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Somos todos designers (ou precisamos ser)

7 de julho de 2014

Marcelo Pimenta é professor da ESPM

Foi-se o tempo em que o design era algo restrito às artes visuais ou ao desenvolvimento de produtos. Hoje o design é considerado uma disciplina transversal, ou seja, pode estar presente em todas as atividades. Entender design como abordagem é compreender um processo de tentativa e erro, de interação com o usuário, em que vai se somando conhecimento em busca do alinhamento do problema à solução.

Exemplificando: você vai abrir um restaurante. Onde estão as oportunidades para o design? Se você pensou na logomarca, está correto, esse é o uso do design ligado a identidade visual. Ou ainda você pode pensar no design como aliado do projeto de arquitetura, ajudando na decoração do ambiente – também correto. Ou ainda pode pensar no design do produto (como os pratos do cardápio que serão servidos – sim, isso também é design!).

Mas o design está (ou pode estar) também em várias outras atividades e recursos, mais ligados a design de negócios, e vou citar alguns exemplos para o caso de um restaurante.

1 – O design thinking pode ser o método através do qual os sócios identifiquem seus segmentos de clientes (vegetarianos, intolerante a lactose, alimentação funcional, trash food, famintos pós baladas) e criem um modelo de negócio que diferencie o restaurante da concorrência.

2 – O design de canais pode propor novos meios de relacionamento com os clientes, como  aceitar reservas por mídias sociais ou ainda ter acompanhamento personalizado de um nutricionista.

3 – O design de serviços pode ajudar no planejamento do fluxo de atendimento aos clientes, além de criar uma lógica de onde ficam os pratos, os talheres, a fila, a comida, o caixa, a área de espera.

4 – O design de experiências pode cuidar de questões que fazem toda a diferença, como uma solução para estacionamento ou mesmo na mistura exótica de sabores das refeições que vão ser servidos.

5 – E podem existir vários outros usos estratégicos do design (agradeço quem quiser comentar e citar outras hipóteses, tentando explorar o exemplo de um restaurante).  Esse conceito de “Design de Negócios” vem ganhando cada vez mais força, principalmente desde 2009, quando o professor Roger Martin, da Rotman School da Universidade de Toronto, lançou o livro “The Design of Business”. Nele, ele mostra  como o uso estratégico do design pode ser a próxima vantagem competitiva nos negócios para empresas de todos os portes.

“Quando se trata de inovação, os negócios têm muito a aprender com design” defende Martin.  Sendo assim, não seria exagero afirmar que  todo empreendedor, mesmo não sabendo, é um designer de negócio.

Por isso é fundamental, além das tradicionais áreas de conhecimento necessárias ao empreendedor (liderança, gestão, finanças, estratégia), incluir também o design, pois pode estar aí o diferencial que vai contribuir para o sucesso do negócio.