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Porque tantas empresas internacionais estão indo embora do Brasil?

25 de junho de 2018

Porque tantas empresas internacionais estão indo embora do Brasil?

Há um ditado que afirma “ser empresário, no Brasil, não é para amadores”.

Algumas notícias recentes na mídia, de empresas internacionais encerrando operações no Brasil, me fazem pensar que o Brasil pode ser bastante cruel com os empresários profissionais também. Empresas de sucesso internacional tem tido dificuldades para se manter no jogo verde e amarelo.

Os sobreviventes – tanto empresas nacionais quanto internacionais – podem se considerar acima de média e sortudos – e realmente o são -  mas a dificuldade de prosperar no mercado brasileiro provoca algumas perguntas necessárias:

- Afinal, porque o Brasil é tão difícil?
- Será que no exterior, e com o mesmo esforço, a mesma empresa prosperaria mais e melhor?
- Quanto custa, no médio e longo prazo, ser um mercado difícil, complexo e instável?

Não tenho as respostas, mas quero acreditar que começar a fazer as perguntas pode fazer a gente a pensar em alguma solução.

É uma história conhecida que os executivos brasileiros são muito valorizados no exterior por causa da grande capacidade de adaptação e a trazer resultados mesmo em ambientes hostis. Isso diz muito de como o Brasil é hoje.

Cada vez que uma empresa fecha no Brasil, não são apenas os empregos que são perdidos, mas todo um giro da economia, aprendizado, os melhores profissionais migram, os que ficam precisam recomeçar.

Preparei uma lista de algumas destas noticias da midia:

Häagen-Dazs, junho de 2018 - a famosa marca de sorvetes comunica fechamento das oito lojas próprias
WalMart, junho de 2018 – vende 80% da operação no Brasil
Lush, maio de 2018 – a marca inglesa de cosméticos naturais encerra no Brasil e queima estoque
FNAC, julho de 2017 – vende para a Livraria Cultura. Recentemente a Cultura comunica o fechamento da icônica FNAC de Pinheiros
Garrett Popcorn, junho de 2017 – com menos de um ano de funcionamento, a rede de pipocas americana fechou as 2 lojas no Aeroporto de Guarulhos
Kirin, fevereiro de 2017 – a japonesa vende as operações no Brasil para a Heineken
Citibank, outubro de 2016 – o Citi é comprado pelo Itaú
HSBC, julho de 2016 – banco inglês vende toda a operação ao Bradesco
Cacao Sampaka, março de 2016 – a marca espanhola de chocolates fecha loja e vende tudo
Ladurée, março de 2016 – a famosa confeitaria francesa culpa a crise e fecha única loja no Brasil

E a lista vai e vai.

Sem dúvida a crise que passamos nos últimos anos deve ter sido um dos motivos finais, mas não acredito que seja o único. As grandes empresas sabem que as crises são passageiras, e dificilmente abandonam investimentos que foram criados com planejamento de longo prazo. Penso que, em algum momento, este pessoal se deu conta: o Brasil não é fácil, cuidado!

Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (pastificioprimo.com.br)