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Sobre o que não é compartilhar

3 de agosto de 2017

Convidado à escrever sobre compartilhar, difícil não citar exemplo de grandes unicórnios que ganham valor de mercado pregando a Economia Compartilhada como salvadora do sistema financeiro mundial. Focado em entregar para todos leituras rápidas com as práticas de mercado do que é compartilhar, trago à vocês 2 exemplos. Um tradicional e um novo do que é dividir:

Primeiro o novo. Uber. Bom, a empresa definitivamente criou uma plataforma de compartilhamento e tira seu sustento de um modelo que só funciona, hoje pelo menos, se houver uma base de pessoas para representa-la fisicamente, nesse caso, os motoristas.

A plataforma em si, simples, conecta pessoas que precisam se deslocar do ponto A para um ponto B com pessoas dispostas a conduzir você nessa jornada de pontos, todos ganham: a empresa fica com uma parte, o motorista com a sua e o passageiro que tem o resultado final. Sharing economy, certo? Não.

Tem um ponto básico aqui, quem arbitra o valor pelo serviço prestado pelo motorista é a empresa que criou a plataforma, isso na verdade não deixa de ser um pensamento capitalista na essência de otimização de ganhos: Ganho se o serviço funcionar, sem gasto para o funcionamento posso abrir mão da rentabilidade unitária e focar no volume, de quebra, pela oferta e demanda arbitro aumentos e quedas de preços pelo aplicativo, mas nunca deixo de ganhar.

O Uber ganha quando os motoristas ganham e ganha quando perder também. Dividir parece fácil quando você nunca perde, afinal, nem seguro oferecem, melhorias e ou benefícios.

Vamos ao exemplo tradicional. Imagine um sistema de vendas direta, aquele modelo Avon e Natura. O valor do produto é oferecido pela fabricante, afinal, ela produz o bem de consumo. A margem por sua vez é sugerida para seus vendedores, eles arbitram sobre o valor na ponta, na venda, sabendo que se ofertarem mais caro venderão menos, mas eles assumem um risco por si só, os ganhos continuam sendo divididos entre todos, afinal, até descontos eles podem dar para seus clientes mais fiéis.

Sharing Economy diz muito respeito às regras claras do jogo, não exatamente uma plataforma tecnológica que dá mais voz. A Natura seria sharing economy então? Não, apenas uma empresa capitalista que visa lucro e não depende necessariamente de uma comunidade para sobreviver, mas ela tem mais clareza que o uber sobre a importância de sua comunidade.

Wolfgang Menke é fundador da House of All e está dando um nó na cabeça do mercado brasileiro ao possibilitar que pessoas experimentem e pratiquem a Sharing Economy.