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Por que hoje é o Dia de Pensar Grande?

26 de agosto de 2016

O maior legado dos grandes empreendedores não são suas empresas ou produtos, estes ganham novos destinos quando crescem ou se perdem em algum momento da história quando fracassam, mas a inspiração que trazem para as futuras gerações. E a maior de todas as inspirações são seus gestos de grandiosidade.

Poucos se lembram da Kodak e um número menor ainda de pessoas sabe quem foi George Eastman, que ainda jovem, inventou o filme fotográfico e a câmera fotográfica portátil. Mas quem estudou no MIT nos Estados Unidos vai se lembrar do Mr. Smith. Em 1912, o Massachusetts Institute of Technology ainda era pequeno e planejava expandir o campus. Mesmo com o suporte de apoiadores muito ricos e poderosos, o MIT só conseguiu arrecadar doações de US$ 500 mil, uma soma altíssima mesmo em valores da época.

Um dos principais engenheiros da Kodak tinha estudado no MIT e, com uma baixa expectativa, resolveu pedir para o seu chefe contribuir com algum valor, mesmo sabendo que ele era muito criterioso com a fortuna que tinha ganhado. “De quanto precisam?” – perguntou George Eastman. “Dois milhões e meio de dólares” – respondeu o representante do MIT.

Surpreendentemente, Eastman concordou em ajudar com todo o valor necessário imediatamente, mas com uma condição: que a doação fosse anônima. Depois, mudou de ideia e pediu para que fosse comunicado que o investimento teria sido feito por um “Mr. Smith”, algo como “Sr. Silva” se isto tivesse ocorrido no Brasil. O fundador da Kodak investiu mais de US$ 20 milhões nos anos seguintes até que sua identidade fosse realmente descoberta. Daqui a 100 ou 200 anos, quando não estivermos mais aqui, quase ninguém saberá o que é um filme ou uma câmera fotográfica, mas a imagem, a história e a grandiosidade de George Eastman continuarão inspirando os líderes que passarem pelo MIT.

Mas a versão correta do Sr. Smith no Brasil não é o Sr. Silva, mas o Sr. Lemann. Jorge Paulo Lemann não inventou nada, mas foi hábil em elevar a níveis mundiais de excelência das instituições financeiras, empresas de alimentos e bebidas entre outros negócios. Mas descobriu que seu maior talento não é vender títulos de valores mobiliários, cervejas, hambúrgueres ou mesmo ketchup, mas identificar talentos e formar líderes.

Erroneamente muitos entendem que o atual “Sonho Grande” de Lemann é criar impérios empresariais. Isto até pode ter sido assim como apresentado no livro homônimo da jornalista Cristiane Correa e que se tornou um dos maiores best-sellers da história editorial do País – uma marca extraordinária tratando de uma biografia de empreendedores, tema não tão corriqueiro no dia-a-dia dos brasileiros. Mas o que antes era “Dream Big”, agora vem se transformando em “Dream Great”.

Da mesma forma como o Sr. Smith naquela época, atualmente o Sr. Lemann vem apoiando iniciativas que estão formando os líderes do Brasil do amanhã, sejam líderes empresariais na 3G Capital, líderes com excelência acadêmica na Fundação Estudar, líderes na educação na Fundação  Lemann ou na Stanford Lemann Center, líderes empreendedores no Instituto Empreender Endeavor, líderes em startups no Fundo Gera, líderes executivos no Insper Instituto de Ensino e Pesquisa e até líderes no ranking de tênis no Instituto Tênis, um dos seus esportes favoritos.

E neste momento de grandes problemas pelo quais passamos a inspiração vinda de Jorge Paulo Lemann não é a sua posição entre as pessoas mais ricas no ranking da Revista Forbes (se for isto, há vários outros na sua frente), mas sua trajetória de vida, trabalho e dedicação em ser o melhor no que faz sonhando sempre grande.

“Sonhar grande ou pequeno dá o mesmo trabalho. Mas quando sonhamos grande, todos os problemas se tornam pequenos!” – costuma dizer o aniversariante de hoje, 26 de agosto, Jorge Paulo Lemann.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP.