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O que podemos aprender com os extintores de incêndio? Muita coisa

30 de setembro de 2015

 

No último dia 17, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou uma lei nacional que desobriga portar extintor de incêndio em veículos, pouco tempo depois de anunciarem que, a partir do dia 1º de outubro, seria obrigatório o uso do modelo de extintor ABC. Chega a ser nonsense aprovarem e desaprovarem num estalo de dedos, o que me traz a sensação de estar participando de um episódio do desenho animado The Simpsons, tendo o senhor Burns no comando dessa manobra maquiavélica. Apesar desse despropósito, pergunto: o que podemos aprender com esse episódio?

1. Tudo pode mudar a qualquer momento

E você precisa estar preparado. As coisas são e estão voláteis. O essencial, hoje, pode não ser mais amanhã. A descartabilidade é cada vez mais comum, infelizmente. E empreender, nos dias de hoje, nos exige ter antena ligada a todo tempo. Fico tentando imaginar meu bisavó saindo da cápsula do tempo e aterrissando em nosso presente. Certamente não conseguiria acompanhar essa anomalia frenética. E não é por acaso que grandes organizações gastam rios de dinheiro com lobistas para ter informações privilegiadas, mesmo sabendo que é crime. Busque mais informação possível, Leia artigos e estude comportamento do seu target. Fortaleça sua network. E mesmo assim você corre o risco de perder.

2. Dois mais dois não são quatro

Talvez esse seja um dos pontos mais críticos de nossa sociedade. As regras não são tão claras e, quando são, não são cumpridas. Isso tem a ver com nossa história. O brasileiro é pouco pragmático. Nossa colonização trouxe o romantismo que por fim as relações emocionais se misturam com comerciais. Em países orientais com sistemas mais rígidos, uma simples palavra é suficiente para formalizar um contrato e as pessoas não se envolvem emocionalmente. Então você precisa saber lidar com isso. Precisa ter inteligência emocional e um bom advogado.

3. O contribuinte é o último da pirâmide no grau de importância das decisões

Quem não xinga o padrão de tomada de três pinos todos os dias? Eu xingo. Mudar todo um sistema de tomadas para um padrão unicamente usado no Brasil é o maior exemplo disso no meu ponto de vista. Só nós temos esse modelo. Se contar para algum estrangeiro essa mudança sem contextualizar provavelmente ele vai pensar: certamente devem ter reinventado a roda e revolucionado o sistema de tomadas para tal decisão. Mas não. O sistema adotado nos exclui de todo o restante do mundo. E quem paga o pato? O cidadão contribuinte.

4. O futuro é dos especialistas?

No fim extinguir o extintor – não foi um trocadilho – nada mais é que deixar a responsabilidade com um especialista. Se seu carro pegar fogo, quem precisa entrar em ação é o bombeiro, um especialista. Faz todo o sentido. Se pensarmos que tem tanta gente que conduz um automóvel mas não sabe digirir, imagine manusear um extintor em uma situação de perigo e stress? Ao deixar para um especialista a responsabilidade, você minimiza riscos e possíveis perdas. É uma evolução natural dos sistemas. Então pense duas vezes se você vai investir em algum produto que pode ser tercerizado por um especialista.

Empreender tem disso. Você pode ir do céu ao fogo do inferno num piscar de olhos. Então mantenha-os abertos, porque lá também não há extintores.

Leo Spigariol é um dos fundadores da De Cabrón