Blog


Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
Twitter Facebook Orkut
Aumentar texto Diminuir texto

Um segredinho por trás do lançamento de ‘Star Wars’

15 de dezembro de 2015

Não é para menos. Há uma expectativa enorme em torno de ‘Star Wars: O Despertar da Força’. O longa traz o retorno do veterano Harrison Ford ao papel de Han Solo e apenas isso seria motivo suficiente para causar um frisson daqueles em Hollywood. Mas os produtores criaram habilmente uma expectativa ainda maior – e diria até artificial – para a estreia mundial do filme, marcada para a próxima quinta-feira, dia 17 de dezembro.

Por decisão deles, o filme não foi exibido para as associações de críticos. Também o sindicato dos produtores, diretores e atores ficaram a ver navios. Sequer a conceituada Hollywood Foreign Press, que distribui os Globos de Ouro, viu o filme.

Ou seja, criou-se uma expectativa gigante (artificial?) em torno do lançamento, uma estratégia vista com frequência em outros mercados, mas pouco usada em Hollywood. Pedir a opinião dos críticos é arriscado – eles podem detestar o filme. Mas certamente pode garantir alguns ingressos comprados a mais no fim do dia se a recepção é positiva.

Mas é fato! A marca ‘Star Wars’ não precisa dos críticos. E isso ficou claro quando uma das produtoras do novo longa, Kathleen Kennedy, justificou sua decisão. “Desde o começo, respeitamos os fãs. E eles querem ser surpreendidos. Hoje em dia, é muito difícil manter o segredo sobre um longa, muitas vezes o trailer entrega tudo”.

Eis os dois ensinamentos desse lançamento para os empreendedores. Você usa a mesma estratégia de todos, a mais convencional do mercado, quando você tem algo comum nas mãos. Um filme, por mais que tenha consumido milhões de dólares em orçamento e conte com um elenco estrelado, é apenas um filme que precisa dos críticos. Quando você tem o poder da força, quando a sua marca é do tamanho do simbolismo que essas duas palavras – Star Wars – carregam, você pode fazer o que você quiser, até esnobar o mercado. O mercado, diga-se, não os fãs.

E como os donos da franquia pensam nos fãs. Há uma infinidade de produtos, principalmente nos Estados Unidos, que carregam a marca. Há creme de barbear, caneca, máquina de fazer torradas, computador e até, acreditem, sopas, maças e laranjas…..

Que a força esteja com você, porque a força da marca, está com eles….

Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

 

Não quero ser gourmet!

20 de agosto de 2015

Steve Klein/Dolce&Gabbana

Não gosto de modismos. E não gosto da maquiagem ‘gourmet’ que muitos produtos receberam (ou se autodenominaram), desde bem antes disso virar febre.

Por isso, minha empresa não é e não quer ser gourmet!

Porque mesmo antes do bendito ‘raio’ incinerar a gastronomia brasileira, a palavra já havia perdido sua conotação bacana, de apreciação dos prazeres da boa mesa, para se tornar um distintivo pedante e elitista.

Depois de virar moda no Brasil, o gourmet não apenas banalizou-se, como embestou-se ainda mais. E ganhou uma nova conotação ainda menos apetitosa, como sinônimo de comida-bebida-doce-café-ou-o-que-quer-que-seja CARO.

E caro não necessariamente pela qualidade superior, mas pelas firulas de falso valor a sua volta.

E se tem uma coisa que sempre evitei e combati na minha empresa são fricotes desnecessários que possam encarecer nossa comida.

Cuidamos de escolher ingredientes naturais e saudáveis, fazemos trabalho artesanal, vendemos produtos frescos, gostamos de ter nossas lojas charmosas e divertidas, e vamos além:

- Optamos por embalagens biodegradáveis desde sempre,

- Mantemos um relacionamento de respeito e transparência com funcionários

- Selecionamos os melhores fornecedores, não apenas pela qualidade do produto, mas pelas pessoas que o fazem acontecer

- Temos sacolas ecológicas desde muito antes de isso virar lei

- Fazemos investimento constante em treinamento

- Emitimos nota fiscal de toda venda, pagamos todos os impostos

- E tantas outras coisas que passam despercebidas ao olhar externo, pois consideramos que não seja nada mais que nossa obrigação natural.

Tudo isso aumenta nossos custos de forma considerável. Mas por mais que isso pudesse ser pretexto para ‘gourmetizar’, mantemos distância dessa expressão e do que ela representa, porque fazemos questão de cobrar apenas o preço justo, e nada mais do que isso.

Não cobramos a mais porque somos bacanas, ou porque somos saborosos, ou porque nossas atendentes são simpáticas.

Na minha empresa quero que prevaleça a autenticidade, a qualidade e o sabor. O resto, é pra quem gosta mais de posar do que de comer. E preferimos ficar fora desse raio.

Ivan Primo Bornes, do Pastificio Primo, é fã de Leonardo da Vinci e sua máxima “a simplicidade é o último grau de sofisticação”

 

A reinvenção do varejo

19 de abril de 2015

A avalanche de mudanças decorrentes da revolução digital vem afetando um dos setores mais tradicionais da economia: o varejo. A origem do comércio remonta o início da humanidade, desde os egípcios e fenícios. Primeiro a troca, depois a compra e venda de produtos pode ser considerada um dos motores de desenvolvimento da humanidade.

As rotas comerciais ligando a Europa às Índias foi o motivo da era das grandes navegações e da “descoberta” dos continentes. Nos últimos 200 anos, essa atividade meio que se estabilizou, criando um padrão que conhecemos (distribuidores, lojas, atacadistas, meios de pagamento como cheques, boletos, duplicatas e mais recentemente cartão de crédito).

Porém, nos últimos anos, a tecnologia, e o crescimento do e-commerce, vem afetando esse setor da economia, trazendo novos conceitos e práticas. O consumidor digital (e cada vez mais o consumidor é digital), exige um repensar de muitas premissas – que antes eram certezas. Listo aqui cinco casos que ilustram essas mudanças:

1. Showrooming – É cada vez mais comum que as lojas deixem de ter pronta-entrega no local  e se transformem em show-room, dispensando a necessidade do estoque. Em vários tipos de produtos (por exemplo, linha branca, televisores …) , os lojistas perceberam que o consumidor vai à loja para tocar, conhecer, experimentar o produto que já está pesquisando na internet. Ou para comprar posteriormente na internet.

Um dos exemplos é a loja física criada pelo site Westwing no Shopping Higienópolis, em São Paulo. Lá você encontra espaços decorados, mas se quiser mesmo comprar os produtos, pode usar os tablets disponíveis que sua compra chegará em casa.

2. O 3º local – É a evolução do showrooming. Como explica Sergio Herz, presidente da Livraria Cultura “A ideia é de que o cliente considere nossas lojas como um terceiro lugar para frequentar, além de sua casa e de seu trabalho.”  Ou seja, temos o 1º local (que é onde moramos), temos o 2º local (que é onde trabalhamos) e temos o 3º local (que é onde gostamos de estar).

O conceito pode ser visto também na Starbucks, que é um local para se conviver – mais do que somente tomar café ou acessar à Internet.

3. Pagamentos pós-pagos – Em meio à profusão de moedas e transações digitais como meios de pagamento (como PayPal, Bitcoin, Google Wallet, NFC, pagamento via WhatsApp  …), no Brasil cresce uma forma de pagamento que, na Inglaterra, já responde por 40% das compras feitas pela internet– o pagamento pós-pago. Funciona como uma espécie de crédito: uma empresa analisa seu cadastro e lhe concede um limite de crédito. A solução visa levar para o e-commerce aqueles que ainda não compram temerosos com o quesito segurança.

Nele, o risco para o consumidor é zero. Você compra, recebe o produto e só depois efetua o pagamento. Se não receber o produto, não paga. A VTEX, uma das líderes em plataforma de comércio eletrônico no Brasil, acredita que pelo menos 20% de seus clientes vão implantar soluções de pagamento pós-pago esse ano.

4. Beacon – Essa nova tecnologia permite a comunicação de produtos e serviços com o consumidor, através do celular, onde ele estiver, baseado na sua localização. Por exemplo, você está passando pela frente do supermercado e a marca de cerveja de sua preferência “envia” uma mensagem informando que ali tem uma oferta especial que você pode aproveitar.

Magazine Luiz, RiHappy e Ponto Frio são empresas que hoje testam essa ferramenta.

5. Amazon Dash Button – O mais recente lançamento da Amazon aposta na Internet das Coisas para facilitar o dia a dia. O “Botão do Painel” é um pequeno dispositivo que você poderá colar ao lado de sua lavadora de roupas, lâmina de barbear, cafeteira, lavadora de louças, enfim – qualquer equipamento que exige reposição constante de suprimentos.

Ao apertar o botão, é acionado um aplicativo que confirma seu pedido – e daí é só esperar a entrega do produto na porta da sua casa (veja o vídeo). O dispositivo está disponível nos Estados Unidos – limitados a 2 dash buttons por usuário.

Que outras evidências você acredita que contribuem para a reinvenção do e-commerce? Por favor escreva nos comentários e também, se quiser, apareça na Virada Empreendedora, no próximo sábado, na FGV.Estarei debatendo esse tema na Arena de E-commerce.  Confira a programação completa.  Será um evento que vai ficar na história e motivo de orgulho tanto para São Paulo, quanto para todo o Brasil.

Um trabalho de organização primoroso feito pela Ana Fontes e com a colaboração de um time de curadores top como nosso colega aqui de Blog do Empreendedor Marcelo Nakagawa, Camila Achutti, Gustavo Santi, Daniel Egger…

Da programação quero destacar a palestra Metanóia: Um Novo Jeito de Liderar os Negócios, com Roberto Adami Tranjan (dia 26 às 12h30min). Quem já conhece, sempre vale rever. Quem não conhece, vai se surpreender! Até lá.

Clique na imagem para assistir

Marcelo Pimenta é jornalista, professor e palestrante.
Saiba mais curtindo www.facebook.com/menta90