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Os bons movimentos ao redor do Franchising

4 de abril de 2018

De tempos em tempos os modelos de gestão de empresas franqueadoras são questionados, novas gerações são definidas em função de evolução não do Sistema em si, mas da forma como os franqueadores se relacionam com seus franqueados, fazem a gestão de suas redes franqueadas, implementam ferramentas e mudanças acontecem provocadas pelas necessidades de melhores resultados e/ou do grau de satisfação das partes.

O que se via do estilo Mc Donald’s de ser, o Business Format Franchising (BFF), na década de 90 no Brasil, mais ou menos algo como “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, foi a forma de criar-se um modelo formatado e padronizado, rígido, baseado em processos, procedimentos e KPI’s, no que os americanos são impecáveis e que possibilitou a expansão do negócio e da marca pelo Mundo. Inspirou e ensinou milhares de marcas de todos os setores a se estruturarem em busca do mesmo sucesso e retorno de capital investido.

Com este modo de gerenciar redes e por não estabelecer um relacionamento transparente porém impositivo e de cobranças, onde franqueados carecem de reconhecimento pelo seu trabalho, nascem as Associações de Franqueados com foco em exigir direitos de “donos”, afinal de contas são empresários que investiram em marcas, que detêm um sistema de gestão, que eles tem o direito de usufruir, comercializar produtos e serviços e lucrar. E que não querem mais ser punidos pelos procedimentos errados de seus funcionários, até porque os das franqueadoras não são deuses perfeitos. Cometem seus erros, igualmente. E tem mais, o que lhes foi vendido, também, foi satisfação, realização profissional, reconhecimento: o intangível.

Em um cenário de números, KPI’s, resultados, estatísticas e gráficos, o dia a dia de uma operação franqueada, com regras rígidas operacionais e gerenciais, imprescindíveis para que haja escala – um dos grandes atributos do Franchising, assim como exista padrão em todos os aspectos percebidos e reconhecidos como necessários pelos consumidores, o intangível pode ser esquecido ou não valorizado por aqueles que só pensam em lucro, ganho, rendimento, em operações matemáticas. Elas são vitais a qualquer negócio, mas para franqueados e funcionários o que mais importa, no mais das vezes e reflete nos resultados, é o relacionamento – que não se traduz em números.

É o propósito da empresa, os valores e princípios que estão representando e dos quais se orgulham, é saber (e não apenas sentir) que tenham voz ativa e são ouvidos por seus franqueadores e equipes, que têm algo a mais a passar às suas equipes que as incentive a promover uma experiência especial aos clientes em seus PDVs, pois querem acolher clientes e não simplesmente vender, vender, vender. Percebem-se colaborando com o crescimento da rede, da empresa e construindo uma marca sustentável, perene.

A tecnologia ajudou bastante a incorporar e facilitar a flexibilidade nesta cultura, mais aberta, de gestão de redes franqueadas, com as intranets no início da mudança e hoje com os smartphones possibilitando toda comunicação e decisões em tempo real. O EAD e immersive learning possibilitam treinar e compartilhar conhecimento muito mais rápido em todo território nacional, nos principais objetivos do negócio, para melhorar continuamente e com foco na geração de valor para todos os envolvidos com cada marca, citando apenas o que há de mais básico.

Este é o franchising sustentável e, verdadeiramente, de sucesso que meu amigo entusiasta Pedro Mello está implantando com sua marca Open Franchise e, como tudo que o Pedro faz, transparente, limpo, com amor, para o bem de todos e com riqueza de adjetivos positivos!

Siga em frente Pedroca e inspire muitos, que o Bom Franchising super agradece, assim como nós “da velha guarda” temos feito, também, a exemplo do que o nosso querido Ricardo Young, fez no Yázigi, semeou e vem inspirando centenas de empresários e empreendedores.

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.