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Conheça o doce que faz tanto sucesso em NY que as pessoas fazem fila às 5h30 para comprá-lo

20 de janeiro de 2015

Bruno e Juliano Mendes escrevem toda terça-feira no Blog do Empreendedor

Caminhando pelas ruas do Soho, em Nova York, nos primeiros dias deste mês, nos deparamos com uma moça asiática, toda esbaforida e agitada, pedindo ajuda para encontrar uma confeitaria que ficava nas redondezas. Com seu smartphone em mãos, Google Maps aberto, ela me perguntava se conhecia a confeitaria de um tal de Dominique Ansel.

Lembramos ter passado, na quadra anterior, por uma confeitaria. E que a “Bakely”, como se referia ela a tal Bakery que procurava, poderia ser aquela mesmo.

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Poucas horas mais tarde, já dentro de uma loja que vende roupas, itens para decoração e cozinha, encontramos um livro de capa muito bonita, sobre um Chef Pâtissier e um auto elogio de impacto: a confeitaria mais celebrada do mundo. Era o mesmo chef a que se referia a asiática quase histérica naquela congelante esquina do Soho.

A vontade de visitar sua confeitaria bateu instantaneamente. Navegando pela internet em busca do endereço correto, nos deparamos com avaliações bastante elogiosas a um chef super premiado. E em matérias em todas as mais importantes emissoras e publicações impressas de NYC e dos EUA, referências ao que seria o melhor doce de NYC: o Cronut (marca registrada).

Dias depois lá fomos nós, por volta das 5h da tarde, beber um bom café acompanhado do famoso Cronut, é claro.

Me dirijo ao caixa e,  na maior tranquilidade, peço dois Cronuts. A atendente, com aquela cara mais fria que o clima do lado de fora, reponde: o cronut já acabou. Somente às 6h. Você entra na fila e começamos a vender às 8h. Frustrado, perguntei: daqui a uma hora? Quando ela me responde: não, às 6h da manhã. Você entra na fila às 6h e começamos vender às 8h. Em poucos minutos acaba tudo.

Com uma enorme frustração, mas já conformado, pedi outros doces, que estavam deliciosos. Uma placa móvel, que é colocada ao lado de fora, continha alguns esclarecimentos, para quem deseja comer o Cronut:

A fila, muitas vezes, começa, às 5:30 da manhã.

Porque não produzimos mais? Porque nossa cozinha é pequena e queremos criar outros doces também.

Por favor, enquanto na fila, não faça barulho. Respeite nossos vizinhos.

Estamos trabalhando para aumentar nossa produção. Mas por enquanto, não conseguimos produzir mais.

E por aí seguia a lista, bem grande, por sinal. Um dos itens, interessante, por sinal, dizia que o chef estava sempre presente e que recebia pessoalmente os clientes às 8h.

De volta ao Brasil, ficou aquela enorme vontade de provar o Cronut, Mas ficaram também admiração, dúvidas e uma grande lição.

A dúvida que ficou é quanto a quantidade produzida diariamente. Será que ele não produz mais Cronuts, mesmo que em uma cozinha externa, por ser extremamente centralizador e cuidadoso, e teria medo de que sua “obra de arte” (ele já foi comparado ao Van Gogh pela Food & Wine) sofresse variações com a produção em maior escala, ou seria essa uma grande estratégia de marketing, para criar um enorme desejo nas pessoas e ganhar páginas e páginas de mídia espontânea?

E a lição, pelo menos pra nós, é a de que qualquer negócio pode criar o seu próprio Cronut. Usar os mesmo ingredientes para fazer algo novo, que crie o desejo e admiração das pessoas. É a ideia de que que sempre é possível inovar. Basta pesquisa, criatividade, e muito, muito trabalho. Não seria bom, em tempos de crise, ter fila na sua porta às 6h da manhã?

Para saber mais sobre o Dominique e sua criação, visite http://dominiqueansel.com ou https://vimeo.com/92209637

 

Faça três cenários: realista, otimista e pessimista. E fique sempre com o último!

3 de junho de 2014

Bruno e Juliano escrevem toda quinta-feira

Este é o terceiro post de uma série de seis perguntas que fazemos antes de empreender. Já falamos aqui no Blog do Empreendedor sobre a importância de ser pioneiro e também sobre como criar novas categorias de produtos e mercados

Um dos principais fatores de quebra de empresas brasileiras nos dois primeiros anos de atividade, segundo diversos estudos do SEBRAE, é a falta de um bom planejamento financeiro. É um erro muito comum entre novos empreendedores: esperar que o dinheiro apareça assim que o seu negócio começa a funcionar, e que ele será suficiente para pagar todas as despesas e investimentos do empreendimento já nos primeiros meses.

Para a maioria dos novos negócios, é preciso fazer um investimento inicial em equipamentos, reformas, mobiliário, estoques, etc. Às vezes, é preciso pagar funcionários meses antes de o negócio abrir. E aí você inaugura seu negócio e as pessoas pagam com cartão de crédito – no Brasil, só se recebe esse dinheiro 31 dias depois. Ou você vende seu produto para supermercados que pedem até 45 dias para lhe pagar. Se o empreendedor gastou tudo que tinha só para poder abrir as portas, como pretende pagar as contas e seus funcionários até esse dinheiro realmente entrar no “bolso” da empresa?

Por isso, prever quanto dinheiro você precisará ter em caixa para segurar os primeiros meses (ou até anos) de contas fechando no vermelho é essencial. E para saber quanto é suficiente e o tamanho do risco envolvido, costumamos projetar as entradas e saídas de dinheiro e calcular em quanto tempo o empreendimento deve equilibrá-las.

Fluxo de Caixa
Seguimos uma lição importantíssima que tiramos de um curso que fizemos na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. De um lugar onde qualquer um esperaria métodos sofisticados, a lição foi bem diferente: simplifique! !

Aprendemos que, em vez de fazer previsões de vendas segmentadas por região, tipo de produto, ano (“quantas unidade de queijo brie, na embalagem de 1kg, no canal supermercados, vamos vender em Ribeirão Preto até 2016?”), que na verdade não passam de chutes com maior chance de erro que de acerto, é melhor fazer uma simples previsão de fluxo de caixa, com apenas três elementos:

Investimento: Quanto vamos gastar para começar o negócio, além de eventuais melhorias nos primeiros meses;
Custo mensal de operação: Quanto vamos gastar na operação mensalmente
Faturamento: Qual a previsão de entrada, mês a mês.

Isso vai gerar um gráfico mais ou menos assim:

Três Cenários
Fazemos sempre uma projeção realista, otimista e pessimista. E o que importa mesmo é a última: o negócio deve ser no mínimo viável, no cenário mais pessimista possível. Se não for, talvez seja melhor não se arriscar na ideia.

Quando decidimos criar o The Basement, nosso gastropub emBlumenau, acertamos na previsão de que durante seis meses operaríamos com mais despesas que receitas. E antevimos que janeiro seria um mês fraco, quando muitos moradores da cidade vão para o litoral. O fluxo de caixa ficaria positivo depois de fevereiro, melhorando a cada mês.

O gráfico vai variar bastante conforme o tipo de negócio, é claro. Um bar ou restaurante novo costuma atrair muitos clientes logo de cara, interessados pela novidade. Depois, naturalmente perde parte desses clientes. Uma fábrica de laticínios como a que gerimos agora, a Laticínios Pomerode, por outro lado, conquista clientes pouco a pouco, ao longo do tempo. Essas condicionantes devem ser imaginadas na hora de prever o fluxo de caixa de um novo negócio.

Bruno e Juliano fundaram a premiada Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e trabalham na criação de uma marca de queijos bem especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.