Blog


Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
Twitter Facebook Orkut
Aumentar texto Diminuir texto

Franchising: quem é o dono disso tudo?

22 de agosto de 2017

Atuando no Franchising desde 89, participei do sistema no Brasil muito desde o início e outro tanto no exterior, desde então. Não há o que justifique, na verdade, a preguiça que eu estava em assistir o filme The Founder – A Fome do Poder, menos ainda com a empolgação de quem assistiu e, talvez, não conhecesse parte da trajetória da marca McDonald’s e os bastidores que transformaram a marca no gigantesco império alimentício no mundo.

Vale ressaltar os comentários, que ouvi de quem o assistiu (filme) sobre as questões éticas, de ego e de “moral e bons costumes”. Sobre ego, me parece que o Franchising é o sistema mais egóico em termos de negócios que conheço. Mais que moda, cosméticos ou clínicas estéticas. Esses setores criam produtos ou serviços para deixarem os outros mais bonitos, felizes e/ou sentindo-se melhor.
Já, o Franchising, reflete a marca de um dono criador de tudo “aquilo”. Quanto mais pontos de venda refletindo “aquela” marca, mais orgulhoso ele fica. É mais que dinheiro ou poder! É presença, percepção, imagem bonita aos olhos de quem vê e quer comprar – o negócio, a franquia. É a promessa do ser bem sucedido que os outros querem seguir e ter o mesmo sucesso.É o reflexo da materialização do sonho de ser empresário e poder compartilhar, dividir, somar e multiplicar!
Já pensou nisso? Quantas operações matemáticas e filosóficas existem na cabeça de um(a) franqueador(a)?? Ray Kroc tinha esta máquina calculadora com contas simultâneas e, mais que isso, uma fantástica visão de negócios.
Quanto à ética, moral e bons costumes, não nos cabe julgar. Não estávamos lá para ver e já está feito.Cabe, porém, analisar onde você se encaixaria nesta estória, quem você seria e que lição aprende nesta reflexão. O que você leva para sua vida pessoal e profissional.Eu sigo amando muito tudo isso!
Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

 

5 mitos sobre empreendedorismo

21 de agosto de 2017

Empreender é o sonho de muita gente que quer abandonar emprego e iniciar o seu próprio negócio ou mudar de vida. Sair da zona de conforto para colocar a sua ideia de serviço ou produto no mercado dá um certo medo – o que é bem compreensível.

Recebo toda semana algumas perguntas via e-mail – todas muito interessantes e que procuro responder, sempre que possível, de forma direta. Selecionei 5 perguntas que considero universais, e que valem a pena debater e desmistificar, pois são preocupações de toda pessoa que quer iniciar o próprio negócio.

1.     Um leitor, empregado insatisfeito em uma multinacional, quer saber se, iniciando o próprio negócio, ele poderia ganhar mais dinheiro do que como empregado.

Depende. Se o negócio dá certo, o ganho pode ser maravilhoso e rápido, e 5 anos de prosperidade podem valer por 20 anos de salários de seu atual emprego. Mas se o negócio dá errado, significa perder poupança, fazer dívidas, vender patrimônio, envolver a família, não honrar garantias. A despesa é toda do empreendedor. Ou seja, prepare-se para a guerra, faça um plano, treine, aprenda. Minha dica: não entre no empreendedorismo só pelo dinheiro, encontre primeiro o seu sonho.

2.     Estudante de arquitetura, com desejo de abrir um site de venda online, pergunta o que é mais difícil, depois de abrir a loja.

Manter um negócio aberto é muito mais difícil do que abrir. Sempre é bom lembrar que, no Brasil, o índice de mortalidade de empresas em 5 anos é mais de 60%. Para manter um negócio aberto é preciso aprender rápido a encontrar os clientes. Muitos negócios que fazem produtos e serviços ótimos, não conseguem que os clientes cheguem na loja. Google e Facebook estão cada vez mais complexos e caros. Minha dica: se as pessoas não sabem que você existe, as pessoas não virão e o negócio morre. Comunique-se!

3.      Uma professora pergunta se empreender é mais fácil do que o trabalho atual dela.

Claro que cada trabalho é diferente, e sem dúvida que lecionar é uma das atividades mais complexas e desgastantes que existem, e com remuneração aviltada. Mas antes de acreditar que empreender é o paraíso, olhe com cuidado, pois quando você é o empreendedor é preciso fazer muitas mais tarefas que até pouco tempo atrás eram totalmente desconhecidas. São vários trabalhos diferentes e assustadores ao mesmo tempo: produzir, administrar, vender, limpar, atender RH, pagar as contas, negociar com bancos, negociar com fornecedores, visitar sindicato, fazer demissões e etc. Quando se começa não se tem dinheiro para contratar profissionais para cada um desses setores. Minha dica: o EMPRETEC do Sebrae é um curso sensacional para quem quer descobrir e desenvolver o empreendedorismo

4.     Bancário comenta que, ao empreender, ele pretende trabalhar menos e organizar a própria agenda.

Esse é um mito muito comum de quem quer ser empreendedor, e eu posso garantir que não vai rolar. Ou melhor, posso garantir 24 x 7 dias de agenda ocupada e trabalho sem parar por um bom tempo. Quando um negócio está em fase inicial, o empreendedor precisa estar dedicado ao negócio o tempo todo. Grandes ideias precisam se concretizar, precisam serem realizadas, precisam de muito esforço para que aconteçam e se transformem em valor. Minha dica: nunca entre num empreendimento querendo trabalhar menos, pois a expectativa nunca vai ser realizar. Procure empreender no que gosta, e nem vai sentir o cansaço.

5.     Um atleta profissional, chegando em idade onde precisa de outras opções profissionais de vida, considera a opção de empreender e quer saber se vai ter liberdade.

Essa é uma pergunta complexa, mas de resposta muito simples. O empreendedor de sucesso vai assumir muitas responsabilidades, e vai ter que dedicar-se de corpo e alma ao negócio. Isso pode parecer pouca liberdade para alguns. Mas, por outro lado, a realização de sua ideia, e a construção de um negócio de seu jeito pessoal, com sua cultura, sua filosofia de trabalho e seus valores éticos, traz uma satisfação pessoal que poucos conseguem de outro jeito. A formação de uma equipe de trabalho, o relacionamento com os clientes e fornecedores, enfim, tudo aquilo que significa ser o líder de um empreendimento, é uma das sensações mais libertadores que existem. Quem tem a disciplina de atleta, sabe do que estou falando.Minha dica: se como cantava Renato Russo, disciplina é liberdade, e a liberdade de fazer o que se quer vem com um preço. Empreender é liberdade.
Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

Quer vender mais? Qual é a sua oferta Fácil-Sim?

18 de agosto de 2017

Apresento uma ferramenta que utilizo para orientar empreendedores que, de tão simples, nunca pensei em torná-la público. Acho que sua lógica é tão óbvia que já deve ter alguém que criou algo, pelo menos, parecido.

Eu a chamo de Fácil-Sim (ou Matriz da Primeira Venda) e tem sido especialmente útil na realização da primeira venda de uma solução desenvolvida por um negócio nascente para uma empresa de qualquer porte, com destaque para as grandes, já que cresce o número de iniciativas de corporate venture, programas de parcerias entre corporações e startups.

Vamos à parte que acho óbvia: Quando um empreendedor entra em contato com um executivo de uma empresa para vender-lhe sua solução, ele(a) receberá em algum momento a um sim ou um não. Um detalhe que talvez o empreendedor não se atente seja o fato de que este sim/não pode ser fácil ou difícil de ser dado pelo representante da empresa. E na combinação destas alternativas que se forma a Matriz da Primeira Venda.

Não raro, quando o empreendedor entra em contato com a empresa, ele(a) já imagina sua solução sendo adotada de forma plena por toda a organização. Já oriento a área de inovação de um grande banco e sempre, absolutamente sempre, o empreendedor já vem com sua oferta para as quase cinco mil agências, dezessete milhões de clientes ou para os seus mais de cem mil colaboradores. É nesta situação que ligo meu radar mental esperando uma frase do empreendedor que começa com “É só”. “É só migrar para a nossa solução em nuvem que já terá uma economia de 47% no segundo mês…”.

Neste momento, o executivo da empresa começa a colocar a proposta do empreendedor no quadrante Fácil-Não, Difícil-Não ou Difícil-Sim. De todos, o Fácil-Não é o mais fácil de ser considerado pelo representante da empresa. Ele(a) entende que a solução não resolve nenhum dos seus desafios na empresa, não o(a) ajuda a atingir nem a sua meta ou a de algum colega e dirá que não tem interesse. Se questionado(a) do motivo, apresentará um argumento difícil de ser contornado pelo empreendedor.

Mas se o funcionário da empresa perceber que a solução pode, de alguma forma, resolver algum desafio da sua organização e ainda o(a) ajudar a atingir suas metas de desempenho, a proposta do empreendedor cairá nas opções que começam por difícil. Pode ser difícil por diversos motivos: falta de verba ou orçamento, tecnologia incompatível, desconfiança na capacidade de execução do empreendedor, necessidade de pesquisar outras soluções alternativas e pode até chegar a questões pessoais como ter gostado da solução, mas não do empreendedor. O executivo levará a proposta do empreendedor ao conhecimento de outros colaboradores e várias (podendo chegar a dezenas de) reuniões serão convocadas. E depois, quem sabe, de dois ou mais meses, a empresa chegará a um sim ou não. Se for um Difícil-Não, o empreendedor perdeu dezenas (talvez centenas) de horas preciosíssimas (que já não tinha) sonhando com aquela “parceria” com uma grande empresa. Mas se for um Difícil-Sim, ainda não vai comemorar. Seu processo de compra ainda deverá passar por outras instâncias como o departamento de compras, jurídico, tecnológico, etc. E mesmo tendo um Difícil-Sim, o empreendedor ainda corre o risco de alguém na empresa sabotar a “parceria” porque talvez entenda que perderá poder, status, influência ou até seu emprego mesmo.

Por isso, dado que sua solução tenha o potencial de resolver, de alguma forma, o problema da empresa e ajudar o executivo a atingir suas metas, o empreendedor precisa fechar sua apresentação de vendas para um potencial novo cliente com uma oferta Fácil-Sim. Em boa parte dos casos, a oferta Fácil-Sim não é a solução completa implantada em toda a organização. Isto deve ser o objetivo final do empreendedor, mas precisa ter consciência que se for nessa linha logo na primeira interação pode cair no Difícil-Não ou Difícil-Sim. Mas se conseguir emplacar um produto ou serviço Fácil-Sim, terá a oportunidade de criar vínculos crescentes de confiança, entenderá melhor a empresa e terá a chance de avançar com mais ofertas Fácil-Sim até chegar ao equivalente à solução inicial Difícil-Sim.

Uma oferta Fácil-Sim pode ser uma PoC (Prova de Conceito) rodada em uma base ou segmento muito segmentada e que não represente grandes riscos e incertezas para o executivo e sua organização, um parte da solução que possa ser rapidamente testada a custo zero ou reduzido ou talvez o acesso a toda a solução por um prazo determinado desde que não implique em altos custos e trabalho para a equipe da empresa que está sendo prospectada. A reação do executivo deve ser algo parecido com um “Por que não (tentar)?” Se não conseguir  algo parecido com esta conclusão, fica claro que o empreendedor ainda não tem uma oferta Fácil-Sim.

De forma muito resumida, esta é a Matriz da Primeira Venda. Sei que é algo óbvio, mas comece a monitorar a abordagem aos seus prospects e entenda se sua oferta tem se enquadrado mais em qual quadrante. Se estiver caindo com frequência no Fácil-Não, sua solução não resolve o problema da empresa e do executivo e/ou está falhando na sua comunicação. Sabe o que deve ser feito, não? Se estiver se concentrando nos difíceis não ou sim, desenvolva e comece a testar sua oferta Fácil-Sim. E se estiver vendendo bem logo na primeira inteiração com um novo cliente, guarde este segredo!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Sobre os benefícios de compartilhar

16 de agosto de 2017

Quando eu entendi o que fazia funcionar meus negócios tive clareza do que representava a economia compartilhada para a vida de quem pode viver dessa forma. Claro, impossível viver apenas de serviços compartilhados, mas existem benefícios claros para quando respeitamos aqueles três pilares.

Esse rápido post só diz respeito a esses benefícios e, de forma simplória, explica cada um. Você poderá pensar em dezenas de outros benefícios e, claro, alguns pontos negativos. Mas eu não consigo ver com clareza os negativos, admito.

Econômico
Fazemos mais por menos.

Ambiental
Fazemos mais, mais vezes, contando com menos recursos.

Comunidade
Fazemos juntos, mais vezes, por menos. Porque é mais fácil fazer.

Conveniência
Depois de fazer parte desse pensamento compartilhado nota-se um novo direcionamento aos interesses pessoais, mais oportunidades aparecem para todos.

As plataformas são formas de trazer tudo isso de forma mais prática e tecnológica ao dia a dia das pessoas. Hoje notamos o que é compartilhado. Mas isso não é novidade, sempre foi assim. O resgate pós capitalista só trará mais benefícios e ganhos à todos.

Wolfgang Menke é fundador da House of All e está dando um nó na cabeça do mercado brasileiro ao possibilitar que pessoas experimentem e pratiquem a Sharing Economy

Os três F’s do franchising

15 de agosto de 2017

No último artigo falei dos famosos quatro P’s do marketing e também do quinto P, o “Phranqueado”, uma particularidade do franchising que tem impacto em toda a estratégia de comunicação das redes.

Neste texto vou continuar usando as letras do alfabeto para esmiuçar o setor de franquias. Não por coincidência, acho que é minha veia de professor, que gosta de deixar tudo mais didático.

Desta vez vou falar dos três F’s.

Circulando pelo setor de franquias há tantos anos, um fato que tem chamado cada vez mais a minha atenção é que não basta uma franqueadora grande e estruturada e franqueados faturando alto para que se tenha um franchising realmente forte. É preciso sim uma (1F) – franqueadora forte, que cumpra seu papel de coach, de desenvolvedor, um (2F) – franqueado que atue de maneira que os três F’s –  franqueador, franqueado e fornecedor – estejam alinhados. É a junção de franqueadora forte, franqueado de sucesso e fornecedor competente que faz o franchising decolar. E é isso que eu chamo de 3 F’s do Franchising.

Um fornecedor mal preparado ou a incapacidade da franqueadora em fazer com que seus franqueados incorporem suas diretrizes em relação aos fornecedores pode abalar a reputação da marca e atrapalhar o crescimento da rede. Lembro de uma história que vale contar aqui.

Nos Estados Unidos, o franqueado de uma grande rede de lanchonetes decidiu usar um sabonete líquido não homologado pela franqueadora nos banheiros de sua loja. Parece algo inofensivo, certo? Mas não é. Uma criança usou o produto, teve uma severa alergia e o caso repercutiu no mundo todo.

Esse é apenas um exemplo de como um descuido com o fornecedor pode pôr em risco uma marca consolidada. Imagina, então, o estrago que não pode fazer em uma marca em construção.

Em um país como o Brasil, de dimensões continentais, escolher um fornecedor com capacidade de atendimento e entrega em todo o país é fundamental para o sucesso da rede. O fornecedor, por sua vez, precisa entender a sua importância no ciclo do franchising, entender que um atraso na entrega pode causar uma ruptura na cadeia e levar o franqueado a recorrer a fornecedores não indicados pela franqueadora. Vejo como papel fundamental do fornecedor estudar o setor de franquias para atender bem esse mercado.

As redes bem sucedidas, seja no Brasil ou no exterior, têm o tripé franqueador-franqueado-fornecedor (3F’s) forte e alinhado a um bem comum, que é o desenvolvimento do setor de franquias. É isso o que garante a entrega de um produto ou serviço de qualidade para o consumidor final e fortalece o segmento.

Denis Santini é Fundador da MD | Make a Difference, primeira agência de comunicação especializada em franquias e redes, multifranqueado e professor da FIA/Provar.

Precisamos falar sobre sonegação

14 de agosto de 2017

Na semana passada muito se falou da intenção do governo de aumentar impostos. Claro que houve grande objeção de todo lado – inclusive minha, manifestada numa entrevista para a TV.

Nos últimos anos, os brasileiros estão fazendo um sacrifício atrás do outro para pagar a conta dos descontroles de nossos governantes, e provavelmente ainda teremos muito a ralar antes de colocar o Brasil nos trilhos. Principalmente as classes média e baixa, que viram perder empregos, poupanças, oportunidades, desejos, sonhos, faculdade dos filhos, enfim, muita coisa duramente conquistada foi por água abaixo.

Por isso, o governo, antes de continuar esfolando o brasileiro com novos tributos, deveria fazer seu trabalho. Por exemplo, vejo uma enorme quantidade de dinheiro público sendo sonegada nos pequenos e médios comércios e serviços. Me refiro àqueles lugares que não dão nota fiscal de forma espontânea, que têm que pedir por favor para dar a nota, e ainda olham feio pelo trabalho “a mais”.Você, leitor, já deve ter lembrado de alguns lugares assim, eu aposto.

O sonegador, além de cometer um crime, sabota o desenvolvimento das melhorias sociais e econômicas, que dependem justamente dos tributos. E também pratica concorrência desleal, guardando o tributo sonegado em benefício próprio, ou usa como um diferencial competitivo nos preços, roubando clientes de quem paga impostos legítimos.

Quando o consumidor dispensa a nota fiscal, sem querer termina por ser conivente. O cidadão precisa ser consciente desta pequena ação cívica: pedir sempre a nota fiscal. Fornecer nota fiscal não é um favor, é uma obrigação em qualquer compra de produto ou serviço!

Minha sugestão seria que o governo – que é “o cara” que controla que as regras sejam cumpridas – cobrasse de quem não paga impostos, antes de continuar inventando mais impostos em cima de quem paga.

E fica o alerta: no final do dia, quem paga qualquer aumento de impostos é a população, ou seja, o consumidor, aquele que compra qualquer produto ou serviço, ou seja, todos nós. É  uma ilusão – que alguns insistem em acreditar – de que que paga o imposto é o empresário. O empresário nada mais é de um intermediário do imposto, que é transferido no final da conta.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Pais e filhos: A pior derrota da Nike e o mais amargo café da Starbucks

11 de agosto de 2017

Logo será o Dia dos Pais e o meu presente como pai e filho encontra-se em três publicações que talvez tornem outros mais atentos ao seu presente.

Trem Bala (Editora Voo, 2017) é uma linda versão em livro da música homônima da cantora Ana Vilela. O livro-música sintetiza as mensagens dos dois livros seguintes em mensagens que de tão óbvias são pouco praticadas.

Segura teu filho no colo… Em uma das passagens da sua biografia (A Marca da Vitória, Sextante, 2016), Phil Knight, co-fundador da Nike explica seu sentimento de culpa quando entrava em casa e seus filhos iam encontrá-lo perguntando onde papai estava. Com frequência, Phil respondia que estava com os amigos, o que os deixavam confusos já que sua esposa explicava que papai estava trabalhando. Em 1976, quando a Nike lançou seus primeiros calcados infantis, Matthew, o filho mais velho, na época com 14 anos disse que jamais usaria Nikes enquanto vivesse. “Era sua maneira de expressar a raiva que sentia das minhas ausências…” – explica Phil em seu livro. “Muitas vezes prometi que ia mudar. Muitas vezes disse a mim mesmo: vou passar mais tempo com os meninos. Muitas vezes mantive a promessa por algum tempo. Então, caía de novo na velha rotina.” – desabafa. E complementa: “Na sua jornada para encontrar a si mesmo, Matthew abandonou faculdade. Experimentou, explorou, rebelou-se, discutiu, fugiu. Nada funcionou.” Até que um dia, mergulhando com os amigos no Caribe, Matthew decidiu descer mais do que todos e a quase 50 metros de profundidade, puxou o bocal da sua máscara de mergulho que se conectava ao cilindro de oxigênio….

Sorria e abrace teus pais enquanto estão aqui…Howard Schultz, empreendedor da Starbucks, conta em seu livro (Dedique-se de Coração, Elsevier, 1999) que tinha sete anos quando seu pai fraturou o tornozelo. Ele era motorista de caminhão e sempre reclamava que tinha o pior emprego do mundo. Mas agora, sem poder trabalhar, sentia falta da ocupação, humilhando-se para conseguir algum dinheiro emprestado. Já moravam em um bairro muito pobre em Nova Iorque e agora não tinham renda, plano de saúde, dinheiro da multa rescisória e sua mãe ainda estava grávida de sete meses. “Às vezes, no meio da noite, o telefone tocava e minha mãe insistia que eu atendesse. Se fosse algum cobrador, ela pedia para dizer que meus pais não estavam em casa.” – Lembra Howard. Aquilo o marcou para a sempre. Nunca iria ser como seu pai: “Meu pai nunca foi um bom provedor para a família. Ele sempre ficava pulando de emprego em emprego em diversos trabalhos braçais, sempre reclamando do sistema. Ele nunca teve um plano para a sua vida.” – lamenta.

Mas exatamente um dia antes de sair de casa para cruzar o país e se juntar a uma pequena cafeteria chamada Starbucks, seu pai foi diagnosticado com câncer e com apenas mais 12 meses de vida. No hospital, ao lado da sua mãe, que escondia o choro, seu pai o aconselhou a seguir seu grande sonho: “Vá para Seattle. Você e sua esposa tem uma nova vida para começar lá! Nós podemos cuidar das coisas aqui.” – aconselhou seu pai. Naquele momento, Howard entendeu o amor e o esforço que o seu pai sempre tinha feito pela sua família.

Após o falecimento do seu pai, Howard encontrou um velho amigo de infância que conseguiu explicar sua relação com seu pai: “Se o seu pai tivesse alcançado o sucesso, talvez você não tivesse esta determinação que tem.” Mesmo não tendo consciência e até mesmo o criticando veladamente, seu pai tinha sido sim sua grande inspiração: “Eu finalmente lidei com a decepção e aprendi a respeitar a memória do que meu pai era, em vez de ficar lamentando sobre o que ele não foi. Ele sempre fez o melhor que pode. E faleceu antes que pudesse disser isto a ele.”

Doze anos depois, em 1994, quando Howard Schultz foi convidado pelo Presidente Bill Clinton para uma reunião na Casa Branca, ele só pensava em uma coisa: “Eu gostaria que meu pai estivesse aqui comigo. Mas sabia que, de alguma forma, ele estava lá.”

Por isso, a música da Ana Vilela toca tantas pessoas, pois lembra “que a vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir.”

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

 

Sobre o que é compartilhar

9 de agosto de 2017

Em meu último post, critiquei a atuação de uma empresa de compartilhamento de viagens. Óbvio que existem benefícios e acho que a empresa entrega bem o que ela se presta a entregar, só quero deixar claro que não falei que é uma empresa ruim, apenas é confundida com Sharing Economy, quando na verdade é uma empresa tão capitalista quanto a padaria da sua esquina, que tenta manter seu operacional baixo e aumentar o lucro. Claro, com um toque de genialidade e tecnologia em cima.

Para deixar claro minha posição com sharing economy eu, há anos atrás, escrevi o que na minha opinião eram os pilares da economia compartilhada:

(Sub) Utilização de recursos é tudo sobre compartilhar para equilibrar essa balança, os dois lados ganham e levando o uso ao máximo o aproveitamento melhora. Imagine aqui o velho exemplo da furadeira: se você usa de vez em quando e seu vizinho também, porque não comprar uma furadeira juntos? Mais barato, mesmo produto, melhor utilização.

Distribuição > Descentralização: precisamos falar aqui sobre um sistema distribuído. Sharing economy é a evolução do sistema descentralizado, é a internet para nosso relacionamento com o comércio. Funciona assim: quanto mais coisas de múltiplas propriedades, mas indivíduos interessados em preservar esses recursos teremos. Ao mesmo tempo, mais pontos de interação interdependentes, fazendo com que a rede seja autossustentável. Hoje, Blockchain explica bem como isso tem funcionado.

Relacionamento e confiança: aqui está o diferencial real de sharing economy. Estamos falando de um sistema baseado em pessoas, em humanos. Dividir por si só é simples, mas o problema é identificar se todos estão felizes com isso, senão é um sistema abusivo (lembra dos motoristas do Uber?).

Assim, plataformas que oferecem notas sobre os usuários, seguro sobre como você iniciar o relacionamento (ninguém é obrigado a nascer 5 estrelas) e aproximação de indivíduos são plataformas compartilhadas que estão dentro do conceito de sharing economy.

Claro, tudo isso é o que eu venho seguindo desde que iniciei minha atuação com o assunto e estudos. Posso estar errado, mas não quero estar certo, só quero ser feliz, então isso me traz felicidade.

Wolfgang Menke é fundador da House of All e está dando um nó na cabeça do mercado brasileiro ao possibilitar que pessoas experimentem e pratiquem a Sharing Economy

WHOW! Souberam inovar!

8 de agosto de 2017

Tudo começa pelo nome do evento – WHOW! Festival de Inovação. Não era um seminário, nem congresso ou workshop.

A organização nos preparou para um festival e deu um show em relação a como logística e comunicação são fundamentais, inclusive, para que um evento seja um sucesso. Para isso, é preciso que gere interesse pelo assunto, atraia um público qualificado – entenda-se conectado aos temas e propósito do evento – que o espaço tenha condições de reunir as pessoas conforme suas expectativas, com palestrantes que falam várias línguas para várias tribos, idades, gêneros, personalidades, experiências, históricos…. E que não usam ternos, que não sejam puro ego e não ajam de forma clichê.

Não havia dress code, mas houve grande sinergia na forma de todos se vestirem, de maneira confortável.

Isso tudo já é inovador para um evento com foco corporativo ou comercial. Nenhum papel impresso, nem coffee break com café e pão de queijo, tampouco modelos de uniforme preto nos chamando para entrar nas salas.

E sabe o que funcionava super bem? O CRACHÁ!! Dava para ler os nomes das pessoas, sem ter que puxar da pessoa ou disfarçar para conseguir ler. Por mais tolo que possa parecer, isso também foi inovador demais!! Um crachá que cumpre o seu papel.

O programa permitia que fizéssemos visitas criativas a empresas que servem de benchmarking para nossos negócios e franquias, ou poderíamos escolher que pilar melhor nos atenderia em termos de experiências, oficinas, palestras ou conteúdo na sede do Festival.

Eventos sempre enobrecem os vencedores, o que dá certo e, no franchsing, principalmente, as histórias de sucesso. É nisso que um empreendedor se baseia para investir em uma franquia. Em geral, não há quem dê depoimento sobre a loja que fechou, a escola que não matriculou, clínica que não tratou. Mas, um dos temas tratados no WHOW foi “Minha Start Up falhou, e agora? ”

Falaram do que não deu certo, ensinaram a partir dos próprios erros, desmistificaram as receitas de sucesso! Nos tiraram da zona de conforto e do recorrente mais do mesmo. Tudo tão compartilhado, simples e genuíno. Assim como o ato de empreender, faça simples, mas cause impacto. Saímos de lá falando “Whow!!”

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.

 

A importância de se manter otimista

7 de agosto de 2017

Eu acredito que o otimismo é uma das forças mais importantes para levar adiante qualquer projeto ou empresa. O brilho nos olhos é fundamental quando vamos buscar capital, para conquistar clientes ou na hora de contratar os melhores funcionários.

O entusiasmo gerado pelo otimismo pode gerar também uma motivação contagiante e capaz de transformar uma ideia numa realidade. O otimista olha o copo pela metade, e convence todos ao seu redor que o copo está meio cheio.

Ser empreendedor e ser otimista são praticamente sinônimos. Porém, ao longo do tempo – e das crises – pode acontecer do pessimismo aparecer. Ser empreendedor é intenso e excitante, mas é também difícil e muitas vezes assustador. Quando tudo parece jogar contra, quando o copo começa a ficar meio vazio, é hora de ligar o alerta amarelo e redobrar o cuidado para não perder o foco positivo.

Eu acredito que o otimismo começa pela liderança, e se propaga por toda equipe através de intensa comunicação. O objetivo é que seja enraizado na cultura da empresa, reverberado por todos, até mesmo por fornecedores e clientes. É o que faz a empresa perseverar nos momentos difíceis e encontrar soluções para os problemas.

Nestes tempos de crise, cultive o otimismo, mantenha a mente positiva.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br