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Blog do Empreendedor
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Chegou o dia da despedida

24 de fevereiro de 2015

Chegou o dia da despedida. Depois de vários posts publicados aqui no Blog do Empreendedor, é hora de devolver o espaço ao nosso editor, Daniel Fernandes, para que os estimados leitores possam ouvir histórias diferentes, novas e, certamente, inspiradoras.

Temos muito a agradecer ao Ilan Kow, ex-diretor de Projetos Especiais do Estadão, que nos apresentou ao Daniel, no começo da nossa caminhada para criar uma nova marca de queijos. E especialmente ao Daniel, que nos confiou este importante espaço para que pudéssemos compartilhar com os leitores um pouquinho das nossas experiências.

Como já dissemos em um post anterior, é impressionante como é benéfico ao empreendedor se aventurar a escrever e contar sua história. Não só pela óbvia exposição que ganha, dando a oportunidade de expor a um número muito maior de pessoas a sua mensagem. Mas também porque escrever cada post exige um esforço mental enorme, muita concentração e pesquisa. Parece fácil, mas não é. Normalmente levávamos uma manhã inteira. Às vezes, um dia todo.

Lembrando: não somos escritores e nem jornalistas. Nos falta prática e formação na área. E é aí que está o grande ganho. A cada post, éramos obrigados a pensar e repensar o que estávamos fazendo, em busca de uma história interessante para contar. E em muitas repensadas, novas ideias – para o nosso negócio – surgiam. Também aprendíamos muito em nossas pesquisas para poder escrever. Pesquisas que não teríamos feito, não fosse o blog.

Para fechar, gostaríamos de dizer que empreender não é fácil, mas é altamente gratificante. Ter uma ideia e vê-la, meses ou anos depois, materializada seja na forma de um produto na gôndola de um supermercado ou na forma de um aplicativo para smartphone, é motivo de grande satisfação. Empreendedores criam empregos, geram desenvolvimento e podem contribuir para que sua cidade, estado ou país se tornem lugares melhores. Empreenda, vá em frente. O Brasil precisa de mais pessoas assim.

Bruno e Juliano fundaram a Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e agora, à frente da Pomerode Alimentos, trabalham na criação de uma marca de queijos especiais.

Quero montar um negócio para vender!

17 de fevereiro de 2015

Na semana passada recebemos a notícia da união entre as Cervejarias Bohemia e Wäls. Foi inevitável lembrar da nossa história, quando vendemos a Cervejaria Eisenbahn em 2008 para o grupo Schincariol, hoje Brasil Kirin.

Interessante que encontramos comentários muito legais, de apoio e admiração, e algumas poucas críticas mais agressivas, parecidas com as que recebemos em 2008 como as que diziam que as cervejas nunca mais seriam as mesmas e que tudo estava perdido.

Logo que anunciamos a venda da Eisenbahn, algumas pessoas nos disseram que as cervejas já haviam mudado sendo que os lotes de cerveja aos quais elas se referiam haviam sido produzidos antes da venda da empresa.

Mas o nosso objetivo nesse post é falar da transação em si, um grande grupo empresarial procurando uma pequena empresa para comprar ou para formar uma sociedade, e não dos comentários ou críticas que aparecem, ou do que vai ou não acontecer após o anúncio da operação.

Se um grande grupo procura uma empresa pequena, é por que alguma coisa boa está sendo feita, ou seja, um bom trabalho está sendo feito. Bons produtos foram criados, uma boa estratégia de marketing montada, uma boa rede de distribuição estruturada, etc. E isso deve ser motivo de muito orgulho para o empreendedor.

Algumas pessoas já nos procuraram para trocar experiências sobre novos projetos e acabaram relatando que o objetivo  principal era, no final das contas, buscar a venda para um grande grupo, dando uma grande tacada.

Não acreditamos nesse tipo de trabalho, e ainda não vimos nenhum desses, pelo menos os que  conversamos, atingir seus objetivos. Nunca pensamos em vender a cervejaria. Esse nunca foi nosso objetivo e nunca imaginamos que isso pudesse acontecer algum dia. Inclusive, um dos motivos que nos levaram a escolher esse negócio foi o fato de termos encontrado pelo mundo muitas cervejarias que já passaram por diversas gerações e ainda estão por aí em atividade.

Acreditamos sim, no trabalho feito com paixão, com determinação, com dinamismo, com qualidade, com organização, com respeito e com inovação. O resto, ter uma empresa que passe por gerações e gerações ou que seja procurada por um grande grupo para uma aquisição ou para uma sociedade, é mera consequência.

Bruno e Juliano fundaram a Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e agora, à frente da Pomerode Alimentos, trabalham na criação de uma marca de queijos especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

Não é só a paleta que não se parece com a mexicana… É o capuccino, o iogurte grego, o queijo Gruyere…

10 de fevereiro de 2015

Cliente: Por favor, um Capuccino.

Atendente: Com canela?

Cliente: Não, apenas café e a espuma do leite.

Atendente: então o senhor não quer um capuccino. Capuccino tem chocolate e canela.

Cliente: Então me veja um café com leite

Atendente: Ah, o senhor quer uma média? Por que não falou antes?

Cansamos de vivenciar o ocorrido acima até o ponto em que desistimos. Se não estivermos em uma das boas e poucas cafeterias que já temos no Brasil, é mais garantido pedir uma média. Até já nos perguntaram: capuccino italiano ou brasileiro? O italiano, nesse caso, vinha com chocolate.

Todas as vezes em que nos deparamos com uma situação como essa, nos perguntamos: por que é que no Brasil as coisas tradicionais tem que ser distorcidas. Por que chamam de capuccino um café que em nada se parece com um tradicional italiano?

A matéria publicada no último dia 5 no Estadão PME sobre a febre das Paletas Mexicanas demonstra mais um caso como o descrito acima: as paletas “mexicanas” brasileiras só se assemelham as mexicanas legítimas pelo formato. Lá, não são recheadas, não são cremosas e não são feitas com leite condensado e brigadeiro. Porque chamá-las, então, de Paletas Mexicanas?

Vamos mais adiante. Quem conhece um iogurte grego de verdade sabe que o que nos vendem aqui no Brasil também está longe de ser parecido com o tradicional. Açúcar em excesso e cremosidade de menos são as características da maioria dos iogurtes “gregos” brasileiros. Os tradicionais tem menos açúcar, e por isso são mais ácidos. E mais saudáveis.

E no mundo dos queijos, segmento em que atuamos? A “grande” contribuição brasileira foi chamar de Gruyere um queijo que em nada, mas em nada mesmo, se assemelha ao Gruyere original. O Gruyere brasileiro é todo furado. São as chamadas olhaduras. O Gruyere suíço não tem furos. O sabor é, também, completamente diferente.

E assim vamos nós, ingênuos consumidores brasileiros, acreditando naquilo que nos vendem, por falta de referências e informação.

Desde a época da Cervejaria Eisenbahn, gostamos de fazer as coisa da maneira correta. Educar o consumidor, ser honesto com ele, vender gato por gato. Não chamávamos nossa cerveja por um nome e envasávamos outro líquido dentro. E não faremos queijos tradicionais apenas no nome, mas também nas receitas. Está aí um grande diferencial que as pequenas e médias tem frente aos grandes, que precisam “popularizar” suas receitas para vender volumes imensos. Eles não podem ter rejeição. Nós podemos.

Não estamos dizendo que aqui só se deve copiar o que existe lá fora. Mas se lançar um produto inspirado lá fora, mas com características diferentes, por favor, escolha um novo nome para ele.

Bruno e Juliano fundaram a premiada Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e tocam uma fábrica de queijos especiais em Pomerode. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

Até a Amazon e o Google erram. E feio!!!!

3 de fevereiro de 2015

Bruno e Juliano Mendes escrevem todas as terças no Blog do Empreendedor

Nos últimos dias fomos surpreendidos pelo anúncio de que a Google estaria colocando seu projeto do Google Glass em repouso. Um dos maiores fracassos em vendas, no ano passado, nos Estados Unidos, foi o Amazon Fire Phone, seu smartphone que hoje não tem custo nenhum, dependendo do plano da operadora escolhido pelo usuário. Até a Apple já errou dezenas de vezes.

É possível listar inúmeros projetos fracassados, não só na área de tecnologia, mas em qualquer segmento de negócios.

Nós mesmos tivemos uma experiência fracassada, ao tentar colocar no mercado de Blumenau um restaurante italiano chamado io. Contamos essa experiência em um post passado.

Enquanto a Cervejaria Eisenbahn era nossa, colocamos no mercado 12 cervejas diferentes. Esperávamos vendas muito maiores de algumas, e nos surpreendemos com vendas acima do previsto em outras.

Agora, na Pomerode Alimentos, estamos passando pela mesma experiência. Colocamos mais de 10 produtos no mercado em um período de um ano. Alguns estão engatinhando. Outros, surpreenderam. Exemplo de vendas muito maiores que a expectativa é do nosso kit com 4 bisnagas de Cremes de Parmesão. Criamos esse produto apenas para atender nossa loja de fábrica e alguns pontos turísticos em Pomerode. No entanto, ele foi o produto mais vendido, e com bastante folga para o segundo, nos últimos 4 meses.

Fica a pergunta: como acertar a mão no lançamento de um novo produto? É claro que grandes empresas têm em mãos ferramentas extremamente sofisticadas para diminuir os riscos. Contam com orçamentos parrudos para fazer pesquisas, criar protótipos, analisar a concorrência. Pequenas empresas, como a nossa, contam basicamente com estatísticas de vendas, observação e, principalmente, intuição.

Mesmo assim, diante dos inúmeros fracassos de companhias gigantes como as citadas acima, e também de muitas empresas pequenas com orçamento curto, diríamos que é impossível prever com precisão o possível sucesso ou fracasso de um produto.

Só há uma forma de saber: tentando. E é assim que esperamos enfrentar esse ano difícil que nos aguarda. Temos uma meta bastante audaciosa, de levar nossa linha de produtos atual, que conta com 16 produtos, para 50. Alguns devem surpreender, outros fracassar. Faz parte do jogo.

Ainda sobre Dominique Ansel e o sucesso do Cronut

27 de janeiro de 2015

Em nosso post da semana passada sobre o Cronut, doce que mais faz sucesso em NY, fomos surpreendidos por uma repercussão recorde em nossas postagens desde que assumimos o espaço das terças-feiras aqui no Blog do Empreendedor. Foram mais de 8 mil recomendações no Facebook.

Na sequência, nosso editor, o Daniel Fernandes, explorou um pouco mais o assunto, em texto publicado no seu post do dia 21 de janeiro. E mais 6 mil recomendações no Facebook.

Não há dúvidas de que o assunto gerou interesse. Mas a ideia no post de hoje não é aproveitar o que deu certo e chover no molhado. Voltamos a falar de Dominique porque fomos surpreendidos, também na última semana, pela notícia de que ele abriria no West Village uma nova confeitaria. Lendo o título, imaginamos: ah, Dominique se rendeu. Vai produzir o Cronut em outra região da cidade e aproveitar a onda de sucesso de sua criação para aumentar seu faturamento.

Engano nosso. Dominique segue contra o que qualquer empreendedor, pequeno ou grande, provavelmente faria. Ele não venderá, em sua nova confeitaria, seu famoso Cronut.

No cardápio do Dominique Ansel Kitchen, que é como se chamará seu novo empreendimento, madeleines, mousse de chocolate e mille fueille, clássicos consagrados da pâtisserie francesa. E como inovação sempre acompanha sua carreira, um inédito (pelo menos para nós) menu degustação de sobremesas servido à noite em uma mesa comunitária. Além disso, Dominique comenta que o que mais lhe incomoda em confeitarias tradicionais é a falta de frescor nos doces, uma vez que tudo é produzido com alguma antecedência. Em seu novo negócio, 70% dos doces serão produzidos mediante pedido. Ou seja, tudo fresquíssimo.

Difícil entender o que se passa na mente de Dominique. Imagine a tentação que qualquer um de nós teria, de aumentar a produção do produto mais famoso, em busca de maiores retornos financeiros? Mas aparentemente não é só isso que move Dominique. E talvez esteja aí uma das razões de seu enorme sucesso.

Para saber mais sobre o novo projeto de Dominique, acesse a Dominique Ansel Kitchen.

Bruno e Juliano fundaram a premiada Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e tocam uma fábrica de queijos especiais em Pomerode. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

Como remunerar a equipe de vendas

16 de dezembro de 2014

Decifrar um holerite, no Brasil, é tarefa para poucos. Quem aí não se deparou com dúvidas e recebeu a orientação para ligar para o escritório de contabilidade da empresa, pois nem mesmo o pequeno empresário, no caso, seu empregador, sabia explicar sua composição? Ou o contrário. Quem aí já não soube explicar, no dia do pagamento, o que eram aqueles inúmeros descontos e termos estranhos presentes no holerite dos seus funcionários?

As duas situações fazem parte da vida de pequenas e até médias empresas. É a tal complexidade de se fazer negócios no Brasil.

Então porque algumas empresas complicam ainda mais, ao montar um plano de remuneração bem “sofisticado” para a equipe de vendas?

Os objetivos são vários. Entre eles, é claro, tentar buscar o maior rendimento possível dos vendedores. Ou então, garantir que não se acomodem e acabem recebendo os bônus sobre um bom desempenho de alguns vendedores que normalmente se sobressaem. Pode ser, também, para garantir vendas com boa rentabilidade, não apenas altos volumes.

Enfim, a questão é que, no final das contas, gasta-se um tempo enorme gerenciando tudo isso. E tempo é justamente o que pequenos e médios empresários não tem. São sistemas que tornam tanto o fechamento desses números, quanto o entendimento por parte da equipe de vendas, muito complicados.

Quando tínhamos a Cervejaria Eisenbahn, fizemos justamente isso: um sistema cheio de metas e desafios. Batendo a meta de valor vendido, ganhava-se um bônus. Bateu o volume em litros, outro bônus. Atingindo a meta de abertura de novos clientes, mais um. E de cobertura, ou seja, número de clientes atendidos no mês, uns Reais a mais. E este não é, nem de longe, o quão complexo um  plano de remuneração pode ser. Ouvimos, nos últimos meses, relatos de empreendedores que adotaram planos muito mais complexos.

Hoje estamos mais experientes, mas com menos tempo do que já tivemos. E nem sinal de que isso venha a melhorar. Então estamos optando por simplificar, em tudo, a operação da Pomerode Alimentos, empresa que assumimos há aproximadamente um ano e meio. E isso inclui o plano de remuneração da equipe de vendas. Nada de metas sem fim. Temos um fixo e um variável. O variável é um percentual sobre as vendas. Quanto mais venderem, maior o salário. Nada mais justo, não é?

E quanto a garantir que as vendas sejam feitas com rentabilidade, que haja crescimento constante na base de clientes, entre outro objetivos importantes para a empresa? Boas conversas e uma correta orientação por parte dos gestores, além de cobranças e acompanhamento já deveriam ser suficientes. Adotamos essa prática, e não nos arrependemos disso.

Bruno e Juliano fundaram a Cervejaria Eisenbahn, um pub inglês em Blumenau e agora, à frente da Pomerode Alimentos, trabalham na criação de uma marca de queijos especiais. Escrevem todas as terças aqui no Blog do Empreendedor.

 

Quando se trata de negócios, o melhor é a casa própria ou o aluguel?

2 de dezembro de 2014

Uma pesquisa realizada no ano passado pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em parceria com o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBPQ) e o Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com o apoio do Sebrae, revelou que o principal sonho dos brasileiros continua sendo adquirir a casa própria (45,2% dos votos). Mas e quanto à sede da sua empresa? É melhor alugar ou ser o dono do imóvel onde seus negócios crescem e acontecem?

Acreditamos que ter casa própria é algo ligado principalmente com o emocional, com a segurança de saber que ninguém pode tirar você e a sua família aquele pedaço de chão. Mas, em negócios, é sempre melhor deixar o emocional de lado. E tem muito empreendedor que acaba obcecado pela ideia de adquirir sua sede própria, sem calcular e analisar suas opções. Às vezes, deixam até mesmo de fazer uma ideia de negócio se concretizar pela falta de dinheiro para comprar um imóvel, sem considerar que virar locatário pode ser uma ótima opção para começar um empreendimento.

Em todos os nossos negócios, trabalhamos com sedes alugadas: na Cervejaria Eisenbahn, no The Basement, nosso pub inglês no centro da cidade; e agora na Pomerode Alimentos.

Por quê? Porque sempre, na ponta do lápis, alugar era a melhor opção, financeiramente e, também, estrategicamente. Muitas vezes, o dinheiro investido na compra de um imóvel pode render mais em um investimento financeiro, ou, ainda, ser utilizado como capital de giro na empresa, essencial para fazer um novo negócio crescer.

Estrategicamente, as vantagens de alugar sua sede, principalmente no início de um empreendimento, é que você pode se mudar para um lugar maior ou menor, ou numa localização melhor, se adaptando à realidade e ao desempenho do seu negócio. E, no fim das contas, o grande medo: e se tudo der errado? Aí, é bem menos complicado quando basta cancelar o contrato de aluguel e começar a planejar sua próxima tentativa.

Claro que há fatores que podem fazer da aquisição de um imóvel a melhor opção. Áreas que estão em franca valorização ou negócios que exigem uma infraestrutura cara ou não readaptável, por exemplo, podem levar empreendedores a investir suas reservas financeiras na sede própria. O ideal, neste caso, é que a empresa já esteja consolidada (até por que é difícil que um empreendedor iniciante tenha dinheiro para fazer uma compra neste valor). Outra opção, ainda, é conseguir um investidor que construa sua sede em troca de um longo contrato de aluguel.

Bruno e Juliano Mendes são empreendedores e criaram a Cervejaria Eisenbahn.

Onde o funcionário tem mais voz: na grande ou na pequena empresa?

25 de novembro de 2014

Bruno e Juliano Mendes escrevem toda terça-feira

No começo da semana passada, tivemos a honra de participar como palestrantes da edição blumenauense da Semana Global de Empreendedorismo. Em certo ponto, começamos a argumentar os motivos que nos levaram a trabalhar por tão pouco tempo, pouco menos de um ano, como colaboradores do Grupo Schincariol, logo após vendermos a Cervejaria Eisenbahn para eles, em 2008.

Tivemos dificuldade para lidar com os trâmites de uma empresa onde tudo precisa ser analisado e aprovado por diretores, gerentes, etc. Quando você tem uma pequena empresa, pode tocar as coisas da maneira que acredita ser melhor, sem delongas.

Então, um jovem na plateia nos pegou de surpresa com uma pergunta simples: “como funciona isso nas empresas de vocês?”. Começamos a nos questionar, revelando ali mesmo, diante de todos, nossas dúvidas. Será que damos espaço e liberdade para nossos funcionários serem criativos e pró-ativos? Será que permitimos que eles tenham o máximo de agilidade? Será que os deixamos tomar decisões sem que antes tenham que nos consultar?

Um empreendedor normalmente tem opiniões firmes, sabe exatamente o que quer e como quer. É algo intrínseco ao perfil empreendedor. O problema é que, desse jeito, muitas vezes ele acaba deixando de ouvir boas ideias, de abrir espaço para os funcionários debaterem e revelarem todo seu potencial. Numa grande empresa, apesar de as decisões serem mais longas e demoradas, as pessoas tendem a ter mais voz e mais poder de decisão.

O equilíbrio é, como sempre, o melhor caminho. Percebemos, depois de tantos anos empreendendo, que a experiência (ou seja, a idade) vai nos deixando menos ansiosos, mais flexíveis, e acabamos ouvindo mais os outros. Lembramos da época da Eisenbahn: éramos jovens e bastante certos das nossas posições. Queríamos resolver tudo do nosso jeito. Aos poucos, e cada vez mais, vamos aprendendo: nem sempre estamos certos. Que bom, para nós, para quem trabalha aqui com a gente e para a perenidade do negócio!

Quem costuma perder tempo com pesquisas de satisfação?

18 de novembro de 2014

Quem costuma perder tempo respondendo a pesquisas de satisfação sobre algum produto ou serviço? Vivemos vidas muito corridas para doar alguns minutos que sejam para esta tarefa. E o pior, na maioria das vezes sequer recebemos uma resposta da empresa, mesmo quando nossa avaliação é negativa. Seria razoável esperar um feedback, especialmente nestes casos.

Em viagem recente a São Paulo, nos hospedamos no Hilton Morumbi. Em determinado momento, veio à cabeça uma dúvida: como é que uma empresa tão grande, totalmente baseada em serviços, consegue oferecer um serviço tão bom em toda a rede.

Dias depois, recebemos por e-mail um pedido para preencher uma pesquisa de avaliação dessa hospedagem. Fomos tão bem atendidos que resolvemos responder. Acabamos dando uma nota não tão alta quanto a maioria delas para o sistema de ar condicionado dos quartos e para o café da manhã. Poucos dias depois, a assistente administrativa do hotel enviou um e-mail para agradecer nossa estada e, mais do que tudo, saber o que tinha acontecido. Queria usar nossa avaliação para, de fato, melhorar o serviço da unidade.

Uma rara lição de atendimento ao cliente. Se você quer ouví-los, precisa dar-lhes um retorno também. E, de preferência, mantenha sua pesquisa curta e objetiva: os poucos que decidirem doar seu tempo para dar respostas vão se desanimar se a coisa toda ultrapassar um minuto.

Já vemos um sistema assim no The Basement, nosso pub inglês em Blumenau, e agora vamos implantar algo parecido no e-commerce da Pomerode Alimentos. Queremos saber como está sendo a experiência de nossos clientes para melhorar cada vez mais! Pesquisar isto é fundamental. Mas não esqueça que essas pessoas querem saber que foram ouvidas, de fato!

 

 

A polêmica do tablet como cardápio (Nem sempre uma inovação é necessária)

11 de novembro de 2014

Bruno e Juliano Mendes escrevem toda terça-feira no Blog do Empreendedor

Hoje gostaríamos de aproveitar nosso espaço aqui no Blog do Empreendedor para lembrar uma experiência de inovação que realizamos no final de 2010, quando abrimos em Blumenau um restaurante de comida japonesa, o Sushi Yuzu. Ao contrário do The Basement, único pub inglês da região, estávamos entrando em um mercado saturado de concorrentes locais e queríamos nos diferenciar de alguma forma para além da qualidade dos pratos, do serviço e do ambiente da casa.

Na época, o iPad ainda estava sendo lançado no Brasil, e fomos pioneiros no Brasil no uso dos tablets como cardápio na casa. Começamos com dois e, quando vendemos o estabelecimento, tínhamos dez iPads circulando pelas mesas do Yuzu. A inovação causou bastante burburinho na cidade e emplacamos em publicações como a revista Info e sites especializados em produtos Apple – e também, eventualmente, em algum artigo de gastronomia. A novidade atraiu muita gente mas, por outro lado, aos poucos fomos vendo que o cardápio acabava afastando algumas pessoas que se sentiam desconfortáveis ao não conseguir utilizar o aparelho.

Muitas vezes, uma inovação não é sempre bem-vinda ou necessária. Quem sabe, hoje, quando pessoas de todas as idades já manuseiam tablets com bastante intimidade, não haveria essa rejeição que notamos. Esse é um dos vários riscos do pioneirismo. Mas, na nossa opinião, sempre vale a pena corrê-los.

Um cardápio digital é uma excelente ferramenta tanto para clientes quanto para o dono de um restaurante. Para quem vende, seu uso ajuda a ajustar os preços dos pratos conforme oscilam as cotações das matérias-primas utilizadas neles, sem necessidade de novas impressões. Também é possível, por exemplo, esconder produtos que estejam eventualmente em falta (evitando explicações envergonhadas do garçom e decepção do cliente) ou realizar promoções, sem ter de ficar grampeando panfletos no cardápio de papel.

Já para quem consome, o cardápio pode se tornar um verdadeiro guia, sugerindo harmonizações de vinhos ou cervejas, trazendo informações sobre a procedência de ingredientes ou auxiliando em buscas na carta de vinhos, etc.
Além disso, o cliente pode vislumbrar imagens dos pratos, o que sempre ajuda a escolher melhor, e também fazer seus pedidos diretamente através do iPad, sem depender o tempo todo do garçom.

No fim das contas, o uso de iPads como cardápio do Yuzu acabou não pegando. E, pelo que vimos, são raros os restaurantes que apostam, hoje em dia, no uso de tablets para isto (vocês conhecem algum?). Talvez pelo preço, talvez porque ninguém mais se surpreende muito com eles – deixaram de ser novidade. Qual a sua opinião?