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Quem foi a maior empreendedora de todos os tempos?

19 de agosto de 2016

Talvez você tenha a sua resposta, mas a minha filha de seis anos teria uma resposta na ponta da língua. E contaria que ela nasceu muito pobre, que perdeu a mãe muito cedo, que o pai, por falta de condições financeiras, a colocou em um orfanato, que depois de adulta foi morar em uma pensão para moças onde aprendeu a costurar suas próprias roupas, que começou a se indignar sobre como as mulheres eram submissas e como se vestiam de forma desconfortável e como passou a criar roupas práticas e elegantes que chocaram a sociedade da época como as primeiras calças femininas, tailleurs e cardigans. Também contaria que abriu uma loja para vender chapéus, depois roupas e até perfumes. Tudo isto para explicar a importância de ser “Diferente como Chanel” que, na verdade, é o título de um dos seus livros infantis preferidos, escrito por Elizabeth Matthews e publicado no Brasil pela saudosa Editora Cosac Naify.

Há 133 anos, neste mesmo dia 19 de agosto, nascia Gabrielle Bonheur Chanel, que se tornou mais conhecida pelo seu apelido, Coco. Mais que ter criado uma das mais impactantes marcas de moda do mundo, com fortíssimas influências até hoje, Coco Chanel foi uma das precursoras do protagonismo feminino com atitudes e crenças que, surpreendentemente (ou infelizmente), continuam muito atuais.

“Uma menina precisa ser duas coisas: Quem e o que ela quiser ser” é uma das suas frases, mas também é minha quando educo as minhas filhas para serem quem e o que elas quiserem ser. E da mesma forma, quando não mais estiver aqui, espero que os ensinamentos de Chanel sirva de orientação para elas: “Você pode ser linda aos trinta anos, charmosa aos quarenta e irresistível pelo resto da sua vida” mas a “Beleza aparece no momento em que você decide ser você mesma”.

Mas Chanel não foi apenas um dos principais símbolos do empoderamento feminino da história. Foi uma empreendedora com uma sabedoria e conhecimento de negócios que a iguala a outros grandes (e muito mais conhecidos e celebrados). O design de suas criações icônicas coloca Steve Jobs ao seu lado, pois ela veio antes e defendia que “Simplicidade é o principio de toda verdadeira elegância”. Se a Apple defende o “Pense Diferente”, muito antes Chanel acreditava que “Para ser insubstituível, é preciso ser sempre diferente”. E se a empresa da maçã vende produtos sempre muito mais caros do que a concorrência, Chanel também pregava que “As melhores coisas da vida são gratuitas. Mas as segundas melhores são muito caras”. Mas nem mesmo Jobs conseguiu sintetizar de forma tão poderosa e provocativa a proposta de valor da sua empresa como Coco Chanel: “Vista-se como fosse encontrar seu pior inimigo hoje”.

Mas talvez muitos não concordem que Gabrielle “Coco” Chanel tenha sido a maior empreendedora de todos os tempos já que podem ter outras opiniões e que isto não faz sentido em um momento em que se busca a equidade de gêneros. Mas Chanel deixou sua visão de mundo, um legado que está muito além das suas roupas, sapatos e perfumes: “Não é a aparência, é a essência. Não é o dinheiro, é a educação. Não é a roupa, é a classe” – diz.

Por isto fico feliz quando minha filha prefere ler a trajetória da Chanel aos contos de fadas de meninas pobres que se transformam em princesas com a ajuda de fadas madrinhas e príncipes encantados. Por que ser igual quando se pode ser diferente… como Chanel.

Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP.