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Blog do Empreendedor
O cotidiano de empreendedores como você
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Leia para seus filhos: livros mudam pessoas. Pessoas mudam o mundo

19 de janeiro de 2018

É com este mantra que Cláudia Kubrusly, Joana Mello e Priscila Seixas empreendem a Editora Voo e a Vooinho (dedicada aos livros infantis) e é também com esta mesma lógica que eu e minha esposa temos incentivado a leitura em nossas duas filhas pequenas de oito e quatro anos.

Assim, nada me deixa mais feliz do que encontrar um livro incrível para ler junto com elas, principalmente quando o assunto tratado tem alguma relação com empreendedorismo, minha área de atuação. E a Editora Vooinho publica dois desses livros eternos que deixarei com minhas filhas.

O primeiro é “O que você faz com uma ideia?” (Editora Vooinho, 2016). O autor, Kobi Yamada, explica que “para as crianças, o livro toca naquilo que são apenas brotos de esperanças, sonhos e medos sobre criar algo novo. Para os adultos, pode lembrá-los das vezes em que eles desistiram de uma ideia ou do momento em que eles transformaram uma ideia em algo significativo.” Só isto já foi o suficiente para comprar dois exemplares para cada filha. Em inglês, quando não havia a versão traduzida, e depois em português. A sequência do mesmo autor foi “O que você faz com um problema?” (Editora Vooinho, 2017). Na estória, quanto mais a criança tenha esconder, ignorar ou fugir do problema, maior ele se torna. Até que um dia ele decide enfrenta-lo, entende-lo e resolvê-lo e tem um dos maiores aprendizados da sua vida. “Para que servem os problemas? Eles nos desafiam, nos moldam, nos empurram e nos ajudam a descobrir quão fortes, corajosos e capazes nós somos de verdade. Mesmo que nem sempre os desejemos, os problemas têm uma maneira de nos mudar de formas inesperadas. Então, o que você vai fazer com um problema?” é a reflexão proposta pelo autor.

Além da Voo, também sou fã do trabalho com livros infantis da Editora Cosac Naif, mesmo que já exista. Fiquei muito triste com o seu fechamento e um pouco mais feliz quando a Editora Cia. Das Letras com o selo Cia. Das Letrinhas começou a reeditar alguns, com destaque para o “A parte que falta” (Cia. Das Letrinhas, 2018). Neste livro escrito por Shel Silverstein, o personagem principal sai um busca da parte que lhe falta, mas no final “talvez perceba que a verdadeira felicidade não está no outro, mas dentro de nós mesmos” – como explica. A felicidade não está em um outro alguém ou alguma coisa, mas em nós mesmos. Descobrir isto mais cedo é celebrar mais a vida.

A Cosac também publicou “Caro Einstein” (Cosac Naif, 2007) e “Diferente como Chanel” (Cosac Naif, 2009). O primeiro narra uma inspiradora história real de uma menina de sete anos que envia uma carta ao Albert Einstein pedindo ajuda para resolver uma exercício da escola da sua irmã mais velha, de 15, que seria crucial para que ela passasse de ano. Einstein demonstra como a criatividade pode ser mais importante do que o conhecimento na resolução dos problemas. Mais do que uma lição de lógica, uma lição para a vida. O segundo livro traz a incrível trajetória de Coco Chanel em uma versão para crianças e explica de forma muito lúdica e inspiradora como é importante sermos o que quisermos ser, mesmo que sejamos “diferentes” dos outros. Mesmo fora de catálogos, os livros podem ser encontrados em sites de livros usados como o Estante Virtual. Mas torço para que sejam reeditados logo!

A Editora Salamandra é outra editora em que compro com muito prazer. É aqui que a escritora Ruth Rocha publica seus livros (vários deles nas estantes nos quartos das minhas filhas). É difícil destacar um livro da Ruth, mas no tema empreendedorismo, eu já decorei a estória de “O coelhinho que não era de Páscoa” (Ed. Salamandra, 2009). O título já diz muito sobre Vivinho, o coelhinho. Mas se não era de Páscoa, o que Vivinho será? Um grande ensinamento para que nossos filhos sigam a carreira profissional que os realizem de fato. A Salamandra também publica o instigante “A revolta dos gizes de cera” (Salamandra, 2013), que trata de forma muito lúdica a questão do trabalho em equipe e da importância das diferenças.

A lista de livros que amamos ler para nossas filhas é, com certeza, muito longa diante das mais de 300 unidades que lotam as estantes do chão ao teto, mas finalizo com um que ainda não foi publicado no Brasil, o “Rosie Revere, Engineer” (Abrams Book, 2013). Neste livro, a tia-avó de Rosie vem visitá-la e conta a única a coisa que não conseguiu fazer: voar. Rose então tem uma ideia e começa a projetar uma máquina voadora. Ao mostrá-la para seus familiares, o objeto de Rose se espatifa no chão, deixando a inconsolada. Para seu espanto, sua tia diz que sua invenção foi um sucesso. “Você fracassa mesmo, quando você desiste!” – explica.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Cada vez mais, o medo das grandes marcas é serem apenas grandes

12 de janeiro de 2018

Só empresa incompetente ou mal intencionada não consegue oferecer uma solução de qualidade. Há muito tempo que esta característica deixou de ser algo excepcional para se transformar em processo e qualquer iniciativa, desde que o compromisso seja realmente sério, consegue sua certificação em qualidade atualmente.

Mas se no passado “Ser uma Brastemp” era uma vantagem competitiva, hoje, várias de suas concorrentes também são brastemps. Para muitos consumidores, ter um freezer, lava roupas ou secadora da marca “Sou a melhor” ou da sua concorrente “Não tem comparação” já não faz tanta diferença pois ambas são boas. A diferença da cerveja número 1 da número 2 ou 3 é polêmica para muitos, principalmente depois da garrafa número 2 ou 3.

O que está ocorrendo é que as grandes marcas atingiram níveis de qualidade semelhantes e se tornaram ainda mais assim ao copiarem-se insistentemente.  Se não é minuto, é express, se não é original é genuíno, autêntico ou ainda legítimo e o mercado se torna quase que uma competição de cuspe à distância.

Desta forma, alguns líderes executivos da empresas que conseguiram construir grandes marcas consagradas já notaram que seus negócios, diante da semelhança de proposta de valor e modelo de negócio ou de novos hábitos de consumo continuam relevantes mas estão se tornando utilities. No mercado de utilities, o produto ou serviço é sempre imprescindível e dificilmente substituível, mas o cliente não se interessa e até desconhece a marca da empresa que o fornece. O processo de unbranding, em que a marca importa menos (desde de que a qualidade atenda à expectativa), avança em praticamente em todos os segmentos competitivos como bancos, companhias aéreas, serviços de telecomunicações, prestadores de serviços para empresas, alimentos industrializados, bens de consumo e até veículos.

No caso de veículo, muitos, como eu, ainda são fiéis a uma marca quando decidem adquirir um. Mas esta fidelidade deixa de existir quando alugamos um carro e só definimos a categoria. E isto sequer é cogitado quando o automóvel é solicitado por meio de algum aplicativo. Esta constatação incomoda, que incomoda e incomoda muita gente, mas só as pessoas que menos precisam de um carro terão um já que as pessoas que mais o utilizam, se calcularem detalhadamente o custo de aquisição e manutenção deste bem começam a se incomodar ainda muito mais.

Quando o Uber define a sua missão como sendo “transporte tão confiável e disponível como a água da torneira assim que desejarem e para todos” e isto começa a fazer sentido para um número expressivo e crescente de usuários, as grandes montadoras começam a se mexer.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Vem 2018!

8 de janeiro de 2018

 

Todo começo de ano, a esperança de um futuro melhor é renovada. Certamente, quem chegou vivo a 2018 fez por merecer. Parabéns, um brinde, um tapinha nas costas e ganhamos a chance de começar mais um ciclo. Mas é bom ter certeza, colega: nada está garantido! Apenas nasceu mais um dia, começamos mais um ano, e devemos seguir em frente como se nada, estoicos, cumprindo com os deveres assumidos com nossas famílias, equipe, clientes.

Para nós, pequenos empreendedores que batalhamos nas trincheiras do dia a dia do varejo, os últimos anos têm sido duros e de muitas perdas. Perdas materiais e emocionais. Perda de clientes, perda de funcionários qualificados, perda de rentabilidade, perda de anos de trabalho investido. E, para o Brasil, o pior: a perda de milhares de empreendedores que quebraram, demitindo, se endividando por longos anos à frente. E a perda de toda uma nova geração de empreendedores que não conseguiram nem começar – em alguns anos à frente vamos sentir falta deles.

Apesar de todas estas dificuldades, não podemos nos deixar intimidar. Por isso, cada um de nós precisa buscar – onde for – a inspiração para enfrentar estes momentos de incerteza.

E a melhor inspiração, para mim, vem do mar. Talvez seja minha origem Genovese, povo de marinheiros. Empreender sempre me fez imaginar um barco no mar, onde desistir não é uma opção. É preciso manter o foco. Mesmo que a viagem seja cheia de percalços, e demore 20 anos, qual Ulisses em seu caminho a Itaca. Como Colombo, desacreditado, antes de avistar as novas terras americanas. Como Shackleton e sua jornada em salvar todos os marinheiros. Ou Amyr Klink, na travessia solitária a remo. Manter o foco no futuro, nunca esquecendo do sonho que deu início a tudo.

Os marinheiros sempre foram conhecidos por fazerem tatuagens para celebrar feitos heroicos, guardar lembranças das aventuras, ou como amuleto de boa sorte. Uma das tatuagens mais clássicas de marinheiro é o “Homeward Bound”, figura de um veleiro enfrentando as ondas do Cabo Horn – no extremo sul da América do Sul – onde o Atlântico encontra o nada Pacífico. O marinheiro que enfrentava a travessia do Cabo Horn conquistava a honra de fazer a tatuagem do veleiro, pela coragem e sangue frio.

O Cabo Horn é um dos lugares mais perigosos do mundo, com ventos e tempestades constantes, ondas enormes, e inúmeros naufrágios. Mesmo assim, era rota obrigatória do comércio: antes do canal do Panamá, era a única forma de levar mercadorias de barco de Nova York a Los Angeles, ou de Santiago do Chile ao Rio de Janeiro, por exemplo.

Acho que esta virada de ano no Brasil representa o Cabo Horn para todos nós: estamos atravessando a tempestade perfeita. E quem está com o barco no mar, não tem volta atrás. Sangue frio e coragem para enfrentar as ondas, em busca de um porto seguro. Vem 2018! Vamos tatuar você!

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Mensagem para uma sociedade que tem pressa, mas não sabe onde ir

29 de dezembro de 2017

Quem eu sou neste mundo? É um grande quebra-cabeça. Eu sabia quem eu era quando acordei nesta manhã, mas eu acho que mudei tantas vezes desde então. Quão confuso são todas estas mudanças para mim. Eu nunca tenho certeza o que serei de um minuto para outro.

Eu poderia contar as minhas aventuras, mas não há utilidade em voltar ao passado porque eu era uma pessoa diferente. Por isso, eu estou sempre atrasado pensando no futuro. Mas quando mais rápido eu vou, mais para trás eu fico.

Receio que eu não consiga me entender mais, porque eu não sou mais eu, se é que me entende. Sei que não sou o mesmo que era antes. Eu era muito mais. Mas perdi um pouco deste muito mais.

Perguntam-me para onde vou com tanta pressa. Pergunto de volta sobre qual caminho deveria seguir. Depende de onde quer chegar é a resposta. Digo que não sei. Então tanto faz o caminho que devo seguir é o conselho que recebo.

Sei no que está pensando. Mas não é isso, de maneira alguma. Ao contrário. Se era assim, podia ser; e se fosse assim, seria; mas como não é, não é. Isto é lógico.

Desta forma, neste mundo sem sentido, o que nos impede de inventarmos um? A imaginação é a única arma na guerra contra esta realidade.

Mas antes é preciso seguir uma regra: Pessoas que não pensam, não deveriam se pronunciar! As coisas que as pessoas mais querem saber, em geral, não tem nada a ver com suas vidas. Se começar a acreditar em tudo que aparecer, seus músculos de crença da sua mente se cansarão e você estará tão cansado que não terá forças para acreditar nas coisas verdadeiras mais simples. Se cada um cuidasse da sua própria vida, o mundo giraria mais rápido.

Por isso, comece a ler a instruções que a vida lhe dá e, imediatamente, será direcionado para a direção certa. A primeira é: um dos segredos mais profundos da vida é que tudo que vale mesmo a pena fazer é o que fazemos para os outros.

Em seguida, seja o que você parece ser. Ou se quiser algo mais simples: Nunca imagine a si mesmo não sendo algo que deveria parecer ser para os outros que era o que você era ou deveria ter sido, que não deveria ser diferente do que você vinha aparentando para eles de qualquer forma. Desta forma, você deve falar sempre o que quer dizer. Fale a verdade, pense antes de falar e anote-a depois.

Sabendo o caminho, entenderá a pressa. Pois aqui, como vê, você tem de correr o mais que pode para continuar no mesmo lugar. Se quiser ir a alguma outra parte, tem de correr no mínimo duas vezes mais rápido!

Acha que fiquei maluco? Acho que sim. Mas deixe me dizer algo: As melhores pessoas geralmente são. Mas neste caso, eu não sou estranho, esquisito, distante e nem mesmo louco. Apenas a minha realidade é diferente da sua. Mas se limitar suas ações na vida para algo que ninguém possa ver algum fracasso, você não terá vivido muito.

Ah… mais uma coisa: Eu geralmente me dou bons conselhos, mas raramente os sigo. Mas se você acreditar em mim, eu acreditarei em você! Combinado?

Tudo é divertido se puder rir disso. E sempre é hora do chá!

Todas as frases apresentadas acima foram escritas por Charles Lutwidge Dodgson entre 1862 e 1871 e aparecem em dois dos seus livros publicados ainda no Século XIX, na Inglaterra. Aqui elas foram reorganizadas, atualizadas e interconectadas em um novo texto. Por diversas razões, inclusive a de perder a sua própria cabeça, Dodgson utilizou o pseudônimo Lewis Carroll para publicar “Aventuras de Alice no País das Maravilhas” e “Através do espelho e o que Alice encontrou por lá” (Editora Zahar, 2013).

Além de escritor, professor, matemático, fotógrafo, desenhista e exercer atividades religiosas, Lewis Carroll foi um inovador criando aparatos para escrever no escuro durante a noite, técnicas de criptografia e até jogos que depois passaram a ser conhecidos como palavras-cruzadas e o Scrabble. Mas sua maior inovação foi Alice no País das Maravilhas e sua continuação Através do Espelho. Além do texto em si, estes livros são repletos de surpresas escondidas, várias delas matemáticas, que atualmente as startups chamam de easter eggs. As edições originais só não trouxeram mais inovações visuais como a página impressa invertida (para ser lida no espelho) porque eram inviáveis técnica ou economicamente.

Curiosamente, o primeiro livro de Alice também seguiu a trajetória do que hoje é vivenciada pelas startups. Carroll criou uma estória que contou para os filhos de um amigo. Este foi seu primeiro produto mínimo viável (MVP). Diante da aceitação, foi incentivado a colocá-la no papel. Fez um rascunho (um novo MVP), incluindo alguns desenhos e enviou para outro amigo, editor de livros, que contou a estória para seus filhos. Diante do novo sucesso e retornos que teve das várias crianças que ouviram a estória, refez a estória (e os desenhos) diversas vezes até chegar ao texto final.

Sabia que o livro precisa ser ilustrado diante de tantos conceitos imaginários e fantásticos e foi atrás de John Tenniel, o melhor desenhista da Inglaterra naquele momento para criar uma experiência de leitura incrível. Quando chegou ao mercado em 1865, Aventuras de Alice no País das Maravilhas foi um sucesso arrebatador, vendendo mais de um milhão de cópias rapidamente em todo o mundo.

Mais de 150 anos depois, não são apenas as inovações de Lewis Carroll que continuam atuais, mas as mensagens dos seus livros se mantêm imprescindíveis em uma sociedade que tem pressa, mas não sabe para onde ir.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

Hype Economy: A insustentável superficialidade da fumaça colorida

15 de dezembro de 2017

O termo hype tem sido associado a coisas legais, novidades ou modernidades que deveríamos prestar atenção. No dicionário Merriam-Webster, o termo, como adjetivo, é definido como algo excelente ou bacana.  Esta referência ainda cita que esta definição é mais recente, sendo utilizada desde 1989. Hype ainda é algo que é promovido de forma extravagante ou artificial para ganhar notoriedade. Mas curiosamente, a definição principal, utilizada desde 1931, segundo o Merriam-Webster, está relacionada com ilusão, engano ou ainda fingimento, simulação.

Neste contexto, hype talvez seja um termo ideal que realmente representa diversos temas, negócios, eventos, treinamentos, especialistas e novas fontes de conhecimento, que, de repente se tornaram… hype, criando uma economia própria.

Hype como algo importante ou legal deve sempre ser estudado, analisado e, se for útil, planejado, implementado e avaliado. A Quarta Revolução Industrial apresenta uma enxurrada de novas tecnologias que estão inquietando muitos C-Levels das empresas. Toda semana aparece um cavaleiro do apocalipse amaldiçoando a sua empresa que ainda não iniciou sua transformação digital. Se não bastasse ter que pensar no futuro disruptivo do seu negócio com base em big data, internet das coisas, automação ou inteligência artificial, ainda precisa fazê-lo com o custo e velocidade de uma startup e com a perspectiva do design thinking na experiência do usuário, tudo isso, com analytics em todas as frentes. Dos fabricantes de cimento e trading de grãos às startups unicórnios mais valorizadas ao redor do mundo, quem não precisa considerar estas novas regras de negócio?

É aqui que entra o hype promovido de forma extravagante ou mesmo, maliciosamente, artificial. Diante das drásticas mudanças de comunicação e comportamento das pessoas e empresas e velocidade e teor das destas alterações, boa parte das empresas precisa inovar. Mas o “analfabetismo” digital de muitos executivos os tornam vulneráveis a vendedores de soluções milagrosas. Isto já havia acontecido no passado com soluções de Knowledge Management (KM) e depois Business Intelligence (BI), mas agora os desafios são mais numerosos, complexos e exponenciais. Uma decisão errada de plataforma de inbound marketing pode sangrar seriamente o caixa de muitos negócios. Some-se a isto o design centrado no usuário, a jornada do consumidor, a Geração Y e a valorização do propósito de vida de cada colaborador. A roupa nova do rei é sempre o hype da semana até que alguém mais lúcido aparecer e questionar: O conceito de Retorno sobre o Investimento (ROI) também (ainda) é algo hype?

Por isso, antes de embarcar em qualquer hype, estude para não ser traído pelo desejo de também ser isto de forma superficial e insustentável. O número de “especialistas” em temas hype disparou na última década. Dizem conhecer profundamente bitcoin, big data, design thinking, cloud, mas quando se entra em questões mais profundas, a nuvem se torna fumaça colorida de fogos de artificio. Assim, antes de entrar em um embate com sua rede de contatos a respeito do valor do bitcoin, estude profundamente blockchain e a evolução do seu uso. Antes de alardear os benefícios do Big Data, analise a qualidade das bases de dados da sua empresa e tire o pó dos seus livros de estatística. Se possível, pesquise como Sam Walton, fundador do Walmart já acreditava e aplicava estes conceitos ainda na década de 1970. E antes de colar post-its coloridos e dizer que isto é a última tendência em Design Thinking, apaixone-se pela antropologia e, especial a etnografia. Neste campo, deleite-se com sua aplicação ainda em 1870, quando Jacob Davis criou a calça jeans considerando a experiência de uso pelos mineiros de ouro na Califórnia para depois patenteá-la junto com Levi Strauss.

A história da Levi´s ainda é intrigante, pois é a própria metáfora de qualquer onda hype. Muito mais pessoas perderam dinheiro no hype da Grande Corrida ao Ouro no Velho Oeste Americano no Século XIX. Quem ganhou foram os vendedores de ferramentas como calças jeans e picaretas.

Agora, na corrida ao ouro digital do Século XXI, é preciso tomar cuidado justamente com os… picaretas que tentam vender fumaça colorida a preço de ouro.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

 

Você tem fome de quê? O empreendedorismo de impacto e as oportunidades no setor da alimentação

14 de dezembro de 2017

David Hertz, grande impulsionador do movimento da gastronomia social no Brasil e no mundo, transformou as experiências profissionais em um poderoso insight. Se a gastronomia é tão rica – movimenta 9,3% do PIB brasileiro, sendo um dos maiores empregadores nos grandes centros urbanos do país –, ela pode ter um propósito maior do que apenas alimentação; pode ser um agente poderoso de transformação e inclusão social. Dessa forma, em 2006, surgiu a Gastromotiva, uma iniciativa que atua com a capacitação de jovens e apoio a microempreendedores na área de gastronomia.

Uma década depois, Hertz transformou o sonho em instrumento para promover educação, empregabilidade e geração de renda. De 2007 até hoje, a Gastromotiva já formou mais de 2 mil pessoas – com idades entre 17 anos e 35 anos – em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba e Cidade do México, atingindo um índice de 80% de empregabilidade, após o término do curso; e já apoiou mais de 200 microempreendedores.

Em 2017, a Artemisia teve uma nova oportunidade para refletir e estudar o poder da alimentação e da gastronomia dentro da lógica dos negócios e da transformação social. Em parceria com a Fundação Cargill, conduzimos a Tese de Impacto Social em Alimentação – um estudo que reúne informações relevantes sobre os desafios enfrentados na temática pela população brasileira de baixa renda e pelo setor; e aponta quais são as oportunidades para o desenvolvimento de negócios de impacto social que possam contribuir de forma positiva com a sociedade.

Acesso ao mercado; produtos e serviços financeiros adequados; ampliação da conectividade; insumos, ferramentas e maquinários adequados e de baixo custo; apoio e capacitação para melhor gestão e produtividade; acesso a frutas, verduras e legumes; produção próxima ao consumidor; acesso a refeições saudáveis; armazenamento de alimentos; prevenção & nutrição; e educação nutricional são as oportunidades para empreender detectadas pelo estudo. A análise setorial traz, ainda, exemplos de iniciativas e negócios de impacto social que representam as principais inovações no setor – alguns deles, inclusive, acelerados pela Artemisia, como a Gastromotiva.

A íntegra desse estudo inédito está disponível para download gratuito (aqui), porque consideramos fundamental fomentar ações inovadoras para disseminar conhecimento. Podemos afirmar que a construção dessa Tese é uma entrega à sociedade, servindo como ferramenta para desdobramentos múltiplos de um tema relevante para a população brasileira e para toda uma rede de profissionais do setor – incluindo empreendedores, institutos, fundações, incubadoras, outras aceleradoras e fundos de investimento.

E, voltando ao David, o sonho dele não parou por aí. Ano passado concretizou o Refettorio Gastromotiva, um restaurante no Rio de Janeiro localizado na Lapa que serve comida feita com alimentos excedentes, vindos de mercados ou cozinhas profissionais, e não manipulados. No almoço, a casa é aberta a todos e no jantar apenas para a população menos favorecida. Para as receitas, conta com o auxílio de chefs convidados. O Refettorio é um exemplo concreto de como evitar o desperdicio de alimentos, um dos principais desafios – que pode virar uma oportunidade – da cadeia de alimentação evidenciados em nossa Tese. Com ela, esperamos que mais empreendedores geniais e conectados com o propósito, como o David Hertz, surjam. Boa leitura!

* Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

Na lanterna do empreendedorismo

11 de dezembro de 2017

Foi sem surpresa – mas com um bocado de decepção – que vi a posição brasileira no ranking mundial de empreendedorismo Global Entrepreneurship Index (GEI), divulgado dias atrás.

O Brasil mais uma vez apareceu na colocação 98, entre os 137 países estudados pela organização The Global Entrepreneurship and Development Institute (Gedi), com sede em Washington (EUA).

Não só estacionamos (a posição é a mesma do ano passado), como ficamos atrás de países como Namíbia (61), Sérvia (74), Jamaica (89), Gana (93), Bósnia e Herzegovina (95). O levantamento avalia 14 variáveis, como capital humano, competitividade, logística, telecomunicações, inovações de produtos, habilidade das startups e internacionalização.

Como bem lembra a Gedi ao apresentar os resultados do estudo anual, o empreendedorismo é um motor crucial para o crescimento econômico. “Sem empresários e empresários, haveria pouca inovação, pouco crescimento de produtividade e poucos empregos novos”. É o  óbvio dos óbvios, né? Mas parece que os nossos governantes ainda não entendem o verdadeiro valor do empreendedor, desperdiçando fortunas em grandes empresas em vez de olhar para os milhares de pequenas empresas que geram 48% dos empregos do Brasil e servem como um excelente e natural distribuidor de renda. O empreendedorismo não existe no vácuo: é preciso um ‘ecossistema’ mínimo, que envolve atitudes, recursos e infra-estrutura onde possamos desenvolver nosso trabalho.

E, neste sentido, não espanta que estejamos estacionados – e, pior, numa posição vergonhosa: confusão trabalhista, pesado sistema tributário, a instabilidade política, a falta de crédito, o excesso de leis e a burocracia, o Brasil não está sendo mesmo um ambiente amigável para empreender.

A consequência está aí: economia com pífio crescimento de 0,1% em um trimestre – como foi o último. E poderia ter sido muito pior. Alguém pode ajudar a mudar isso?

 
Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

A rede empreendedora sustentável

28 de novembro de 2017

 

 

Uma das grandes satisfações que tenho no dia a dia é o contato direto, no balcão, com as pessoas que frequentam as lojas. Tenho um interesse genuíno pela vida de cada um, que me enriquece, e termina por desenvolver amizades e ótimos encontros. Esses contatos fortuitos com clientes – às vezes são alguns segundos, uma frase; e outras vezes rende vários dias de conversa – seja de receitas, de viagens, e da vida em geral, me trazem grande prazer, sendo um grande bônus do trabalho.

Nesses encontros do acaso, na semana passada conheci a Glória Andrade, empreendedora de sucesso na área de eventos. A Glória me contou que a filha passou a não comer carne em certo momento, e isso aprofundou a curiosidade dela nesse mundo do alimento saudável: de onde vem, como chega até o consumidor, onde está o produto, etc. “A dificuldade de encontrar as informações organizadas é enorme, é tudo na sorte do Google”.

Acompanhando os interesses da filha, Gloria começou a pesquisar, experimentar, conhecer pessoas e projetos criativos, e o lado empreendedora dela começou a formatar uma ideia – vinda da própria necessidade de informações – de conectar pessoas interessadas numa alimentação saudável, como ela e a filha, com as empresas que compartilham os mesmos valores.

Assim surgiu a primeira plataforma digital – em parceria com a Safra Digital – com propósito de reunir empresas que priorizam o uso de recicláveis, orgânicos, não poluentes, naturais, em sintonia com o meio ambiente, chamada Maria Conecta.

Fiquei fascinado no projeto, pois me identifiquei tanto como consumidor quanto como empresa, e achei ótima a iniciativa de poder encontrar mais empresários com as mesmas afinidades – e construir parcerias em busca de custos, de novidades, de informação. Virei fã e apoiador imediato.

Fica o convite a empreendedores e consumidores, de visitar a plataforma, fazer contato, levantar a bandeira abraçar esta causa, que vale a pena.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) ivan.primo@pastificioprimo.com.br

Likes, shares, memes e haters: Quando a felicidade é um Moleskine e um lápis B2

30 de setembro de 2016

Qual Moleskine levar para casa? Como é possível inovar tanto em algo tão simples como um caderno de anotações? Como conseguem criar o desejo no consumidor de levar mais itens do que realmente necessitamos? Como criaram uma marca tão premium e desejada em um mercado tão fácil de entrar?

Preciso prestar atenção ao estilete enquanto aponto meu lápis B2, mas meus questionamentos voam enquanto olho para o meu divertido Moleskine desenvolvido em parceria com a Lego. A ideia é maravilhosamente simples, mas poderosamente criativa. Quem não gosta de Lego deve ser muito frustrado na vida ou deve ter pisado descalço em alguma peça. Mas de qualquer forma, a base na capa é um convite para você conectar seu personagem ou montagem preferida e só isto já te leva para outra dimensão só sua onde você só existe em pensamento, onde toda a criatividade é permitida, onde você não precisa se preocupar com likes, shares ou se distrair inutilmente com memes e tampouco se envenenar com a maldade de algum hater. Mas isto porque eu escolhi um Moleskine da Lego. Mas a sensação é a mesma dos outros diante dos seus Moleskines novinhos e a companhia de um lápis bem apontado ou uma caneta macia. Neste momento, estamos nas mesmas condições de Ernest Hemingway, Oscar Wilde, Vincent van Gogh, Henri Matisse e Pablo Picasso quando iniciavam um novo caderno de anotações. Começamos a, literalmente, colocar o melhor de nós no papel.

Por todas estas questões, reflexões e aspirações, a criação da Moleskine é uma inspiração para todos os empreendedores que queiram criar produtos que exponham a melhor parte dos seus consumidores.

A origem da empresa vai decepcionar muita gente. Mesmo que os blocos de anotações fossem usados desde 1850 na Europa, foi apenas em 1997 que uma pequena editora italiana chamada Modo & Modo registrou a marca Moleskine e produziu cinco mil unidades. Isto quebra a mágica de imaginar Hemingway à beira de uma praia em Cuba fazendo anotações iniciais de O Velho e o Mar ou Van Gogh no meio de uma plantação de girassóis tentando rascunhar o brilho do sol em seus Moleskines como a Modo & Modo conseguiu incluir no imaginário popular. Mas o bloco de anotação Moleskine fez tanto sucesso que no ano seguinte, em 1998, as vendas alcançaram 30 mil unidades e a empresa nunca mais parou de crescer a ponto de alguns anos depois ter sido comprada pela Société Générale Capital, uma empresa de capital de risco. Se seu crescimento for analisado, a Moleskine se comportou como uma das melhores startups daquele momento. Talvez por isso, tenha conseguido abrir o capital da empresa na bolsa italiana em 2013.

E o que distancia a Moleskine de todos os outros seus concorrentes é a plena dedicação da empresa a sua proposta de valor que é ser o sinônimo de “estilo de vida das pessoas criativas”. Para entregar isto, a empresa trabalha com três pilares:

1) Ser icônico: Seja o meu Moleskine Lego ou o mais tradicional de capa preta e elástico, custe o que custar ou faça o que deve ser feito, o cliente precisa bater o olho e enxergar um produto exemplar, que não pode nem merece ser comparado com qualquer outro concorrente;

2) Entregar valores aspiracionais únicos: O cliente precisa perceber uma forte identidade pessoal com o produto, que precisa estar plenamente alinhado com a sua cultura e memória, precisa fazer com que viaje em sua imaginação;

3) Conectar com o passado, mas sendo moderno: É preciso criar alguma ligação com algo já conhecido pelo cliente, estabelecendo-se uma tradição ou um costume, mas com uma roupagem totalmente moderna.

Esta forma de enxergar o que os clientes querem fez com que a Moleskine nunca atuasse no mercado de cadernos de anotações. Para isto há concorrentes mais baratos e competitivos. Mas a empresa sabe disso e por esta razão vem crescendo 21% em receita e 25% em lucros anualmente nos últimos seis anos porque oferece para o cliente o que ele(a) mais quer: Um pouco de felicidade consigo mesmo. E isto, muitas vezes, é apenas um Moleskine para chamar de seu e um bom lápis bem apontado.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP

 

A empresa que vai expandir apesar da crise

23 de abril de 2015


Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira no Blog

Resolvemos descer a serra! Não, não é um passeio ciclístico organizado pela Carbono Zero! Apesar de ser uma boa ideia, não será dessa vez. Trata-se da mais nova região que receberá uma Carbono Zero, a baixada santista. Até junho devemos inaugurar nossa operação na baixada santista! Novidade em primeira mão aqui no Blog do Empreendedor, notícia exclusiva e direto da fonte. Sem intermediários =)

No começo do ano escrevi aqui, fazendo um teaser sobre a nossa expansão e o formato que escolhemos para fazê-lo. Claro que não revelei o local, mas vale dar uma lida se o seu projeto vive o momento de pensar em expansão. Para nós, optar por Santos foi uma escolha pensando no longo prazo.

Será o nosso laboratório, é uma cidade próxima, facilita o gerenciamento, é uma cidade relativamente grande em sua população, mas pequena em tamanho, comparando com São Paulo. É uma cidade que tende a aceitar a bicicleta e o ciclista de forma mais amigável, a produtividade de cada ciclista tende a ser maior (o fato de ser uma cidade menor e plana diminui o desgaste físico). Tudo isso na teoria, certo? Pois, não podemos esquecer essa beleza de empreender que é o encontro da teoria com a prática, onde descobertas são feitas e lições aprendidas.

A lógica do modelo é a mesma de São Paulo, foi justamente pensando nisso que também 1 ano atrás alteramos nossa mecânica de preço, para uma forma mais simples e fácil de adaptar para outras regiões. Momento dica: se você vislumbra a expansão é legal ajustar processos que facilitem isso no futuro.

Começando nossa operação em Santos, não esperamos que seja uma cidade com demanda e faturamento tão grande quanto São Paulo, mas, que seja um aprendizado válido, um movimento estratégico – que também agrega para nossos futuros e atuais clientes em São Paulo – vai ao encontro de um dos nossos objetivos de lá atrás, desde nossa criação, sermos uma empresa que faz entregas, não só de documentos, mas entregas de uma forma legal e moderna, com novas ferramentas (bicicleta, veículos elétricos) e que não agridam o planeta e as pessoas.

Agora, o fato de termos adotado, para essa primeira expansão uma estratégia, não significa que não possamos mudá-la para a próxima. Essa é a beleza de empreender você pode criar e principalmente, desafiar os modelos padrões, que muitos são os mesmos dos últimos 50-60 anos, mas muita coisa mudou desde então e não foi só a forma de se pensar e querer fazer negócio. Nada impede da terceira cidade que receberá uma Carbono Zero ser uma franquia ou um modelo híbrido ou algo totalmente novo e diferente. O importante é não se limitar pelas opções que existem, mas sim, pesquisar novas, buscar referências e não só aquelas do seu segmento.

Só sei que vamos descer a serra, vamos a la playa e a maresia não vai enferrujar as nossas bikes =)

Um abraço,

Rafael