Blog


Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
Twitter Facebook Orkut
Aumentar texto Diminuir texto

Realize! A vida é muito curta para “apenas sonhar”

18 de janeiro de 2016

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Escreve às segundas no Blog do Empreendedor. Para acessar outros conteúdos, curta aqui.

Ano novo, promessas feitas, votos definidos. Desejos para o período que se inicia. As listas de resoluções de novo ano sempre são recheadas de vontades: emagrecer, viajar, trabalhar menos, fazer exercícios, renovar ou encontrar uma grande paixão…  Nos negócios, os planos, na maioria das vezes, buscam crescimento, lucratividade, inovação, melhoria na qualidade, expansão… Sonhar, ter ambição, desejar aquilo que parece impossível ou difícil de ser realizado é ingrediente fundamental de uma empresa de sucesso.

Tenho na memória uma história que ilustra bem a importância de fomentar o desejo por conquistas (já pesquisei na Internet a referência e não encontrei, se alguém souber e puder enviar agradeço). Li num artigo, já faz mais de 20 anos, sobre uma pesquisa feita com crianças americanas que, periodicamente, respondiam a famosa pergunta: o que você vai querer ser quando crescer? Ao longo do tempo, as crianças iam mudando seus desejos: atleta, músico, artista, astronauta, professor, médico, motorista … E a pesquisa acompanhou as crianças durante a adolescência até a idade adulta. O resultado mostrou que, dentro do grupo estudado, daqueles que desejaram ser astronautas, nenhum de fato conseguiu alcançar essa posição – mas dois conseguiram ser pilotos de avião comercial. Já das crianças que diziam querer ser motoristas de caminhão ou de táxi, nenhum virou astronauta nem mesmo piloto de avião. Ou seja: quem almeja algo mais desafiador, pode até não atingir seus objetivos, mas se aproxima dele.  E não estou valorizando ou desmerecendo nenhuma profissão. A questão aqui é lembrar que quem determina nossos limites somos nós mesmo, pois tudo acontece primeiro na mente antes de virar realidade. Se você imagina sua empresa sempre pequena, vendendo para vizinhos e conhecidos e faturando “para pagar as contas”, ela nunca será um grande negócio.  Ou, como diria o poeta e músico André Abujamra, “o mundo dentro da gente é maior do que o mundo fora da gente”.

Vencida a importante etapa de definir objetivos (“sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho” ensina Jorge Paulo Lemman) vem a parte mais difícil: executar, realizar. Pois quando as ideias se tornam realidade, existe uma série de dificuldades aparecem e elas precisam ser superadas. Tudo pode ser desculpa para que seu sonho não aconteça. Ainda porque as variáveis são inúmeras -  e a grande maioria delas incontroláveis pois dependem de fatores externos (outras pessoas, clima, aspectos sociais, econômicos, …) que independem de sua vontade. Por isso deixo aqui algumas dicas para que você tenha coragem e determinação para realizar em 2016 (lembre-se jacaré parado vira bolsa):

- Não tenha medo de errar – Lembre-se Thomas Edison antes de “inventar” a lâmpada experimentou centenas de materiais em mais de um ano de testes diários com centenas de diferentes materiais (fios metálicos, tecidos, carvão, líquidos combustíveis, …) até encontrar o filamento que deu origem a lâmpada incandescente.  Portanto, não tenha medo se seus primeiros testes não sejam de pleno sucesso: errar faz parte do processo.

- Tenha objetivos estimulantes – É preciso que você tenha motivação suficiente para que você tenha energia e garra para fazer acontecer. Se sua vontade for trocar seis por meia dúzia, do tipo “tanto faz” ou “nice to have”, você facilmente encontrará justificativas para desistir.

A ilustração de @fakegrimlock para “The Lean Entrepreneur” mostra que correr em busca de uma boa recompensa pode ser mais eficiente do que dispersar esforços.

- Defina metas alcançáveis – Se seu objetivo for “fazer um MBA na Espanha” talvez uma meta interessante seja “concluir nível X do curso de espanhol”.  Meta é algo mensurável, deve ser quantificada e ter prazo para acontecer.

- Prototipe – Construir a primeira versão de um produto ou serviço ajuda mais que ficar apenas planejando. Portanto, defina um primeiro escopo e dedique-se a finalizar. Rode o PDCA.

- Persevere – Perseverar não é sinônimo de insistir. Nos negócios, quando se diz “seja perseverante”, o que se quer é que o empreendedor não desista de seus objetivos, mesmo que tenha que mudar sua estratégia para alcançar o que quer. Perseverar não é ser teimoso, mas sim ser flexível e usar da criatividade com determinação e sem desanimar –  para encontrar maneiras de obter os resultados que deseja.

Finalizo com um provérbio árabe para sua reflexão e estímulo para um 2016 de muitas realizações:

Pensar bem é ser sábio.

Planejar bem é ser mais sábio.

Executar bem é ser o mais sábio.

Abraços e um ótimo ano para nós!

Artesã acha que poderia ter sido mais profissional e planeja lançar peças baseadas no caso

23 de novembro de 2015

Diálogo sobre encomenda das lembrancinhas alcançou grande repercussão na semana passada a partir de post publicado no Estadão PME

A mensagem chegou para mim na quinta-feira, dia 19 de novembro. ‘Marcelo, meu nome é Erica Brito, uma pessoa me falou da matéria no Blog do Empreendedor (caso você não tenha lido, entenda o caso aqui). O fato aconteceu comigo não com a moça chamada Tatiana. Creio que ela apenas compartilhou ou repostou, pois a minha postagem original foi em um grupo de feltro que participo e foi excluída pois alguém denunciou. Mas várias pessoas salvaram as imagens e repostaram. Qualquer dúvida estou à disposição’.

Meu primeiro pensamento foi: ‘Graças a Deus, e a meu professor Euclides Torres, eu iniciei o texto deixando claro que não tinha evidências que o fato tinha acontecido com a Tatiana’. Euclides foi meu professor de reportagem na UFSM e me ensinou que sempre que você não tiver a certeza sobre a autoria de algo, deixe isso claro (conselho que continuo seguindo, principalmente nesse espaço).

Eu estava ainda digerindo a repercussão da história, com meu recorde de audiência com mais de 100 mil curtidas. O texto foi publicado no Facebook do Estadão e foi o tema mais comentado do dia. Durante a semana, várias pessoas me procuraram para falar do caso. Uma empresa me convidou para conversar com a equipe deles sobre inteligência emocional no atendimento ao cliente.  E agora a Tatiana era na verdade Erica. Precisava saber mais sobre isso. Liguei para ela e ela aceitou conversar.

Erica Sobreira Brito tem 23 anos. Nasceu em Canto do Buruti, Piauí, mas vive em Teresina. Chegou a iniciar o curso de Ciências da Natureza na UFPI, mas não se identificou com o curso. O artesanato sempre fez parte da vida, desde a infância até se tornar um hobby sério. Mas foi em 2013 que virou a atividade principal.  A jovem empreendedora piauiense já tinha vivido situações inusitadas no relacionamento com o cliente, mas nenhuma como essa.

“Não imaginei que teria essa repercussão toda, só fiz a postagem em um único grupo e ela foi excluída cerca de uma hora depois, mas muitas pessoas salvaram as fotos, postaram e muita gente compartilhou. Muitas artesãs se identificaram com a situação. Na área do artesanato, é comum a desvalorização, infelizmente. Muita gente discordou também da minha postura, creio que eu realmente poderia ter sido mais profissional e apenas recusado, mas erros acontecem, eu não estava num bom dia, não que isso justifique, mas eu acredito que nem sempre o cliente tem razão. Às vezes, perdemos a paciência diante de situações como essa, somos humanos, portanto, passíveis de erros. Gostei bastante do conteúdo do post e das dicas também, que serão muito úteis no futuro, quando me encontrar nessas situações” contou Erica.

Perguntei sobre os comentários (foram milhares), ela disse que leu alguns no blog e que achou interessante que “cada um vê o fato de um ângulo diferente, é sempre bom ver diferentes opiniões sobre um assunto. Aprendi que temos que manter o controle em situações assim, não é no grito que vou conseguir que meu trabalho seja valorizado”.

Na semana que passou, a artesã aproveitou a visibilidade e repercussão para dar mais alguns passos na qualificação do seu negócio. Se formalizou, agora é Empreendedora Individual, com CNPJ e todos os benefícios dessa situação. O Atelier ganhou um novo nome e página no Faceboook. “Talvez isso tenha um retorno positivo para mim, mais pessoas ficaram curiosas para conhecer meu trabalho. Estou criando três peças baseadas nessa situação” conta ela, que mandou uma foto já com uma boneca que pensa em criar inspirada no caso.

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Para saber mais, curta aqui.

Bem-vindo à era dos momentos

26 de outubro de 2015

Pequenas empresas têm agilidade e conhecimento dos micro-contextos dos clientes. Essas competências podem ser a grande diferença dos negócios no futuro

O futuro ainda não existe. Só se sabe que ele será diferente do presente. Mas como ele será, de fato, é algo ainda indefinido – pois será construído a partir das ações que tomamos todos os dias.  Essa é uma das reflexões que Daniel Egger vai apresentar na conferência RethinkBusiness, que acontece nos dias 5 e 6 de novembro no auditório da Fecomércio, em São Paulo. 38 anos, fundador da Foltigo, diretor da Crowd Envisioning, Egger é austríaco e está no Brasil desde 2003. “Vi muito potencial no país e gostei de aprender uma nova língua”.  Atua como professor na ESPM, Mauá e Insper e é designer de estratégias inovadoras para o futuro de negócios. Autor do livro “Geração de Valor Futuro – conectando a estratégia, inovação e o futuro” (Elsevier, 2015) atualmente prepara o segundo livro “#humanizing – um design, um design humano”. Nessa entrevista ele adianta algum dos temas que vai tratar neste evento, que reúne expoentes do ecossistema de inovação para repensar o futuro dos negócios.

Máquina de construir – o ano 2000 imaginado pelo francês Villemard em 1900

Menta – O que podemos esperar do futuro?

Daniel – O futuro depende de nós, da postura que assumimos. Essa pode ser ativa ou passiva. Ativa significa que buscamos entender as mudanças, como elas são interligadas e como nós, como individuo ou empresa, podemos ativamente participar ou até influenciá-la. Passivo, é quando sonhamos com o futuro, mas esperamos que outros o criem para nós. Explorar o futuro não é sobre prever, mas sim entender melhor as mudanças e preparar-se para as novas realidades.

Menta – Em tempos de tanta intolerância religiosa, política e até étnica, é possível ter uma visão positiva do futuro?

Daniel - Tem dois aspectos muito importantes sobre o futuro. O primeiro é que qualquer mudança representa sempre uma oportunidade. O segundo é que o futuro é neutro. Ou seja, não podemos julgá-lo com nossos vícios, mas precisamos entender as lógicas que surgem e como podemos fazer parte dessas novas realidades. Após identificados, podemos concordar ou não – e assumir influenciar da forma como entendemos como positivo ou negativo. Mas precisamos lembrar que o que nós podemos imaginar como positivo, outras pessoas não compartilham da mesma visão.

Menta – O que é a nova economia dos momentos?

Daniel - Creio fortemente num futuro centrado no humano – mas também com um desenvolvimento progressivo da tecnologia. Precisamos olhar quais são os hábitos, valores e crenças das pessoas – e o que gera valor para elas. A economia dos momentos representa essa importância. Com a mobilidade e a conectividade nós estamos utilizando produtos, serviços ou interagimos com as marcas em qualquer lugar. O Google, focando na interação com o celular, chama isso de “micro-momentos”.  Cento e cinquenta vezes, em média, interagimos com o celular por dia. Podemos acessá-lo do nosso dormitório, carro, escritório ou no banheiro. Cada acesso representa um momento, uma necessidade especifica. A economia do momento representa essa importância de conhecer não somente o cliente, mas o contexto e por que ele acessa os produtos e serviços. Sabendo disso podemos gerar novas soluções e experiências para nossos clientes.

Menta – Como as inovações tecnológicas vão impactar o futuro dos negócios?

Daniel - Vivemos cada vez mais numa sociedade tecnológica. Tecnologias como impressores de 3D, a internet das coisas ou os mundos virtuais vão transformar dramaticamente a nossa realidade. Mais especificamente, essas mudanças vão dar um novo poder aos indivíduos, ao momento. Quando a minha filha expressa sua criatividade desenhando uma borboleta, eu posso tirar uma foto e imprimir o objeto. Isso reforça o momento, cria uma felicidade e uma nova experiência criativa. Não precisamos mais ir para uma loja e procurar uma borboleta pré-criada, ela pode criar a dela. As impressoras 3D não somente vão mudar nosso hábito de consumo, mas também competências estratégicas das empresas. Com o progresso tecnológico, impressoras vão ganhar mais velocidade (hoje ainda são muito lentas) e trabalhar com mais complexidade. Isso vai impactar dramaticamente as competências de produção das empresas. Se hoje elas focam na eficiência em busca do menor estoque possível, utilizando impressoras 3D o princípio just-in-time ganha uma nova perspectiva. Caso as empresas precisem um insumo, elas podem comprar online, e imprimir. Com isso as empresas produtoras ganham uma nova agilidade e liberdade. Tem menos dependência do transporte dos bens, menos risco de perda, necessitam menos espaço de produção e menos custo do estoque. Teremos uma nova realidade mais eficiente e ao mesmo tempo uma customização maior para os clientes.

”Patins elétricos” faz parte da série Utopia, em que Villemard imaginou como seria o futuro

Menta – Qual o futuro você vê para as pequenas e médias empresas? Como elas poderão sobreviver, se destacar, em um cenário de competição crescente?

Daniel – As pequenas e médias empresas têm uma competência que as grandes muitas vezes não têm. Agilidade e conhecimento do micro-contexto dos clientes. Isso significa que teremos novas redes competitivas. As grandes empresas vão se aproveitar das pequenas e médias que vão customizar os produtos para os seus clientes. Mas também vamos ver pequenas e médias empresas se juntando em “redes competitivas” que tem uma estrutura flexível para criar uma nova concorrência. Vem daí os “funcionários de aluguel”, quando as empresas mantêm um núcleo reduzido de pessoas e passam a trabalhar cada vez mais com microempresas, startups ou autônomos para gerar valor para projetos específicos. Isso pode parecer arriscado, mas não é. Essa nova realidade dá maior acesso aos talentos, agilidade e também reduz o custo fixo das organizações nas situações de incerteza.

Menta90 é o codinome na Internet de Marcelo Pimenta, jornalista e professor da pós-graduação da ESPM. Escreve sobre inovação e cultura startup toda segunda-feira no Blog do Empreendedor. Saiba mais curtindo www.facebook.com/menta90

Comprar do pequeno é um ato de cidadania

5 de outubro de 2015

Presidente do Sebrae acredita que o momento é para o empresário tomar uma atitude proativa e capacitar-se em vendas e finanças – temas essenciais para garantir a sustentabilidade do negócio em tempos de crise

Este dia 5 de outubro é especial para empreendedores dos pequenos negócios brasileiros. A partir deste ano, além de ser o dia oficial da Micro e Pequena Empresa, também passa a ser o marco do movimento Compre do Pequeno. “O ato de comprar dos pequenos negócios contribui para fortalecer os segmentos que mais geram empregos no país, resultando em ganhos para todos” acredita Luiz Barreto Filho, 53 anos, presidente do Sebrae desde fevereiro de 2011. “Muita gente acha que a melhora da economia depende mais de grandes empresas e não é bem assim. Nesse ano de ajustes, as micro e pequenas empresas têm papel fundamental na geração de emprego e na participação no PIB” justifica ele, ao explicar a razão do Sebrae ter lançado o movimento nesse momento que “tem sido de grandes desafios para a economia”. E ressalta que essa é uma ação sem prazo para acabar. “É a primeira vez que fazemos um movimento para a sociedade, para que as pessoas percebam que ao comprar do pequeno, elas estão melhorando a sua cidade, gerando empregos e ajudando a economia. ” Abaixo, os principais pontos da entrevista que ele respondeu por e-mail.

Marcelo Pimenta – Existiam metas para a campanha? Elas foram atendidas? Que números / resultados você pode compartilhar?

Luiz Barreto – Criamos o site www.compredopequeno.com.br, onde o internauta escolhe a que tipo de público pertence – consumidor, empresa ou parceiro. De acordo com a opção, terá acesso a diferentes tipos de conteúdo. Caso seja empresário, precisará fazer um cadastro que inclui dados básicos (nome, segmento, endereço) e, a partir disso, será gerado um geolocalizador – que vai permitir aos consumidores buscarem os pontos comerciais mais próximos, que participam do Movimento. Estão disponíveis para download as peças da campanha, para que o dono do pequeno negócio possa caracterizar sua empresa como participante do Movimento. Depois de cadastrado, o empreendedor também tem acesso aos cursos on line do Sebrae e à agenda de ações da instituição e parceiros. Nossa meta era alcançar, antes do dia 5 de outubro, 100 mil empresas cadastradas. Já estamos, até o momento, com quase 170 mil empresas que se cadastraram na página.

Entre 21 e 26 de setembro promovemos uma semana de capacitações, em todo o País, como parte das ações do Movimento. Foram realizadas ações gratuitas de capacitação para microempreendedores individuais (MEI), donos de micro e pequenas empresas, e pequenos produtores rurais. Além dos 700 pontos de atendimento do Sebrae, foram criados 411 pontos adicionais para ampliar o acesso dos pequenos negócios a orientações essenciais para o crescimento da empresa. Montamos uma agenda intensa de cursos, palestras e oficinas principalmente sobre vendas e finanças. Esses temas são importantes em qualquer época, mas em tempos de crise, são ainda mais essenciais para a sustentabilidade do negócio.

Luiz Barreto (com um pedaço de bolo na mão) participando ativamente da Ação do Movimento Compre do Pequeno Negócio na Cidade de Deus, sábado, 3/10, no Rio de Janeiro. Foto de Thelma Vidales.

Marcelo Pimenta –  Quais os planos de continuidade para esse movimento?

Luiz Barreto – Todo Movimento só é legitimado quando ganha apoio da sociedade. É isso o que estamos buscando, de forma contínua. Contamos com a adesão de várias instituições para envolver toda a sociedade nessa ação: associações comerciais, associações de bares e restaurantes, de franquias, de salões de beleza, cooperativas e outras. Nossa expectativa é que, a partir de agora, comprar dos pequenos negócios seja percebido também como um ato de cidadania.

Marcelo Pimenta – Que histórias você pode compartilhar conosco?

Luiz Barreto – O Movimento tem sido fortalecido por muitas parcerias para estimular as vendas e valorizar os produtos e serviços oferecidos pelas micro e pequenas empresas. O Buscapé, líder global em comparação de preços, lançou em parceria com o Sebrae um shopping virtual formado exclusivamente por pequenos lojistas. Ao acessar o endereço eletrônico do novo comparador virtual - http://compredopequeno.buscape.com.br – o consumidor pode buscar por preços e produtos em mais de cinco mil e-commerces de pequeno porte. O shopping virtual é um facilitador para o consumidor que já compra dos pequenos negócios ou que aderiu ao Movimento Compre do Pequeno. em prol da retomada da economia.

Outro exemplo é a parceria com a Cielo. Os empreendedores que aderirem ao Movimento terão, por exemplo, benefícios no uso da máquina de débito e crédito da Cielo. Essa parceria foi formalizada em setembro e uma das maiores vantagens será a isenção do aluguel da máquina por 90 dias. A aceitação do cartão como meio de pagamento garante facilidade e conveniência para os consumidores com a utilização das máquinas de débito e crédito, além de maior segurança ao lojista, que tem a garantia de que receberá o valor pela compra de seus produtos e serviços.

Marcelo Pimenta – Qual sua mensagem nesse dia 5 de outubro?

Luiz Barreto – É evidente que o cenário econômico está mais difícil, com redução do consumo. Mas aqui no Sebrae reforçamos que o momento é de cautela, mas não de paralisação. Por isso acreditamos que o momento é de assumir uma postura proativa, identificar novos nichos, agregar valor ao produto ou ao serviço que é oferecido pelos pequenos negócios e, claro, investir no relacionamento com clientes, tendo em vista a proximidade das pequenas empresas com os consumidores. O dono de pequeno negócio precisa investir no atendimento, na gestão eficiente. É fundamental ter qualidade, cumprir prazos, oferecer meios confiáveis de pagamento.

Por outro lado, tem o apoio mais do que necessário da sociedade para fortalecer o segmento que mais gera emprego no País. Muitas pessoas já compram de micro e pequenas empresas, mas não se dão conta. Os pequenos negócios já fazem parte da rotina dos consumidores. O que queremos com o Movimento é que as pessoas comprem do pequeno de forma consciente, que elas entendam a importância desse ato para fomentar a economia de seu bairro e de sua cidade e que valorizem esses empreendedores que contribuem para a melhoria da sua qualidade de vida com produtos e serviços.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da ESPM e fundador do Laboratorium. Saiba mais curtindo sua página em www.facebook.com/menta90

Desafio de ideias transforma pesquisa aplicada em negócios

28 de setembro de 2015

Fishgets, de Cuiabá, é exemplo do potencial dos Institutos Federais como celeiro do empreendedorismo inovador

Talvez muitos não saibam que 40 mil toneladas de alimentos são desperdiçadas diariamente no Brasil -  o que seria capaz de alimentar 19 milhões de pessoas. Os dados são de 2014 e foram divulgados pela Embrapa.  Ao mesmo tempo, a busca por uma alimentação saudável e sustentável tem aumentado o consumo de pescado no país. O consumo de peixe, apesar de nutritivo, saudável e saboroso, gera muitos resíduos que, na maioria das vezes, são descartados, causando custo e impacto ambiental.

Pensando numa forma de mudar essa realidade, as professoras Daniela Fernanda Cavenaghi e Luzilene Aparecida Cassol e o professor Wander Miguel de Barros, do Instituto Federal do Mato Grosso (IFMT), desenvolveram uma tecnologia que reutiliza o material que era descartado para transformá-los em alimentos. “A biodigestão transforma esse resíduo em polpa de peixe, isenta de espinhos e micro-organismos” explica Wander. “Essa matéria-prima pode ser utilizada para a fabricação de uma infinidade de produtos”. O primeiro desses produtos se prepara para ganhar o mercado – é o Fishgets, um nugget feito dos resíduos de peixe. “Tem o mesmo sabor e valor nutritivo que a carne do peixe” afirma Daniela. “Agora estamos trabalhando para produzir a sopa de caneca e o pirão instantâneo”. A equipe expôs seu produto no Startup Center, espaço dedicado à inovação na Feira do Empreendedor de Cuiabá, que encerrou sábado.

Alunos e professores do IFMT expõem os resultados da pesquisa tecnológica na Feira do Empreendedor do Mato Grosso

Dar visibilidade a iniciativas como essa, que resolvem problemas reais, transformando pesquisa aplicada em oportunidades de negócios é o objetivo do Desafio de Ideias, concurso promovido pelos Institutos Federais para apoiar o empreendedorismo inovador no ambiente acadêmico. No ano passado, a equipe ganhou Menção Honrosa na competição. “É uma oportunidade para que os jovens entendam que aquilo que eles pesquisam em sala de aula pode virar um negócio” explica Pedro Plese, Pró-reitor de Pesquisa, Inovação e Pós-graduação do Instituto Federal do Acre (IFAC), responsável pela organização do X Congresso Norte e Nordeste de Pesquisa e Inovação (CONNEPI) da rede de Institutos Federais, que esse ano acontece em Rio Branco, de 30 de novembro a 3 dezembro. Qualquer aluno de Instituto Federal, seja de ensino médio, superior ou pós-graduação pode se inscrever gratuitamente pelo pelo site http://connepi.ifac.edu.br/.

Para entender o potencial dos Institutos Federais na formação de empreendedores no Brasil basta olhar os números. Apenas no Acre existem seis campus (Rio Branco, Baixada do Sol, Sena Madureira, Cruzeiro do Sul, Xapuri e Tarauacá) que, juntos, atendem 3.250 alunos matriculados. O número de estudantes na Rede Federal em todo Brasil chega a 743 mil alunos em cursos de qualificação, técnicos, superiores de tecnologia, licenciaturas e programas de pós-graduação lato e stricto sensu em 562 unidades espalhadas por todo o Brasil. “O Connepi e o Desafio de Ideias despertam os jovens para a importância da Ciência e da Tecnologia e mostram como eles podem ser inseridos neste contexto” acredita Rosana Cavalcante dos Santos, reitora do IFAC.  “Para o empreendedor não existem apenas problemas, existem problemas com soluções. Ser empreendedor é criar ambientes mentais criativos, transformando sonhos em riqueza e o Desafio de Ideias é um laboratório de negócios para os estudantes da rede federal”.

Nuggets feitos a partir dos resíduos do Tambacu estão prontos para ganhar a mesa dos consumidores

“O Desafio de Ideias nos ampliou a visão, deixando de pensar apenas como pesquisador mas também empreendedor” acredita a professora Daniela. “Para nossos alunos, é uma oportunidade de ampliar a formação e fomentar o empreendedorismo”. Essa é também a opinião do professor Wander -  “Foi uma experiência única, inovadora, fez com que analisássemos as perspectivas da ideia, hipótese, até concretizar de fato o empreendimento”. Ele acredita que, para os alunos, é a chance de aprender a organizar e testar as ideias no mercado. ”Uma coisa são sonhos, planos, outra situação é a realidade, o mercado de trabalho, mão de obra, fornecedores, e o consumidor, então para empreender um novo produto esse tipo de evento é fundamental”.

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista e escreve às segundas-feiras no Blog do Empreendedor. Saiba mais em www.facebook.com/menta90.

Um modelo de gestão e liderança para implantar a cultura de resultados

21 de setembro de 2015

João de Lima lança livro onde compartilha conhecimento acumulado em 40 anos de carreira

Por volta de 1995, eu morava em Porto Alegre, envolvido em várias atividades. Era jornalista e estudava MBA em Marketing na ESPM. Estava iniciando minha carreira de professor no Curso de Comunicação da Ulbra; na Federação dos Bancários, junto com o André Boger (que virou meu sócio na Conectt), estávamos criando a rede BancNet, que usava Alternex e Renpac para troca de arquivos via Internet (disponível ainda para uso não-comercial). Eu ainda atuava como free lancer na produção e direção de vídeos na CAMP. E foi o Guaracy Cunha que me convidou:

- O Jorge Gerdau quer gravar alguns vídeos com um tema novo de gestão para capacitar os funcionários. Eles querem um jovem diretor, que saiba o que precisa ser feito, mas que que não fique mandando nele, pois ele sabe o que quer dizer.

Eu tinha 24 anos. Era telejornalista formado pelo programa “Caras Novas”, da RBSTV. Cumpria os requisitos. Aceitei o trabalho.

No processo preparatório às gravações conheci João de Lima, então Diretor de RH Corporativo da Gerdau. Foi com ele que, pela primeira vez, tive a oportunidade de ver por dentro uma grande empresa. Depois desse primeiro vídeo, fizemos outros, quando aprendi um pouco de processo produtivo – conheci um alto-forno e como eram feitos os principais produtos da Gerdau, a histórica fábrica de pregos, os vergalhões, as cercas até os aços especiais – e também sobre os desafios para implementar e monitorar um processo de gestão pela qualidade numa empresa brasileira – com padrões, processos e indicadores de classe mundial.

Vinte anos depois nos reencontramos. Recebo um convite para o lançamento de seu livro pela Editora Gente – Gestão e Cultura de Resultados – com a proposta de compartilhar conhecimentos adquiridos em 40 anos de profissão tendo sido Vice-Presidente da Gerdau e Diretor Global da Magnesita Refratários. O lançamento será na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, nessa quarta-feira, dia 23 de setembro, às 19h. Eu não poderei prestigiar pois estarei palestrando na Feira do Empreendedor do Mato Grosso, mas fica o convite.

O livro – uma provocação feita às vésperas de um passeio à Ilha de Páscoa -  mescla conhecimento acumulado nas experiências profissionais, citações e depoimentos recolhidos de conversas com executivos com quem Lima teve a oportunidade de conviver – e ouvir especialmente para a produção do livro. Também propõe um Modelo de Gestão e Liderança para Construir a Cultura de Resultados descrito em um triângulo que serve de roteiro para transmitir tudo que aprendeu.

Desejei saber mais sobre o propósito do livro, seus propósitos e diferenciais – e Lima gentilmente respondeu minhas perguntas por email:

Menta – Mais um livro de administração?

João de Lima – Não tive a pretensão acadêmica de escrever um livro de administração ou de gestão. É um livro que pretende indicar os caminhos para construir a tão desejada Cultura de Resultados. Foi escrito de maneira simples, tratando de temas complexos, recheado de minha experiência de 40 anos, somada às histórias contadas por quatro grandes empresários: Ronaldo Iabrudi – CEO do Grupo Pão de Açucar, Fersen Lambranho – Chairman do GP Investments, Jorge Gerdau – Chaiman do Conselho Consultivo da Gerdau, André Johannpeter – CEO da Gerdau e Otto Levy – Vice-Presidente de Operações da Magnesita. Vida real!.

Menta – O que ainda não foi escrito e ensinado?

João de Lima – O livro pretende ser inovador no conteúdo e na forma. No conteúdo na definição dos elementos da Cultura de Resultados (Estratégia de Negócio, Sistema de Gestão, Gestão de Pessoas e Liderança), colocados numa única figura, o triângulo fractal, funcionando harmonicamente, como vetores interdependentes, ganhando uma nova significação. Além disso, propõe a retomada do protagonismo das pessoas como os atores principais do processo, com mais autonomia e autocontrole, reinventando e repactuando as relações entre as partes.

Menta – Qual foi sua maior motivação ao escrevê-lo?

João de Lima – Foram três minhas motivações para escrevê-lo. A primeira, o desafio de Jorge Gerdau para que eu deixasse o  legado de minha experiência. A segunda, foi o desejo de corrigir a percepção simplista sobre a Cultura de Resultados do GP Investments, que é a mesma da Ambev/Inbev da 3G Capital, focando no Sistema de Gestão e na Meritocracia. A terceira, retomar a relevância do papel das Pessoas como principais responsáveis pelos resultados, muito além da meritocracia. A Meritocracia e o Sistema de Gestão não obtêm os resultados, as pessoas  é que os tornam possíveis!

Menta – A pequena empresa pode ter gestão e cultura de resultados?

João de Lima – Sem dúvida, pode e, mais do que isso, deve! Penso que os conceitos propostos, a partir da definição da estratégia são absolutamente aplicáveis às pequenas empresas. Mais do que isso, o modelo ensina como começar bem uma empresa, em qualquer segmento, em qualquer dimensão. Ensina como começar com o passo certo, desde o início da jornada!

Menta – Você tem acompanhado a cena de startups?

João de Lima -  Tenho acompanhado com muito interesse. Vejo como o caminho necessário para os novos tempos  tão líquidos e tão mutáveis e transformantes. É o meio de repensar e reconstruir o modelo de fazer negócio  para o novo mundo que já chegou.

Menta – Como vê o diálogo desse  ”novo jeito de empreender” – modelo de negócios, customer development, crowdfunding, lean startup, design thinking, … – com a cultura de gestão pela qualidade e outras abordagens mais “tradicionais” da gestão empresarial?

João de Lima – “Se você quer mudar o horizonte, há que se descobrir uma nova direção”.  Este é um verso de um poema meu, chamado “Caminho”, com o qual encerro meu livro. Tudo deve ser repensado, reconstruído, repactuado, a começar pelo próprio Modelo de Gestão. Falo com relação ao jeito de fazer os negócios, a relação com o Estado, Negócio com Negócio, Negócio com o Cliente, a Cadeia produtiva, a cadeia de fornecedores. Tem que se repensar a Cultura do Negócio. O mundo tem que ser reconstruído e rapidamente, senão ele se liquidifica e some; É momento de inovar e de se reinventar e de se transformar. Esta é a proposta de meu livro, a começar da Missão da empresa, com relação a si e aos colaboradores, dando-lhes um propósito real, significativo e gratificante para suas vidas. Fazer um turnaround, “virar o jogo” esta é a palavra de ordem!

Menta – O que esse livro representa na sua vida?

João de Lima – O livro me significa uma retomada de rumo, uma nova direção, um novo propósito de vida.  No Budismo, no nono septenário, a principal função do ser humano é passar a experiência para os demais. Transformar a vida das pessoas, através do livro e através de palestras, é meu novo propósito de viver.

Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista e escreve às segundas-feiras no Blog do Empreendedor. Saiba mais em www.facebook.com/menta90.

Comprar do pequeno é um grande negócio

31 de agosto de 2015

Marcelo Pimenta (menta90) é um entusiasta da inovação nos pequenos negócios, professor da ESPM e criador do Laboratorium.

Uma das iniciativas mais legais que o Sebrae já fez é esse movimento #compredopequeno.

Entendo que não é apenas uma campanha publicitária, mas uma mensagem transformadora: comprar do negócio local é o caminho do desenvolvimento sustentável. Os números comprovam isso:

O fortalecimento do pequeno negócio é importante não só sob ponto de vista econômico, mas principalmente por questões sociais, ambientais, políticas e de qualidade de vida – e escolhi alguns tópicos para destacar:

Prosperidade compartilhada. Talvez seja a mais importante de todos. O dinheiro que se gasta onde se vive gera resultados que são visíveis a olho nu. Movimenta todo o ecossistema local, gerando uma espiral positiva de prosperidade, permitindo que todos cresçam juntos.

Geração de empregos. O desenvolvimento local gera mais oportunidades.

Impostos municipais e estaduais fortalecem o poder público. Assim os governos têm mais recursos para investir na melhoria da infraestrutura.

Bem-estar da comunidade. Problemas de segurança, saúde e educação são melhor resolvidos com o empenho de todos na comunidade. Se o comércio local for forte e engajado, tudo fica mais fácil.

Incentivo às vocações regionais. As melhores cidades para se viver têm uma vocação que identifica o potencial econômico da cidade – seja para o turismo (como Gramado, Ouro Preto, Bonito) ou para negócios (como Goiânia com o comércio de roupas, Caxias do Sul com o vinho ou Santa Catarina com a indústria têxtil). Um diferencial sólido só é possível de ser construído a partir do empenho e do comprometimento dos pequenos negócios. Eles criam um fluxo de troca que fortalece a cadeia produtiva e tudo passa a funcionar em sintonia.

Incentivo à inovação e ao empreendedorismo. Uma comunidade econômica forte é o habitat ideal para o surgimento de novos empreendedores. E também para a inovação dos negócios. O livro “Nação Empreendedora – o Milagre Econômico de Israel e o que ele nos ensina” mostra como um território menor que Sergipe consegue ter o maior número de empresas de tecnologia (fora dos EUA) na bolsa Nasdaq.

Sustentabilidade. Comprar e trabalhar perto de onde se vive aumenta o conforto e evita a necessidade de transporte (seja privado ou público), permitindo cidades mais limpas, com menos poluição e menos tempo e energia desperdiçados em congestionamentos. Além disso, uma comunidade forte e engajada é preocupada com o melhor uso aproveitamento seus recursos energéticos e naturais e com seus dejetos.

E para que não fiquem dúvidas: comprar das grandes redes pode sim trazer prejuízos econômicos e sociais para as comunidades.  O site americano http://ilsr.org/ aponta que, nos EUA, enquanto os pequenos negócios empregam até 57 pessoas para cada US$ 10 milhões de vendas,  a Amazon vende esse mesmo montante empregando 14 pessoas. Ou seja, a Amazon destrói mais empregos do que cria.  No Netflix, está disponível o filme “O alto custo do preço baixo”, que revela o impacto da chegada do Walmart nas pequenas cidades do interior dos Estados Unidos: fechamento dos pequenos negócios, desemprego e caos imobiliário – já que as principais ruas do comércio começam a ficar desertas. O mesmo vídeo releva que muitas vezes o poder público apóia a “instalação” desses grandes grupos assumindo obras de infraestrutura (vias de acesso, água, energia, …) e ainda oferecendo isenção de impostos. O resultado aparece mais tarde…

A decisão está nas suas mãos. Tenha certeza, comprar do pequeno é sempre um grande negócio. Parabéns a toda equipe do Sebrae que lidera a iniciativa. Pequenos negócios e entidades podem aderir ao movimento através do Site  http://www.compredopequeno.com.br/ , inclusive criando peças promocionais personalizadas para enfeitar a loja e/ou o website. #compredopequeno

“As empresas precisam sair de seus silos, abrir a janela e ter novos olhares”

24 de agosto de 2015

A designer Clarissa Biolchini, desde o início do ano, tem um novo desafio: dar vida à Laje, um misto de escola e laboratório criado para estimular a inovação em produtos, serviços e modelos de negócios para empresas e profissionais.  Com um currículo com mais de 20 anos de experiência (sendo dez na Europa e na Ásia), professora do curso de graduação em Design na PUC-Rio e do curso de Pós-Graduação em Marketing na FGV, Clarissa também é a responsável pelo prefácio da edição brasileira do livro “Isto é Design Thinking de Serviços”, considerada a mais importante publicação no mundo sobre o assunto.

Em abril deste ano ela esteve em Amsterdam fazendo o curso “This is Service Design Doing” e criou coragem para trazer ao Brasil o mesmo programa que já foi sucesso em Barcelona, Shanghai, Atlanta e Berlin. Ministrado por Marc Stickdorn, coautor do livro, e Adam Lawrence, cofundador do Global Service Jam, o workshop será oferecido em formato de três dias, de 24 a 26 de setembro na Laje (mais informações e inscrições aqui).  Nessa entrevista exclusiva, ela fala sobre o curso e sobre o momento do design nos negócios.

Clarissa: o design se torna cada mais importante no contexto em que as transformações são cada vez mais rápidas

Menta – O design vem ganhando cada vez mais espaço. A capa da Harvard Business Review de setembro é sobre Design Thinking. Qual o motivo disso, na sua opinião?

Clarissa – O Design Thinking hoje se tornou essencial para as empresas por alguns motivos: O fato de vivermos hoje em uma economia de redes está transformando drasticamente as dinâmicas de trabalho nas empresas e a vida das pessoas. Enquanto nos modelos econômicos anteriores, o planejamento estratégico baseado em pesquisas de mercado quantitativas dava conta do recado e, muitas vezes, era suficiente para as empresas direcionarem e manterem seus planos anuais de desenvolvimento e crescimento de seus negócios, hoje o cenário da economia de redes nos revela uma série de outros possíveis modelos de negócios, de utilização de recursos, e consequentemente de novas formas de relacionamento entre pessoas/clientes e empresas que, algumas vezes, “nos tira do chão”.  E  muitas empresas estão tendo que se reinventar por conta disso. Não que este fenômeno não acontecesse antes, afinal a tecnologia sempre evoluiu e nos impactou com mudanças, mas hoje a quantidade e a velocidade das transformações é muito maior.

Atualmente todos sabemos que muito facilmente uma empresa pode rapidamente perder mercado para startups que rapidamente crescem e se desenvolvem criando espaço em novos mercados, ou mesmo para substitutos, que oferecem novas formas do mesmo serviço com modelos de negócios distintos, ou em mídias distintas. O whatsapp está ai desafiando os serviços tradicionais de telefonia celular, assim como tantos outros exemplos similares, que como este, surgem a nossa volta todos os dias.  Além disso, hoje o consumidor ganhou voz – e se tornou muito mais exigente e empoderado para poder se manifestar perante as marcas  e produtos e desafiar o destinos da empresas. A economia colaborativa, antes inimaginável num cenário tradicional de mercado, nos apresenta, a cada dia, um despontar de novas ideias e negócios contando com a colaboração e inteligência  e recursos em rede, como é caso da AirBnb, os dos inúmeros aplicativos de trânsito, de streaming de música e tantos outros.

Assim, muitos modelos de negócios e as cadeias de valor de muitas indústrias estão caindo por terra, ou se transformando. Todas estas mudanças obrigam as empresas a saírem de seus silos, abrirem suas janelas e respirarem os novos ares, ouvirem seus clientes, observarem as pessoas, seus desejos, medos, comportamentos, entender a novas tecnologias, e os novos recursos existentes. Mas, a partir destas pesquisas é preciso, ser capaz de gerar novas soluções para seus problemas de negócios, criar novas ofertas, tangibilizá-las e por fim testá-las. Este é o processo poderoso do Design Thinking que reúne pensamento analítico ao pensamento criativo, permitindo com que as empresas estejam sempre aptas a inovar, testar novas ideias e soluções e obter respostas reais em cima de testes concretos, num processo 100% empírico.  O pensamento criativo leva a uma abordagem do problema de forma original e é a partir deste ponto de vista que novos caminhos são traçados.

Clarissa em ação: cocriação e diversão para construir experiências especiais, dinâmicas e produtivas

Menta – Qual o propósito da Laje? Atualmente as melhores escolas de negócios tem cursos de design thinking, estão surgindo escolas especializadas no assunto, existem eventos que disseminam as práticas e os conceitos, qual o espaço não ocupado vocês identificaram e decidiram ocupar?

Clarissa – A Laje acredita na criatividade para impulsionar a inovação de projetos, produtos, marcas e, principalmente, negócios.

Em primeiro lugar, atuamos em dois segmentos, B2C e B2B. Todos os nossos cursos são direcionados tanto para profissionais e estudantes interessados em inovar em seus projetos e carreiras, quanto para empresas (in company) e frequentemente customizados para atender demandas específicas das empresas. Nosso diferencial é que todas as atividades da Laje são baseadas em framework e metodologia aplicada, portanto em todos os cursos que oferecemos para o púbico aberto, há clientes e cases reais que estejam envolvidos em um projeto social ou sem fins lucrativos. Estes clientes-parceiros tem seus projetos beneficiados pelos trabalhos cocriados pelos alunos em sala de aula. Além disso oferecemos desafios criativos e consultorias de inovação para empresas com foco em criação ou melhoria de serviços e produtos.  Nossa ideia é sempre aliar o conteúdo a elementos que tornem as aulas mais especiais, dinâmicas e produtivas.

Estamos construindo um ecossistema de parcerias no qual estão incluídos projetos de impacto social ou ambiental como mencionado acima, além de parceiros de negócios e de conteúdo, sendo muitos destes parceiros de origem internacional, como é o caso do Curso This is Service Design Doing, e de outros workshops internacionais que traremos para o Brasil este ano ainda.

Menta – O curso que a Laje está trazendo para o Rio é o mesmo curso que você fez com os autores na Holanda? O que os alunos podem esperar dessa turma?

Clarissa – Sim, será exatamente o mesmo curso em versão pocket, pois tivemos que adaptá-lo a nossa realidade brasileira.

O Design Thinking de Serviços é uma metodologia que vem ganhando cada vez mais corpo. A partir dela, é possível pensar em soluções criativas para os mais diversos problemas, seja para um novo modelo de negócios ou para a criação de produtos ou serviços Segundo a teoria da lógica dominante de serviço (de Vargo & Lusch) , tudo é serviço.

Com Marc Stickdorn, coautor do livro “Isto é Design de Serviços”

Utilizando métodos e ferramentas que os designers usam para desenvolver soluções, o Design de Serviços é uma abordagem que auxilia as pessoas na inovação e melhoria em serviços e processos em qualquer empresa, portanto é útil para qualquer profissional que trabalhe com serviços, seja ele interno ou externo a empresa.

No curso os alunos podem espera r aprender todos os conceitos e ferramentas do Design de Serviços , além de muito aprendizado “mão na massa” e diversão, pois o curso tem um formato muito instigante e um clima lúdico do inicio ao fim, além de uma levada de dramatização, especialidade do Adam Lawrence, um dos instrutores do curso,  que além de designer de serviços é também ator.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor de inovação da ESPM e fundador do Laboratorium. Escreve às segundas no Blog do Empreendedor. Saiba mais em www.facebook.com/menta90

Growth hacking explicadinho

10 de agosto de 2015

Prática exige criatividade e inteligência no uso das ferramentas de marketing digital para acelerar conquista de clientes e crescimento do negócio

Dois homens estão acampados na floresta e notam que um leão se aproxima.

Um coloca os tênis rapidamente enquanto o outro pergunta:

- Por que colocar o tênis? Você acha que vai correr mais que o leão?

O um responde:

- Não preciso correr mais rápido do que o leão. Preciso correr mais que você.

***

Essa história busca ilustrar que, muitas vezes, para sobreviver não é preciso enfrentar o leão, mas ser mais rápido que o  concorrente. No mundo das startups, esse desafio tomou contornos próprios. Na maioria das vezes é preciso adotar estratégias criativas para crescer rápido. Num mundo cada vez mais conectado, copiar modelos de negócio se tornou uma prática comum para todos que lançam uma novidade. Já foi assim com as compras coletivas, com os aplicativos de táxi – e até no ramo de alimentos isso acontece, como nos mostram os exemplos das paleterias mexicanas e dos brigadeiros gourmets.

Para uma startup conseguir crescer rapidamente, na maioria das vezes com recursos financeiros limitados, é preciso criatividade e o uso adequado das ferramentas digitais para atração e conversão de clientes. Essa busca por alternativas de aquisição e manutenção de clientes de forma acelerada é o que vem se chamando de growth hacking. Numa tradução livre poderia ser “descobrir formas de crescer rápido”. Nesse caso, a expressão hacker está sendo usado na sua melhor interpretação, que é do indivíduo que é obstinado pelo conhecimento e pela busca por descobrir como fazer funcionar.

Alguns alunos perguntam:  Mas growth hacking não é um novo nome para marketing? Afinal não é função do marketing conquistar e reter seus clientes? A resposta é que o growth hacking pode sim compartilhar das tarefas que são do marketing – mas exclusivamente aquelas que dizem respeito a CRESCIMENTO. Ao profissional growth hacker, apenas uma métrica importa: conquistar mais clientes – gastando o mínimo possível. Mas ele não se limita a divulgação, se for preciso ele deve interferir no desenvolvimento do produto (pois como a startup ainda está buscando confirmar seu modelo, sempre é tempo de fazer ajustes para atender/superar as expectativas do cliente).

A caixa de ferramentas do growth hacker inclui muitos termos que são já familiares aos profissionais do mundo digital, mas um pouco distantes do não iniciados.

- SEO – Search Engine Optimization – São todas as ações que visam melhorar a visibilidade dos ambiente digitais na busca orgânica (não paga) do Google e de outros sistemas de busca.  Tem a ver com o formato do conteúdo publicado e a definição dos metadados  sobre as informações disponíveis na página.

- SEM – Search Engine Marketing – Tem a ver com o uso de todas as ferramentas pagas de anúncio digital, seja Google Adwords, Facebook Ads, links patrocinados, entre outros.

- Marketing viral -  ações e estratégias para que os próprios usuários compartilhem o conteúdo criado por você.

- Marketing automation – ações e ferramentas que buscam automatizar respostas em diferentes canais (site, sms, aplicativo, totem de autoatendimento) visando indicar ao cliente ofertas e condições especiais.

- Email marketing – bom uso do email para vender, anunciar novidades, promover engajamento.

- Content marketing – produção e remix de conteúdo de qualidade, no formato adequado para seu público, de forma a gerar interesse por sua marca, produto ou causa.

Ao conhecer mais do assunto, é possível perceber que não é preciso ser uma startup para aproveitar-se da caixa de ferramentas do “profissional do crescimento”. Qualquer negócio pode usar essas estratégias para vender mais. Da mesma maneira, também podemos constatar que para “vencer esse leão” não basta apenas calçar o tênis e correr (como fez o personagem da nossa história). É preciso muito conhecimento sobre as técnicas, coleta e interpretação de dados, muita curiosidade e criatividade, além de uma boa dose de ousadia para gerar diferenciais que garantam a taxa de crescimento do negócio precisa.

Para quem se interessar pelo assunto e quiser treinar o inglês, sugiro que acompanhe http://twitter.com/GrowthHackers onde sempre tem novidades, casos e ferramentas relacionadas ao tema.

Para saber mais sobre marketing, inovação e empreendedorismo acompanhe @menta90 no twitter e www.facebook.com/menta90. Marcelo Pimenta escreve às segundas-feiras no Blog do Empreendedor.

 

O impossível não existe

3 de agosto de 2015

 

Onze lições de Ricardo Nunes para você empreender com sucesso

Na semana passada, o e-commercebrasil realizou seu fórum anual. Com mais de 7 mil participantes, oito áreas de conteúdo e 90 expositores, mostrou porque é o maior evento do segmento na América Latina. A palestra de encerramento ficou por conta de Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Elétrico e líder da holding Máquina de Vendas, que reúne também as redes Insinuante, Eletro Shopping e City Lar, com 1.100 lojas, 30 mil funcionários e 10 bilhões de faturamento em 2015.

De forma simples e direta, ele contou a sua história e falou sobre sua caminhada empreendedora. Anotei algumas lições que, acredito, podem ser muito úteis e esclarecedoras para quem busca criar um grande negócio.

Ricardo Nunes iniciou com uma pequena loja que vendia ursos de pelúcia e se transformou numa holding com 1.100 lojas

1. O impossível não existe – Se eu comecei vendendo mexerica na porta da escola, lá em Divinópolis e consegui, você também pode conseguir. Determinação e vontade fazem acontecer. O impossível não existe!

2. Aprender sempre – Sempre fui meio burro. Mas um burro esforçado. Como sei que tem muita gente mais inteligente, sempre me dediquei mais do que os outros. Em cada conversa, cada oportunidade, eu tento aprender alguma coisa. Mesmo antes de ter loja de eletrodomésticos já frequentava feira do segmento em São Paulo para conhecer os produtos, os fabricantes. Foi numa conversa, lá em Belo Horizonte, que uma vez perguntei para um executivo experiente: “como você faz para distribuir produtos para mais de dez lojas? Está difícil receber mercadoria, emitir NF, tudo em cada loja”. A resposta foi: cria um centro de distribuição. Você reúne toda a mercadoria num só lugar e depois distribui os produtos conforme a necessidade de cada loja. Só com essa dica vi que tinha estoque suficiente para ampliar a rede para 33 lojas! Sucesso depende de busca continua por conhecimento.

3. Não tem nada fácil – É uma ilusão achar que o pequeno trabalha muito e o grande vive no iate, tomando champagne. O grande para continuar grande tem que seguir trabalhando a mesma coisa ou até mais. A diferença é o tamanho dos problemas. Quando se é grande,  enfrentam-se grandes problemas.

4. Seja humilde – 99% das pessoas fingem ser humildes. A maioria respeita a hierarquia. Mas isso não é ser humilde. Ser humilde é cumprimentar com a mesma educação a faxineira, o gerente e o diretor.

5. Ninguém dá nada para ninguém – A vida é uma troca. Sempre esteja disposto a dar muito e receber pouco.

6. Busque a simplicidade – A vida está cada vez mais complicada. O cliente já está cheio de problemas. Não busque complicar mais nada, simplifique tudo que conseguir.

7. Tenha jogo de cintura – Não vai faltar gente para atrapalhar seus planos, para dizer que não vai dar certo. Portanto, tenha jogo de cintura para enfrentar as dificuldades e encontrar soluções criativas.

8. Vender é servir – Não tem como ser varejista sem ir ao piso da loja. A vida não é no ar condicionado, na cobertura. É no piso. Vendedor tem que aprender com o vendedor de calçado que se agacha e ajuda o cliente a tirar o sapato, a experimentar vários modelos. Se você não quiser servir, não procure emprego de vendedor. Vá buscar outra profissão.

9. Ensine e capacite – Ninguém vai a lugar algum sozinho. Divida as informações com a equipe. Eu adoro minha equipe, no meu tempo de lazer prefiro ficar proseando com eles, tomando cerveja com eles. Você sozinho não vale nada.

10. Coragem de não embarcar na massa – Não adianta repetir o que todo mundo faz.  Fazer o que todo mundo faz não vai te levar a lugar nenhum.

11. Tem crise? Trabalhe o dobro – Com a chegada   da crise, os números começaram a piorar. Decidimos criar um Plano de Enfrentamento da Crise. Chamamos os empregados, os fornecedores e parceiros e dissemos – vem uma crise, vamos dividir ela em pedacinhos e cada um vai ficar com uma parte. O comercial tem que comprar e vender melhor, a faxineira tem que contar cada gota do detergente, o vendedor precisa ir no passeio buscar cliente para dentro da loja, o dono do jornal onde faço propaganda ficou com um pedacinho e nós estamos enfrentando a crise bem melhor que a concorrência.  Divida a crise entre todo mundo. Aceita o problema. Encara. Enfrenta. De frente! E daí você vai ter como vencê-lo.

Talvez as frases não sejam exatamente essas, mas creio que reproduzem a ideia central dessas 11 lições. Que ajudam a espantar o glamour empreendedor e comprovar que “a rapadura é doce mas é dura”.

Marcelo Pimenta (Menta90) escreve às segundas no blog do empreendedor. Para saber mais acesse www.facebook.com/menta90