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Mais de 20 milhões de brasileiros estão desempregados e isto vai crescer. Como tentar não fazer (mais) parte deste número

17 de agosto de 2018

Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, no final de junho de 2018, cerca de 13 milhões de brasileiros estavam sem emprego e outros 8 milhões tinham desistido de procurar um. Por mais que a economia volte a crescer, e que estes números caiam no curto prazo, há uma crescente e invisível onda de automação de processos que está extinguindo milhões de postos e funções de trabalho em todo o mundo, em todos os setores. Em funções como as de call center, back-office ou corretagem, as novas soluções de automação de processo, inteligência artificial e machine learning não são ondas, mas tsunamis de destruição de empregos. Startups como a UIPath, uma das novas líderes em automação de processos robóticos, conseguem realizar milhões de processos diferentes que antes eram conduzidos por analistas e verificado por supervisores e gerentes. Mas a hecatombe tecnológica também avança em funções analíticas especializadas como médicos, advogados e professores. Recentemente, a inteligência artificial desenvolvida pela startup inglesa Babylon Health superou a média de acerto dos médicos daquele país: 81% de precisão do aplicativo contra 72% de acuracidade humana. Tudo isso gera não uma era de mudanças, mas uma mudança de era naquilo que foi chamado emprego no século passado.

Mas o que quem está sem emprego, ou com receio de perder o seu, pode fazer diante destas forças da natureza tecnológica?

A primeira iniciativa é se engajar para que tenhamos melhores condições de crescimento econômico e geração de renda para a população. Isto começa pela escolha das lideranças políticas que conciliarão estabilidade institucional com evolução social e econômica do Brasil nos próximos anos. Isto já abre a perspectiva de novas vagas de trabalho. Em paralelo, é preciso pensar cada vez mais em trabalho e menos em empregos. A lógica do emprego formal, consolidado no século 20 como um dos pilares da sociedade patronal, está mudando drasticamente em diversas partes do mundo. No Brasil, dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho indicam que uma a cada quatro ocupações profissionais já utiliza o modelo de trabalho intermitente. Levada ao extremo, isto cria uma situação nefasta em que funções mais operacionais são substituídas por máquinas e robôs e as mais criativas e estratégicas por trabalho intermitente.

Mas dando três toques na madeira, o mais sensato neste momento é descobrir como você pode se tornar um melhor profissional para as opções de trabalho disponíveis agora já se preparando para as novas profissões e dinâmicas de trabalho. Por isso, caso nunca tenha feito, realize um teste do seu perfil cognitivo. Há vários disponíveis na internet, mas sugiro começar por este (link) preparado por uma amiga, a Jamile Coelho. Neste teste, você pode descobrir como você aprende melhor. Esta noção será vital para a escolha do melhor método de aprendizagem tanto para a sua atualização como para se preparar para as novas demandas profissionais. Também reflete como você pensa e sente para agir e resolver problemas. Isto é importante para entender quais são as melhores dinâmicas de trabalho que pode exercer. E por fim, analisa quais são suas principais inteligências e habilidades. Há, pelo menos, nove tipos de inteligências e quando você descobre qual ou quais são as suas principais, tudo fica naturalmente mais fácil. Ao compreender melhor seu perfil cognitivo, terá a chance de definir as funções que executa com muito mais habilidade e talento natural. Naturalmente, terá um melhor desempenho nos processos seletivos (se buscar um vaga) e mais chance de realizar seu trabalho com maestria.

Além de definir as funções que pode executar com mais excelência, é muito provável que tenha que se atualizar profissionalmente para já surfar as ondas das novas profissões. Há milhares de vagas em novas demandas e profissionais. Conheça algumas delas neste link. Assim, além das opções que já conhece de cursos e faculdades, há inúmeras plataformas de educação online como Coursera, Udemy, edX, Udacity ou Lynda. Entre as brasileiras, boa parte das universidades e faculdades também oferece soluções de educação à distância como SENAC e FIAP.

Além de se conhecer e conhecer novos assuntos e oportunidades de trabalho, é preciso conhecer novas pessoas. Os cursos são sempre uma ótima oportunidade para ampliar sua rede de relacionamentos, mas varie e amplie sua rede por meio de trabalhos voluntários em atividades que guardem alguma relação com as funções profissionais que deseja realizar. Iniciativas como Centro de Voluntariado e Atados, entre outros, oferecem diversas oportunidades para quem deseja fazer o bem. Em algum momento descobrirá que quanto mais ajuda, mais será ajudado!

Por fim, torne-se empreendedor de si mesmo. Andy Grove, que durante muito tempo foi o presidente da Intel, costumava dizer a todos os seus funcionários: ”Não importa onde trabalhe, você não é um empregado, você é um negócio com um funcionário: você. Ninguém lhe deve uma carreira. Você é o dono do seu negócio, seu único proprietárioe único responsável pelo seu sucesso.

Por fim, vale uma reflexão feita por Walt Disney com relação ao trabalho. Quando você não consegue um emprego, deveria pensar em criar o seu próprio negócio aproveitando o seu talento. Ele mesmo não conseguia se empregar pois muitos achavam seu traço muito infantil. “Todas as adversidades que tive na vida, todos os problemas e obstáculos me fortaleceram. Você não entende quando isso acontece, mas um chute no dente pode ser a melhor coisa do mundo”, disse.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper.