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Nem sempre a solução é o Franchising

8 de agosto de 2018

Eu diria que, 80% das consultas que recebo têm por objetivo comprar uma franquia ou montar uma franqueadora, como opção de investimento ou expansão de negócios. A atração pela ideia de Franchising está vinculada à ideia de que franquia soluciona problemas, quase como garantia de sucesso e, na dúvida sobre o que e como fazer, vamos de Franchising.

Coincidência, ou não, no último mês tratei do assunto com sete profissionais, executivos recém desligados das empresas e empresários que, depois de muito pensar, optaram pelo sistema que traz, de forma geral, números mais positivos que o PIB e outras métricas da economia.

Na insegurança da não recolocação, os executivos pensam em empreender, muitas vezes sem nunca ter pensado nisso antes e a compra de uma franquia surge como uma boia salva vidas. E a angústia vem com a quantidade de opções de negócios, com investimentos que vão de R$ 5.000 a milhões de reais, tipos e portes de empresas nos quais eles não se enxergam e não fazem ideia de por onde começar. É quando nos conhecemos.

O processo de análise desses executivos, pessoas com larga experiência profissional, tem que ser profundo, abrangente e, acima de tudo, muito responsável, porque, neste momento, o mais fácil é indicar uma franquia no setor que eles têm maior conhecimento e dentro do valor que têm para investir. #sqn! São estes os futuros franqueados que não dão certo, que se frustram, enlouquecem seus franqueadores e, no mais das vezes, fecham as portas de suas franquias.

A minha forma de ver e conduzir este processo, traz várias técnicas e práticas de mercado mas, conhecer todos os aspectos que envolvem o Sistema de Franchising, os envolvidos, o que pode significar para aquela pessoa à minha frente que está acostumada a ter uma estrutura empresarial, um crachá, o sobrenome corporativo, o ônus e o bônus de estar empregado, ter metas e contas a prestar a um superior, a mudança de ir para um PDV sozinho, abrir a porta e esperar poucos funcionários e alguns clientes chegar, sentindo-se uma ilha no meio de um corredor de shopping center e, mais isolado ainda, em uma rua comercial onde ninguém é de ninguém, não sabem que ele existe, como se chama e ele nem tem mais um crachá com seu nome e foto para fácil identificação.

Seu maior patrimônio é seu network e eles não lembram disso nem como usá-lo profissionalmente. Nestas horas serve só para marcar com os mais próximos, para desabafar.

No nosso trabalho, dos últimos 30 dias, três deles já se resolveram com o conhecimento que têm de mercado e que vai agregar demais em empresas que precisam de profissionais como eles. Um deles entrou empreendendo, outro se recolocou e o terceiro se tornou um credenciado. Nenhum deles precisou usar o capital reservado para investir. O quarto executivo está com duas opções de empresas para trabalhar e a forma de contratá-lo está sendo estudada por todos. Em breve ele vai escolher o que mais lhe agrada e atende suas expectativas e necessidade para viver, confortavelmente.

O que valeu nestes processos foi o olho no olho em nossas conversas, a fragilidade demonstrada e minha “gana” em acertar a melhor proposta, feita sob medida a cada um deles. Somado ao meu network, entender que cada um é único e há oportunidades para todos, que podemos ser o elo de uma corrente, que se abriu e precisa de uma ferramenta para unir novos elos que vão escolher fazer uma nova corrente.

No caso das empresas, os Planejamentos Estratégicos que desenvolvi, mostraram que a estrutura de duas delas, poderia escalar tendo as Franqueadoras como clientes delas e não definindo franquias como canal de vendas ou abertura de negócios. E, ontem, quando fiz a entrega de um dos projetos, o olhar de surpresa e os comentários de alívio, de “como não pensei nisso antes”, me fazem ter, cada vez mais, a certeza da responsabilidade que, nós, consultores de empresas, temos com as pessoas, com suas vidas e isto é muito mais que planilhas, CTR C / CTR V que tanto vejo, promessas mirabolantes, que o amor que tenho pelo que faço, me estimula a elaboração de projetos autorais únicos, de sucesso e clientes se tornam amigos, pra vida inteira. A cada mudança, estamos juntos novamente.

Ah! Não falei do 7º case, ainda não terminei, é uma startup que, do jeito que vinha estava mais para uma ONG, pois há uma preocupação social muito grande, mas precisamos fazer a engrenagem funcionar e faturamento conta nestas horas.

O idealismo não pode abafar a máquina e o capitalismo não pode destruir o ideal daqueles jovens. E, de novo, vamos criar uma franquia…Nada disso, vamos criar uma empresa sustentável e depois, daqui uns dois anos, decidiremos. Se é que eles vão aguentar esperar até lá, se um fundo de investimentos já não tiver comprado a startup. Falar em dois anos hoje, parece que estamos falando em dois séculos.

Vale, então, a reflexão: por melhor estratégia que seja para muitos e eu seja especialista no sistema, nem tudo é Franchising, sempre.

Ana Vecchi é professora e pedagoga pela PUC-São Paulo, com especializações em administração de marketing pela Fundação Getúlio Vargas (SP), planejamento estratégico de marketing pela ESPM e MBA em varejo e franquias FIA/PROVAR. É professora universitária, instrutora e palestrante em associações e universidades. Co-autora do livro A Nova Era do Franchising.