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Inteligência coletiva para um mundo mais seguro, humano e sustentável

9 de fevereiro de 2015

Marcelo Pimenta é professor da ESPM

A tecnologia digital vem aproximando as pessoas para criar um mundo cada vez mais humano. Essa é principal conclusão do professor Julien Lévy, da Universidade HEC de Paris, ao analisar as mais de mil inovações apontadas como relevantes, em 2014, por estudantes e professores de treze países, para o Fórum NetExplo, que terminou na última quinta-feira.

A observação é baseada principalmente no fato de que cientistas e pesquisadores estão se esforçando na busca de tecnologias para fazer cidades cada vez mais inteligentes, seguras e sustentáveis. Onde as pessoas possam ter maior interação umas com as outras (mesmo que a distância) e que tenham o controle do impacto que estão gerando para o meio-ambiente. “A sociedade transparente é cada vez mais vigilante” acredita ele. Para justificar essa análise, destacou algumas invenções e experimentos recentes que ilustram suas conclusões. A síntese foi apresentada em três tópicos:

1) Cidades cada vez mais digitais e oferecendo opções personalizadas

As informações que cada um de nós fornecemos (seja porque publicamos nas redes ou usamos o GPS ou mesmo devido a navegarmos na Internet), quando agrupadas, devolvem ao usuário a opção para que ele tenha cada vez mais liberdade de escolha. As novidades que comprovam essa tendência são soluções como o Smart Walk (USA), que projeta nos espaços públicos, em tempo real, informações sobre o transporte, ofertas e eventos. Nessa mesma linha está o Local.app (Alemanha) que mostra dicas em tempo real de acordo com o contexto e a microlocalização do usuário. Já o Spins (França), antecipa as necessidades e sugere ações com base nos hábitos e preferências.

Essa opção de permiti que o usuário tenha mais poder de escolha a partir da análise dos dados coletivos serve também para oferecer mais saúde (ou prevenir riscos) para o cidadão. Como é o caso do SickWeather (USA) que analisa menções sobre doenças nas redes sociais e cria mapas de risco em tempo real. Ou ainda do Grillo (México) que alerta os usuários com antecedência sobre os riscos de terremoto.

2) As relações humanas vêm se tornando mais relevantes e empáticas.

A tecnologia em rede vem oferecendo mentoria para sugerir e orientar o cidadão. Não interessa se essa mentoria é feita por uma máquina ou por um indivíduo, as novidades apontam que esses meios se mesclam e se completam. Temos desde o caso do Teddy – The Guardian (Croácia) que é um urso de pelúcia que monitora os dados da criança em tempo real e alerta qualquer perigo – até o Mana.bo (Japão), onde a qualquer momento o estudante pode pedir ajuda a outro colega (em qualquer lugar do mundo) a respeito de uma dúvida. Já o Cheers (USA) é um tipo de cubo de gelo que contém um dispositivo que alerta amigos e familiares se o usuário bebeu demais e precisa de assistência. O Keyboard Emotion Identification (Bangladesh) consegue analisar através do comportamento do usuário no teclado do computador (se está digitando muito rápido, muito forte, se está apagando e reescrevendo muitas vezes o mesmo trecho) e consegue com mais de 80% de certeza revelar o estado emocional da pessoa. O CrowdEmotion (Reino Unido) ajuda a identificar o estado emocional dos bebês apenas com ferramentas de detecção e análise de de reconhecimento facial. Já o 7 Cups of Tea (USA) é uma comunidade online que já conta com 25 mil “escutadores” – pessoas anônimas que ficam à disposição de quem está deprimido, ansioso, solitário ou com outro distúrbio emocional.

3. A tecnologia a serviço de um mundo sustentável e inteligente.

O ser-humano parecer começar a ficar arrependido de usar de forma irresponsável os recursos naturais. Prova disso são aplicativos como o ArClean (Senegal), que permite que os cidadãos apontem locais onde há depósito irregular de lixo, construindo um mapa georeferenciado de áreas de risco que precisam de atenção do poder público. Ou do Local Warming (USA) que verifica se a sala ou ambiente está vazio e desliga automaticamente recursos como iluminação e climatização. Nessa categoria também está o GrandPrix do NetExplo 2015, o Wearable Thermo-Element (Coréia do Sul), que permite que celulares e gadgets sejam recarregados a partir do calor do corpo humano.

Vale destacar que a inteligência artificial vem ganhando espaço. O GridspaceMemo (USA) é uma ferramenta de reconhecimento vocal que analisa reuniões e encontros, a partir da identificação dos principais pontos, vai construindo relatórios e sínteses dos eventos. O Genetic Disease Detection (Reino Unido) é capaz de diagnosticar até 91 doenças genéticas a partir da análise de fotos de qualquer pessoa. O Knightscope (USA) é uma espécie de Robocop, um guarda robô autônomo e geolocalizado que a partir de análises de indicadores como temperatura, odor , calor e de ferramentas de reconhecimento visual (facial, de placas de automóveis, crachás, etc) monitora, prevê e previne crimes.

O NetExplo, como observatório independente, não faz previsões, ele apenas identifica e analisa, a partir do que vem sendo criado por cientistas, startups e pesquisadores de todo o mundo, o que de mais relevante está surgindo. Se tudo vai continuar sendo assim só o futuro nos dirá, mas, sem dúvida, temos agora mais pistas para descobrir para onde estamos caminhando.

 

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