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Revistas de universidades ajudam no aprendizado contínuo e na reciclagem de líderes

18 de janeiro de 2019

 

Marcelo Nakagawa*

A velocidade da velocidade dos negócios está aumentando exponencialmente, costuma dizer o amigo Flávio Pripas, que co-fundou o Cubo e agora atua no fundo de venture capital Redpoint eVentures, no início das apresentações. Com isso, as organizações estão se tornando obsoletas no mesmo ritmo. A cada dois anos, os profissionais do marketing precisam recomeçar do zero, explica Romeo Busarello, outro amigo, que é diretor de marketing da Tecnisa e um dos professores mais respeitados no tema no Brasil, sobre a obsolescência ainda mais rápida da aplicabilidade do conhecimento dessas pessoas na área em que atuam.

Organizações de todos os setores e portes estão sendo questionadas pelas oportunidades e, principalmente, ameaças desta nova dinâmica de negócios. Neste contexto, milhares de vagas de trabalhos estão sendo abertas para profissionais que dominem novas abordagens de desenvolvimento de negócios. Mas, pela própria velocidade das mudanças, encontrar cursos que formem profissionais com essas novíssimas competências não é fácil, abrindo espaços para oportunistas que vendem superficialidades em cursos com nomes pomposos, eventos dispersos ou se atualizar por meio de conteúdos espalhados pela web e pelas redes sociais.

Capa da Harvard Business Review, edição de 2019. FOTO: Reprodução

Mas há um formato de aprendizado contínuo e de alta qualidade que não é lembrado pela maioria dos profissionais que querem estar à frente do seu tempo: revistas acadêmicas das principais escolas de negócios e tecnologia do mundo. Algumas, como a Harvard Business Review, são bastante conhecidas pelos executivos e empreendedores, mas há outras que estão no mesmo nível ou até em patamar superior.

A revista Rotman Management, publicada pela Rotman School of Management da Toronto University, é uma grata surpresa. Tanto a escola como a publicação são praticamente desconhecidas no Brasil, mas ambas têm um elevado nível de qualidade. A leitura da revista em si se torna cada vez mais imperativa para líderes empresariais e empreendedores. A edição mais recente é dedicada ao tema “disrupção” (pela segunda vez) e todos os artigos merecem ser lidos com cuidado.

“Pela própria velocidade das mudanças, encontrar cursos que formem profissionais com novíssimas competências não é fácil”

O aclamado Massachusetts Institute of Technology (MIT) publica duas revistas cuja leitura também tem se tornado obrigatória para qualquer líder executivo ou empreendedor inovador. A MIT Technology Review trata de conteúdo sobre alta tecnologia com profundidade de forma precisa, didática e aplicada aos negócios. A edição atual fala da China e seus impactos na evolução tecnológica do mundo.

A Sloan, escola de negócios do MIT, também publica outra revista com o mesmo nível de relevância. A MIT Sloan Management Review aborda temas de gestão, mas sempre aplicando tecnologias inovadoras. A edição atual fala de um assunto na agenda de todas as empresas brasileiras: inovando para crescimento em vendas.

A Stanford University também publica duas revistas importantes. A escola de negócios edita a Stanford Business, mas o conteúdo mais bacana é publicado no Stanford Insights (um blog). O maior destaque é o Stanford Social Innovation Review, leitura obrigatória para líderes empresariais que conduzem negócios sustentáveis e empreendedores de impacto socioambiental.

Prateleiras de livraria em São Paulo. FOTO: Nilton Fukuda/Estadão

Para quem busca algo ainda mais profundo em novos conhecimentos de gestão de negócios, empreendedorismo e inovação, a leitura do California Management Review, organizada pela Haas School of Business da University of California, Berkeley, é uma ótima opção. A edição mais recente é dedicada a diversos aspectos de gestão, em especial da inovação, no mundo VUCA (dos termos em inglês: Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity).

Todas essas revistas são acessadas mediante pagamento por meio de assinatura ou, em alguns casos, acesso avulso. Ainda é possível acessar algumas gratuitamente, caso a faculdade ou a universidade em que se formou ofereça serviços como o EBSCO.

Aprendizado contínuo ainda é o melhor investimento para sua carreira!

* Marcelo Nakagawa é professor de inovação e empreendedorismo do Insper