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Sobrevive o mais apto, não o mais rápido

8 de setembro de 2014

Vivemos com pressa. Por diversos motivos vivemos a era da impaciência:
- se o elevador demora;
- se a saída da garagem está trancada;
- se a conta do restaurante não chega;
- se o colega demora na fila da escolha do bife,
- se a pessoa da frente não acha o cartão para pagar a conta…
Ahhhhhhh! Não dá para esperar!

Os atrasos mais triviais – alguns de poucos segundos – são hoje motivos para a irritação, a impaciência, o desconforto… A releitura de “Devagar” me motivou a compilar diferentes ideias que reforçam a necessidade de entender o fenômeno da pressa coletiva. Entender que o passar das horas, dos dias, nos meses são fundamentais não só para que os frutos amadureçam, mas também para que cada ciclo tem seu momento.

O cantor e compositor Renato Teixeira é meu vizinho na Serra da Cantareira.  Ele, junto com o Almir Sater, conseguiram sintetizar um pouco desse pensamento em “Tocando em Frente”:

“Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais.

Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe eu só levo a certeza
De que muito pouco eu sei
Nada sei”

Meu professor de filosofia no curso de jornalismo da UFSM, Melquíades Vicente Zanella, nos idos de 1989, ensinou: “Apressa-te vagarosamente”.  Além de professor do departamento de Filosofia da Universidade Federal, ele era padre palotino do Vale Vêneto, tinha uma fala mansa, e repetia – “Apressa-te vagarosamente…”.

Para quem tinha 19 anos, era difícil de entender. E ele exemplificava: “Se você está em casa e toca o telefone lhe convidando para ir a uma viagem surpresa para a Europa, uma oportunidade imperdível, mas com a única condição que você precisa embarcar no outro dia, o que fazer??? Não adianta sair correndo como um desesperado, é preciso refletir, pensar, priorizar, apressar-se vagarosamente”.

Ao longo dos anos, venho entendendo cada dia mais um pouco do significado dessas palavras. “A velocidade nem sempre é a melhor política. A evolução se escora no princípio da sobrevivência do mais apto, e não do mais rápido” defende o escocês Carl Honoré, autor do livro Devagar. “Depressa é agitado, controlador, agressivo, apressado, analítico, estressado, superficial, impaciente, ativo, quantidade-mais-que-qualidade. Devagar é o oposto: calmo, cuidadoso, receptivo, tranquilo, sereno, paciente, reflexivo, qualidade-mais-que-quantidade”.

Não se quer aqui pregar tempo de lentidão, de morosidade e de preguiça. A provocação é pela busca do EQUILÍBRIO – de se ter velocidade quando é preciso, mas permitir-se ter tempo para a contemplação, para a conversa, para o desconhecido.

Gostaria de finalizar, com mais versos de Renato Teixeira e Almir Sater:
“Cada um de nós compõe
A sua própria história
E cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
De ser feliz”

Espero que tenham tempo para assistir ao vídeo em que Almir Sater conta a história dessa linda canção numa visita à TV Cultura.

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