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O futuro do empreendedorismo já começa no ensino fundamental

27 de novembro de 2017

Para muitos pais, agora avós, o futuro funcionou no Século XX. Enviaram seus filhos para as melhores escolas, para que entrassem nas melhores faculdades e daí, conseguissem os melhores empregos nas melhores empresas. Mas os pais nascidos no final do século passado sabem, mesmo que inconscientemente, que este futuro já não existirá para seus filhos.

Olhando para o destino final do futuro antigo, quais serão as melhores empresas onde nossos filhos trabalharão? Pesquisa apresentada por Pierre Nanterme, CEO da Accenture, uma das principais consultorias de negócios do mundo, aponta que metade das maiores empresas que apareciam no ranking Fortune 500 no ano 2000 já não aparecia na lista 15 anos depois.

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E quais serão os melhores empregos? O Século XX consolidou o conceito de emprego de longo prazo. Sonhava-se aposentar trabalhando orgulhosamente na mesma instituição durante toda a vida. Depois, trabalhando em duas ou três empresas. E já no final do século, apenas aposentar-se já era um alívio. Mas a preocupação atual não é apenas manter-se empregado, mas saber o que será um emprego na próxima década. Pesquisa da Manpower, uma das maiores empresas globais de contração de pessoas, aponta que 65% dos empregos da próxima geração será composta de funções que ainda não existem atualmente.

E esta projeção é uma das mais baixas. Outra pesquisa da Dell prevê que 85% dos empregos será ofertado em funções totalmente inéditas atualmente. Se o futuro do emprego será composto de novas funções, o que acontecerá com as antigas? Um recente estudo da Universidade de Oxford prevê que, pelo menos, 47% das funções desaparecerão ou perderão muito da sua importância nas próximas décadas.

Isto já aconteceu com a função caixa das agências bancárias, está impactando agora os atendentes de call center (trocados por chatbots) mas vai avançar em funções muito especializadas como professores, médicos e advogados. Este é o impacto do que vem sendo chamado de 4ª Revolução Industrial, que integra diversas tecnologias disruptivas como inteligência artificial, big data, internet das coisas para não só substituir como realizar com muito mais eficiência e escala funções profissionais cada vez mais complexas.

Neste contexto, as melhores faculdades estão formando profissionais do futuro ou para o futuro do século passado? No Brasil, o desemprego entre os recém-formados é mais que o dobro do que na média da população. A crise econômica, com certeza, tem forte impacto neste indicador, mas a preparação defasada do jovem profissional que chega ao mercado de trabalho é ainda maior. O resultado direto disso é o crescimento de cerca de 25% dos cursos de pós-graduação observado pelo Ministério da Educação nos últimos três anos.

Diante de tantas incertezas e novidades, muitos pais estão aflitos sobre qual é a melhor educação que precisam oferecer para os seus filhos e isto passa também pela escolha da escola.  Mas a melhor opção é aquela que prepara seu filho para o vestibular ou para a vida?

Pais que podem escolher e sabem a resposta desta questão e reconhecem a importância das escolas de ensino fundamental e médio que incluem a formação empreendedora no programa curricular.  E as escolas que realmente entendem o empreendedorismo como uma das principais habilidades pessoais do Século XXI sabem que isto não se resume a ensinar as crianças a abrirem negócios. Empreendedor é um visionário que tem iniciativa, que sabe identificar oportunidades e estabelecer soluções inovadoras. Ser um empreendedor não se limita às pessoas que começam os seus próprios negócios. O comportamento empreendedor existe em todos os setores, em todos os níveis de carreira, em todos os momentos da vida.

Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper