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Blog do Empreendedor
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No pain, no gain: fazer o que gosta não isenta de fazer o que precisa ser feito

7 de março de 2016

É muito comum ouvir que um fator de sucesso para qualquer negócio é quando o empreendedor ou o funcionário “faz aquilo que gosta”.  E isso é uma verdade: o combustível da paixão tem uma energia inesgotável, capaz de mover montanhas. Quando você descobre aquilo que gosta de fazer, aprende como fazer e encontra clientes dispostos a pagar seu preço: parabéns! Acelere, você está no caminho certo!

Porém, engana-se quem acredita que “fazer aquilo que gosta” o isenta de “fazer aquilo que precisa ser feito”.  A recente onda de glamourização do empreendedorismo às vezes tenta esconder que ter um negócio, ser um bom colaborador, ter uma posição respeitável na sua área de atuação é algo que exige muito esforço e dedicação.  Como escreveu meu colega de Blog do Empreendedor do PME Estadão, Ivan Primo Bones, não leia se você não gosta de trabalho duro.

Exemplifico: Você gosta de cozinhar.  Quer ser chef de cozinha reconhecido com uma estrela pelo prestigiado Guia Michellin. É impossível você chegar lá “apenas cozinhando”. Para ser chef é preciso trabalhar “hard”. Se preparar. Criar um cardápio que faça sentido. Garantir formas de receber as melhores matérias-primas (para quem quer trabalhar com frutos do mar e verduras frescas é um super desafio). Selecionar os melhores fornecedores. Capacitar a equipe. Cuidar do marketing do restaurante. Certificar-se se todas as questões sanitárias, fiscais e da qualidade doatendimento ao cliente.

Está disponível na Netflix a Série Chef´s Table, que mostra a história de seis dos maiores chefes da atualidade com destaques sobre suas peculiaridades. Todos têm em comum a obsessão pela qualidade e pelotrabalho árduo.O exemplo poderia ser para um cabeleireiro, fazedor de pastel, professor, criador de aplicativo, bailarino: no pain, no gain. A expressão tem origem no halterofilismo: sem levantar cada dia mais peso não há como ganhar massa muscular.  Sem esforço, dedicação, dor, sacrifício não há conquista, vitória, ganhos.

É bem verdade que a intersecção entre as economias criativa e digital, a revolução tecnológica, a cultura startup são elementos que hoje permitem que o trabalho não seja necessariamente chato. Espaços de coworking são exemplos de ambientes que incentivam uma maneira mais descontraída de trabalho, onde a alegria pode sim conviver com perseguir resultados.  Em 2012, o rapper Wiz Khalifa popularizou a expressão “play hard, work hard” para celebrar essa capacidade de divertir-se para valer ao mesmo tempo em que se trabalha duro (que dialoga com outra famosa frase famosa da “nova economia”: make money and have fun).

O livro Rework é uma espécie de manifesto desse novo mundo do trabalho. A questão é equilibrar a descontração, a flexibilização das hierarquias, os horários flexíveis e o humor com as responsabilidades, a proatividade e a atenção máxima nos momentos necessários. Aqueles que “caem na gandaia”, dedicando tempo demais no pebolim e esquecendo de ligar para o cliente – esses vão quebrar a cara.  Como fã da cultura popular, sempre acreditei que o único lugar onde sucesso vem antes de trabalho é no dicionário.  Mas lá, nas páginas do “amansa-burro”, a dor também vem antes do ganho. Portanto, vamos em frente! Com esforço, fé e determinação.

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site www.mentalidades.com.br.