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O problema da deflação

26 de junho de 2017

Seria engraçado, se não fosse trágico, ver o governo celebrando a primeira deflação desde 2006.

Conforme analistas, a deflação se deve a uma extrema ociosidade na indústria, aliada à alta taxa de desemprego. Ou seja, não parece algo para se comemorar de verdade. O brasileiro está hoje paralisado, estarrecido e catatônico. Empregados, desempregados e empregadores de todo tipo, todos tentando apenas sobreviver.

Que fique claro, não tenho nada contra a inflação baixa, desde que seja reflexo de uma economia saudável. Do jeito que estamos hoje, é como celebrar que o doente está gastando menos na conta do hospital, pois está em coma e não precisa mais de aparelhos, de comida, de nada.

No ponto de vista do pequeno empreendedor, que está segurando preços há 2 anos, favorecendo o aparecimento desses índices deflacionários, a coisa não é boa, não.

Nestes 2 anos, os salários aumentaram, os impostos aumentaram e se complicaram mais ainda, a conta de energia elétrica aumentou, água, embalagens, matéria-prima e todo tipo de insumo aumentou. Isso significa corrosão total de rentabilidade – esperando que as pessoas voltem a um ciclo de prosperidade.

É preciso lembrar que é de rentabilidade que empresas vivem, e a perda dela significa comprometer a saúde e sobrevivência de uma empresa. Assim como um empregado tem o objetivo de guardar entre 10 a 15% do salário em poupança todos os meses – e assim formar patrimônio, comprar um apartamento, um carro, viajar, etc. – o empresário precisa também de uma margem que justifique o investimento e o risco.

Geralmente o objetivo de um empreendedor é uma rentabilidade entre 10 a 15% ao ano, o que está impossível pelos motivos já citados acima. E, agora, muitos estão falando de fechar negócio, demitir, diminuir riscos e investir apenas em aplicações financeiras em títulos do tesouro do governo que remuneram 16% ao ano?!

Por fim, há poucos dias o proprietário do restaurante mexicano Tuxpan, em entrevista ao Estadão, conta sobre as implicações de estar há dois anos com os preços congelados. “Nos últimos anos, nenhum pequeno comerciante consegue mais se preocupar em ter lucro, tudo virou uma questão de sobrevivência do negócio. O nível de esperança do empresariado caiu muito. Nessa altura do campeonato, a gente só comemora o fato de ainda continuar aberto”, diz.

Ivan Primo Bornes – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo ivan.primo@pastificioprimo.com.br

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