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Blog do Empreendedor
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Quer subir? Então pare de ficar apertando o botão ‘descer’ do elevador!

25 de setembro de 2018

A situação é sempre a mesma. Você pega o elevador rumo ao subsolo onde está seu carro. Mas passando pelo piso térreo, o elevador para e abre as portas.  Um rosto meio sem graça aparece e pergunta: “Ah… tá descendo, né?”.  Você solta um grunhido parecido com o que os seus olhos já tinham respondido.

Por que há tantas pessoas que apertam o botão “descer” quando, na verdade, querem subir na vida? E por que continuam fazendo isso? Como chamar uma pessoa que faz a mesma coisa esperando resultado diferente?

E isso não é válido apenas para os elevadores, mas também para suas trajetórias de vida.

Quantas pessoas querem pegar o elevador do estudo? Mas ficam reclamando que não tem oportunidades. Até aos 36 anos, Gladys Mariotto era dona de casa em Curitiba quando se divorciou. O que faria se ficasse sem recursos financeiros, fonte de renda e ainda tivesse dois filhos para criar? Ela foi trabalhar e começou uma faculdade. Quatro anos depois, aos 40 anos, já formada, fez outra faculdade, um mestrado e um curso de especialização ao mesmo tempo. Quase aos 50 anos, fez outra especialização e logo em seguida começou um doutorado. Como sempre teve muito pouco tempo para estudar já que conciliava seu trabalho, seu papel de chefe de família e, principalmente, de mãe, acabou desenvolvendo um novo método eficaz de estudo que não só a ajudou como também aos seus filhos. A partir desta inovação, ela fundou a JáEntendi, uma premiada startup que, inclusive foi acelerada no Vale do Silício, atua com capacitação profissional para pessoas da base da pirâmide social.

Quantas pessoas aguardam o elevador de um melhor emprego? Mesmo tendo uma excelente formação acadêmica, três MBAs no currículo e bom desempenho profissional não impediram que Tatiana Pimenta fosse desligada da multinacional que atuava em São Paulo. A crise econômica em 2015 agravou de tal forma os resultados da sua empregadora que a reestruturação das operações no Brasil era uma questão de tempo. E ela recebeu a notícia no mesmo dia em que seu pai foi diagnosticado com câncer. O lado bom da situação é que agora ela tinha mais tempo para ficar ao seu lado. Neste período, Tatiana descobriu a dificuldade, principalmente de pessoas em regiões mais distante da capital, do acesso a profissionais de saúde. Depois entendeu que mesmo nas grandes cidades havia dificuldades semelhantes. Seu pai conseguiu se tratar, mas ela continuou com isto na cabeça e decidiu não mais voltar para o mercado executivo. Meses depois, fundou a Vittude, um serviço que conecta psicólogos com pessoas que buscam um e não sabem como escolher ou que não conseguem se deslocar ao consultório.

Quantas pessoas ficam apertando o botão “reclamar” para chamar o elevador de um mundo melhor? Até 2009, Ana Fontes era executiva do mercado automobilístico no Brasil, mas o tratamento dado às mulheres sempre a incomodou, não apenas nas grandes corporações mas principalmente para as mulheres que iniciam seus próprios negócios.  E por mais que houvesse inúmeros programas de apoio ao empreendedor, ninguém olhava a mulher empreendedora em todas as suas dimensões, desafios e desejos. No ano seguinte, Ana fundou a Rede Mulher Empreendedora, uma plataforma que apoia mais de 300 mil mulheres empreendedoras em todo o País.

Há outros milhões de botões que estão sendo apertados neste momento. Mas enquanto estas pessoas continuarem apertando o botão “descer”, continuarão onde estão.

Quer subir na vida, mas o elevador está demorando? Vá de escada!

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.