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Não há linha de chegada

23 de junho de 2017

O melhor professor que tive, um dos melhores homens que conheci, falava com frequência desta trilha. É nosso direito de nascença, bradava ele. Nosso caráter, nosso destino – nosso DNA. “Os covardes nunca começaram”, ele me dizia. “Os fracos morreram pelo caminho – e nós continuamos aqui.” (p.9)

E assim, naquela manhã em 1962, eu disse a mim mesmo: Deixe que todos chamem a sua ideia de maluca… Apenas continue. Não pare. Nem pense em parar enquanto não chegar lá e não pense muito sobre onde fica este “lá”. O que quer que aconteça, não pare. (p.13)

Volte para casa, me disse uma longínqua voz interior. Consiga um emprego normal. Seja uma pessoa normal. Então, eu ouvi outra voz abafada, igualmente enfática. Não, não volte. Siga em frente. Não pare. No dia seguinte, dei um aviso prévio de duas semanas no escritório. “Que pena, você tinha futuro como vendedor” – disse um dos chefes. Deus me livre – respondi baixinho. (p.28)

E me dei uma lição de ânimo. Você é capaz. Você é confiante. Você consegue. Você CONSEGUE. E então fui ao lugar errado.(p.34)

“Começando uma nova empresa?” – questionou meu antigo chefe. Nesta situação econômica? Com saldo de caixa zero?” (p91)

Seria mesmo possível administrar uma startup e, ao mesmo tempo, iniciar uma família? Será que eu deveria voltar para a contabilidade, ou para o ensino, ou para algo mais estável? Todas as noites, recostado na minha poltrona, olhando para o texto, eu tentava me acalmar. (p. 149)

Mais uma vez, de manhã, enquanto bebia uma xícara de café, ou enquanto tentava dormir, dizia a mim mesmo: Será que sou um idiota? (p. 164)

Naquela primavera, Penny e eu tivemos uma preocupação adicional…. Ela estava grávida outra vez. Secretamente, eu pensava mais em como nós iríamos lidar com isso… pensei, é bem possível que eu tenha dois filhos e nenhum trabalho. (p. 228)

Mas o medo de fracassar, pensei, nunca será motivo para que a nossa empresa não dê certo. (p. 253)

Suspirei, mas o alívio não durou muito. Comecei a pensar sobre a minha vida. Voltei anos no tempo, questionei cada decisão que me levara àquele ponto. Se ao menos eu tivesse sido melhor em vender enciclopédias, pensei, tudo seria diferente… Eu sempre tinha uma resposta, algum tipo de solução, para todos os problemas. Mas naquele momento, naquela noite, não tinha respostas. (p. 265)

Eu procurava na minha mente e no meu coração e a única coisa que surgia era a seguinte palavra: “vencer”. Não era muito, mas era bem melhor do que a outra hipótese. (p. 281)

Os problemas nunca teriam fim, percebi, mas por enquanto, nós tínhamos mais energia do que conflitos. Para aproveitar toda essa energia, lançamos uma nova campanha publicitária, com um slogan novo e excitante: “Não há linha de chegada”. (p. 313)

Era 1980. Dezoito anos haviam se passado. Dormi por algumas horas. Quando acordei, o tempo estava frio e chuvoso. Fui até a janela. A água escorria pelas árvores. Tudo era névoa e nuvens. O mundo estava igual ao dia anterior, com sempre fora. Nada havia mudado, muito menos eu. Entretanto, eu valia 178 milhões de dólares. (p. 358)

A Nike, a empresa que tinha criado com “um paralítico, dois caras com obesidade mórbida e um sujeito que fumava um cigarro atrás do outro”, tinha aberto seu capital no dia anterior.

Das 382 páginas da biografia de Phil Knight (A Marca da Vitória, Editora Sextante, 2016), escrita pelo próprio fundador da Nike, em 358, ele fala sobre como foi difícil cria-la. “Vencer a competição é realmente fácil. Vencer a si mesmo é um compromisso sem fim” – é frase que ilustra um dos seus anúncios mais icônicos, mas que resume a sua vida.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper