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O novo papel do Plano de Negócios

8 de junho de 2015

Marcelo Pimenta (@menta90) é professor da ESPM e fundador do Laboratorium. Acesse outros conteúdos curtindo www.facebook.com/menta90

Uma pergunta é recorrente:

- Professor, eu ouvi falar que Plano de Negócios está fora de moda. Ele ainda serve para alguma coisa?

A resposta é SIM, ele é uma ferramenta útil para escalar e fazer crescer. Mas ele não ajuda a descobrir nem a validar um novo modelo de negócio. Ao contrário, usando esse instrumento nessa hora, ele pode mais atrapalhar do que ajudar.

É preciso entender que o Plano de Negócios vem assumindo, nos últimos anos, um papel diferente do que cumpria até o início dos anos 2000. No passado, o plano era o primeiro instrumento recomendado para quem desejava iniciar um novo negócio.  Para isso ele não serve mais e é importante que se entenda porquê.

Antes dessa revolução que transformou o modo de fazer negócios (internet, globalização, era do conhecimento, economia da colaboração, sociedade em rede …), iniciar um novo empreendimento era uma atividade de menos risco, onde o número de variáveis era menor e existia uma demanda reprimida em muitos mercados.         Portanto, tudo era mais previsível e escrever o plano e buscar executá-lo (fazendo os ajustes necessários ao longo do caminho), poderia ser suficiente.

Mas abrir um negócio atualmente exige inovação (pois não há mais espaço para a mesmice). Mesmo que venha atuar num negócio já consolidado, terá que ter um diferencial (de ser melhor, mais barato, mais bonito, conveniente ou possuir qualquer característica específica). E inovar significa imaginar, pensar, experimentar, ajustar, rever, aprender, ajustar. Meu primeiro post nesse blog tem o título de “experimentar é o novo planejar”.  Além disso já escrevi sobre a importância de iterar.

É por isso que é aceitável que empreendedores como Reinaldo Normand dediquem um capítulo com o título “Abaixo o Plano de Negócios” em seu e-book Vale do Silício (disponível para download gratuito aqui).  Ele vem criando negócios inovadores e, a partir da experiência de viver no epicentro da inovação no mundo, decidiu criar um livro que conta sobre como a cultura e as práticas fazendo dessa região da Califórnia fazem dessa local um celeiro de empresas bilionárias.

“ Os investidores que conheci aqui no Vale concordam em uníssono que todas as startups em que eles investiram começaram atirando para um lado e acabaram acertando em algo totalmente diferente. O Youtube começou como um site de namoro, o Google não tinha a menor ideia de como monetizar seu mecanismo de busca e a Apple jamais imaginou que o iPhone a tornaria a empresa mais valiosa do planeta”.

Ou seja, Normand reafirma que se estivessem seguindo um plano de negócios rígido, muitas dessas startups não teriam chegado onde chegaram. Mas ele também admite que “planos de negócio têm sua utilidade, claro, mas não em startups. Devem ser utilizados quando a empresa estiver mais madura e alcançar a repetibilidade do seu modelo”.

Encontre outras comics do BP X BMGEN em https://www.pinterest.com/renatojcec/bmgen-comics/

A nova caixa de ferramentas para conceber e validar negócios exige colocar o cliente no centro do negócio (design thinking) e a partir daí criar uma hipótese de modelo que seja inovador e coerente para um determinado segmento de clientes.  E usar a metodologia do desenvolvimento do cliente – primeiro validar o problema, depois validar a solução. O canvas do modelo de negócio será o aliado tanto para registrar e conceber as primeiras hipóteses, assim como para ir servindo de “painel” para as sucessivas validações do ciclo do  lean startup, onde colocar o mínimo produto viável no mercado é que vai gerar os feedbacks necessários para a tomada de decisão: continua, ajusta ou pivota (muda)?  Quando o negócio estiver realmente validado daí sim entra em cena o Plano de Negócio, que vai ajudar no detalhamento da execução para crescimento e escala.

Debater e entender as diferenças e os prós e contras do Plano X Modelo de Negócios levou o consultor e professor Renato Cecchettini a criar um workshop “Business Plan x Business Model” cujos slides estão disponíveis no slideshare. Ele também criou algumas histórias que revelam os conflitos entre o modelo de negócio e o plano de negócio (que ilustram esse post).

@renatojcec criou comics que mostram as diferenças entre o Modelo e o Plano de Negócios

O Sebrae orienta que “desenhar o modelo de negócios precede a elaboração do plano de negócios. É por meio da análise e reflexão sobre ele que será possível perceber se a ideia original terá validade, se todas as partes se encaixam formando verdadeiramente um sistema.  O plano de negócios descreve a forma como o negócio será construído, com etapas, prazos, planilhas de custos, receitas etc. Se o modelo de negócios for alterado, o plano de negócios deverá ser alterado também. As duas ferramentas devem manter-se vivas e conectadas.” (trecho da Cartilha O Quadro do Modelo de Negócios, que pode ser baixado gratuitamente aqui).

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