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No universo das startups, o Brasil não perde de 7 a 1. Perde de 90 a 0… para a China

22 de dezembro de 2017

Se você acha que Didi é um trapalhão, você só conhece o passado. Didi Chuxing é uma startup chinesa que parece ser semelhante ao Uber, só que é muito mais poderosa. Vale cerca de US$ 50 bilhões, é a terceira mais valiosa do mundo e ruma para assumir a liderança ocupada pelo próprio Uber. Mas diferente do Uber, a Didi é uma empresa de tecnologia. Metade dos seus sete mil funcionários é da área de engenharia e ciência dos dados.

No Uber, este tipo de funcionário corresponde a 26,8%. Por ser uma empresa de tecnologia, a Didi não oferece apenas soluções de transporte de passageiros. Ela ajuda o governo de grandes cidades a gerir o tráfego, controlando os semáforos, por exemplo, e reduzindo os congestionamentos. Este tipo de solução a coloca entre as mais bem preparadas e capacitadas para atuar com veículos autônomos em larga escala. Tudo isto custando, pelo menos 10 vezes menos do que o Uber, já que um engenheiro de software na China ganha anualmente cerca de US$ 10 mil comparado à média de US$ 117 mil do concorrente norte-americano. E desenvolvedor chinês ganha isto trabalhando até 12 horas por dia e seis dias por semana.

E mesmo sendo tão gigante e influente, muitos, mesmo os que acompanham o universo das startups não conhecem a Didi. Mas ela tem outro nome no Brasil. Ela é investidora da 99.

A Didi é só um exemplo do funcionamento de outras 89 startups chinesas que são consideradas unicórnios, negócios nascentes com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão. Quem tem uma startup ou pensa em empreender, precisa falar um pouco menos do Airbnb, Pinterest, Dropbox ou outra startup norte-americana famosa e também conhecer mais sobre a 58 Daojia, ANT Financial, APUS Group, BAIC BJEV, BeiBei, Beijing Weiying, Best Logistics, BGI, Cheyipai, DJI, Douyu TV, Dt Dream, Ele.me, FangDD, Fanli, Fenqile, Firstp2p, FXiaoKe, Guazi.com, Home Link (Lianjia), Huimin, Hujiang, Huochebang, iCarbonX, Iwjw, JD Finance, Jiedaibao, Jiuxian.com, Koubei, Koudai, Kuaishou, Lakala Lamabang, Lashou, LeCloud, LeSports, Liepin, Lufax, LY, Maoyan, Megvii, Meicai, Meituan-Dianping, Meizu, Mia.com, Miaopai, Mobike, Mofang Gongyu, Mogujie, NetEase Cloud Music, New Dada, Ninebot, NIO, Ofo, Panshi, Pinduoduo, Ping An Good Doctor, Qiniu, SouChe, Taobao Movie, To8to, Toutiao, Trendy International Group, Tuandaiwang, Tujia, U51, Ubtech, United Imaging Healthcare, UrWork, Uxin, VANCL, VIPKID, Wanda, WeDoctor (Guahao), Wifi Skeleton Key, Womai, Xiaohongshu, Xiaomi, Xiaozhu, YH Global, Yidao Yongche, Yidian Zixun, Yiguo, Yinlong, Yitu, Yuanfudao, Yunmanman, Zhihu ou Zhubajie.

Mas muitos (fora da China) dizem que esta tropa de unicórnios chineses só existe em função da população chinesa. Em parte isto explica o sucesso, mas esta lógica não funciona para a Índia, que tem tamanho semelhante de pessoas, mas “apenas” treze unicórnios e não valeria para a Inglaterra com onze cavalos chifrudos. Uma característica comum destas startups chinesas é capacidade, agilidade e nível de sofisticação tecnológica. Mesmo as menores contam com 100 ou 200 engenheiros e cientistas trabalhando com o que há de mais avançado em inteligência artificial, big data ou internet das coisas.

Por isso, o que mais impressiona na Nova China que poucos conhecem, notam e daí valorizam é a quantidade de pessoas graduadas em ciências, tecnologia, engenharias e matemática. Em 2016, segundo o relatório do World Economic Forum, cerca de 4,7 milhões de chineses se formaram nestas áreas que são as mais demandadas em uma sociedade cada vez mais tecnológica. Para se ter uma ideia, no Brasil, apenas 100 mil se graduaram nestes respectivos cursos. Mas o que mais chama a atenção é a proporção. Na China, devido ao esforço do governo, cerca de 40% dos graduandos se formam em ciências, tecnologia, engenharia e matemática. No Brasil, apenas 12%, a muito custo, chegam ao final destes cursos. E os que se formam, ainda penam para conseguir trabalho.

O resultado deste embate no universo das startups pela inovação mais disruptiva é o placar de unicórnios entre China e Brasil: 90 a 0…
Veja neste vídeo como a China está se reinventando por meio de suas startups inovadoras. E que este jogo só está começando para eles.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper