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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Minha veneração aos que empreenderam o empreendedorismo no Brasil

31 de agosto de 2018

Ainda no século passado, minhas primeiras transparências sobre empreendedorismo explicavam o que era isso. Era preciso citar Richard Cantillon, Jean-Baptiste Say até chegar ao pai do empreendedorismo moderno, Joseph Schumpeter e seu conceito de destruição criativa e o papel da inovação na evolução de negócios e da sociedade. Curiosamente, o termo empreendedorismo só entrou em boa parte dos dicionários brasileiros depois. Em um dos livros de Peter Drucker, entrepreneurship foi traduzido como “empresarização”.

Mas décadas depois, se o empreendedorismo se tornou tema comum em muitas rodas de conversa entre os brasileiros, isto se deve a muitos pioneiros que ficaram falando sozinhos durante muito tempo, pregando o evangelho no meio de um deserto de interessados.

Quem viveu a década de 1980, sabe porque este período é chamado de Década Perdida. Crise do Petróleo, estagnação econômica e inflação crescente. Foi Cruzado, Cruzado 2, Bresser e Verão. Talvez uma das poucas boas lembranças desta época tenha sido a Seleção Brasileira de 1982, de Valdir Perez, Leandro, Oscar, Luizinho e Junior- que mesmo assim, também perdeu. É neste período que devemos agradecer o trabalho de três malucos que fincaram as primeiras bases do empreendedorismo como o conhecemos atualmente. Em 1980, o Professor Ronald Degen criou a primeira disciplina de criação de novos negócios na FGV. Naquele momento, a ideia não era ruim, era insana e assim permaneceu por mais de 14 anos até a chegada do Plano Real, quando empreender um negócio próprio começou a se tornar não apenas viável como também algo desejado entre os alunos. No ano seguinte, em 1981, Clovis Meurer, outro pioneiro mais maluco ainda, fundou a CRP, a mais antiga operação de venture capital do Brasil. Se atualmente os VCs são venerados, naquele momento quase nenhuma empresa nascente prosperava, mesmo que vendesse abajures cor de carne. Mas Meurer se tornou o grande e querido pai do capital de risco brasileiro.

E se agora estamos vivenciando a era das startups, é preciso dar os créditos iniciais ao Professor Sylvio Rosa. Em 1984, ele liderou a fundação do ParqTec em São Carlos, a primeira incubadora de negócios de base tecnológica do Brasil. Pela primeira vez, alunos, recém-formados, professores e pesquisadores poderiam transformar suas pesquisas e tecnologias em soluções para o mercado.

A “década” perdida não acaba e avança até 1994, quando o País ganha estabilidade econômica. No que restou da década 1990, outras bases foram construídas. Em 1996, o Professor Silvio Meira com outros colegas da Universidade Federal de Pernambuco fundam o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR). O CESAR é um dos melhores exemplos mundiais sobre como o empreendedorismo pode mudar uma região ao criar um polo de inovação como o Porto Digital em uma região degradada. O apoio ao empreendedorismo de alta tecnologia também ganha mais uma frente quando, em 1997, sob a liderança do Professor José Fernando Perez, a FAPESP lança o PIPE, o mais antigo e perene programa de capital semente do País. Na mesma época, outro professor, Fernando Dolabela começa a disseminar cursos de empreendedorismo em todo o País, culminando com o livro O Segredo de Luísa, um dos mais importantes best-sellers dos vinte últimos anos, lançado em 1999.

Na virada do século, três pioneiros começam a abrir novas frentes do empreendedorismo. Em 1999, Bob Wollheim assume a Starmedia no Brasil e desde então ele se reinventa a cada três ou quatro anos, empreendendo negócios e inovações diferentes. Um inquieto otimista criativo, Bob representa uma nova geração de empreendedores seriais que surgia no Brasil. Naquele mesmo momento, Marilia Rocca planejava algo que iria mudar definitivamente o jeito de empreender no País. Lançado em 2000, a Endeavor Brasil começou a transmutar empresários em empreendedores e empreendedores em exemplos a serem seguidos, replicados e multiplicados.

E termino a minha lista de pessoas que venero, não pela falta de exemplos, mas pelo tamanho do texto, com uma grande saudade do amigo Eduardo Bom Angelo. Mais do que presidente de grandes empresas, Bom Angelo foi um dos primeiros CEOs do País a incentivar o empreendedorismo e a inovação dentro das organizações. Seu livro, Empreendedor corporativo: a nova postura de quem faz a diferença, lançado em 2003, não é apenas atual, é cada vez mais imprescindível para o momento vivido atualmente pelas corporações.

E justamente agora que vemos tantos, mas tantos empreendedores de palco, é preciso também agradecer quem ajudou a construí-lo. Muito obrigado!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

 

Burger com sotaque italiano

20 de agosto de 2018

Esta é a história de Massimiliano Galise, o Max, italiano aventureiro que chegou ao Brasil em 2006, atrás do amor da vida, Luciana. Quando apareceu a oportunidade de empreender, decidiu realizar um antigo sonho familiar e, no começo do ano, abriu as portas do Galise Burger, no bairro Paraíso. Com estilo slow food, ele mesmo comanda a cozinha todos os dias, cuidando de cada detalhe, do compromisso “ultrafresh” e, claro, influência de sua família italiana nas receitas.

Aqui ele nos conta a sua jornada de vida e de empreendedor. “Os italianos são românticos e dramáticos ao mesmo tempo. Quero me despedir deste mundo cozinhando, como dizia aquela minha tia-avó napolitana que cozinhava tão bem e que tinha passado fome durante as duas grandes guerras. Se eu morrer, vou morrer cozinhando. Mas, antes disso, tenho caminho pela frente.”

Qual é sua história?
Sou nascido, criado e crescido na Itália até a tenra idade de 32 anos. Venho de um povoado de 17 mil pessoas, Saluzzo, no noroeste da Itália, no meio dos Alpes, bem na divisa com a França. Praticava muito alpinismo nos arredores do meu povoadinho. Montanhas, natureza… Em 2005 fui à Bolívia escalar um vulcão de 6 mil metros e lá conheci minha mulher, Luciana, que é brasileira.

Foi amor à primeira vista?
Bom…posso dizer que rapidamente voltei para a Itália para arrumar as malas e vender tudo porque depois daquele encontro tinha que seguir a Luciana! Hoje nossas filhas Teodora e Carmela tem 9 e 7 anos. Estou muito feliz…só me faltam os Alpes.

E a chegada ao Brasil?
Fiz de tudo nestes 12 anos de Brasil. Por exemplo, fui taxista por três anos, nesta cidade um milhão de vezes maior que a minha. Experiência boa e inesquecível. Um dia vou escrever um livro destas aventuras.

Desde quando você tem interesse pela gastronomia?
A minha família italiana (no caso eu, Mamma e Papá) não tinha incríveis condições econômicas. Não chorávamos, mas nunca fomos ricos. E sempre fizemos o que tinha que se fazer para “tirare avanti”, para irmos em frente de forma mais que digna. O sonho dos meus pais era, um dia, antes de morrer, abrir um pequeno restaurante. Os italianos são românticos e dramáticos ao mesmo tempo: antes de morrer… eu queria ter um restaurante e realizar este sonho da família. O restaurante tinha que ter 11 mesas, um número recorrente na cabalística de casa. E em casa cozinhávamos sempre. Sempre. Meu pai, minha mãe, eu. Viajávamos para o sul (o meu pai era de Pompei) e lá também todos cozinhavam e comiam. Existe um percurso culinário para ser desvendado na Itália, do norte ao sul. Sabores, temperos, mesclas, jeitos diferentes de preparar o mesmo prato que mudam em poucos quilômetros. E eu, desde criança, sempre em uma cozinha, entre norte e sul, querendo ajudar, querendo fazer…ou simplesmente roubando um gnocchi que tinha acabado de ser feito ou dando uma escapada na horta do tio para roubar um tomate direto do pé…E com aquela mordida,  descobrindo sabores maravilhosos. Não existia “não gosto disso ou daquilo”. Comia de tudo.

Quando apareceu o momento de empreender?
Bom, infelizmente em 11 de abril de 2011 minha mãe faleceu. Poucos anos depois o meu pai se juntou a ela. Era um dia 11 também. Como único filho herdei uma casa na Itália. Vendi a casa e decidi realizar o sonho dos meus pais: abrir o tal do restaurante de 11 mesas. Galise Burger é, portanto, o resultado do dinheiro que herdei, junto a vontade de investir o mesmo em algo que tivesse o sobrenome da família e que vingasse aquele sonho que meus pais não realizaram. O slogan da casa é “cucinando tutta la vita”, cozinhando a vida inteira.

Por que uma hamburgueria e não um restaurante mais italiano?
Apesar de uma vida de intensa prática em cozinhas caseiras, achei que não tinha suficiente experiência para abrir um restaurante, sabe…tipo de culinária italiana. E não tinha muuuito dinheiro para investir. Muitos pensam em burger como algo simples e básico. Talvez por alguns momentos também pensei isso, pelo menos antes de abrir. Creio sim que acreditei um pouco nisso. Hoje julgo o meu burger como algo que não faz parte da mesmice de muitos, e que porta a marca dos tempos e dos conhecimentos de vida e de viagens que fiz pela Itália e pelo mundo. O fato de procurar produtos orgânicos, de nunca congelar a carne que uso e de trabalhar exclusivamente com produtos de primeira, complica as coisas, ainda mais para quem abre pela primeira vez ao público e faz questão de estar na cozinha, na sala e no escritório da contadora. Tudo ao mesmo tempo, claro. Uma logística que poucos conseguem entrelaçar. Estou no começo: sete meses de porta aberta.

Como é a vida de um empreendedor?
O lado primata do empreendedor está no coração, claro, mas creio que esteja evoluindo conforme vejo crescer o meu espaço. Digamos que estamos caminhando de mãos dadas. Claro que não inventei o Galise sem pensar e sem ter convicção do produto que queria criar. Foi como um coquetel de ideias, sonhos, oportunidade e um pouco de loucura. Não escondo que o momento do Brasil, a casa muito nova e a primeira viagem no setor deixa tudo um pouco mais complicado: falo da minha vida  que mudou e também  do perfil econômico do negócio. Mas de verdade, penso que é isso que quero fazer até talvez um dia me aposentar..ou até morrer (rsrs).
Nestes dias, com a casa muito cheia e os pedidos que não paravam de chegar na minha cozinha, vivi um sentimento que talvez não saiba explicar: queria uma trégua, só um instante! Para tudo que estou me perdendo aqui! Mas ao mesmo tempo uma voz falasse assim “está tudo sob controle, você manda bem pra caramba, olha que linda a apresentação deste burger, já já acabam estes pedidos e você vai dar uma volta no salão, perguntando para os clientes se estão satisfeitos.” E eu adoro esta voltinha no salão, vendo as cabeças se mexendo em sinal de aprovação antes de eu perguntar qualquer coisa. Acho que é indispensável um pouco de loucura ou insensatez lógica e controlada para trabalhar na cozinha de um restaurante. Pelo menos é necessário ter a vozinha que fala com você mesmo. Como disse, os horários mudaram, e quando não estou cozinhando, penso. Penso nas novas receitas e (trabalho com um cardápio enxuto e que muda a cada 15 dias) nas possibilidades de modificar o espaço atendendo novas exigências que surgiram depois do primeiro semestre, e claro, nas finanças do empreendimento. A parte que gosto menos. Se você anda comigo na rua, eu estou sempre com pressa, vejo produtos novos, imagino, crio, não te escuto enquanto você fala de futebol e agora que percebo, estou a 10 metros pra frente de você. Os amigos se acostumaram. Acho. E gostam de como descrevo um prato que poderia ser feito por exemplo com aquela abóbora. Aliás, deixe eu anotar “abóbora” como um ingrediente de um futuro burger.

Como é a relação da família no empreendimento?
Inevitavelmente a família está envolvida: os meus horários malucos são o primeiro aspecto que mais revolucionaram a nossa rotina. As minhas filhas enlouquecem me vendo numa cozinha como profissional, e claro, queriam ajudar todas as vezes que jantam no Galise. Talvez sintam falta de cozinhar comigo, em casa, de domingo, assim como acontecia antes de abrir, quando juntos preparávamos gnocchi. Eu e minha mulher nos complementamos. Eu sou o sonhador, o impulsivo, aquele que não para. A Luciana é a parte lógica, o lado responsável do negócio. Eu me vejo hoje em uma deliciosa posição no ranking do Trip Advisor (8° lugar entre todos os restaurantes com 5* de SP) e quero subir mais e mais e mais… Ela fica mais de olho nas contas, ainda bem! De alguma forma, agradeço as minhas três mulheres pela paciência comigo!

Quais são os planos de futuro do negócio?
Para ser honesto, depois de sete meses de abertura, preciso recuperar o meu capital investido. Depois disso vou focar em um futuro mais longe. Não quero mais Galises. Talvez pense sim em um Galise com um espaço maior do que o atual, mas não estou pensando em franquias. Este negócio pertence a um sonho. E quero que permaneça, de alguma forma, ligado àquele sonho primordial. Mas poderia pensar em outra linha de produto. Um outro restaurante. Sei que tenho muitas coisas pra dizer e fazer para que as pessoas provem uma verdadeira cozinha italiana. Eu não frequento restaurantes italianos de São Paulo. Me perdoem, mas para um italiano o melhor restaurante é a casa da mamãe.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão iniciando, qual seria?
Siga os sonhos, seja ousado, saia da mesmice, não crie um produto que já existe, seja único, e tenha ao seu lado alguém que te ama….e que de vez em quando te traz a realidade daquele boleto que está quase para vencer rsrsrs. Precisamos dos dois lados (o prático e o genial) para ter sucesso. Tenho certeza disso, e tenho certeza que preciso daquela minha Luciana pra me trazer, muitas vezes, de volta pro chão. E tenham respeito e paciência com a equipe: somos nós os malucos. Eles ajudam a realizar o que temos na cabeça e no coração. Se alguém um dia tem a receita para criar o dia de 28 horas eu topo uma sociedade para fazermos juntos. A todo sabor.

Qual o futuro do Brasil?
Venho de um país que viveu duas guerras mundiais (e não se saiu bem em nenhuma das duas) e que sempre acreditou na política do “ir pra frente”. “Avanti c’é posto” dizia meu pai: lá na frente sempre tem lugar. Mesmo que a situação econômica atual não seja a mesma da época de quando cheguei aqui, estou confiante no futuro do Brasil. Há muita coisa para ser criada e com certeza os jovens empreendedores podem ter muitas coisas para falar, demonstrando a criatividade, a força de vontade e muita atitude naquilo que criam. Os políticos deveriam ser cozinheiros, criando sempre algo de gostoso e que todos possam saborear, não? Se cada um se colocar como exemplo de renovação e criação de coisas boas e novas, o futuro estará se abrindo como uma flor de abobrinha. Aliás, boa ideia esta flor, para o meu burger vegetariano.

Serviço
Galise Burger
Fone: (11) 2372-0735
Rua Carlos Steinen 270, Paraíso, SP
Instagram: galise.galise
Facebook: Galiseburger

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br).

Nem sempre a solução é o Franchising

8 de agosto de 2018

Eu diria que, 80% das consultas que recebo têm por objetivo comprar uma franquia ou montar uma franqueadora, como opção de investimento ou expansão de negócios. A atração pela ideia de Franchising está vinculada à ideia de que franquia soluciona problemas, quase como garantia de sucesso e, na dúvida sobre o que e como fazer, vamos de Franchising.

Coincidência, ou não, no último mês tratei do assunto com sete profissionais, executivos recém desligados das empresas e empresários que, depois de muito pensar, optaram pelo sistema que traz, de forma geral, números mais positivos que o PIB e outras métricas da economia.

Na insegurança da não recolocação, os executivos pensam em empreender, muitas vezes sem nunca ter pensado nisso antes e a compra de uma franquia surge como uma boia salva vidas. E a angústia vem com a quantidade de opções de negócios, com investimentos que vão de R$ 5.000 a milhões de reais, tipos e portes de empresas nos quais eles não se enxergam e não fazem ideia de por onde começar. É quando nos conhecemos.

O processo de análise desses executivos, pessoas com larga experiência profissional, tem que ser profundo, abrangente e, acima de tudo, muito responsável, porque, neste momento, o mais fácil é indicar uma franquia no setor que eles têm maior conhecimento e dentro do valor que têm para investir. #sqn! São estes os futuros franqueados que não dão certo, que se frustram, enlouquecem seus franqueadores e, no mais das vezes, fecham as portas de suas franquias.

A minha forma de ver e conduzir este processo, traz várias técnicas e práticas de mercado mas, conhecer todos os aspectos que envolvem o Sistema de Franchising, os envolvidos, o que pode significar para aquela pessoa à minha frente que está acostumada a ter uma estrutura empresarial, um crachá, o sobrenome corporativo, o ônus e o bônus de estar empregado, ter metas e contas a prestar a um superior, a mudança de ir para um PDV sozinho, abrir a porta e esperar poucos funcionários e alguns clientes chegar, sentindo-se uma ilha no meio de um corredor de shopping center e, mais isolado ainda, em uma rua comercial onde ninguém é de ninguém, não sabem que ele existe, como se chama e ele nem tem mais um crachá com seu nome e foto para fácil identificação.

Seu maior patrimônio é seu network e eles não lembram disso nem como usá-lo profissionalmente. Nestas horas serve só para marcar com os mais próximos, para desabafar.

No nosso trabalho, dos últimos 30 dias, três deles já se resolveram com o conhecimento que têm de mercado e que vai agregar demais em empresas que precisam de profissionais como eles. Um deles entrou empreendendo, outro se recolocou e o terceiro se tornou um credenciado. Nenhum deles precisou usar o capital reservado para investir. O quarto executivo está com duas opções de empresas para trabalhar e a forma de contratá-lo está sendo estudada por todos. Em breve ele vai escolher o que mais lhe agrada e atende suas expectativas e necessidade para viver, confortavelmente.

O que valeu nestes processos foi o olho no olho em nossas conversas, a fragilidade demonstrada e minha “gana” em acertar a melhor proposta, feita sob medida a cada um deles. Somado ao meu network, entender que cada um é único e há oportunidades para todos, que podemos ser o elo de uma corrente, que se abriu e precisa de uma ferramenta para unir novos elos que vão escolher fazer uma nova corrente.

No caso das empresas, os Planejamentos Estratégicos que desenvolvi, mostraram que a estrutura de duas delas, poderia escalar tendo as Franqueadoras como clientes delas e não definindo franquias como canal de vendas ou abertura de negócios. E, ontem, quando fiz a entrega de um dos projetos, o olhar de surpresa e os comentários de alívio, de “como não pensei nisso antes”, me fazem ter, cada vez mais, a certeza da responsabilidade que, nós, consultores de empresas, temos com as pessoas, com suas vidas e isto é muito mais que planilhas, CTR C / CTR V que tanto vejo, promessas mirabolantes, que o amor que tenho pelo que faço, me estimula a elaboração de projetos autorais únicos, de sucesso e clientes se tornam amigos, pra vida inteira. A cada mudança, estamos juntos novamente.

Ah! Não falei do 7º case, ainda não terminei, é uma startup que, do jeito que vinha estava mais para uma ONG, pois há uma preocupação social muito grande, mas precisamos fazer a engrenagem funcionar e faturamento conta nestas horas.

O idealismo não pode abafar a máquina e o capitalismo não pode destruir o ideal daqueles jovens. E, de novo, vamos criar uma franquia…Nada disso, vamos criar uma empresa sustentável e depois, daqui uns dois anos, decidiremos. Se é que eles vão aguentar esperar até lá, se um fundo de investimentos já não tiver comprado a startup. Falar em dois anos hoje, parece que estamos falando em dois séculos.

Vale, então, a reflexão: por melhor estratégia que seja para muitos e eu seja especialista no sistema, nem tudo é Franchising, sempre.

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

Porque tantas empresas internacionais estão indo embora do Brasil?

25 de junho de 2018

Porque tantas empresas internacionais estão indo embora do Brasil?

Há um ditado que afirma “ser empresário, no Brasil, não é para amadores”.

Algumas notícias recentes na mídia, de empresas internacionais encerrando operações no Brasil, me fazem pensar que o Brasil pode ser bastante cruel com os empresários profissionais também. Empresas de sucesso internacional tem tido dificuldades para se manter no jogo verde e amarelo.

Os sobreviventes – tanto empresas nacionais quanto internacionais – podem se considerar acima de média e sortudos – e realmente o são -  mas a dificuldade de prosperar no mercado brasileiro provoca algumas perguntas necessárias:

- Afinal, porque o Brasil é tão difícil?
- Será que no exterior, e com o mesmo esforço, a mesma empresa prosperaria mais e melhor?
- Quanto custa, no médio e longo prazo, ser um mercado difícil, complexo e instável?

Não tenho as respostas, mas quero acreditar que começar a fazer as perguntas pode fazer a gente a pensar em alguma solução.

É uma história conhecida que os executivos brasileiros são muito valorizados no exterior por causa da grande capacidade de adaptação e a trazer resultados mesmo em ambientes hostis. Isso diz muito de como o Brasil é hoje.

Cada vez que uma empresa fecha no Brasil, não são apenas os empregos que são perdidos, mas todo um giro da economia, aprendizado, os melhores profissionais migram, os que ficam precisam recomeçar.

Preparei uma lista de algumas destas noticias da midia:

Häagen-Dazs, junho de 2018 - a famosa marca de sorvetes comunica fechamento das oito lojas próprias
WalMart, junho de 2018 – vende 80% da operação no Brasil
Lush, maio de 2018 – a marca inglesa de cosméticos naturais encerra no Brasil e queima estoque
FNAC, julho de 2017 – vende para a Livraria Cultura. Recentemente a Cultura comunica o fechamento da icônica FNAC de Pinheiros
Garrett Popcorn, junho de 2017 – com menos de um ano de funcionamento, a rede de pipocas americana fechou as 2 lojas no Aeroporto de Guarulhos
Kirin, fevereiro de 2017 – a japonesa vende as operações no Brasil para a Heineken
Citibank, outubro de 2016 – o Citi é comprado pelo Itaú
HSBC, julho de 2016 – banco inglês vende toda a operação ao Bradesco
Cacao Sampaka, março de 2016 – a marca espanhola de chocolates fecha loja e vende tudo
Ladurée, março de 2016 – a famosa confeitaria francesa culpa a crise e fecha única loja no Brasil

E a lista vai e vai.

Sem dúvida a crise que passamos nos últimos anos deve ter sido um dos motivos finais, mas não acredito que seja o único. As grandes empresas sabem que as crises são passageiras, e dificilmente abandonam investimentos que foram criados com planejamento de longo prazo. Penso que, em algum momento, este pessoal se deu conta: o Brasil não é fácil, cuidado!

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (pastificioprimo.com.br)

Sobre pavões, papagaios e maritacas: Os foolturists e a Taxonomia de Bloom

4 de junho de 2018

- Fiz um curso incrível de futurismo… – diz o especialista, que explica que está criando um negócio que vai revolucionar a educação.

- OK. O que você aprendeu no curso? – pergunto.

- Um monte de coisas incríveis que vão revolucionar a sociedade… – responde.

- Como por exemplo? – pergunto novamente.

- O bitcoin! As criptomoedas são incríveis… – responde o tal empreendedor.

- OK… Então me fale mais sobre como imagina que será o impacto do blockchain… – questiono.

- Não, estou falando das criptomoedas…

- OK… então me fale da relação do blockchain com as criptomoedas – pergunto, já desanimado, pois o bitcoin é uma aplicação, talvez a mais conhecida, de blockchain.

- Poxa, você é um daqueles que não acreditam que as criptomoedas, que isto é uma fraude, não é? – questiona o revolucionário.

- Não é isso, eu só queria entender o que realmente aprendeu neste tal curso de futurismo… – respondo, já finalizando o bate-papo.

Futurista é uma destas novíssimas profissões ou funções que têm um papel importantíssimo em compreender para onde ruma a humanidade diante de tantas mudanças drásticas e rupturas nas inércias em que vivemos há mais de um século. A função em si não é nova, já que economistas executam este papel há muito tempo e organizações como a Rand Corporation foram criadas com essa finalidade ainda na década de 1940, após as intensas transformações trazidas pela 2ª Guerra Mundial. Mas em 2016, durante o World Economic Forum, em que a 4ª Revolução Industrial entrou definitivamente na agenda dos principais líderes públicos e empresariais, Marc Benioff, fundador e CEO da Salesforce, deu um dos principais conselhos do evento: “Todo país precisa de um Ministro do Futuro”.

E isso também é válido para organizações. Este futurista precisa não apenas recordar os conceitos, mas entendê-los profundamente, aplicá-los na prática, analisar seus efeitos, avaliar seus resultados e, principalmente, contribuir na criação deste novo futuro. Neste contexto, o futurista é mais próximo do sismologista que atua em parceria com o engenheiro civil no desenvolvimento de construções mais aptas a enfrentar terremotos. E mesmo atuando de forma tão minuciosa e científica, os sismologistas se sentem uma fraude quando não conseguem prever tsunamis ou outro desastre natural.

No momento em que se proliferam tantos autodeclarados especialistas destas novíssimas funções nas redes sociais e eventos, é cada vez mais difícil perceber quem é fraude e quem tem certeza de que sabe realmente o que está dizendo ou fazendo.

É neste momento que a Taxonomia de Bloom, organizada inicialmente pela equipe de educadores liderados pelo psicólogo Benjamin Bloom no final da década de 1940, pode ser útil para você priorizar seu investimento de tempo (e dinheiro) em pessoas que são realmente capazes de orientá-lo(a) na invenção do seu futuro. Nesta abordagem, a compreensão do aprendizado passa por domínios hierárquicos sobre a habilidade da pessoa a respeito de um assunto, do mais básico, que é apenas recordar e repetir o que “aprendeu” ao nível mais elevado, na versão original, que era avaliar seu “aprendizado”, recomendando ações. Posteriormente, os discípulos de Bloom, Lorin Anderson e David Krathwohl, revisaram a taxonomia, e incluíram um nível mais elevado, o de criar, inventar algo a partir do aprendizado.

Mesmo que a hierarquia de aprendizado possa ser questionada, ainda assim é importante avaliar – neste momento em que se proliferam tantos inovadores, futuristas ou disruptores – quem é pavão, que entende e até avança nos domínios de Bloom, mas se gaba por isso abrindo um rabo de penas coloridas que encantam plateias, de quem é papagaio, que só fica repetindo o que leu ou viu em algum evento, vídeo ou curso de curta duração. Em especial, fuja das maritacas, que fazem um barulho ensurdecedor sem nenhum embasamento epistemológico. Estes “foolturists” deveriam atrair apenas os 3Fs, termo utilizado nos Estados Unidos para designar family, friends and fools (tolos).

E de todos os que podem ser considerados especialistas, os melhores são os que se acham uma fraude. Mesmo sendo graduado em computação e física e PhD em ciência da computação pela Universidade de Utah, Ed Catmull afirma em seu livro que só por volta dos 60 anos conseguiu lidar com a insegurança em achar que era uma fraude. Quando mais você aprende, mais sabe que não sabe muitas coisas. E isto pode aumentar o medo do fracasso ou se libertá-lo para entender que não tem ou terá todas as respostas. E saber o que não sabe é só uma grande oportunidade de continuar aprendendo.

Quando ele conta essa passagem para os colaboradores da sua empresa, pergunta: “Quantos de vocês sentem que são uma fraude?” Todos na Pixar, a empresa que Catmull co-fundou e é presidente até hoje, levantam a mão!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação do Insper, FIA, Fundação Vanzolini e Instituto Butantan.

O efeito manada nos negócios

28 de maio de 2018

Não canso de me espantar com um erro que muitos empreendedores praticam: entrar na “modinha” dos outros.

Ao longo dos anos já vimos vários ciclos de modismo: videolocadoras, lan-houses, boi gordo, brigaderias, hamburguerias, paleterias, casas de bolos, food trucks, e a lista vai e vai. Eu tento imaginar por que isso acontece. Será o efeito manada, deveras difícil de escapar? O sedutor canto da sereia, de ganhar dinheiro fácil?

Sempre tive ojeriza a ser mais um no bando. Talvez esse mecanismo de autodefesa tenha me mantido longe das modinhas. É bem verdade que isso não me livrou de quebrar a cara algumas vezes. Mas quebrei com ideias próprias e isso é muito importante no aprendizado de empreendedorismo.

Minha dica de negócios é sempre a mesma: fazer algo que tenha valor pessoal, além do negócio em si. O caminho criativo, a vanguarda, a ideia original, tudo isso é valor em estado puro! Pode até dar errado, mas se der certo, as oportunidades são muito maiores: um mercado inicial livre de concorrência, sempre um ou dois anos à frente dos demais.

Nem tudo são flores, porém. Se você é dos que criam, saiba desde já que você será copiado, adulterado e, eventualmente, até melhorado. Tem que aprender a viver com isso, ou vai sofrer muito. O seu negócio deu certo? Se prepare para o aparecimento dos copiadores, as “manadas” que acabam com o pasto verde e secam a água. Às vezes, eles instalam a nova empresa a poucos metros uma da outra, sem se preocupar em fazer uma pesquisa para saber se o mercado e o bairro comportam mais um negócio igual.

Outras vezes ainda, copiam todos os detalhes do empreendimento – sequer se dão ao trabalho de tentar buscar uma solução diferente, uma identidade própria, um estilo, um diferencial. Resultado: o negócio copiado não prospera tanto quanto os que o inspiraram. Pior: cria concorrência predatória com os inspiradores. Está cheio de casos em que afundam todos, inspiradores e copiadores.

Por isso, fica o alerta: imitar os outros pode até ser mais cômodo a princípio, mas é um mau negócio a longo prazo, porque satura o mercado. E em mercado saturado, ninguém se dá bem.

Se é para fazer um novo negócio, tente que ele seja isso: novo. Não necessariamente uma invenção do zero, porque isso talvez não exista, mas no sentido de ser diferente, especial, original, único de certa forma, que represente sua identidade. Porque de empresas parecidas, o cemitério do mundo dos negócios está cheio.

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (pastificioprimo.com.br)

O empreendedor solitário, o inovador, a startup e sua equipe

22 de maio de 2018

Existe certa visão romântica e uma boa dose de mitologia acerca da figura do empreendedor, aquele sujeito arrojado e algo misterioso, corajoso e até genial, que ergueu sua startup totalmente sozinho, com muito esforço e trilhando um caminho solitário.

Certo? Não, nada de mais errado!

Nenhuma startup é criada por uma pessoa só, por mais genial que ela seja. Uma empresa de uma pessoa só não saberia adquirir velocidade e, desde logo, não teria agilidade para se estruturar e para desbravar seu próprio mercado.

Por outro lado, não devemos esquecer a centelha que move muitos empreendedores e, tampouco, desmerecer sua contribuição para o processo de inovação e criação!

Entretanto, vale observar que um empreendedor não precisa inovar, necessariamente; bem como, por sua vez, um inovador não precisa ser aquele que empreende. Inúmeros empreendedores, de diferentes tamanhos e setores, não fizeram nada mais do que empreender implementando modelos, produtos e serviços criados por outros, que já foram inovadores. O que eles fizeram – e é preciso garra, inteligência e velocidade para fazer isso – foi seguir quem inovou e dividir com ele fatias do mercado que, anteriormente, tinha sido dele por inteiro (escreverei sobre a sina do inovador e a visão de Schumpeter em um próximo texto).

Por sua vez, o inovador pode associar-se com um empreendedor ou, simplesmente, revender-lhe o fruto da sua inovação, para que ele transforme a ideia em algo que se torne palatável para o mercado.

Agora, voltando à nossa dúvida inicial, o empreendedor que queira transformar uma ideia inovadora em uma startup precisará permear a empresa de processos de gestão, tais que lhe permitam adquirir velocidade na execução e agilidade na abordagem do mercado. A gestão é o mal necessário do empreendedor, que lhe permite, por um lado, conter seus excessos de criatividade e transformar seu entusiasmo em um negócio sustentável; e, por outro, definir claramente quais são as áreas que gerem a companhia e as pessoas que as compõem.

Ficou claro, agora, que nenhum empreendedor faz uma empresa sozinho, mas, ao contrário, a cria cercando-se da melhor equipe.

Agora vem a difícil tarefa. Como escolher os membros da equipe de uma startup? Quais caraterísticas essas pessoas deverão ter

A lista de exigências poderia ser infindável, mas acredito que, no caso específico de uma startup, um bom começo pode ser observar os pontos a seguir:

1. Em primeiro lugar, é fundamental que a equipe esteja alinhada com os propósitos do empreendedor. Apesar de ser desejável um nível adequado de heterogeneidade na composição da equipe no que diz respeito às competências pessoais e de gestão, no momento do lançamento da start up é necessário que o barco zarpe com a tripulação bem consciente de quem é o capitão e de quais são a rota e as diretrizes de viagem.
2. O mesmo conceito vale no que diz respeito aos valores e à missão da companhia, que devem ser definidos antes mesmos do seu lançamento, não sendo negociáveis. Quem não concordar com o “credo” da empresa, não deverá fazer parte da equipe.
3. Neste momento da start up, é desejável procurar não somente bons colaboradores, mas pessoas que se “apaixonem” de fato pela sua proposta e se tornem seus evangelizadores. Uma equipe apaixonada pelo projeto será muito mais resiliente nas primeiras dificuldades e terá mais garra para superá-las.
4. É essencial que os membros da equipe sejam dotados do conjunto de competências e habilidades (skills) necessárias à implementação do projeto e à adequada gestão da empresa. Alguns skills podem ser adquiridos em um segundo momento, mas é importante escolher, como membros da equipe, colaboradores que tenham capacidade e disposição de adquiri-los depois.
5. É desejável que os colaboradores escolhidos mantenham um mix de competências complementares entre si, viabilizando a formação de uma equipe multidisciplinar, essencial para o crescimento do negócio e a gestão da companhia.
6. Last but not least, é aconselhável montar, no limite do possível, uma equipe fácil de se conviver e que saiba agregar e compartilhar. Garanto que estruturar a equipe dessa forma vai ser muito melhor para os negócios e para o dia-a-dia da companhia!

Luca Borroni-Biancastelli é PhD em Economia e Teorias Econômicas, co-fundador e Dean da Brain Business School, conselheiro emérito da UNICON-Consortium for University-based Executive Education, conselheiro, professor universitário e empreendedor.

Como promover a mudança do mindset?

22 de maio de 2018

Até pouco tempo atrás a resposta que valia um milhão, de alguma moeda, era: como encontrar o franqueado com perfil ideal, com capital suficiente disponível para investir na “minha” franquia?

Agora estamos sendo provocados a mudar o mindset para podermos acompanhar todas as mudanças que estão ocorrendo em função da tecnologia, do comportamento e da percepção de valor dos jovens que são consumidores de muitos de nossos negócios e serviços. Teoricamente, parece que boa parte dos empresários do franchising perceberam que precisam mudar sua forma de gestão ou até mesmo reformular seus modelos de negócios.

:: Marcas que abriram para franquias no último ano ::

Mas, na prática, é curioso observar como as referências, para muitos deles, ainda sejam os autores do passado recente, que são fantásticos, mas hoje precisam pensar que um algoritmo pode se tornar o maior concorrente de uma vaga de emprego, que quem melhor nos atende é um robô, que o delivery não requer mais equipe própria de motoboys e os apps de entrega fazem este papel tão bem.

Que seus filhos ou netos mudaram demais o comportamento e desejos – ser é melhor que ter, o Airbnb tem maior valor para eles que os imóveis que poderão ou poderiam herdar. Enquanto isso, muitos empresários, no sistema de franchising, estão assistindo tais mudanças, sem a clara percepção do que está para acontecer com suas empresas, cedo ou tarde, dependendo de quanto tempo demorarem para encarar estas transformações de mercado e mudarem seus mindsets.

Como fazer, se é difícil entender tais processos a ponto de saber o que e como atuar, implantar, modernizar e, quem sabe, inovar?

:: O Franchising como alternativa para jovens empreenderem ::

Startups podem ser parceiras ou fornecedoras, franqueados podem trazer ótimos insights, novos fornecedores devem oferecer soluções inusitadas, players do mercado com cases de sucesso de boas práticas devem ser observados.

Nosso maior patrimônio passou a ser nosso network, pensamento em rede e, no caso de franqueadores, para a rede também. Importante se imbuir de aprendizado, assumindo que não se pode ser bom em tudo e que com toda esta demanda de transformação, os franqueadores podem assumir que querem e precisam aprender novos caminhos com os mais novos, com o que há de novo, trilhando novas rotas que conduzirão a novos modelos de gestão e melhores posicionamento e resultados.

A velha escola não faz mais sentido, serve só de registro histórico que não levará ao futuro. Vamos nos livrar das pendências para focar nas tendências. Ter bons produtos e serviços em ambientes que promovam excelente experiência. E, fundamentalmente, saber o que gera valor na percepção de todos os envolvidos com suas marcas.

Foi dada a largada! E já faz algum tempo… Go!

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

O jeito Netflix de empreender

21 de maio de 2018

Dos tantos palestrantes bacanas que estiveram reunidos na semana passada no VTEX DAY de 2018, o que mais me empolgou – e eu admito que não esperava – foi o ex-CEO e cofundador da Netflix, Marc Randolph. Eu achei que assistiria a uma palestra burocrática e cheia de clichês de Silicon Valley, mas fui surpreendido por um cara muito bem-humorado, que descreveu a sua jornada cheia de imperfeições e reviravoltas, com verdadeiros conselhos práticos para qualquer empreendedor.

Desde 2004, Marc já não faz mais parte do dia a dia da Netflix e se dedica à sua paixão: iniciar empresas de tecnologia. Às vezes acerta, às vezes erra, mas adora mesmo assim, como ele mesmo diz, com muito carisma. Se acaso alguém ainda tiver alguma dúvida do currículo dele, aqui algumas empresas de sucesso que ele participou e investiu, em ordem cronológica:

1983: Mailbox Music
1984: Guitar FPTM Magazine
1986: MacUser Magazine
1987: MacWarehouse
1988: MicroWarehouse
1995: IntegrityQA
2012: Looker Data Science

Mas, sem dúvidas, todos estávamos lá para ouvir sobre a Netflix, e Marc não decepcionou. Contou do inicio da ideia, quando ele pegava carona na Kombi de seu amigo e futuro sócio Reed Hastings e falavam sobre empreender, encontrar uma ideia que valesse a pena apostar.

Os ensinamentos:

- Netflix era uma ideia ruim e não tínhamos dinheiro. Mas no final deu certo. O importante é testar a ideia e adaptar constantemente
- O empreendedor precisa de três coisas: alta tolerância a riscos, uma ideia e confiança
- Não precisa ser uma grande ideia, não precisa ser original, não precisa ser complicada, não precisa nem ser uma boa ideia
- Minha mulher achou a Netflix a ideia mais estúpida que eu já tive
- Assuma os riscos e faça alguma coisa com a sua ideia. Posso garantir a vocês: ninguém tem certeza de nada. Ninguém pode prever o que vai dar certo ou errado
- Ficar muito tempo avaliando se a ideia é boa ou não é pura perda de tempo. Tem que testar
- Onde encontrar uma bia ideia? Procure pela dor, pela dificuldade, onde as pessoas passam dificuldades. É na solução de problemas onde estão as melhores ideias
- A vida média de uma ideia é 24 horas. Começamos a semana com 60 ideias e no final da semana, com sorte, temos uma ideia viável
- Eu nunca sonhei que a Netflix se tornaria o que é hoje
- Sou um péssimo investidor anjo, pois me apaixono por todos os projetos

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (pastificioprimo.com.br)

Google responde? Como você define seu sucesso e o que está fazendo para atingi-lo?

18 de maio de 2018

Sim! O Google responde! “Eu gostaria de ter lido este livro 19 anos atrás, quando nós fundamos o Google. Ou mesmo antes disso, quando eu cuidava apenas de mim…”, escreve Larry Page, co-fundador do Google, no prefácio do livro Measure what Matters: OKRs: The Simple Idea that Drives 10x Growth (Portfolio, 2018) escrito por John Doerr.

“Eu não costumo escrever prefácios. Mas concordei em escrever este porque John deu um tremendo presente ao Google durante todos esses anos. OKR nos ajudou a crescer a uma taxa de dez vezes, muitas vezes. Ajudou-nos a tornar nossa arrojada missão de organizar a informação do mundo em algo muito mais factível. E ainda me manteve e assim como o restante da empresa no tempo e caminho correto quando isto foi mais necessário. E eu gostaria de deixar isto bem claro para que as pessoas soubessem disso”, finaliza o discretíssimo empreendedor do Google.

John Doerr não foi apenas o primeiro grande investidor do Google – ao aportar cerca de US$ 12 milhões por 12% do então recém-criado mecanismo de busca -, o investidor de outros sucessos como Compaq, Netscape, Sun Microsystem, Amazon, Waze e Uber, ou ainda um dos principais mentores de empreendedores como Steve Jobs, Mark Zuckerberg ou Jeff Bezos. Ele foi (e é) um dos principais disseminadores da abordagem de gestão de pessoas que tem orientado boa parte das empresas de mais rápido crescimento ao redor do mundo: Objective and Key Results (OKRs). Nada mal para quem chegou ao Vale do Silício com 50 dólares no bolso, sem emprego ou lugar para morar e agora tem uma fortuna estimada em US$ 7,5 bilhões.

Depois de mais de 40 anos ajudando a construir grandes negócios, agora Doerr transforma toda a sua experiência em um livro que apresenta o OKR por meio de diversas experiências, passando por erros e acertos de negócios como Google, Fundação Bill e Melinda Gates, além de projetos com o líder do U2, Bono Vox.

Mais do que um método para direcionar crescimentos elevados e consistentes de um negócio, o ORK integra colaboradores à estratégia da empresa ao orientá-los a elaborar boa parte dos seus próprios objetivos e resultados esperados, ao mesmo em que obriga todos a refletir sobre os verdadeiros motivos de determinar aqueles indicadores. Para conhecer mais sobre esta abordagem, leia este artigo.

Mas a principal reflexão trazida por Doerr sobre objetivos e resultados-chave não está relacionada ao dinheiro: “Há dez anos atrás”, disse John Doerr no discurso para os formandos da Rice University em 2007, “eu não estava priorizando a minha família. Eu viajava muito. E qualquer trabalho era uma prioridade maior do que ficar com a família. Quando comecei a perder alguns almoços ou jantares em casa, ficou fácil não estar mais presente. Um dia eu percebi que minha filha Esther estava andando e Mary já estava no jardim de infância. E Ann [a esposa] foi diagnosticada com câncer (ela se curou depois). Tudo mudou. Eu mudei. E passei a colocar a família como a minha principal prioridade. Estar em casa às noites passou a ser a minha principal prioridade. E não era só estar presente. Eu declarei que entre seis e dez da noite não responderia nenhuma mensagem. Todas as reuniões de negócio, jantares e viagens deveriam passar no seguinte teste: Isto é mais importante do que estar em casa hoje à noite? Desde que adotei este teste, tenho jantado em casa quase todas as noites. Eu não tenho medo de fracassar. Só não posso fracassar em uma situação: com minha família e minhas filhas. Quando fracasso como investidor, eu posso perder algum dinheiro e um pouco de orgulho. Mas se fracasso como pai, eu perco o amor e a convivência que jamais poderá ser recuperado!”

Por isso, “você tem, de fato, os indicadores corretos? Invista seu tempo para definir seus valores, objetivos e resultados-chave. E faça isso hoje!”, alerta John Doerr em sua palestra no TED2018.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper, FIA, Fundação Vanzolini e Instituto Butantan