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A pergunta que só 6% entre os mais inteligentes sabem responder

20 de outubro de 2017

É o MBA mais caro do mundo. O investimento total estimado para os dois anos de dedicação integral do aluno é de, no mínimo, R$ 700 mil. É também o mais exigente. A média da nota do GMAT, prova que avalia conhecimentos de matemática, lógica, inglês e rapidez de pensamento, dos aprovados neste programa em 2016 foi de inacreditáveis 737 pontos, a mais elevada entre todos os programas de MBA do planeta.

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E mesmo diante do custo e da dificuldade, cerca de oito mil pessoas se inscrevem para participar do processo seletivo deste curso. A média dos outros nove MBAs mais demandados do mundo é de cinco mil interessados. Considerando estes aspectos, o MBA da Escola de Negócios da Universidade de Stanford é, de longe, o mais difícil de passar no mundo. De cada 100 inscritos, apenas seis entram. A média dos outros nove MBAs mais concorridos é de 17%.

O preço pode não explicar a dificuldade em ser aprovado em Stanford. Outras escolas de negócio renomadas cobram quase o mesmo valor. E pelo menos dois terços dos aprovados recebem algum apoio financeiro para bancar o curso. Tampouco o GMAT. A média dos outros nove MBAs mais demandados do mundo é apenas um pouco mais baixa: 724 pontos. Assim, uma boa parte dos mais bem aprovados nas outras também passaria na Escola de Negócios de Stanford se o GMAT fosse o principal critério.

A maior dificuldade em passar está na temida e muito conhecida questão da redação. Há duas dissertações. A segunda é bastante fácil de ser respondida: Por que Stanford? Não é preciso dar muitas explicações do interesse em estudar na universidade que é o centro do Vale do Silício. Mas o desafio da vida é encontrar algo para primeira pergunta, que é simples mas que responde pelo seu passado, presente e futuro:

O QUE É MAIS IMPORTANTE PARA VOCÊ E POR QUE?

Há mais de 13 anos que a Universidade de Stanford mantém esta questão que faz os interessados buscarem uma resposta dentro de si. Em boa parte das pessoas esta resposta sequer existe. Esses errantes já desistem no rascunho resposta. Afinal, o que é mais importante para você e por que?

Alguns responderiam que a família é a coisa mais importante. Além de ser algo óbvio, a universidade diria: Ótimo, concordamos. É melhor ficar com ela. Outros responderiam: dinheiro. E novamente, a resposta se limitaria a então é melhor escolher outra instituição. Dos 25 principais programas de MBA do mundo, Stanford ocupa a última posição quando o assunto é sair empregado na formatura e o salário médio de um recém-MBA seu não é o maior.

Stanford mantém a pergunta, pois sabe que muitas pessoas nunca pararam para pensar sobre o que é realmente importante para elas e daí vivê-las intensa e verdadeiramente. São errantes, zumbis que se alegram, cada vez mais, com emojis, kkkk, likes e shares. Que vivem vidas alheias e seguem pessoas inteligentes que pensam da mesma forma. E ao serem questionadas sobre o que é realmente importante, perceberão, de forma trágica, que é o seu perfil em alguma rede social, pois é lá que gasta a maior parte do seu tempo. Mas aí vem a parte final da pergunta que traz um vazio existencial: Por que?

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Assim, de todas as dicas disponíveis para dar uma boa resposta para a pergunta que não é da Escola de Negócios de Stanford, mas da sua vida, a mais impactante foi dada no discurso de formatura mais popular de todos os tempos, a do Steve Jobs, justamente para os formandos em Stanford em 2005: “Seu tempo é limitado. Assim não perca seu tempo vivendo a vida de outra pessoa. Não seja ludibriado por dogmas, que é o resultado do pensamento dos outros. Não permita que o barulho da opinião dos demais cale a sua própria voz. E o mais importante: tenha a coragem de seguir seu coração e intuição. Eles, de alguma forma, já sabem o que você realmente quer se tornar”.

É muito provável que muitos procurarão, mas não encontrarão uma resposta e, consequentemente, não entrarão neste MBA. Mas só fazer com que a pessoa acorde para si mesma e busque seu verdadeiro propósito de vida já fará com que a Escola de Negócios de Stanford cumpra a sua missão: Transforme vidas. Transforme organizações. Transforme o mundo.
Por isso, esta é pergunta do MBA da sua vida: O que é realmente importante para você e por que?

Marcelo Nakagawa é coordenador de área – Pesquisa para Inovação – da FAPESP

Cinco startups brasileiras que toda grande empresa deveria conhecer

6 de outubro de 2017

Nos últimos anos intensificou-se o interesse de várias empresas de grande porte ao redor do mundo, inclusive no Brasil, em interagir com startups. Isto, quando bem realizado, traz diversos ganhos para as duas partes. Para a grande empresa, é uma oportunidade para inovar com mais rapidez, mais barato e com menos riscos, para incentivar a cultura do intraempreendedorismo entre seus colaboradores e, em diversos, para conquistar novos mercados ou se manter competitiva perante seus concorrentes. Para a startup, é a chance de conquistar um grande cliente que traz não apenas mais faturamento, mas também um selo de validação para conquistar outras organizações.


Mas há uma ilusão de quem entra nesta dinâmica que é prometer grandes resultados em um curto espaço de tempo, esquecendo-se que grande empresa e startups são elementos muitos distintos, quase antagônicos, mas que podem criar relacionamentos que trarão grandes impactos positivos para ambos.

Tenho atuado na integração de grandes empresas com startups nas últimas duas décadas e há um pequeno detalhe que precisa ser considerado logo no início desta relação, principalmente quando é o primeiro ano do programa: é preciso entregar resultados de curto prazo, pois a grande empresa vive de anos fiscais e os executivos envolvidos precisam entregar metas anuais. Se os resultados, mesmo que pequenos, forem positivos, o programa de relacionamento grande empresa e startups não é só renovado, mas ampliado e há uma grande chance dos executivos serem premiados. Por isso, meu conselho para cada empreendedor que começa a interagir com um executivo de uma grande empresa é: Faça com que o executivo que está te apoiando seja promovido! Em outras palavras, o empreendedor precisa entender quais são as metas do executivo e, por meio da sua startup, contribuir para que ele(a) atinja seus objetivos. De forma mais objetiva, como a sua startup irá ajudá-lo(a) a fazer com que sua empresa amplie as vendas, reduza custos, aumente o valor da companhia ou, em casos, específicos, ajude a cumprir sua missão estratégica.

Neste contexto, há muitas startups que podem ajudar a trazer resultados de curto para as grandes empresas de forma mais objetiva considerando diversos desafios comuns que elas têm. Apresento cinco apenas para ilustrar esta lógica.

Toda grande empresa pode ter problemas com cobranças. Neste período de crise a inadimplência disparou mas a abordagem de cobrança tradicional, em muitos casos, só acirra a relação que já vai mal com o inadimplente. Nesta situação, conheça a QueroQuitar e convide o fundador, Marc Lahoud, para um café.

Toda grande empresa tem desafios em contratar mão de obra operacional, mesmo que seja via fornecedor terceirizado. O turnover é sempre alto, a motivação é baixa, muitos moram muito longe e chegam cansados, o processo seletivo é um inferno. Se respondeu sim para todas estas questões, precisa conhecer a EmpregoLigado e o empreendedor Jacob Rosenbloom.
Aproveite para ele palestrar para seus colaboradores e contar porque veio dos Estados Unidos para resolver um problema social no Brasil.

Toda grande empresa precisa lidar com contencioso. É muito processo vindo de qualquer lado. Se estiver gastando muito com estes processos, marque uma reunião com o Hélio Katanosaka da Reglare. Vai se surpreender com a tecnologia desenvolvida por ele e sua equipe.

Toda grande empresa precisa investir em treinamentos e os resultados são sempre questionáveis. Quem aprendeu de fato, quem são os ninjas de cada assunto e quem não está nem aí para o curso? Neste caso, chame os camisa rosa da Qranio. Não tem como não gostar do Samir Iasbeck, fundador da empresa.

Poderia continuar citando mais dezenas de startups e empreendedores que realmente confio, mas preciso fechar o artigo, mas termino com outro enorme desafio. Toda grande empresa precisa gerenciar operacionalmente seus milhares de funcionários. Entrada, saída, hora extra, banco de horas, férias, etc. Pode ter sistema, planilha, comunicação por email, whatsapp, mas o pessoal sempre esquece. Se isto for uma pequena dor de cabeça multiplicada por milhares de empregados, avalie o FolhaCerta. Marcos Machuca, largou a principal empresa de consultoria estratégica do mundo, para levar a gestão a rotina trabalhista para onde todos estão: no celular.

Por fim, toda grande empresa precisa inovar neste momento de grandes disrupções, mas deveria começar investindo muito pouco e correndo poucos riscos apenas para iniciar o aprendizado. Este investimento deveria começar por um café…

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação e consultor dos programas InovaBra do Bradesco e Inova+Startups da Cyrela Commercial Properties (CCP).

Marketing de inauguração: começando do jeito certo

4 de outubro de 2017

A loja recém-inaugurada no interior do Nordeste pode ser a 85ª unidade de uma rede de franquias, e ainda assim essa inauguração requer cuidado e atenção. Não pode simplesmente ser tratada como mais uma. Ela é a estreia da Luciana como empreendedora.

Para o franqueado, no caso a Luciana*, aquela loja pode ser “o” negócio da sua vida. Foi nesse empreendimento que ela colocou suas economias e depositou o seu futuro. Além disso, a inauguração é um empurrão necessário para a engrenagem do negócio começar a rodar.

Um dos papéis do franqueador é dar suporte ao franqueado na elaboração da estratégia do marketing da inauguração, mas é responsabilidade do franqueado executá-la no ponto de venda, e claro, com excelência. Para isso a Luciana, nossa franqueada aqui representada, deve começar o trabalho mesmo antes de abrir a unidade. E mais: perceber nuances locais que ela pode e deve explorar.

Quando se vai começar um negócio, então, o primeiro passo da estratégia do marketing de inauguração é definir a data que a loja será aberta. A partir daí é preciso preparar tudo relacionado a essa data, que será um marco na vida da Luciana. Para o evento vale convidar amigos, parceiros de negócio, donos de outros estabelecimentos próximos, influenciadores, formadores de opinião e possíveis futuros clientes, claro. Esse é o momento de estreia da Luciana e de sua família e, claro, o primeiro momento para o franqueado começar a vender, para começar a entrar dinheiro, já que até então apenas investimento foi feito, e a expectativa em cima do negócio é grande.

Muitas redes trabalham com campanhas específicas de inauguração, uma delas  podemos chamar de “voucher de inauguração”. É um desconto oferecido na primeira compra aos primeiros clientes que entram no ponto de venda. É possível, ainda, pensar em uma ação específica para o coquetel de abertura. Uma rede de lojas de óculos de sol, por exemplo, costuma oferecer um desconto de 50% na compra da segunda unidade.

As campanhas de inauguração podem ser pontuais, como a citada acima, ou podem se estender por mais tempo, chegando a dois ou três meses de duração.

A estratégia que desenhamos para uma conhecida rede de lavanderias tinha três momentos para fidelizar o novo cliente.

Para atrair o consumidor pela primeira vez à loja recém-inaugurada foi feito um “voucher de inauguração”, que oferecia a lavagem de uma segunda peça por apenas R$ 1. Uma vez impactado pela primeira ação, o cliente recebia em casa uma carta que agradecia a escolha pela marca, explicava o sistema utilizado pela lavanderia e oferecia um desconto de 50% no próximo serviço. Depois da segunda visita outro comunicado era enviado, agradecendo o retorno do cliente e apresentando o cartão fidelidade, criando assim um vínculo com o consumidor.

Foi uma ação mais longa, com três momentos de contato para fazer desse novo frequentador um cliente fiel. Em paralelo, a franquia fechou parcerias com lojas de roupa da região. Assim, quem comprasse uma peça nesses locais ganhava a primeira lavagem na nova lavanderia do bairro.

A criatividade é sempre peça-chave para que o marketing de inauguração tenha efeito. Os novos franqueados de uma rede de moldura de quadros – para citar mais um exemplo – chamam a atenção da vizinhança antes mesmo de abrir as portas da loja. Ainda na fase de obras do ponto de venda o franqueado passa pelo comércio local trocando cartões de visita com os empreendedores da região. Poucos dias depois devolve o cartão dos colegas emoldurado, junto com um convite para a inauguração da franquia. Imagina os comentários que isso gera no bairro?

Muitas franqueadoras já têm ações de inauguração bem desenhadas, basta executá-las. Mas se a rede não tem algo assim, o franqueado precisa se mexer, “cobrar e ajudar o franqueador”, e pensar em alguma coisa. Lembre-se: Lucianas, Joões e outros franqueados são empreendedores e também devem pensar a operação. Trocar informações com outros franqueados mais antigos para ver o que eles fizeram pode ser uma boa fonte de ideias. O que não dá é ficar parado e deixar a inauguração passar em branco.

Denis Santini é Fundador da MD | Make a Difference, primeira agência de comunicação especializada em franquias e redes, multifranqueado e professor da FIA/Provar.

* O nome Luciana e a região aqui citada são fictícios, mas casos como este são mais que comuns.

 

O avanço das mulheres no empreendedorismo

2 de outubro de 2017

Dados recém divulgados  pelo GEM – Global Entrepreneurship Monitor – revelam que a separação entre homens e mulheres empreendedores está diminuindo a passos largos no mundo, e em especial no Brasil.

Donna Kelley, professora do Babson College e coautora do estudo, celebra a magnitude da contribuição global das mulheres para o crescimento e bem-estar de suas sociedades através da geração de empregos, produtos e serviços.No ano passado, 163 milhões de mulheres iniciaram o próprio negócio.

Foram pesquisados 63 países, entre eles o Brasil, e comprovado que entre 2015 e 2017 a atividade empreendedora entre mulheres subiu 10%. Neste período, a diferença percentual entre homens e mulheres diminuiu para apenas 5%, na média mundial.

No Brasil, o avanço foi ainda maior: junto com Indonésia, Filipinas, Vietnam e México, as mulheres brasileiras tiveram iniciativa empreendedora igual ou maior que os homens!

Algumas informações que se destacam no relatório:

- Quanto maior é a educação e a renda familiar da mulher, diminui sensivelmente a participação feminina em empreendimentos.

- Ao mesmo tempo, quanto maior é a educação e a renda familiar das mulheres, menor é a taxa de mortandade de negócios dirigidos por elas.

- Nas economias menos desenvolvidas, o percentual de mulheres que citam a necessidade como motivo primordial para empreender é 20% maior que dos homens.

- Por outro lado, o percentual de mulheres que tem iniciado negócios inovadores é 5% superior ao de homens.

E o Brasil é citado em várias partes do relatório:

- No Brasil, o maior percentual de mulheres empreendedoras ocorre entre 25 e 34 anos. Depois há uma queda brusca de participação feminina.

- Um outro dado relevante que diz respeito ao Brasil é que apenas 6% das mulheres empreendedoras têm ensino superior completo.

- 25% das mulheres empreendedoras no Brasil estão no chamado auto-emprego.

- Na América Latina, números contrastantes nas expectativas: enquanto na Colômbia 35% das mulheres tem ambição de crescimento quando comparados com homens, no Brasil esse percentual é de apenas 2%, um dos mais baixos do mundo.

- As brasileiras têm 5 vezes mais participação do que os homens em negócios de educação, saúde e bem-estar social.

- 91% dos novos negócios iniciados por mulheres nos últimos 2 anos fora financiados pela família. É o percentual mais alto do mundo, segundo a pesquisa.

Os números da pesquisa são bastante contraditórios e mostram que não existe uma medida única, uma solução única para todos os problemas enfrentados pelas empreendedoras ao redor do mundo. O Brasil mostrou alguns números ótimos, e outros bem ruins, provavelmente devido ao recrudescimento da crise em 2016. Temos bastante trabalho à frente.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Tem mais sucesso quem incentiva os pecados ou as virtudes capitais?

29 de setembro de 2017

Há um paradoxo talvez moral ou filosófico que pode chocar quem está empreendendo ou pensa em iniciar um novo negócio. Tem mais sucesso comercial quem incentiva os pecados ou as virtudes capitais?

Historicamente, o teólogo romano Evágrio do Ponto (345-399) é citado como o primeiro formulador de uma lista de oito “pecados capitais” que tornavam as pessoas cada vez mais egocêntricas espelhadas em si. Posteriormente, o Papa Gregório I, reduziu a sete pecados capitais, entendo que vaidade e orgulho representariam conceitos similares. Assim, a lista se fixou em luxúria, ganância, gula, preguiça, ira, inveja e vaidade. Para não incorrer nos tais pecados, era necessário praticar as virtudes capitais, apontadas, inicialmente, pelo poeta, também, romano Prudêncio (348-410): Pureza, caridade, temperança, diligência, paciência, bondade e humildade.

Da natureza humana, depois religiosa, agora a reflexão chega a muitos empreendedores a respeito dos seus negócios.

“As redes sociais têm mais sucesso quando incentivam um dos sete pecados capitais. O Facebook incentiva a vaidade. O Zynga, a preguiça. O Linkedin é a ganância.”, explicou Reid Hoffman, fundador do próprio Linkedin, em uma entrevista ao The Wall Street Journal, ainda em 2011.

Conscientemente ou não, muitos empreendedores já sabiam disso mesmo antes de Hoffman apontar, de forma tão franca, um dos principais pilares do sucesso dos negócios. Criado em 2004, o Facebook tinha pouco mais de 100 milhões de usuários em 2008. O lançamento do botão Curtir em fevereiro de 2009 fez sua base dobrar em apenas um mês, e a rede social de Mark Zuckerberg fechou aquele ano com 360 milhões de pessoas querendo ser curtidas.

Pela perspectiva de Hoffman, entende-se o sucesso de tantos negócios de comida ao redor do mundo. Canais de televisão transmitem gordices 24 horas por dia, cozinheiros com milhões de seguidores, sites de receitas com bilhões de page views e aplicativos milionários de comida que instigam a gula mesmo daqueles mais disciplinados na dieta.  A luxúria é outro pecado capital que serve como principal combustível de diversos negócios desde os mais objetivos aplicativos de encontros aos mais obscuros serviços pessoais.

E de todos os pecados capitais, a ira é um dos mais emblemáticos. Como criar um negócio a partir da raiva e do ódio das pessoas?  Quem melhor soube aproveitar esta poderosa força que surge nas pessoas descontentes com algo ou alguém foi o brasileiro Maurício Vargas. Ele mesmo, enfurecido com um péssimo serviço que recebeu de uma companhia área em 2001, resolveu criar um espaço em que as pessoas pudessem descarregar sua ira com atendimentos ruins que recebiam das empresas. O ReclameAqui, o negócio fundado por Vargas é um exemplo de como canalizar um pecado capital em algo bom para outras pessoas já que as empresas estão mais atentas a sua reputação.

Mas se o ReclameAqui é um dos sites mais acessados do Brasil, haveria um espaço para um ElogieAqui? Sim, e existe o ElogieAki, mas infelizmente está na posição 105.585 entre os mais acessados do  país.

E também infelizmente estamos ganhando cada vez mais espelhos e por isso, estamos vendo um mundo cada vez mais doente.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Franqueador & Franqueado: uma relação bem delicada

27 de setembro de 2017

Na maioria das vezes, isso acontece porque as partes não alinham as expectativas totalmente, de forma 100% transparente e não esclarecem o que entendem por obrigação, responsabilidade ou expectativa.

Há uma diferença gritante entre “o que eu acho” e “o que é de verdade”.

Se um franqueador nunca foi franqueado antes, ele não sabe o que ser franqueado significa na vida de uma pessoa. E vice-versa! São relações nunca vividas e que precisam ser experimentadas para que se aprenda como lidar com ansiedade, desconhecimento, a promessa de que TUDO vai dar certo e mais uma montanha de sentimentos que não foram tratados durante os processos de entrevistas, enquanto franqueador e candidato à franquia estavam se escolhendo.

Cada um com suas verdades, culturas, crenças, embrulhadas no pacote para presente denominado Franquia! Só que, entre esses dois seres, somam-se famílias, equipes, fornecedores, imobiliárias, contratos, prazos, valores, esperança, e-mail, celular, whatsapp, messenger, telefone fixo, secretária, filhos ou cônjuges, ah! migos (amigos que acham que: “Ah!), economia, mercado, conselhos, corretores, manuais, palpites, regras, prazo perdido ou protelado, o documento que perdi, o contato feito sem retorno, a planilha com números mais bonitos que os da minha, o’ tudo vai dar certo de volta’, relaxa (também faz efeito, é muito dito hoje em dia).

Planejamento é a palavra de ordem para os dois que estão em busca de um bem comum: lucro com a franquia. Compartilhar este planejamento, conhecimento e reais possibilidades de concretizar o planejado, faz TODA a diferença.

Não basta mais falar, apenas, com a equipe da Franqueadora e com os atuais franqueados para saber se estão todos satisfeitos em suas atividades. Faz-se importante conhecer os fornecedores homologados e suas estruturas para tocarem uma obra, entregarem o que foi contratado no prazo, cuidarem das caixas/embalagens entregues para que não sejam devolvidas – porque não foram feitas para serem devolvidas!

Há quem justifique “mas, aceitei de volta e prometi que em 7 dias úteis eu entregaria as novas”; faz o que até lá, amigo? Chamar de “amigo/a” não alivia a tensão. Justificar não vale mais. O consumidor troca de marca ou de fornecedor na hora, num clique. Franqueado não pode. Investiu em um negócio grande para ele. E não foi só dinheiro, tempo, combustível, deslocamento, reuniões infindáveis, expectativas, sonho, conversa e aprovação da família. Depois, ao inaugurar a franquia, aparece mais um montão de coisas para fazer e resolver. Não muda muito o cenário não! Talvez, melhore, talvez, não.

Então, para que não seja tão delicada esta relação, vamos combinar tudinho antes, para não sair caro depois. Vamos querer saber a real, a verdade, o que cada um tem a oferecer ao outro e se podem arcar com estas ofertas. Na dúvida, perguntem de novo e de novo.

E “si pá”, não se escolham e virem amigos! Virá uma opção melhor para ambos e uma relação em que se complementam, co-existem.

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

Serviços financeiros para a baixa renda

26 de setembro de 2017

No Brasil, a população de baixa renda utiliza a estratégia de endividamento como recurso para gerir o dia a dia. É uma forma de ter acesso ao consumo, além de uma saída para emergências. Em cada quatro famílias, três têm alguma dificuldade para chegar ao fim do mês com rendimentos. Entre as principais situações para o endividamento estão o consumo para prover bem-estar e conforto para a família; comprar por impulso; calote de amigos e familiares; e emergências. Na hora de quitar dívidas, o relacionamento próximo funciona como mecanismo de seleção; há a preocupação de preservar a amizade e de não fechar possibilidades de ajuda futura. Pesquisa do Plano CDE aponta que 94% das pessoas de menor renda priorizam o pagamento a familiares e amigos na hora de pensar em quitar dívidas; 41% priorizam o cartão de crédito; e 36% os bancos.


No cerne do endividamento desses brasileiros está a baixa educação financeira – uma barreira crítica para a maior inclusão da população das classes C, D e E ao sistema financeiro. A falta de informação, a renda variável, o baixo nível de escolaridade e a incompreensão das funções dos produtos financeiros são fatores que geram entraves no relacionamento desses cidadãos com as instituições bancárias.

Do outro lado da equação, a experiência da Artemisia – que conduz o Desafio de Negócios de Impacto Social: Educação Financeira e Serviços Financeiros para Todos, em parceria com a CAIXA – mostra que serviços financeiros adaptados e uma educação financeira adequada podem contribuir de maneira efetiva para a melhoria da qualidade de vida da população, gerando, inclusive, a inclusão financeira de milhares de brasileiros. A análise da interação entre a população de baixa renda e os diversos serviços do setor financeiro permite identificar deficiências significativas e oportunidades consistentes para empreender negócios de impacto social associados à temática.

A falta de serviços financeiros que atendam as necessidades dos menos favorecidos socialmente e a oscilação de renda – gerada em grande parte pelo trabalho informal e a baixa rentabilidade – estão entre as principais barreiras de acesso aos serviços oferecidos pelos bancos. E, também, entre as principais oportunidades para empreender. PoupeMais (MGov), Jeitto, DimDim, QueroQuitar! e SmartMEI são exemplos de empresas de impacto social do setor que apresentam soluções com alto potencial de sucesso. Ao suprir uma demanda real, estão desenvolvendo inovações sociais transformadoras.

Os desafios são grandes, mas as oportunidades também. O Brasil tem uma singular combinação de mercado consumidor interno enorme – é um dos cinco países com maior número de consumidores internos do mundo – e um dos piores índices de distribuição de renda. Os problemas sociais e as lacunas dos serviços públicos e privados prestados à baixa renda são a tônica dessa oportunidade de empreender, inovar e gerar impacto social.

Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

 

O melhor de empreender

25 de setembro de 2017

Tenho escrito diversas e repetidas vezes sobre as dificuldades de empreender, e pode até parecer que desejo afastar as pessoas da ideia de iniciar seu próprio negócio. Mas o meu objetivo é apenas alertar os desavisados – aqueles que acreditam que irão ficar ricos com pouco esforço – e ajudar a preparar melhor os que estão prestes a iniciar – ou já estão no meio – a jornada se empreender.

Mas hoje quero falar sobre coisas boas, o outro lado da moeda, sobre como empreendedor pode mudar a sua vida. E, se você está interessado em ser dono do próprio negócio, este pode ser o melhor momento de começar: na crise.


Aqui estão algumas das melhores coisas se ser empreendedor:

– No controle das horas: quando se é empregado, se trabalha um número limitado de horas, e os ganhos também são limitados pela própria característica do arranjo entre as partes. Mas quando se é dono do próprio negócio, passam a valer as suas regras, as suas horas, e isso é libertador.

- Dono do dinheiro: quando se trabalha para outros, é normal que a remuneração seja sempre controlada. Por outro lado, quando o negócio é seu, começa uma verdadeira relação de causa e efeito nos ganhos (e nas perdas) e nada se compara à sensação de construir um negócio desde o zero e ver ele prosperando.

– Novas conexões: o empreendedor interage em todos os níveis de negócio e, ao desenvolver a visão holística de gestão – que inclui até mesmo a vida pessoal, enriquece sua jornada de vida. Na busca de soluções, conhece outros empreendedores, lideres, influenciadores e a sua reputação e credibilidade vai crescer, trazendo significado na comunidade, o que é muito gratificante.

– Experiência de valor: o aprendizado é muito exclusivo, principalmente em matéria de liderança e tomada de decisão com alto stress. Este conhecimento é muito raro, e mesmo que tudo de errado, tem grande valor profissional e pessoal para a próxima etapa de vida.

- Uma vida rica de lembranças: não subestime o poder subjetivo das experiências adquiridas. A busca da felicidade pode ser a felicidade em sí. Assim como lembramos de viagens por muitos anos, também nos lembramos de uma vida rica de e aventuras.

Como podem ver, os ganhos potenciais ao empreender são muito maiores do que dinheiro: é a própria satisfação com a vida.

Ivan Primo Bornes – fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Nossas gaiolas mentais: ‘não tenho dinheiro para iniciar um negócio’

22 de setembro de 2017

Pensando em empreender, mas ainda não tem o capital inicial? Uma amiga, Tina Seelig, professora de criatividade da Universidade de Stanford, fez com que seus alunos vivenciassem uma experiência de duas horas, que mudou para sempre não só a resposta para esta pergunta, mas a pergunta em si. Ela dividiu a classe em quatorze grupos e deu um envelope com cinco dólares para cada equipe. Era uma tarde de quarta-feira e as turmas teriam até a noite do domingo para colocar em prática a ideia de negócio que rendesse o máximo de dinheiro. Teriam todo o tempo para pensar, entretanto ao abrir o envelope, só teriam duas horas para executar a ideia.

Na segunda-feira, cada grupo teria três minutos para apresentar seu projeto para a classe. Alguns grupos pensaram em comprar um bilhete de loteria, contudo desistiram diante da probabilidade de ganho, outros pensaram em criar um negócio de lavagem de carros, barraca de limonada e serviço para enchimento de pneus de bicicletas, um meio de transporte popular na universidade. Na apresentação dos trabalhos, Tina ficou impressionada, já que na média, os grupos transformaram cinco dólares em duzentos e cinco dólares.

Um grupo foi muito criativo e criou um serviço para colocar pessoas em filas de restaurantes concorridos, que vendiam suas senhas por vinte dólares para clientes que não desejam esperar mais de uma hora pela sua vez. Outro fez mapas da região para vender para os turistas e houve um que ganhou dinheiro com fotos em eventos. Entretanto, o grupo vencedor, que faturou 650 dólares não havia utilizado o dinheiro e nem as duas horas. Como os alunos de Stanford são muito demandados em função da região em que está, o Vale do Silício, o grupo vencedor vendeu os três minutos que tinham para que uma empresa anunciasse suas vagas para a classe. O grupo percebeu que o que tinha de mais valioso não eram suas limitações de recurso e tempo, mas que poderiam resolver outro problema a partir de uma nova perspectiva.
Mesmo não conhecendo a Tina, Tallis Gomes, quando era adolescente na pequena cidade mineira de Carangola, queria comprar uma bateria para sua banda de música. Sem muito dinheiro, teve a ideia de criar um catálogo de telefones celulares vendidos no Mercado Livre aumentando os preços em 25%. Com o catálogo impresso foi abordar as pessoas na rua. Assim que a pessoa comprava, pedia o pagamento antecipado, entrava no Mercado Livre e colocava os dados de entrega do seu cliente. Em poucos dias, sua banda já tinha uma bateria novinha. Anos depois, Tallis fundou o Easy Taxi, gastando quase nada para tirá-la do papel no início.

Ainda seria possível contar dezenas de outras histórias de empreendedores que não se limitaram pela falta de recursos quando iniciaram seus negócios, mas meu aprendizado mais recente veio de um jovem aluno, o Victor Fiss, na época com 21 anos. Quando entrou na faculdade, descobriu que todos que tinham um notebook Apple precisariam fazer ajustes para conseguir rodar os diversos programas utilizados nas matérias. Alguns veteranos faziam estes ajustes, mas cobravam 200 reais pelo trabalho. Ele achou caro e disse que conseguiria pagar 50 reais pelo ajuste, prontamente negado pelo veterano, que fez uma contraoferta de 150 reais. Achando o valor ainda alto, Victor fez outra pergunta: “Se eu trouxer dois alunos, você faz o ajuste de graça para mim?” Visto desta perspectiva, o veterano aceitou rapidamente. Minutos depois, Victor aparecia com mais dois clientes. Com o notebook ajustado, ele fez mais uma pergunta: “A cada cliente que trouxer você me paga 50 reais?”.

Novamente uma resposta positiva do veterano. No dia seguinte, Victor apareceu com uma lista de 40 clientes… Agora, quase dois anos depois, ele captou dinheiro de diversos investidores e com quase nada de capital inicial próprio, abriu sua primeira clinica médica popular. Não satisfeito, já fechou novas rodadas de captação para abrir outras unidades.

Por isso, para quem ainda sonha em empreender, mas ainda posterga o sonho devido à limitação do capital inicial, Tallis Gomes dá um tapa na cara para quem deseja acordar: “Quem quer vai lá e faz. Quem não quer, inventa desculpas!” – diz.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

 

Cuidados antes de empreender em franquias

20 de setembro de 2017

Ainda me deparo com os mesmos problemas enfrentados, por quem quer comprar uma franquia, e comuns há mais de 20 anos, devido ao desconhecimento e amadorismo de franqueadores e seus futuros franqueados.

Por mais informação disponível que haja em cursos e palestras, artigos e documentação acessíveis na internet ou com especialistas tête-à-tête, ainda assim há muitos riscos de se fazer o investimento em uma proposta de negócio que não se sustenta.

Orientando investidores em que negócios investir ou que franquia comprar, quando me procuram em estágio avançado de análise de Circular de Oferta e do Contrato de Franquia, fico surpresa com o tanto de problemas eles enfrentariam quando as franquias, possivelmente, não dessem certo.

Vamos aos exemplos práticos: a compra de franquia de delivery que não determina, claramente, o território de atuação e quando o faz propõe que um franqueado entre na área do outro, ou seja pode haver um território comum a dois franqueados = briga na certa; contratos incompletos, errados e circular de oferta de franquia que mais se parece com uma colcha de retalhos do que um documento exigido por lei específica; área ofertada, avaliada e aceita por um candidato prestes a pagar a taxa de franquia e locar o imóvel, quando o gerente de expansão retoma o contato 15 dias depois do aceite em comprar a franquia, para avisar que infelizmente o já franqueado de 5 unidades e com direito de preferência “resolveu” ficar com aquela área também, pois não havia sido contatado e questionando antes e quando o foi, lógico não abriu mão de seu direito = 60 dias perdidos e o recomeço, frustrado, de avaliação de nova área e pontos comerciais; Circular de Oferta sem todos os investimentos lançados para análise dos mesmos e conhecimento real de quanto será o investimento total = o capital disponível pode ser insuficiente antes de inaugurar ou para ter capital de giro; pressão para assinatura de um contrato inconsistente, leonino e com erros de digitação que qualquer professora do Ensino Fundamental chamaria o advogado para aulas de alfabetização!


Então, venho para este espaço, de novo, alertar sobre os riscos de se investir em algo que não se sabe de verdade o que é! E que, por mais que o negócio possa ser interessante e viável, o que se assina, não se apaga! Quando precisar fazer uso do contrato, este deverá ser de valia para as necessidades do lado mais fraco também, suprir o franqueado de suas prioridades no que foi combinado, vendido a ele como papel da Franqueadora.

Quando você pesquisar sobre “Os Passos para Comprar uma Franquia”, irá encontrar dezenas de artigos, cursos, muitos deles inclusive meus, mas já atendi dezenas de pessoas que, mesmo assim, parecem hipnotizadas com a possibilidade de empreender, de terem seus negócios próprios e que percebem algo estranho, que não tem liga, perguntas sem respostas, quase acreditando que depois vai melhorar ou que estão sendo um pouco “chatos e insistentes”.

Pode não haver má fé ou picaretagem, mas como empresas que pretendem repassar know how sobre um sistema de gestão de um negócio sob suas marcas, podem aceitar que os documentos que controlam e protegem esta relação possam ser tão falhos? Porque o Marketing supera o Jurídico?

Bem, não nos tem faltado exemplos de que o jurídico deve ser tão bom ou melhor que o marketing, para que não haja nem necessidade, dele, em esferas de discussões, divórcios, cisões. Que a transparência e a responsabilidade sejam a base de toda e qualquer relação pessoal e profissional, comercial!

Vamos deixar para falar sobre compliance com aqueles que sabem o significado de um termo, também, muito tratado ultimamente, mas que parece, ainda, longe da realidade de muitos gestores e que dá mais status falar do que ter a função incorporada.

Por pior que seja assumir, independentemente do tamanho das empresas, a velha máxima “depois a gente vê o que faz com isso”, sendo “isso” as falhas cometidas que farão essas empresas pagarem caro com multas, punições judiciais e com a mácula em sua reputação, levando junto suas redes de franqueados, ainda se faz cultural em nosso mercado.

Não aceite, em sua vida o “depois a gente vê isso” em nenhuma instância. Não assuma, para você, um erro ou um risco maior do que o de montar um negócio, em um lugar e com investimento bem calculado e dentro das melhores perspectivas reais de mercado. Deixe a irresponsabilidade com a falta de compliance para os que escolherem aprender com os próprios erros.

E seguimos, juntos, na rota do franchising sustentável. Bons negócios!

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.