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Blog do Empreendedor
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Quero ser grande?

22 de maio de 2013

Juliana escreve sobre escolhas que fazemos

Quando uma ideia começa a dar certo, chove gente querendo expandir o negócio. Querem abrir muitas filiais: aqui, ali, acolá. Até aquele coleguinha do maternal 2 resolve aparecer (gordo e careca) com uma estratégia que você nunca encomendou para tornar a “operação mais eficiente e lucrativa”.

E esse assédio corporativo só piora com o tempo.  Nem seu pai, que nos anos 70 morava feliz e abnegado numa comunidade hippie, entende, por que, afinal, você ainda não abriu um maldito quiosque no shopping center em frente ao prédio dele.

Mas as escolhas nem sempre são óbvias e cabem aqui algumas reflexões sobre o que leva um empreendedor a segurar com os dois pés na porta o crescimento de um negócio.

As pessoas tem motivações distintas para começar uma empresa. Tem gente que já tem experiência em administração e entra no negócio com uma estratégia comercial definida, com foco, por exemplo, no resultado financeiro. Há, por outro lado, aquele empreendedor mais passional, que começa uma empresa sem experiência, e que em princípio não está preocupado com os rumos que o negócio vai tomar porque acredita que a vida já foi suficientemente boa pra ele permitindo que ele ganhe dinheiro fazendo o que gosta.

Como a gestão aqui acaba sendo menos eficiente, na base do ensaio e erro, é compreensível que se tenha medo de expandir até para o puxadinho do quintal. Ok, daí alguém pode dizer que para estruturar a empresa e botar ela pra crescer basta ter um sócio que administre o negócio. Sim, mas nem todo mundo se sente a vontade de dividir as decisões da empresa com outra pessoa, principalmente quem tem um perfil centralizador ou é visionário por natureza.

Outro desafio que surge com o crescimento precoce do negócio é manter a qualidade. Até aonde é possível expandir sem comprometer a experiência com um produto ou serviço? Porque se a empresa tem a qualidade como valor essencial, seu fundador certamente saberá que isso não pode ser negociado por dinheiro nenhum no mundo.

E tem ainda um fator vital para continuar empreendendo, a inspiração. Muitas vezes o que move uma pessoa a abrir uma empresa é a primeira coisa que ela perde quando a operação cresce além do que ela consegue controlar. Qualidade de vida é o maior exemplo disso. Enfim, pode ser que o crescimento saudável, sustentável, seja aquele que acontece no seu tempo, de dentro pra fora, e não de fora para dentro, quando se está finalmente preparado para ser gente grande.  Quem sabe?