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Liberdade, igualdade, fraternidade… e empreendedorismo

19 de junho de 2017

“Todo país precisa de um ministro do futuro” foi um dos aprendizados mais marcantes do Fórum Econômico Mundial em Davos, em 2016. Dita pelo empreendedor Marc Benioff, fundador da Salesforce, a frase, apesar de óbvia, pegou de calças curtas boa parte dos governantes, executivos e líderes presentes. De repente, perceberam que o futuro não era como no passado: lento, incremental e mais previsível. O futuro “do futuro” é rápido, disruptivo e imprevisível. Prova disso é que quase ninguém naquele encontro apostaria que um ano depois a pessoa mais poderosa do mundo seria quem é: Donald Trump.

A mesma imprevisibilidade valeria para o desconhecido ministro da economia francês presente no fórum. Emmanuel, quem? Macron, quem? Deliciava-se um dos principais jornais franceses.  Mas qual será o futuro da França não era a melhor pergunta do futuro presidente do país, mas sim qual será a França do futuro e quem a construirá. Diversos executivos presentes igualmente entenderam que suas empresas precisavam considerar seriamente o futuro dos seus mercados.

E os que estudam o assunto defendem que o “novo” futuro é construído por empreendedores, já que os fabricantes de velas nunca teriam lançado a lâmpada, pois seriam acusados de suicídio mercadológico. A relação é a mesma para todos que atuam em setores tradicionais, incluindo não apenas o privado, mas também os setores públicos e não-governamentais. Por isso, a destruição criativa, conceito cunhado pelo economista Joseph Schumpeter, pai do empreendedorismo moderno, só cresce em importância neste momento em que países, organizações e pessoas já não se questionam se sofrerão grandes e profundos impactos no futuro, mas sim quando isso acontecerá.

No mesmo encontro em Davos, foi discutido que 65% das crianças que estão no ensino fundamental atuarão em profissões que ainda não existem. Em parte, isso já é percebido em diversas novas posições demandadas pelas startups. Outro alerta é que milhões de empregos desaparecerão até 2020 em função do uso das novas tecnologias da chamada Quarta Revolução Industrial. Nesse contexto, muitos sabem que milhares de profissionais que atuam em call centers já estão sendo substituídos por tecnologias de inteligência artificial. E que isso avançará para portaria de prédios, vendedores, analistas e continuará sobre funções repetitivas executadas por advogados, engenheiros, médicos e até professores. Exemplo disso é a École 42, faculdade da área de tecnologia da informação com unidades em Paris e no Vale do Silício que se orgulha em ser gratuita, de não ter professores e, principalmente, de formar empreendedores que, por sua vez, criam startups e as tais profissões que ainda não existem.

Não por acaso, Xavier Niel, fundador da École 42, foi um dos principais apoiadores daquele jovem desconhecido ministro da economia francês que ouvia sobre a importância de não apenas entender o futuro, mas cria-lo por meio do empreendedorismo.
Pouco mais de um ano depois, Emmanuel Macron, já presidente da França, anunciou na última quinta-feira o programa French Tech Visa, em que oferece uma série de benefícios para quem tem interesse em criar, investir ou trabalhar em uma startup de tecnologia inovadora e disruptiva na França, especialmente para os talentos que não moram no país, mas teriam interesse em imigrar para lá.

“Quero que a França seja uma nação startup. Um país que pensa e atua como uma startup. Em resumo: Empreendedorismo é a nova França”, disse Macron.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

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