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O e-commerce brasileiro: um gigante na puberdade

18 de agosto de 2014

Marcelo Pimenta é professor da ESPM e fundador do Laboratorium

Se o crescimento do PIB não empolga, existe um segmento de mercado que comemora crescimento sem parar: o e-commerce. Os números mostram que as vendas no primeiro semestre de 2014 chegaram a R$ 16 bilhões, 26% a mais do que o mesmo período de 2013. O crescimento do hábito de consumo de bens e serviços via internet vem fazendo também com que todo o ecossistema de tecnologia, marketing digital, soluções de segurança e logística cresça e se profissionalize.

Na semana passada, o Fórum E-commerce Brasil 2014 reuniu 4,2 mil profissionais vindos de 18 Estados e de 10 países, 71 expositores, 50 palestrantes nesse que já é o 3º maior evento do segmento no mundo e o maior da América Latina. São empresas de software, agências web, startups, grandes varejistas e players do mercado de tecnologia que estão de olho num universo estimado em 60 mil lojas brasileiras vendendo online.

Se antes os dados disponíveis eram apenas sobre as vendas, uma pesquisa inédita do Sebrae e do E-commerce Brasil lançada no Fórum traz dados interessantes das empresas que fazem esse mundo virtual cada dia mais real.

Vejam alguns destaques (a íntegra da pesquisa está disponível para download aqui):

- Uma em cada três lojas operam exclusivamente online;
- 58,3% das empresas tem até três funcionários;
- 63% das lojas estão na região sudeste;
-  18% dos sites já recebem mais de 1 mil pedidos por mês enquanto 21% das lojas virtuais recebem menos de 10 pedidos mês;
- 18% usam o whatsapp para atender seus clientes.

Mas um outro dado divulgado também semana passada mostra outra característica dessa fase de amadurecimento, etapa da vida que acontece o aumento da massa muscular : o maior varejista online do Brasil, B2W (gigante que reúne grandes lojas como Americanas, Submarino, Shoptime, entre outras), informou prejuízo líquido de R$ 64,6 milhões no período de abril a junho, alta de 31% em relação ao prejuízo de R$ 49,3 milhões do mesmo período do ano passado.

Essas contradições, na minha opinião, relevam a puberdade do e-commerce no Brasil:

- O e-commerce não sabe ainda o que vai ser quando crescer. Enquanto os gigantes suportam prejuízos para garantir o crescimento e a liderança, os pequenos correm atrás de uma oportunidade que lhes garanta lucratividade. Na média, a pesquisa mostra que 57% das lojas virtuais operam em lucro;

- O jovem ainda vai crescer muito. E e-commerce representa menos 2% das vendas totais do varejo (nos EUA já representam 5%);

- Negócios com prejuízo não se sustentam a médio e longo prazo, esse cenário dos gigantes anunciarem prejuízo após prejuízo vai acabar – seja com o reposicionamento dessas lojas ou com novos modelos de negócios pois as espinhas no rosto não vão durar a vida toda;

- Os pequenos estão percebendo que o e-commerce pode não ser o único mas, com certeza, deve ser mais um canal necessário para atender um consumidor cada dia mais digital. Vivem um momento de descoberta, típica de um adolescente, onde tudo é novidade, mas não se sabe ainda o que vai ser quando crescer.

Se o mercado ainda está se consolidando, é sinal de oportunidade para o empreendedor. Ainda há tempo para ingressar e garantir uma fatia nesse segmento gigante. Mas cuidado!  Por ter uma barreira de entrada relativamente baixa (hoje existem plataformas que oferecem lojas gratuitas no mercado), implementar e operar um comércio virtual parece fácil, mas não é para amadores: existe muita preparação, esforço e conhecimento em áreas em constante mudança como marketing digital, meios de pagamento, segurança e logística.  Se você está a fim de encontrar seu espaço nesse mundo, prepare-se para viver as fortes emoções típicas da juventude.

Nota do editor: no próximo dia 27, em nosso site e também na edição impressa do Estadão PME, vamos publicar uma reportagem especial contando tudo sobre o comércio online no Brasil. Compre o jornal ou acesse o nosso site.

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