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O que a cultura startup pode ensinar às corporações

15 de fevereiro de 2017

Marcelo Pimenta, especial para O Estado de S.Paulo

Muitas startups estão dominando os mercados em que atuam. Uber, Netflix, YouTube, Facebook, AirBnb, DropBox são alguns exemplos de empresas que deixaram para trás empresas tradicionais como as cooperativas de táxi, emissoras de TV, conglomerados de mídias, grandes redes de hotéis e datacenters.  Isso significa que todas as grandes empresas vão desaparecer? Não necessariamente. Existem várias companhias globais como Nestlé, Unilever, GE e brasileiras como Natura, Bradesco, Itaú que estão decididas a incorporar as melhores práticas das startups no seu modelo de gestão, de forma a sustentar sua posição de liderança. Algumas dessas práticas são características da cultura das melhores startups e podem inspirar todos os negócios:

- Equipes enxutas – Jeff Bezos, lendário fundador da Amazon, conta que para executar qualquer projeto forma uma equipe do tamanho máximo de duas pizzas que possam alimentá-los. Isso mesmo, não há um número definido, mas é um número de pessoas que fica entre 5 e 9 pessoas, não mais que isso. E estamos falando de projetos muitas vezes grandiosos como conceber uma nova versão do Kindle.

- Estrutura horizontal – Menos hierarquia, maior autonomia e velocidade na tomada de decisão. Revise estruturas formadas por departamentos, gerências, diretorias, superintendências, vice-presidências…  O NuBank é um exemplo disso. Lá os times são organizados em “squads” (ou pelotões, em português), que tem entre 10 e 50 pessoas, e devem resolver todos os seus problemas internamente. Por exemplo, a área de análise de crédito é formada por analistas financeiros, designers, programadores, marqueteiros, tudo que trata de análise de crédito é resolvido ali, não precisa pedir nada para outros departamentos.

- Valorização de profissionais com carreira em T – Cada vez existe menos espaço para profissionais super especializados. O perfil do novo profissional não é nem apenas um generalista nem um especialista. Como mostra essa imagem publicada pela IBM.

É preciso que o profissional tenha uma abrangência de conhecimento sobre vários assuntos mas tenha uma profundidade em um, que faça com que ele seja reconhecido como expert em determinando assunto.

- “Experimentar é o novo planejar” – A consagrada revista Fast Company lançou este artigo em 2012 – “Experimentation in the new planning”. É como se fosse um manifesto pró-experimentação. Em um mundo em que o número de variáveis é cada vez maior, o controle sobre as coisas é cada vez menor e as mudanças são cada vez mais disruptivas, melhor do que ficar planejando, planejando, planejando é planejar rápido e testar o quanto antes. Pois esse teste vai gerar muito aprendizado e trazer poderosos insights para que você possa executar com maior confiabilidade. O Lean Startup bebe dessa fonte. Assim como o mestre Steve Blank, que ensina que “não existem fatos dentro de casa”.

- Não ter medo de errar – Não há como fazer algo realmente novo sem errar. Ninguém faz nada pela primeira vez e acerta. Por isso é preciso que você abrace a cultura da prototipação e consiga aprender com os erros. Aqui é importante que se diga: não se deve confundir erro com negligência, incompetência, desleixo, preguiça. Você deve fazer o seu melhor, tentando acertar. E estar preparado para eventuais erros. Também é bom deixar claro que, muitas vezes, você precisa de um ambiente controlado para errar. Não é aceitável que um médico erre numa cirurgia nem um ator não saiba o texto numa grande estreia – é preciso aprender a criar situações onde o erro é permitido.

- Criar um ambiente de trabalho maravilhoso – Muitos profissionais vão passar a maior parte de  sua vida adulta dentro de um escritório. Não há motivos para que esse ambiente seja insalubre, escuro, chato, desinteressante. Por isso empresas como o Google criam espaços coloridos como esse abaixo, de uma reportagem da Charllote Maganize que destaca os ambientes criativos criados pelas startups. Neles são oferecidos além de espaços de trabalho, locais para alimentação, esporte, lazer. Claro que isso muitas vezes só é possível em grandes empresas, mas mesmo em pequenos espaços assim como em coworkings é possível criar um ambiente bacana para se trabalhar.

– Liderança criativa – Não há mais espaço para o chefe autoritário e mandão. É preciso desenvolver e cultivar um novo estilo de liderança tão comprometido com os resultados quanto com o bem-estar de sua equipe. Que seja capaz de usar o pensamento sistêmico e a liderança para fazer acontecer  (já escrevi sobre esse tema aqui).

- Propósito em resolver problemas – Talvez o mais importante deles. Criar negócios que resolvam problemas reais das pessoas. O AirBnb é um sucesso pois permite que os viajantes tenham experiências incríveis em todo o mundo, fugindo da impessoalidade dos hotéis. O DropBox facilita a vida deixando acessíveis os arquivos onde quer que você esteja. O Uber nos livrou do monopólio dos táxis. Todas essas empresas cresceram e se tornaram bilionárias, pois se dedicaram a criar um modelo que melhora a vida de seus usuários – e não porque buscaram o lucro como principal objetivo.

Se você tem um negócio e não deseja ser atropelado por uma startup, considere incorporar essas práticas em seu estilo de gestão. Muito da sobrevivência de seu negócio pode passar por aí.

Marcelo Pimenta é jornalista, empreendedor e mentor de startups e negócios inovadores, professor da ESPM e criador do blog www.mentalidades.com.br