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Já ouviu falar em tecnologia assistiva?

7 de junho de 2018

Movido pela necessidade de se comunicar melhor com a filha Clara, que tem paralisia cerebral, o empreendedor pernambucano Carlos Pereira desenvolveu o Livox, um aplicativo para pessoas com algum tipo de deficiência motora, cognitiva ou visual se comuniquem e aprendam. Em Alagoas, Ronaldo Tenório, Thadeu Luz e Carlos Wanderlan criaram o Hand Talk – um software que traduz o português oral e escrito para a Língua Brasileira de Sinais. Em Blumenau, Marlon Souza e Jean Carlos Gonçalves desenvolveram a Playmove que tem, entre os produtos principais, a Playtable: uma plataforma ludopedagógica estruturada em uma mesa digital que apoia o aprendizado de crianças com dificuldades motoras e doenças como Síndrome de Down e Autismo.

Ao analisarmos o ecossistema de negócios de impacto social como um todo, nota-se que grandes inovações estão surgindo com base na tecnologia assistiva. O termo, originado do inglês assistive technology é utilizado para identificar recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar as habilidades funcionais de pessoas com deficiência, resultando em inclusão e melhor qualidade de vida. Temos identificado e potencializado empresas que desenvolveram produtos e serviços inovadores que representam uma das tendências no campo dos negócios que geram impacto social; soluções desenvolvidas e comercializadas no Brasil que estão ganhando o mundo.

Quando analisamos as demandas da população de baixa renda em setores estruturantes (saúde, educação, serviços financeiros e habitação, por exemplo) é óbvio que as pessoas com deficiência que estão na base da pirâmide são ainda mais desassistidas; estão em grave situação de risco social e impedidas de ter seu desenvolvimento pleno, muitas vezes, por falta de acesso a produtos e serviços adaptados a suas necessidades e realidade financeira. Ou seja, brasileiros expostos a um círculo vicioso de não prosperidade e desenvolvimento. Por outro lado, quando falamos em oportunidade de negócio e de impacto social, estamos olhando para um mercado potencial de 45,6 milhões de pessoas. Na prática, quase 24% da população brasileira, de acordo com o IBGE, possui algum tipo de deficiência. Desses, a maioria tem entre 15 e 64 anos, faixa etária de brasileiros apta ao trabalho.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que de sete habitantes do planeta, um vive com algum tipo de deficiência. Diante deste cenário, é preciso fazer uso da tecnologia para desenvolver produtos e serviços inovadores, que proporcionem e ampliem habilidades funcionais destas pessoas. Oferecer qualidade de vida e inclusão ao promover a autonomia – sobretudo da população menos favorecida, de baixa renda. Vale ressaltar que tecnologia assistiva é transversal a outros temas, como educação e saúde; e o impacto dessas soluções atinge, ainda, o entorno da pessoa com deficiência, incluindo familiares e sociedade.

Embora seja um mercado pouco explorado, há muita oportunidade para tornar cidades, produtos e serviços mais inclusivos, atingindo dentro deste recorte as pessoas de baixa renda. A estimativa é que a parcela da população brasileira com alguma deficiência, de todas as classes sociais, movimente R$ 22 bilhões por ano; no mundo, o valor chega a US$ 4,1 trilhões anuais. Cabe ressaltar que há modelos de receita diferenciados que não envolvem somente o beneficiário final como pagante. Ao ter formas de monetização que envolvem poder público e iniciativa privada, os negócios focados em tecnologia assistiva são altamente acessíveis à baixa renda.

A Artemisia tem trabalhado para apoiar empreendedores e empreendedoras que olham para esse potencial e enxergam um mercado real, lucrativo e de alto impacto social.

Maure Pessanha, coempreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.