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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Quem se importa? (Não quero criar o próximo WhatsApp ou Facebook)

15 de janeiro de 2015

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira no Blog do Empreendedor

Essa semana eu vi um documentário super legal, chamado ‘Quem se importa? (Who Cares?)’. Meu contato com esse filme foi anos atrás. Um dos nossos clientes é apoiador do projeto e lembro que fizemos a distribuição do filme para parceiros deles. Na época, o título chamou minha atenção, mas acabei não indo atrás para saber do que se tratava.

O tema são negócios sociais, empreendedorismo social. Recomendo fortemente assistirem, canso de escrever aqui a necessidade de começarmos a ver os negócios com um olhar diferente, com uma abordagem diferente da que vem sendo feita nos últimos 50 anos. Lembro que na faculdade de administração, anos atrás, a maioria dos livros eram antigos. Os ‘novos pensamentos’ eram apenas variações dos antigos. Nada inovador. O que muda são os meios (internet), as mídias, as formas, mas a essência sempre foi a mesma, o lucro, o ficar rico. E isso tem que mudar.

Fiquei particularmente perplexo e inspirado com a história do Banco Palmas, de um dos seus criadores e do que levou a criação do banco. Sem spoilers, mas tudo começou com o nascimento de um bairro popular, ou seja, as pessoas mesmo que investiram e criaram uma comunidade própria, não o governo, não a iniciativa privada!

Negócios sociais para mim, são empresas que trabalham no caminho do meio entre iniciativa privada e terceiro setor. Não são 100% sem fins lucrativos, mas também não são 100% focadas no lucro a qualquer custo. Suas atividades visam solucionar problemas sociais que a iniciativa pública não consegue, que a privada não tem interesse e que o terceiro setor é limitado.

A definição da Yunus Negócios Sociais Brasil  é a seguinte “Negócios Sociais são empresas que têm a única missão de solucionar um problema social, são autossustentáveis financeiramente e não distribuem dividendos.”  Eles também têm uma imagem que ajuda a ilustrar o conceito:

O indiando Muhammad Yunus e seu projeto são referências em negócios sociais. O documentário também conta um pouco da sua história, não vou antecipar nada.

Como empreendedor esse é o caminho que quero seguir, o do novo, o do social, o das pessoas para pessoas. Não quero criar o proximo WhatsApp (se esse artigo fosse escrito dois anos atrás eu escreveria Facebook), esse é o meu desejo.

Empreender é uma jornada, como a vida, o importante é como chegamos e não onde. O “onde” entregamos para a própria jornada.

Um abraço,
Rafael

 

Testando o futuro

16 de outubro de 2014

Rafael Mambretti escreve às quintas-feiras

No começo do mês escrevi aqui que uma das nossas mais recentes evoluções foram as scooters elétricas. Passamos meses testando antes de colocarmos para rodar e prestar serviços. O que estávamos testando não posso escrever aqui, sabe como é, temos concorrentes e as informações são estratégicas, já que eles vão seguir o líder, melhor que descubram por si mesmos =)

Tranquilamente afirmo: somos a primeira empresa no país a oferecer esse tipo de serviço. Também escrevi diversas vezes aqui que nosso projeto foi concebido para tornar-se uma empresa de logística no longo prazo e não simplesmente ser uma empresa “que faz entregas de bicicleta”.

Reparem que no nosso nome não tem bicicleta ou bike, tem um dos nossos pilares: Carbono Zero! Outros dois pilares são: pessoas e lucro, afinal, somos uma empresa. Planeta, pessoas e lucro, balize seus empreendimentos nessas variáveis e seja bem-vindo ao que chamamos de setor 2,5. Seja bem vindo ao futuro!

Semana passada minhas duas bicicletas estavam quebradas (!), pois é, acontece. Uma me deixou na mão na segunda-feira a outra (a reserva), no dia seguinte, na terça-feira. Falha minha, fiquei meses sem usar as bicicletas e nem sequer me preocupei em dar uma olhada geral e preventiva. Paguei o preço! Mas foi bom, no período que estava sem as bicicletas tive a oportunidade de rodar uma semana com uma scooter elétrica. Resultado? Parecia que eu estava andando no futuro, lembra ou já ouviu falar nos Jetsons? Me senti saindo do desenho, barulho mínimo, parecia uma espaçonave. Performance excelente, a autonomia deu e sobrou para as minhas necessidades. Se precisasse, em 2h ela tava 100% carregada novamente, basta uma tomada convencional 110v.

Testei o futuro e gostei, está aprovado. Um dia terei uma. O futuro é isso, com tecnologia darmos possiblidade das pessoas contribuírem e se sentirem parte diretamente dessa contribuição. Enquanto ela não chega ao mercado convencional, você pode – mais ainda – ajudar chamando a gente. O planeta agradece =)

Um abraço,

Rafael

O que os candidatos têm a oferecer para os empreendedores?

9 de outubro de 2014

Rafael Mambretti é proprietário da Carbono Zero Courier

Confesso não estar acompanhando muito de perto os planos de governo de nossos candidatos à presidência. Agora que entramos na reta final do 2º turno, resolvi dar uma olhada no que ambos falam sobre empreendedorismo.

Nas poucas matérias e artigos que falam especificamente sobre o tema, os candidatos abordam de forma superficial e sem muitos detalhes. Melhorar acesso ao financiamento, desburocratizar, sinergia das agências, inovação (palavra da moda no empreendedorismo), entre várias outras.

Dias atrás tive a oportunidade de participar de um workshop da Endeavor (a Carbono Zero Courier desde 2012 faz parte, quando entrou para o Programa Visão de Sucesso que seleciona empresas nacionais com capacidade de alto impacto na nossa sociedade), sobre acesso à financiamento.

Diversos empreendedores dos mais variados segmentos e momentos que suas empresas vivem, foram unânimes. Acesso a capital? No Brasil é praticamente inexistente, reforçado por um caso compartilhado de um colega empreendedor que foi para os Estados Unidos tentar e conseguiu esse acesso, e com mais de uma opção. Aqui? BNDES? Cartão BNDES? As instituições financeirs estão mais preocupadas em cobrar emissão de boleto do que facilitar o acesso ao crédito.

Não é difícil ver casos de gerentes bancários que só entram em contato com seus clientes empreendedores para vender produtos e não para conversar, orientar etc.

Bem, voltando aos candidatos, eles refletem o problema crônico em todas as esferas e variáveis do empreendedorismo brasileiro. Nos últimos anos o empreendedorismo ganhou notoridade, com o advento do termo start-up, de repente, todo mundo é empreendedor e tem uma start-up (de tecnologia normalmente),  e logo se vai associando empreender com tecnologia e inovação, que é o que vemos nos discuros e planos dos candidatos. Inovar não é só tecnologia, o Seu João que modifica o carrinho de pipoca dele ou seu processo de venda, de modo a aumentar sua capacidade produtiva também inova, mas que apoio ele tem do governo? Menos burocracia? Cartão BNDES? Qualificação gratuita? Aprendiz?

O papel fundamental que os micro, pequenos e médios empresários exercem na economia é sábido há anos. Os nossos futuros candidatos precisam entender que o nosso país, a nossa economia é um grande organismo vivo interligado e que, muitas vezes, priorizar somente uma coisa pode prejudicar o todo. Tipo aquela experiência de comer McDonalds todo o dia. Está na hora de parar de reduzir impostos para aumentar o consumo (IPVA para carros e eletrodomésticos), é preciso reduzir e simplificar impostos para melhorar a produção, estimular o desenvolvimento e crescimento, melhorar a atratividade para que o empreendedor permaneça empreendedor. Nenhum deles se quer fala em mexer nas leis trabalhistas, que são do século passado. Por exmeplo, a 40 anos atrás não existia o conceito do Home Office, hoje, muitas pessoas ao redor do mundo o praticam, como isso é visto pela Lei?

O plano de governo do Aécio, as diretrizes o empreendedorismo (especificamente), é tratado em uma página e meia das 76 do documento. O da Dilma não é diferente, as palavras são mais ou menos as mesmas, o que esperamos é a ação, pois palavras (promessas), em política é como água na chuva.

Boa sorte a nós brasileiros.

 

A volta dos que já foram

2 de outubro de 2014

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira

De volta ao Brasil. Depois de minha longa estadia na Índia, estou de volta ao dia a dia da Carbono Zero. Vocês sabiam que, logo, logo, completaremos quatro anos de vida? Pois é, o tempo passa. Contente por fazer parte das mudanças que a Carbono Zero desencadeou.

Para medir essas mudanças, acho que o Google é uma boa métrica. A palavra courier (em caso de dúvida, essa é a escrita correta mesmo, palavra estrangeira) nem era buscada antes da nossa empresa existir. Hoje é comum ver ‘courier’ entre as palavras compradas (ad words). Quando viajei não tinha nem ciclovia na Rua Vergueiro ainda, imaginem?

Tantas mudanças e tantas ainda por vir.Retornar a empresa esta sendo super legal, é como começar de novo. A Carbono Zero vem passando por diversas mudanças e uma delas, se vocês não sabem, é a implementação da scooter elétrica. Isso mesmo! Acredito que somos a primeira empresa no Brasil a usar esse tipo de veículo para esse serviço.

Isso possibilita uma maior abrangência para os nossos serviços. Por exemplo, atendermos a grande São Paulo ou transportar volumes e pesos maiores.

E o nosso sistema? Outra conquista, desenvolvido in-house, traz diversos relatórios para o nosso cliente e um deles é o ambiental, com a emissão evitada. Inédito! Nenhuma outra empresa de transporte no Brasil faz isso!

Essas são realizações de mais algumas etapas em direção ao nosso objetivo maior (que já comentei em posts passados), de sermos uma empresa de logística 100% carbono zero. E, claro, tem gente (concorrente), vindo no embalo também, mas tudo bem, quem ganha é o próprio planeta. Essa é a parte boa de ter negócios como o nosso: quanto mais, melhor!

Energias renovadas, isso não tem preço. Ter seu poder criativo de volta, quando se é empreendedor, não tem preço. Esse é o contexto que é preciso entender, a sua empresa, o seu projeto precisa chegar ao ponto de poder caminhar sem você, para que, justamente, você possa ajudá-lo mais.

Não tenha receio de delegar as coisas operacionais, mesmo que envolva mais gastos, o seu tempo e sua atenção nas coisas importantes para o seu negócio, valem mais!Até a próxima, Rafael

Paciência, humildade e amor… lições que o empreendedor pode aprender na Índia

25 de setembro de 2014

Rafael Mambretti é fundador da Carbono Zero Courier

Minha viagem à Índia está chegando ao fim. Passaram-se pouco mais de três meses e não dá para colocar em palavras o que experienciei, o quanto aprendi e regozijei nessa terra que é como uma mãe. Ela aceita – em sua casa – pessoas dos mais variados lugares e com diferentes anseios. Mudei de uma forma que minha mente se quer consegue ou conseguirá perceber. A Índia foi direto para o meu coração e por lá ficará.

O que é tangível vou tentar compartilhar com vocês. Não são conselhos, não é uma receita de “como fazer”, mas espero que a minha experiência possa levar à reflexão.

Lição 1 –  Paciência
Diariamente criamos expectativas. Se não se tornam realidade ficamos insatisfeitos, tristes, irritados e perdemos essa paz. É preciso entender que tudo tem um tempo certo (que muitas vezes não é o nosso), assim como na natureza.

Lição 2 – Humildade
Acho que é auto-explicativo. Humildade é uma virtude rara no mundo de hoje e isso inclui os negócios. “Quando uma árvore está carregada de frutos, ela se curva”.

Lição 3 – Amor
E não é só pelo que se faz ou pelo seu filho, seu irmão, seu marido, sua esposa ou pelo seu “trabalho”. É preciso ter um amor universal por tudo e todos. Tratar com respeito e compaixão sem olhar a quem.

Lição 4 – Desapego
Não é indiferença! Entenda que não precisamos de algo ou alguém para sobrevivermos. Se tivermos que fechar um negócio, começar outro ou vendê-lo, não se prenda, desapegue-se!

Lição 5 – Perdão
Perdoar para esquecer (forgive to forget ou vice-versa). Já carregamos tanta coisa em nossas costas, se não perdoarmos não deixarmos para trás, acumularemos peso desnecessário.

Lição 6 – Ética
Leia-se honestidade, transparência e respeito. Para com tudo e com todos. Inclusive com você.

Lição 7 – Fé
Acredite! Se é algo que vem do seu coração e você realmente sabe quando vem dele, acredite! Se nossos desejos são sinceros e por um bem maior, eles tendem a se concretizar, tenha fé!

Nos próximos posts voltaremos ao Brasil e à Carbono Zero Courier.

Abraços!

O que pode atrapalhar o empreendedor? Seu coração mole!

14 de agosto de 2014

Na semana passada, iniciamos um post que relata a entrevista com um empreendedor indiano. Seu nome é Dave, sua vida profissional é empreender. Dave nunca foi funcionário antes, sempre buscou fazer as coisas ele mesmo. Desde empresa de segurança, investigação privada, até construtora, Dave compartilha sua experiência e aprendizados.

1) O que acha da economia da Índia e como ela afeta os seus projetos?
Aqui há uma necessidade para os nossos projetos. Por isso, é algo que, independentemente de qualquer coisa, a necessidade existe e existirá por um bom tempo. Por exemplo, o empreendimento de auto-socorro, a Help On Wheels. O custo para o cliente é baixo. O usuário paga cerca de 60 rupes (R$2) por mês. É como uma assinatura, paga mensal e quando precisar usa. Você junta um custo baixo com uma necessidade e terá clientes.

2) Como seus empreendimentos estão indo?
Estão indo bem. As receitas estão aumentando mês a mês para a Help On Wheels. Melhor do que eu esperava, principalmente na Ojaswini (empresa de compra de terrenos), os preços da terra tem aumentado, a demanda tem aumentado, o governo tem planejado bastante coisa para a região, o que aumenta o valor e a atratividade.

3) As metas têm sido atingidas? Como está o crescimento?
As metas têm sido atingidas. Estamos prevendo uma lucratividade 150% maior para 2014. Para o auto-socorro, o break even está previsto para três anos, mas a receita vem aumentando mês a mês. Iniciamos com cerca de 50 clientes e atualmente estamos com mais de 3 mil. Até o fim do primeiro ano, esperamos ter cerca de 40 mil clientes.

4) Os maiores erros que você cometeu?
Meus maiores erros foram (e são) na contratação de pessoas. Tenho um coração mole (risos), então às vezes não consigo me desfazer de profissionais que não estão rendendo e que acabam prejudicando o negócio. Já compramos terra para a construtora que não deu certo, não foi o que esperávamos. No primeiro projeto da Ojiswarini, subestimamos alguns pontos e não fizemos o nosso dever de casa. Por exemplo, não checamos os preços das terras em regiões próximas, não comparamos. Aprendemos bastante com isso, precisamos sempre checar por nós mesmos.

5) Que conselho você daria para quem começar a empreender, seja no Brasil, Índia ou qualquer lugar do planeta?
Primeiro aprender o ofício, ter experiência com o segmento que deseja empreender, paciência é fundamental para lidar com momentos difíceis, levará tempo mas valerá a pena. Determinação, trabalhar duro e honestidade. Não faça só pelo dinheiro, faça por algo mais. “Thumb rule” é o que dizemos para certas coisas aqui na Índia, significa algo universal, por exemplo, você sempre tranca seu carro quando sai dele. O mesmo se aplica aqui, acho que esses são conselhos universais, que não devem ter fronteiras para quem quer empreender.

Uma típica reunião empreendedora na Índia…pavão e rei mediador

24 de julho de 2014

Rafael Mambretti é empreendedor em São Paulo, mas resolveu passar um período sabático na Índia. É de lá que ele escreve toda semana.

Se você não leu o post da semana passada, leia! Ele te ajudará a entender melhor o meu dia na vida de um empreendedor indiano. Recapitulando, acabamos de sair de um prédio que havia sido tomado pela população local por conta da venda de terras que não foram 100% pagas pela empresa que as comprou. Obviamente fiquei surpreso, mas não pela posse a força, mas sim pela razão. A população local não deixou quieto, é simples: não vai pagar? Então vamos tomar o seu prédio até que tudo seja resolvido.

Após a reunião no prédio, seguimos viagem para algumas horas depois (não use o Brasil como referência. na Índia 200 quilômetros podem significar quatro horas de estrada) chegarmos ao nosso (suposto) destino final. Particularmente, esperava chegar as terras onde o primeiro grande empreendimento da Ojaswini estaria, mas ao invés disso chegamos a um hotel; segundo Dave trata-se de uma propriedade do governo indiano.

Passados alguns minutos, uma pessoa que aparenta trabalhar para Dave veio nos encontrar. Comemos algo rapidamente e fomos seguindo o mais novo membro da nossa pequena comitiva. Não muito longe do hotel saímos da estrada e entramos naquilo que parecia ser uma grande propriedade particular.

O local era bem calmo, tranquilo e estava muito calor, mas naquele belo lugar, em meio ao silêncio da natureza e as sombras das árvores, já não fazia mais diferença se estava calor ou não. De repente avistei um pavão! Nunca tinha visto um assim, ‘solto’ na natureza! Vemos no zoológico, mas nunca em sua plena liberdade.

Fiquei encantado! Pedi e pararam para que eu pudesse tirar fotos.Um pouco mais para frente, chegamos em meio a duas grandes casas (descobri depois que as casas tinham mais de 200 anos) e algumas pessoas já estavam por ali. Mal sabia eu que estava para começar a mais longa e estranha (para a minha mente ocidental, claro) reunião da minha vida.

Havia cerca de 6 pessoas sentadas – ao ar livre – em cadeiras de plástico comum. Nos foi oferecido água e logo o bate- papo iniciou-se. Boa parte do tempo Dave, assim como as pessoas presentes, direcionavam seus argumentos para um dos homens sentado. Aparentemente não havia nada que poderia destacá-lo dos demais: não era mais velho, suas roupas não eram diferentes das dos outros, então, passou pela minha cabeça que ele era o chefe (assim como na outra reunião) do pessoal da vila, mas ao mesmo tempo não parecia ser, minha mente limitada não conseguia resolver este pequeno enigma.

Após 20 minutos de conversa, sem mesmo saber Hindi (língua falada nessa região da Índia), era perceptível um impasse. Parecia que a reunião não fluía, durante esses 20 minutos alguns participantes faziam e recebiam ligações. A resposta da minha indagação seria respondida, mais pessoas começaram a chegar em motos (sem capacete, diga-se de passagem) e o que eram 6 pessoas que não chegavam a um consenso agora passariam a ser 10.

Mesmo com o reforço, a dinâmica continuava a mesma, todos miravam a mesma pessoa para trazer seus argumentos, mas esse enigma ainda seria respondido.  Deus intervém, o que todo mundo estava desejando e pedindo acontece: chuva! E das boas! A reunião é interrompida, vamos para uma parte coberta, um lustre bem antigo me chama a atenção, vale uma foto.

Foi o estilo do lustre que me levou a questionar quantos anos as casas tinham. A resposta? Mais de 200 anos e faziam parte de um antigo reino que existiu na região. Não bastasse a surpresa da idade das casas, Dave continua e me informa que o homem a que todos se dirigem na conversa nada mais nada menos é do que uma pessoa da linhagem do antigo rei da região, por isso é bem respeitado e está fazendo o papel de mediador na reunião.

Imagina!  Semana que vem é o desfecho!

Não perca o fim da trilogia de um dia na vida de um empreendedor indiano, e que dia!  Namastê, Rafael

O que um empreendedor na Índia pode ensinar aos brasileiros

17 de julho de 2014

Rafael Mambretti é empreendedor e escreve da Índia toda semana

Conheci Devendra Singh Parmar, ou Dave para simplificar, em uma visita ao sagrado Rio Ganges. Lá, ele contou um pouco de sua história e do que fazia. Por muitos anos, Dave trabalhou com mármore aqui na Índia, aprendeu tudo que tinha que aprender, depois passou para o ramo da construção e finalmente chegou ao seu empreendimento atual: a Ojaswini Infratech Pvt. Ltd.

No meu retorno a Delhi, contatei Dave e perguntei se ele gostaria de compartilhar seu conhecimento, mesmo que sendo para o público brasileiro; ele topou! Esse e outros posts tentarão trazer como é o dia a dia, a experiência, os desafio e as vantagens de ser um pequeno empresário na Índia.

Segunda-feira, 14 de Julho de 2014. São 7 da manhã, lá fora, 40º centígrados. Dentro da casa, 39º centígrados – ainda bem que existe ar-condicionado. Quem pode tem, quem não pode, assim que puder, terá um. Ar-condicionado, por causa do calor, é um grande mercado na Índia. Acordamos, Dave levará seus filhos na escola perto de sua casa. Depois, ele me sinaliza que iremos visitar o ‘site’, ou seja, o local onde sua empresa está construindo o primeiro de vários empreendimentos que marcam um novo rumo, tanto para Dave, quanto para a Ojaswini.

Trata-se de um condomínio residencial. Isso mesmo, desses que existem aos montes no Brasil e que começam (cada vez mais) a pipocar na Índia. O empreendimento fica a caminho de Jaipur, cerca de 220 quilômetros do local onde estamos. Jaipur é conhecida como a Cidade Rosa, uma das mais antigas do mundo. Antes mesmo de sairmos da cidade, encontramos o responsável pelo departamento de marketing da empresa, ele se junta a nós rumo ao ‘site’.

Antes mesmo de alcançarmos a metade da viagem, uma primeira parada para visitarmos um antigo amigo de Dave. Como acontece em muitos lugares na Índia, fomos bem recebidos e bem tratados. Chá e aperitivos indianos à vontade, praticamente um café da manhã. Ao sairmos, pergunto ao Dave o que o amigo dele faz, ele responde falando que ele é dono de várias terras ali na região. Retomamos a estrada, menos de uma hora depois e uma nova parada. Dave quer tirar fotos de uma região à beira estrada, disse que o lugar tem potencial para ser um futuro projeto.

Gostei do que ouvi, Dave já está pensando lá na frente, daqui três ou cinco anos, apesar de tanta coisa que é necessário ser feita no presente, é importante não negligenciar o futuro. Eu avisto um prédio rosa, no meio do nada, escrito “Builders Incorporation Pvt. Ltd”, imagino que ali seja o escritório de uma empresa que fornece mão de obra para construções. Para minha surpresa, cinco minutos depois Dave faz um retorno na estrada (a palavra correta seria, cria, pois os indianos no trânsito criam suas próprias vias e caminhos), e volta em direção ao prédio.

Novamente, ele disse que iria parar para visitar um velho amigo. Chá, conversas em Hindi e cerca de 45 minutos depois estamos rumo ao projeto. Questiono quem eram as pessoas com quem conversamos, Dave explica que eles são moradores da vila  e um deles (o que estava sentado na cadeira mais confortável e atrás da mesa) é o chefe do lugarejo. Eles, os moradores da vila, venderam parte da terra para uma empresa que fez uso, mas não pagou 100% do combinado. Resultado? Eles tomaram o prédio da empresa enquanto a companhia não paga. Simples não.

Surpreso? Espere até o próximo post, quando pretendo contar como foi uma das reuniões mais complicadas (e longas), que já presenciei.

Namastê, Rafael

A Copa do Mundo, mudando o mundo

9 de julho de 2014

Rafael Mambretti é dono da Carbono Zero Courier

Não estava na pauta fazer um post sobre o impacto da Copa do Mundo nos negócios, mas aí vai.

Normalmente, quando se fala em Copa do Mundo, jogos olímpicos e outros mega eventos esportivos, pensa-se nas oportunidades de se fazer dinheiro. Poucas são as iniciativas (que eu conheci), como o Imagina na Copa (Google it!), uma ação que não mira retorno financeiro.

Aqui onde estou, na Índia, a Copa do Mundo é uma febre, principalmente a seleção brasileira. Os indianos (quando eles sabem o que é o Brasil), gostam de futebol, gostam dos nossos jogadores e nos apoiam. Assim como acontece ai no Brasil, aqui também têm promoções relacionadas à Copa, propagandas na TV, patrocinadores oficiais e canais exclusivos para a cobertura do evento. Os indianos (ainda) não pleiteiam um lugar no futebol mundial, mas já vivem a febre da Copa.

Mesmo aqui, “isolado” nos Himalaias, tenho assistidos aos jogos, mas, principalmente, tentado analisar a repercussão deles, que acontecem no período da noite para mi, em dois horários basicamente: 21h30 e 1h30 da manhã. E na madrugada o twitter está movimentado! Os indianos, que são mais de 1,2 bilhões de pessoas (só perdem para a China), estão ligados e apaixonados por futebol.

O impacto para nós no Brasil é o mesmo de qualquer empresa, horários diferenciados, trânsito, potenciais variações de humor e empolgação quando o horário vai chegando. O famoso acordo para cumprir o horário ajuda, mas não é o ideal e nem sempre o que o cliente quer. Nessas horas vale a compreensão. Na última Copa do Mundo a Carbono Zero Courier ainda não existia na prática, era apenas um plano de negócios.

No fundo, realmente espero que o retorno (em todos os aspectos), seja muito maior que o prejuízo. Caso contrário, se a Copa do Mundo fosse um negócio (e acho que é), nós, empreendedores, saberíamos que com resultado negativo, não duraria muito.

Que o resultado seja o melhor para o povo brasileiro!

Namastê,

Rafael

 

Treinando o inimigo

12 de junho de 2014

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira

O título foi baseado naquele filme, “Dormindo com o inimigo”. Apenas uma brincadeira ou trocadilho com o fato de que já tivemos (mais de 1x), pessoas que deixaram a nossa empresa e foram (tentar), empreender uma “igual”; ou seja, viraram nossos concorrentes.

A primeira vez que esse fato ocorreu foi uma surpresa, por uma séria de razões, mas compreensível. É relativamente natural esse movimento, ocorreu e ocorrerá, com diversas outras empresas. Prepare-se! =)

Nossa maior preocupação nunca foi em termos mais um concorrente. Em posts anteriores escrevi (e sempre disse), que eventualmente concorrentes surgiriam e, novamente, isso é natural. O principal é a qualidade que o serviço será prestado, a imagem que isso passará para clientes, parceiros, mídia etc.

Não desejamos que se crie um estigma negativo para os ciclistas entregadores, consequentemente para as empresas que prestam o serviço.

Essas pessoas que fizeram isso, foram treinadas, aprenderam com nossos erros e acertos. Colaboraram para o crescimento e – em um determinado momento – entenderam que talvez ganhariam mais dinheiro “sozinhos” (esse não foi o único motivo para fazerem isso, mas normalmente é o principal).

Particularmente, eu fico feliz que as pessoas resolvam passar por isso, viver essa experiência. Infelizmente, a grande maioria dos seres humanos não consegue entender o que é calçar os sapatos dos outros até que o faça! Ou a história da “grama do vizinho ser mais verde”. Vivenciar a experiência de montar uma empresa e “ser o chefe”, ajuda a entender os dois lados da moeda: de ser chefe e de ser funcionário.

Nenhuma das pessoas que fizeram isso, até hoje, deram certo. Eventualmente o serviço deixou de ser prestado. Espero que, acima de tudo, fique o aprendizado.

Mais uma vez, obrigado pelo tempo e atenção.