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Se pretende trabalhar para sempre, conheça a história de Peter Usborne

7 de abril de 2017

Já devo ter gasto mais de R$ 1 mil comprando os produtos da empresa de Peter Usborne (foto), mas valeu cada real gasto

Ele tem 80 anos agora e ainda se recorda: Eu queria ser pai para sempre… – diz Peter Usborne enquanto relembra como seu negócio começou. Ele tinha 36 anos, trabalhava em uma grande editora em Londres e vinha desenvolvendo uma boa carreira na empresa, quando o telefone tocou: Você será papai… – comunicou sua esposa. Ainda emocionado com a notícia, Peter foi falar com seu chefe sobre a novidade e verificar se poderia ser transferido para a divisão de publicações infantis da empresa. Como não aceitar o pedido de um funcionário competente, dedicado e que agora teria um motivo a mais para ser ainda melhor pensou seu chefe.

Já pai, Peter tornou a divisão de livros infantis um sucesso a ponto do presidente da empresa ir procura-lo para dar os parabéns. Só por curiosidade, qual é o seu próprio objetivo? Perguntou o presidente. Estava pensando em criar a minha própria empresa, chefe… – respondeu Peter de forma tranquila e honesta. Não vou deixá-lo sair assim… – retrucou o chefe. Quero ser seu sócio!
E assim, nascia em 1973 a Usborne Publishing, uma das editoras de livros infantis de maior sucesso em todo o mundo. Quem é pai e gosta de comprar livros para seus filhos deve ter uma porção de livros escritos, criados e publicados pela empresa de Peter. É só dar uma olhada nos livros que os pequenos acham mais legais e muito provavelmente verá um balão colorido em um dos cantos da obra, logotipo da Editora Usborne.

Sua receita inicial para ótimos livros (que é a mesma até hoje) era sempre criar pensando no que seria o melhor do mundo para os seus filhos. E nesta lógica, sua empresa já lançou mais de dois mil títulos em mais de 100 idiomas sempre com a mesma abordagem: Não tratar a criança de forma infantilizada, humor sempre que possível, informações e conhecimento que gerem curiosidade, muita quantidade e variedade de ilustrações e fotografias, atenção a todos os detalhes e sempre com o melhor papel e impressão em formatos grandes de forma que pais e filhos pudessem ler juntos.

Quatro anos depois, quando Peter tinha 40 anos, sua pequena editora atingiu a marca de um milhão de libras em vendas. Dez anos depois, percebeu que já tinha ganhado dinheiro a ponto de não precisar trabalhar nunca mais. Mas como poderia parar? – pergunta. Publicar livros para crianças era uma extensão da minha sensação de paternidade e eu queria ser pai para sempre. – explica. Além disso, eu não tinha criado a empresa para ganhar dinheiro. Ele só pensava em criar um mundo melhor para os seus filhos.

E para cumprir este objetivo, há mais de 40 anos, Peter Usborne vem adotando abordagens que chocariam empreendedores e executivos mais agressivos. Mesmo diante do aumento expressivo da demanda, Peter prefere manter o crescimento da empresa sempre entre cinco a dez por cento anualmente. Acredita que crescimentos rápidos e disruptivos podem trazer danos desnecessários a sua companhia. Também é uma das principais editoras signatárias do The Book Chain Project, sistema de auditoria que verifica a origem sustentável da celulose, a segurança da tinta, cola e verniz e as condições sadias de trabalho onde seus livros são produzidos. Por fim criou uma fundação, doando 60% do capital da empresa, permitindo assim que a entidade tivesse condições financeiras de desenvolver ações de incentivo à leitura na África por meio de livros e em todo o mundo por meio de games como o  Teach Your Monster to Read.

Em 2015, a Usborne Publishing foi reconhecida como a empresa privada de maior destaque do Reino Unido desbancando diversas startups de alta tecnologia, empresas de varejo e firmas de serviços.

Parar? Eu adoro o que faço assim como as pessoas que trabalham aqui. Sentimos que estamos fazendo algo que é realmente valioso. Meu trabalho é o meu hobby… – explica.

E o hobby preferido das minhas duas filhas pequenas de sete e quatro anos é ler… principalmente os livros produzidos pelo Peter. E isto não tem preço… Até tem, mas vale cada real gasto.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

 

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