controle de risco muito maior, e o crescimento é sólido e palpável, entre outras vantagens.

Nosso cavalo fica cada vez mais interessante quando leio um artigo da Deloitte analisando uma incipiente tendência que une produto à tecnologia: a fragmentação dos meios de produção. Acredito que vale a pena ficar de olho neste assunto, pois chegou para ficar.

Lendo nas entrelinhas, percebo uma grande e silenciosa revolução acontecendo: indivíduos – ou pequenos grupos – com baixo investimento, podem ter acesso aos meios de produção e atender/criar produtos e serviços em suas comunidades, bairros, cidades, com acesso direto ao cliente/consumidor.

Eu vejo de forma apaixonada esta movimentação, pois é justamente o modelo de negócio que sonhamos desde nosso início. No começo era apenas uma ideia, mas agora vejo o conceito prosperando em toda direção.

Por exemplo, na impressão 3D. Um pequeno escritório vizinho de minha casa desenvolve um projeto customizado, envia para a Dinamarca para ser impresso e vendido localmente para um consumidor específico. Diferente da tradicional exportação, o que se movimenta de um lugar ao outro não é o produto, mas a tecnologia do produto, que é feito localmente. E isto é fantástico!

Eu vejo muitas semelhanças com nosso negócio artesanal, onde cada unidade do Pastifício Primo tem produção autônoma! Em comum com as impressoras 3D de alta tecnologia, evitamos transporte de produto finalizado, evitamos estoques, evitamos poluição. Entregamos o produto personalizado, mais rápido e perto de você. Esta é basicamente nossa filosofia de expansão. Localmente cada unidade pode atender a demanda de sua região. Apenas o conhecimento artesanal é transportado.

Todos podem ser empreendedores, donos da própria vontade, da criatividade e dos meios de produção. Será que a utopia anarquista de derrubar grandes corporações e monopólios está sendo reinventada? Com unicórnio, a cavalo ou a pé, vamos em frente.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta ou comentário? Receber uma dica? Escreva para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

Quem reclama, sabe fazer melhor

7 de outubro de 2016

O que Ghandi, a dentista brasileira que criou o escorredor de arroz e o fundador da ONG Médicos Sem Fronteiras têm em comum? Ele pararam de reclamar e foram fazer melhor

Eu reclamo. Tu reclamas. Ele reclama. Nós reclamamos. Vós reclamais. Eles reclamam. Até que eu reclamo porque eles reclamam. E de repente, todos estão reclamando. É o trânsito. São os políticos. É o atendimento ruim que recebeu. O seu chefe. Seus funcionários. O governo. É a violência. Quantas vezes já reclamou hoje, mesmo que mentalmente?

Ainda me lembro de uma mensagem colada na porta da sala de um professor da faculdade em que estudei: Quem reclama, sabe fazer melhor! Depois que li isto, desisti de falar com ele. Nem ia reclamar, mas achei melhor voltar depois com uma melhor solução.

Vários anônimos ou nem tanto, se depararam com mensagem semelhante em portas da vida. Enquanto a maioria reclama da provocação, outros são provocados a fazer melhor.  Alguns reclamam do mundo de todos. Cansado de reclamar da falta de engajamento da Cruz Vermelha em suas ações, o médico francês Bernard Kouchner co-fundou a Médicos Sem Fronteiras em 1971, organização não governamental que buscava alinhar ajuda humanitária, sensibilização mundial e discussão política sobre graves problemas localizados de saúde.

Outros reclamam do nosso mundo. Quantas vezes já reclamou da corrupção no país? O alemão Peter Eigen também. Mas ele parou de reclamar disso a partir de 1993 quando co-fundou a ONG Transparência Internacional que monitora e divulga o nível de corrupção nos países. Graças ao ranking da corrupção mundial da Transparência em 2015, a população da Dinamarca, país menos corrupto do mundo, pode reclamar das razões do país ter tirado nota 91 e não 100. Da mesma forma, por que Finlândia e Suécia tiraram 91 e 89, respectivamente e não 100. E enquanto isso no Brasil… a população começa a não aceitar a nota 38…

Você pode também reclamar dos seus problemas mais mundanos do seu mundo. Que tal reclamar do aspirador de pó? No final da década de 1970, esse era o hobby do inglês James Dyson. Era o barulho ensurdecedor, a oscilação da potência e quem já tirou o saco do aspirador sabe que saco representa bem a situação.

Como quem reclama, sabe fazer melhor, o sujeito pediu demissão e se trancou em uma oficina improvisada em sua casa por cinco anos. Entre 1979 e 1984, criou 5.127 protótipos de um aspirador que não tinha saquinho e era mais silencioso. Até que chegou a um resultado que julgou perfeito. Tentou vender sua criação para os fabricantes de aspiradores de pó, mas descobriu que eles não estavam neste negócio e sim no de sacos. Até quem em 1992 decidiu criar a sua própria empresa. A Dyson Ltd se tornou muito bem sucedida e seu bilionário fundador passou a ser oficialmente reconhecido como Sir James Dyson. Até suas reclamações mais simples são provocações para você fazer melhor.

A dentista brasileira Beatriz Zorowich já estava cansada de encontrar a pia da cozinha entupida com arroz preparado pela sua empregada quando teve a ideia de criar o escorredor de arroz em 1959. Era uma bacia conectada a uma peneira que facilitava a lavagem do arroz. Patenteou o produto e encontrou empresas interessadas em comercializá-lo. Hoje a inovação brasileira é encontrada em diversos países.

Quase 20 anos depois da citação da porta do professor, encontrei mensagem semelhante no trabalho de uma aluna que citava Ghandi: Seja a mudança que quer ver no mundo!

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

 

Por que hoje é o Dia de Pensar Grande?

26 de agosto de 2016

O maior legado dos grandes empreendedores não são suas empresas ou produtos, estes ganham novos destinos quando crescem ou se perdem em algum momento da história quando fracassam, mas a inspiração que trazem para as futuras gerações. E a maior de todas as inspirações são seus gestos de grandiosidade.

Poucos se lembram da Kodak e um número menor ainda de pessoas sabe quem foi George Eastman, que ainda jovem, inventou o filme fotográfico e a câmera fotográfica portátil. Mas quem estudou no MIT nos Estados Unidos vai se lembrar do Mr. Smith. Em 1912, o Massachusetts Institute of Technology ainda era pequeno e planejava expandir o campus. Mesmo com o suporte de apoiadores muito ricos e poderosos, o MIT só conseguiu arrecadar doações de US$ 500 mil, uma soma altíssima mesmo em valores da época.

Um dos principais engenheiros da Kodak tinha estudado no MIT e, com uma baixa expectativa, resolveu pedir para o seu chefe contribuir com algum valor, mesmo sabendo que ele era muito criterioso com a fortuna que tinha ganhado. “De quanto precisam?” – perguntou George Eastman. “Dois milhões e meio de dólares” – respondeu o representante do MIT.

Surpreendentemente, Eastman concordou em ajudar com todo o valor necessário imediatamente, mas com uma condição: que a doação fosse anônima. Depois, mudou de ideia e pediu para que fosse comunicado que o investimento teria sido feito por um “Mr. Smith”, algo como “Sr. Silva” se isto tivesse ocorrido no Brasil. O fundador da Kodak investiu mais de US$ 20 milhões nos anos seguintes até que sua identidade fosse realmente descoberta. Daqui a 100 ou 200 anos, quando não estivermos mais aqui, quase ninguém saberá o que é um filme ou uma câmera fotográfica, mas a imagem, a história e a grandiosidade de George Eastman continuarão inspirando os líderes que passarem pelo MIT.

Mas a versão correta do Sr. Smith no Brasil não é o Sr. Silva, mas o Sr. Lemann. Jorge Paulo Lemann não inventou nada, mas foi hábil em elevar a níveis mundiais de excelência das instituições financeiras, empresas de alimentos e bebidas entre outros negócios. Mas descobriu que seu maior talento não é vender títulos de valores mobiliários, cervejas, hambúrgueres ou mesmo ketchup, mas identificar talentos e formar líderes.

Erroneamente muitos entendem que o atual “Sonho Grande” de Lemann é criar impérios empresariais. Isto até pode ter sido assim como apresentado no livro homônimo da jornalista Cristiane Correa e que se tornou um dos maiores best-sellers da história editorial do País – uma marca extraordinária tratando de uma biografia de empreendedores, tema não tão corriqueiro no dia-a-dia dos brasileiros. Mas o que antes era “Dream Big”, agora vem se transformando em “Dream Great”.

Da mesma forma como o Sr. Smith naquela época, atualmente o Sr. Lemann vem apoiando iniciativas que estão formando os líderes do Brasil do amanhã, sejam líderes empresariais na 3G Capital, líderes com excelência acadêmica na Fundação Estudar, líderes na educação na Fundação  Lemann ou na Stanford Lemann Center, líderes empreendedores no Instituto Empreender Endeavor, líderes em startups no Fundo Gera, líderes executivos no Insper Instituto de Ensino e Pesquisa e até líderes no ranking de tênis no Instituto Tênis, um dos seus esportes favoritos.

E neste momento de grandes problemas pelo quais passamos a inspiração vinda de Jorge Paulo Lemann não é a sua posição entre as pessoas mais ricas no ranking da Revista Forbes (se for isto, há vários outros na sua frente), mas sua trajetória de vida, trabalho e dedicação em ser o melhor no que faz sonhando sempre grande.

“Sonhar grande ou pequeno dá o mesmo trabalho. Mas quando sonhamos grande, todos os problemas se tornam pequenos!” – costuma dizer o aniversariante de hoje, 26 de agosto, Jorge Paulo Lemann.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP.

Quem foi a maior empreendedora de todos os tempos?

19 de agosto de 2016

Talvez você tenha a sua resposta, mas a minha filha de seis anos teria uma resposta na ponta da língua. E contaria que ela nasceu muito pobre, que perdeu a mãe muito cedo, que o pai, por falta de condições financeiras, a colocou em um orfanato, que depois de adulta foi morar em uma pensão para moças onde aprendeu a costurar suas próprias roupas, que começou a se indignar sobre como as mulheres eram submissas e como se vestiam de forma desconfortável e como passou a criar roupas práticas e elegantes que chocaram a sociedade da época como as primeiras calças femininas, tailleurs e cardigans. Também contaria que abriu uma loja para vender chapéus, depois roupas e até perfumes. Tudo isto para explicar a importância de ser “Diferente como Chanel” que, na verdade, é o título de um dos seus livros infantis preferidos, escrito por Elizabeth Matthews e publicado no Brasil pela saudosa Editora Cosac Naify.

Há 133 anos, neste mesmo dia 19 de agosto, nascia Gabrielle Bonheur Chanel, que se tornou mais conhecida pelo seu apelido, Coco. Mais que ter criado uma das mais impactantes marcas de moda do mundo, com fortíssimas influências até hoje, Coco Chanel foi uma das precursoras do protagonismo feminino com atitudes e crenças que, surpreendentemente (ou infelizmente), continuam muito atuais.

“Uma menina precisa ser duas coisas: Quem e o que ela quiser ser” é uma das suas frases, mas também é minha quando educo as minhas filhas para serem quem e o que elas quiserem ser. E da mesma forma, quando não mais estiver aqui, espero que os ensinamentos de Chanel sirva de orientação para elas: “Você pode ser linda aos trinta anos, charmosa aos quarenta e irresistível pelo resto da sua vida” mas a “Beleza aparece no momento em que você decide ser você mesma”.

Mas Chanel não foi apenas um dos principais símbolos do empoderamento feminino da história. Foi uma empreendedora com uma sabedoria e conhecimento de negócios que a iguala a outros grandes (e muito mais conhecidos e celebrados). O design de suas criações icônicas coloca Steve Jobs ao seu lado, pois ela veio antes e defendia que “Simplicidade é o principio de toda verdadeira elegância”. Se a Apple defende o “Pense Diferente”, muito antes Chanel acreditava que “Para ser insubstituível, é preciso ser sempre diferente”. E se a empresa da maçã vende produtos sempre muito mais caros do que a concorrência, Chanel também pregava que “As melhores coisas da vida são gratuitas. Mas as segundas melhores são muito caras”. Mas nem mesmo Jobs conseguiu sintetizar de forma tão poderosa e provocativa a proposta de valor da sua empresa como Coco Chanel: “Vista-se como fosse encontrar seu pior inimigo hoje”.

Mas talvez muitos não concordem que Gabrielle “Coco” Chanel tenha sido a maior empreendedora de todos os tempos já que podem ter outras opiniões e que isto não faz sentido em um momento em que se busca a equidade de gêneros. Mas Chanel deixou sua visão de mundo, um legado que está muito além das suas roupas, sapatos e perfumes: “Não é a aparência, é a essência. Não é o dinheiro, é a educação. Não é a roupa, é a classe” – diz.

Por isto fico feliz quando minha filha prefere ler a trajetória da Chanel aos contos de fadas de meninas pobres que se transformam em princesas com a ajuda de fadas madrinhas e príncipes encantados. Por que ser igual quando se pode ser diferente… como Chanel.

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP.

O empreendedorismo corporativo se tornou imprescindível para o crescimento das grandes empresas

8 de julho de 2016

A grande empresa, como a conhecemos hoje, é um dos maiores legados do Século XX. Quem estudou administração vai se lembrar do impacto das abordagens de Frederick Taylor, Henry Fayol e Henry Ford, entre outros, que provaram o papel dos tempos e métodos, da burocracia, da ordem e previsibilidade das operações no aumento da eficiência das organizações. A partir destas abordagens, uma pessoa com pouco conhecimento pode participar da produção de itens complexos como carros, eletrodomésticos e medicamentos.

O mecanicismo das operações começou a sufocar, de certa forma, os operários e funcionários, que assim eram chamados, pois (simplesmente) operavam as máquinas e tinham uma função. Mas antes de operários, eram pessoas que tinham necessidades e motivações. Os que não faltaram às aulas de Teoria Geral da Administração irão fazer alguma associação ao papel de Elton Mayo e o desafio de lidar com os aspectos psicológicos das pessoas na linha de produção e também de outros pensadores como Abraham Maslow e sua Pirâmide das Necessidades Humanas e Frederick Herzberg e sua Teoria dos Dois Fatores (Higiênicos e Motivacionais). O fator humano começou a influenciar na produtividade e os empresários perceberam que isto também era importante para aumentar suas margens de lucro.

A obsessão pela eficiência e lucratividade foi, depois, tangibilizada pela gestão da qualidade. William Deming, Joseph Juran, Kaoru Ishikawa e Shigeo Shingo e tantos outros pais da qualidade permitiram que qualquer organização do mundo que realmente quisesse, pudesse ser eficiente em custos e em qualidade. Organizações japonesas, norte-americanas, europeias, depois sul-coreanas, chinesas, indianas, taiwanesas e agora filipinas, vietnamitas e cambojanas se tornaram verdadeiramente globais por terem preço e qualidade.

Mas na edição de julho/agosto de 1960, o professor Theodore Levitt publicou um artigo com uma questão que intrigou o mundo dos negócios: Por que as maiores empresas do Século XIX não se mantiveram na mesma posição no século seguinte? A resposta era tão óbvia que muitas empresas não se atentaram a isto até hoje. As empresas acreditavam que estavam no mercado do seu produto (ou serviço) e não no do benefício do produto. Desta forma, empresas ferroviárias acreditam que estavam no mercado de ferrovias e não no de transporte. E continuaram a investir no aumento da eficiência e qualidade no transporte de trilhos. Muitas empresas, inclusive grandes corporações ainda sofrem desta Miopia de Marketing, título do artigo do Prof. Levitt.

Mas curiosamente, a história é formada de ciclos que se repetem e novamente muitos se questionam como as maiores empresas do Século XX conseguirão manter sua posição neste século? Esta questão já é clara às empresas de aluguel de carros e ao Uber, às redes hoteleiras e ao AirBnB e às varejistas tradicionais e à Amazon, entre outros exemplos. Mas todas as grandes empresas mais visionárias também estão buscando as suas respostas.

E para lidar com as startups que questionam seus modelos de negócios vitoriosos até então, as algumas grandes empresas também passaram a investir não apenas em startups mas também no empreendedorismo dos seus antigos operários, depois funcionários, colaboradores e agora empreendedores corporativos.

É a visão de dono da empresa que torna os membros do seu time mais empreendedores. E são os empreendedores que vislumbram oportunidades, reagem rápido e transforam ideias em resultados. E que organização, startup ou grande empresa que não quer um profissional assim?

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

 

 

O efeito dominó: o poder das pequenas mudanças

6 de junho de 2016

Uma das questões mais complexas na criação e gestão de uma empresa diz respeito a criação e aprimoramento de sua cultura organizacional. Pois ela não é algo definida por decreto nem limitada a um grupo. “Ela é composta por pequenos atos, hábitos e escolhas. O acúmulo desses comportamentos – que vêm de todos os lugares, nos níveis mais altos e mais baixos dentro da hierarquia, de dentro e de fora da empresa – cria a cultura da organização” ensina Margaret Hefferman, escritora e empresária, no livro “O poder das pequenas mudanças” uma publicação original TED  (o livro foi criado a partir de palestra da autora na famosa conferência).

A edição é em formato pocket e traz uma série de casos e depoimentos colhidos pela autora ao longo de sua vida como executiva e palestrante. Selecionei alguns tópicos que achei interessantes para oferecer um “aperitivo” sobre o que o possível leitor poderá encontrar.

- Transforme conflito em confiança. A autora lembra um ensinamento que teve com Scilla Elworthy, indicada três vezes ao prêmio Nobel da paz: “enterrada sob a pata do dragão, há sempre uma pedra preciosa – alguma coisa a ser aprendida”. O desafio é ter a capacidade de identificar o que esteja acontecendo e ter habilidade para tratar de assunto.

- Um estudo sobre inteligência coletiva realizada pelo MIT identificou três características dos grupos que são excepcionalmente eficazes na solução criativa de problemas: 1) concedem tempos mais ou menos iguais de fala entre os participantes (isso não era controlado, acontecia de forma espontânea, permitindo que todos pudessem realmente contribuir); 2) conseguem “ler a mente com os olhos”: os grupos mais criativos conseguem perceber entre si sutis mudanças de humor e comportamento; 3) incluem mais mulheres (até porque as mulheres em todas as pesquisas se mostram mais empáticas que os homens).

- É o cimento – e não o tijolo – que constrói um grande edifício. “O cimento, nesse contexto, é o capital social: confiança mútua, um sentimento fundamental de conexão que constrói confiança”.

- Uma pesquisa do Conselho de Segurança dos Transportes nos EUA descobriu que 73% dos incidentes aconteciam no primeiro dia que uma equipe trabalhava junta (nos vôos, 44% das vezes que uma equipe trabalha junto numa primeira viagem acontece algum incidente). Já as tripulações que trabalham juntas por durante longos períodos conseguem desempenho muito maior que as outras.

- Os melhores parceiros não são o que concordam com suas ideias. Mas os que as desenvolvem.

- Esqueça o conceito de multitarefa. A qualidade está na monotarefa: “quando focamos em algo, aprimoramos nossa concentração e nos lembramos do que fizemos”.  Dar a atenção a uma atividade por vez não é apenas mais eficiente como também nos torna mais capazes de dar usar o conhecimento acumulado.

- A adoção de checklists simples nos hospitais durante as cirurgias grandes reduziu as morte e complicações em mais de um terço.

Veja que os exemplos citados – e a grande maioria deles descritos no livro – não são fruto de grandes projetos, orçamentos vultuosos ou mudanças radicais, mas de pequenas ações que podem dar um resultado surpreendente. A escolha dessa imagem para ilustrar esse post não é à toa: o efeito dominó está presente na gestão da cultura organizacional tanto quanto está naqueles desafios onde uma pequena peça pode desencadear uma sequência de acontecimentos. Se você quer conferir um que é muito criativo, clique aqui e surpreenda-se.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site Mentalidades.

Pare de parecer. Para ser você, pare de ser para os outros!

3 de junho de 2016

Dois minutos se passam… Hum… Quantos likes e shares meu post recebeu? Sem querer, penso em voz alta e minha filha de seis anos me olha com vários pontos de interrogação. Mais do que explicar o que são likes, shares, posts e redes sociais, fico envergonhado pelo motivo da pergunta.

Poucos se dão conta, mas rede social é um termo politicamente correto para um mural de egos. Se duvida disso, lembre-se da última vez que publicou algo e nenhum mísero mortal conectado se deu ao trabalho em clicar no ícone do joinha. Por isso, as primeiras (verdadeiras) redes sociais como eGroups, Yahoo! Grupos, Classmates, SixDegrees e mesmo Friendster fracassaram porque atendiam uma necessidade abaixo do que Facebook, Twitter, Linkedin, Instagram ou Pinterest resolve.

E mesmo agora, sua verdadeira rede social é atendida pelo WhatsApp, Gmail, Skype, Snapchat, e o próprio telefone celular, é claro. É aqui que estão seus familiares, amigos e conhecidos mais próximos e que acessa com mais frequência e interesse.
As chamadas redes sociais são cada vez mais pregões por joinhas (curtir) e setas para direita (compartilhar) e poucos conseguem ficar tanto tempo em uma bolsa de valores de egos com tantos falando sobre si ou de suas verdades ou outros berrando suas causas (que mudam a cada semana).

Na lógica da Pirâmide de Necessidades de Maslow, dado que as necessidades básicas (sobreviver), de segurança (viver) e sociais (conviver) estejam resolvidas, surge a necessidade do “querer ser” querido e reconhecido. São necessidades que, em geral, são resolvidas por fatores externos já que “parecer ser” já contribuiu para o aumento da autoestima e confiança das pessoas.

Daí a necessidade crescente de parecer ser o que os outros valorizam. Mesmo que não perceba desta forma, muitos empreendedores aprenderam a tirar proveito. Enquanto muitos tentam copiar o GoPro, poucos se atentam que sua câmera não filma momentos incríveis, ela gera mais likes e shares. Os organizadores do Lollapalooza sabem que os jovens não vão ao evento apenas pelos músicos presentes. Eles querem viver uma experiência surreal que possa ser compartilhada em suas redes sociais.

É isto que tem determinado o nível de status de cada pessoa em suas redes de relacionamento.

O problema é que esta necessidade comum a todos nós, pode começar a extrapolar, tornando-se uma escalada de encheção de saco, hipocrisia e até contravenções como ocorrem com as postagens de ostentação de itens roubados, armas e até cenas de crimes.

Muitos acreditam que ser para os outros é sua principal necessidade e se esquecem que há uma outra ainda maior que é ser o que é sendo você mesmo.

Mas para ser é preciso parar de parecer ou de querer ser. Ser é descobrir o não ser dos caminhos errados, portas fechadas e páginas não encontradas. Ser é se questionar de tempos em tempos desfragmentando crenças nocivas e atitudes tóxicas. Ser é estar continuamente em reconstrução. É tornar-se empreendedor de si mesmo!

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo e inovação do Insper