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Na era da crescente complexidade, (re)aplicar as 10 Leis da Simplicidade nos mantém na rota de crescimento

29 de junho de 2018

Entre as várias sortes que tive na vida, uma delas foi ter chefes brilhantes. Aprendi muito com suas atitudes e com algumas frases que os marcaram. Antonie Roux foi um deles. Ele liderou a área de investimentos em startups do grupo sul-africano Naspers e costumava terminar suas análises com “as simples as that”. Não sei se isto era proposital, mas destacava o brilhantismo da sua liderança em questões complexas ligadas a tendências de mercado, desenvolvimento tecnológico, novos mercados e comportamentos humanos.

Isto me marcou pois ser simples diante de contextos cada vez mais complexos se tornou um dos pilares mais desafiadores da minha forma de viver. Para mim, é complexo ser simples. Mas é muito mais simples ser complexo. Por isso, reler, refletir e (re)aplicar As 10 Leis da Simplicidade, de John Maeda (Editora Novo Conceito, 2007) é um exercício contínuo para continuar crescendo, pois a simplicidade avança muito mais facilmente do que a complexidade.

Escrito na época em que Maeda era o chefe do MIT Media Lab, um dos principais centros de inovação do mundo, seu livro faz o exercício monumental de um centro que lida com as tecnologias mais complexas do mundo em tornar as coisas mais simples.

Simplicidade = sanidade. Esta é a provocação inicial do livro. Em seguida, Maeda traz uma das nossas principais agonias atuais: “A tecnologia tornou nossas vidas mais completas; contudo, ao mesmo tempo, tornamo-nos desconfortavelmente“completos”.

Para os interessados no trabalho de John Maeda, recomendo a leitura do seu livro de apenas 100 páginas. É uma tarde de sábado que vale por muitas outras tardes da sua vida. Mas para simplificar, estas são as dez leis que tornam nossas vidas e negócios mais simples e, consequentemente, mais saudáveis.

Lei 1: Reduza! A forma mais simples de alcançar a simplicidade é por meio redução planejada.

Lei 2: Organize! A organização torna o sistema de muitos parecer poucos.

Lei 3: Poupe tempo! Economizar tempo aumenta a percepção da simplicidade.

Lei 4: Aprenda! Conhecimento torna tudo mais simples pois evita desnecessidades.

Lei 5: Valorize as diferenças! Para a simplicidade ser percebida, a complexidade também merece a mesma percepção.

Lei 6: Repense o contexto! O que está no entorno da simplicidade definitivamente deveria (também) ser simplificado.

Lei 7: Boas emoções aumentam a simplicidade! Mais boas emoções são melhores do que menos.

Lei 8: Transmita (e) confiança! A simplicidade aumenta a percepção de confiabilidade.

Lei 9: Permita-se fracassar! Algumas coisas nunca poderão ser simplificadas.

Lei 10: Concentre-se na essência! Simplicidade é excluir o óbvio e incluir o que é essencialmente significativo.Todos os principais empreendedores e inovadores conseguiram tornar propostas complexas em conceitos simples. Simples assim! – diria meu antigo e saudoso chefe.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.